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GENTE: Russ Meyer e suas musas

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Russ-Meyer
Do blog She Demons Zine
Roger Ebert, antes de ficar caduco e fazer uma cruzada contra os filmes de horror dos anos 80, costumava dizer que Russ Meyer (1922-2004) era o único verdadeiro ‘auteur’ americano. O argumento era simples: ao contrário de vários diretores, que se ‘contentavam’ em escrever, dirigir e talvez produzir sua obras, Meyer era pau prá toda obra: escrevia, dirigia, produzia, fotografava, comprava os vestidos, escolhia o elenco, montava e, depois do filme pronto, ia às ruas para vender seus filmes.
Uma pessoa com este ‘perfil’ (o pornógrafo oficial da América, como ele orgulhosamente se definia) ter trabalhado para o sistema de estúdios seria impensável… mas aconteceu. A Fox estava perdidinha: vinha perdendo dinheiro em filmes caríssimos (quase sempre musicais) que ninguém queria ver. Ao descobrir que Meyer fazia filmes baratos que rendiam dez vezes o dinheiro investido neles, não restou dúvida: este é o cara. Meyer, ao receber a proposta, exigiu autonomia, não queria ser apenas mais um contratado. Levou. E, em seu primeiro filme, ainda foi deixado em paz pelos executivos…
Várias qualidades valorizam “Beyond the Valley of the Dolls” (De Volta ao Vale das Bonecas, 1970). É a história de uma fictícia banda feminina, os Carry Nations, e sua ascenção e queda no Jet set americano. Ao contrário do que normalmente acontece, as músicas da ‘banda’ funcionam maravilhosamente. É considerada uma das melhores bandas fictícias da história do cinema.
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Em entrevistas (posteriores), Meyer disse que queria fazer, ao mesmo tempo uma sátira, um melodrama sério, um musical roqueiro, um violento exploitation, um filme de sacanagem (skin flick) e um drama moralista… acima de tudo, é um filme bonito, colorido, com cortes rápidos (a ´técnica’ de Meyer era ‘picotar’ o filme para disfarçar suas atrizes amadoras) e com generosa dose de nudismo de seu (belo) elenco feminino. Como um ‘plus’, ainda uma performance alucinada de John Lazar, como o psicopata à moda Charles Mason ‘Z-Man’. Uma performance tão boa que ficou marcado como doido e levou anos para conseguir emprego como ator de novo …
O filme foi um sucesso de bilheteria, apesar da censura ter feito questão de dar censura ‘X’. Não era essa a intenção de Meyer, que projetou seu filme para receber a classificação ‘R’, mais branda. Ao ficar sabendo que a censura era definitiva, Meyer tentou trazer o filme de volta para a edição, para ‘chutar o pau da barraca’ Mesmo assim o filme rendeu pelo menos cinco vezes seu custo. Só que a produtora foi acusada pelos jornais conservadores de distribuir pornografia. A autora do livro ‘O Vale das Bonecas’ se deu conta que sua obra ia servir de saco de pancada para o senso de humor de Meyer e Ebert e tentou embargar a obra. Acabou anos depois, num daqueles ‘acordos extrajudiciais’.
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RESENHA: A Cor Que Caiu do Espaço (2020)

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A cor que caiu do espaço

H.P Lovecraft voltou a ficar em evidência, seja em games como “Call of Cthulhu” (2018) e “The Sinking City” (2019) como em adaptações cinematográficas. Só neste ano de 2020 já tivemos duas obras inspiradas no autor, tendo elementos e personagens de suas obras em “Ameaça Profunda” e agora “A Cor Que Caiu do Espaço” (Color Out of Space), uma adaptação direta de um dos seus celebres contos e o motivo desse texto existir. (mais…)

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GAME: Blair Witch (2019)

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Blair Witch

Mais de 20 anos e “A Bruxa de Blair” (The Blair Witch Project) continua relevante e presente em nossa memória influenciando ainda a indústria cinematográfica e chegando em outras mídias como os games. E em 2019, exatamente duas décadas depois do lançamento do filme original, a E3 anunciava um novo game da franquia feita pelo estudio Blooper Team, responsavel pelo elogiado Layers of Fear.

Então, a pergunta que não quer calar pra você que se interessou e ainda não jogou é… presta? Ou seria algo esquecível como as sequências e o reboot da tela grande? O estúdio sabia da responsabilidade e do peso em levar uma marca famosa de volta ao mundo dos games e utilizou o aprendizado do jogo anterior para aprimorar a experiência. Aqui novamente temos uma câmera em primeira pessoa para causar mais imersão.

Vamos lá… A trama de Blair Witch se passa no ano de 1996, bem na época em que o evento do longa original se passa. Ocorre um novo sumiço na floresta. Dessa vez é de uma criança. O caso mobiliza a força policial e a população pela busca do garoto. No game, você assume o comando de um policial local que tem um passado bem traumático e que junto com seu cachorro segue sozinho em busca do que realmente aconteceu no local. O cachorro não é mero figurante e te auxilia nas buscas encontrando caminhos, itens ou detectando inimigos.

O jogador tem acesso a walkie talkies, celulares (daquele tipo tijolão), uma bolsa que guarda itens e colecionáveis (que são muitos), lanterna e claro, uma famosa handcam que tem a utilidade de visão noturna e que também roda fitas que se encontram no caminho e que ajudam no andamento da campanha. E é claro que logo encontrará os horrores que a famosa vilã colocará no caminho.

Sua arma é a lanterna, que além de auxiliar em lugares extremamente escuros, mata as criaturas das trevas quando as ilumina. O foco do game não é o combate e sim a exploração e resolução de puzzles. Ainda assim, em determinados momentos a luta se faz necessária. A trama em si é boa, mas poderia ser melhor. Ainda assim é bem mais desenvolvida que os filmes que vieram.

A duração do jogo depende do jogador. Eu, por exemplo, num primeiro gameplay levei 7 horas para zerar, mas da segunda vez em diante levei cerca de 3 horas. E graficamente falando é um jogo bonito até, mas não espere algo maravilhoso.

O fator replay se faz presente na forma de dois finais sendo um bom e outro ruim, além dos já citados colecionáveis que fornecem informações complementares. Blair Witch tem uma pegada mais psicólogica, porém sabe assustar em alguns momentos, seja nos bem dosados momentos de jumpscare ou na ambientação sinistra. Este gameé uma viagem de horror que honra o legado do filme original.

Escala de tocância de terror:

P.S.: Existem algumas referências a obra original, mas não entrei em detalhes por conta de spoilers.

Blair Witch esta disponivel para PC, Xbox One, Xbox series (via retrocompatibilidade), Ps4, Ps5 (via retrocompatibilidade) e Nintendo Switch.

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RESENHA: O Garoto Sombrio (2015)

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[Por Geraldo de Fraga]

Em 2011, o diretor Craig William Macneill e o escritor Clay McLeod Chapman se uniram para realizar o curta Henley, que mostrou a infância do serial killer Ted Henley e o início da sua trajetória macabra. Esse ano, os dois retomam a parceria para um projeto bem mais ambicioso: contar toda a história desse psicopata, não em um, mas em três longas.

A primeira parte da trilogia se chama The Boy e é focada nos primeiros anos de vida do futuro assassino. A história começa em 1989, com Ted Henley (Jared Breeze), então com nove anos, vivendo com seu pai, John (David Morse), num motel de beira de estrada que se encontra às moscas. O dia a dia do menino é entediante: quando não está limpando o local, brinca sozinho e procura animais mortos na rodovia.

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Essa rotina é quebrada quando um acidente na rodovia leva o estranho William Colby (Rainn Wilson, irreconhecível num papel dramático) a se hospedar em um dos quartos. Diferente dos outros hóspedes que já passaram pelo motel, Colby esconde alguns segredos e isso atiça a imaginação de Henley, a ponto de deixar fluir sua personalidade doentia.

Um ponto positivo de The Boy é que, ao contrário de vários outros filmes de psicopata, o protagonista aqui não se transforma no vilão por causa de um trauma ou de uma situação extrema. A maldade está nele desde sempre, esperando apenas uma brecha para vir à tona. A vontade de matar é acentuada pelo tédio e pela falta de perspectiva. Não há um julgamento moral de certo ou errado e, para o garoto, tudo é só mais um passatempo.

A negligência por parte do pai alcoólatra conta como o maior ponto para o estopim. É ele quem prende o garoto naquele ambiente hostil, o que já seria nocivo para uma criança normal. Seu estado de negação e inércia, apenas retarda o inevitável. “Esse menino tem olhos crescendo na nuca”, desabafa a Colby, em certo momento do filme, lamentando em ter razão.

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Sobre a construção do longa, a direção de Macneill é segura e consegue grandes atuações do trio de protagonistas. Jared Breeze tem tudo para ser lembrado como um dos melhores garotos problemas dos últimos anos, enquanto Morse e Wilson cumprem seus papéis com louvor. O roteiro de Chapman é afiado, com diálogos curtos, mas eficazes. Além de focar em pequenos detalhes para fazer a trama fluir. O ritmo, por muitas vezes lento, é essencial para a construção do clímax.

The Boy é um filme realista e sóbrio, esqueça todo o exagero de filmes sobre psicopatas mirins como O Anjo Malvado ou A Orfã, por exemplo. Além disso, essa primeira parte da trilogia nos brinda com um ótimo gancho para o segundo filme e já nos deixa sabendo do que Ted Henley é capaz de aprontar. E vale muito a pena acompanhá-lo em sua próxima jornada.

Escala de tocância de terror:

Nome original: The Boy
Direção: Craig William Macneill
Roteiro: Craig William Macneill e Clay McLeod Chapman
Elenco: Jared Breeze, David Morse e Rainn Wilson
Origem: EUA

Trailer

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