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RESENHA: John Carpenter's Cigarette Burns (2005)

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Por Jarmeson de Lima
CBwatching
Convidado a participar do projeto de TV “Masters of Horror”, John Carpenter produziu um episódio para a série em 2005. O episódio foi chamado de “Cigarette Burns” e de toda a primeira temporada do projeto, este foi o melhor telefilme. Se a partir do final dos anos 90, o mestre Carpenter deixou a desejar em suas obras, ele compensou toda esta baixa criatividade neste filme feito para a TV, que conta com a participação dos atores Udo Kier e Norman Reedus.
A história começa com uma projeção de cinema e o diálogo “Um filme é magia. E nas mãos certas é uma arma”. É assim que somos apresentados a Kirby Sweetman, personagem de Norman Reedus que é dono de um cinema afundado em dívidas e que também sabe como ninguém como achar películas raras pelo mundo.
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Certa noite ele é contratado por um rico cinéfilo para encontrar um filme raríssimo, cuja única cópia encontra-se desaparecida há anos. Trata-se de “La Fin Absolue du Monde”, uma película com uma fama maldita que se notabilizou por despertar a fúria e insanidade de plateias pelo mundo causando mortes em plena sessão.
O tal filme é tão sinistro que todos os envolvidos em sua produção acabaram com um fim trágico. Isso já seria motivo suficiente para Sweetman desistir da ideia, mas como a recompensa lhe salvaria de todos os seus problemas, ele decide enfrentar os possíveis perigos. Daí em diante ficamos sabendo que a cada passo que ele dá em direção ao encontro da cópia, as situações vão se tornando cada vez mais bizarras e com personagens ainda mais estranhos.
Cigarette-Burns
Carpenter sabiamente consegue nos envolver junto a esta trama misteriosa assim como seu personagem principal, onde passo a passo vamos descobrindo que o “filme” não é apenas um “filme”. Isso fica ainda mais claro com a metáfora da “marca de cigarro” na tela (traduzindo: quando um filme de 35mm é exibido, no final de cada rolo alguns frames vêm com uma espécie de queimadura no celuloide para indicar a troca por outro rolo) mostrando a imersão do personagem no trágico destino dos que viram “La Fin Absolue du Monde”.
É delicioso ver como o mestre do horror revisita um pouco da metalinguagem que exercitou em “À Beira da Loucura” (“In the mouth of Madness”) nesta obra mais recente, usando neste caso não a literatura, mas diversas referências da sétima arte. Mas como o filme é feito para a TV, uma dúvida que paira é se o roteiro teve que ser muito enxugado para caber nos 57 minutos de história. De certa forma fica um gostinho de “quero mais” ao fim do filme, mas isso foi algo que John Carpenter sempre soube fazer bem em sua trajetória.
Cigarette Burns


Para ouvir mais sobre o filme e outras obras de Carpenter:
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SÉRIE: What We Do in the Shadows (2019)

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What We Do in the Shadows

Na próxima quinta (15 de abril), estreia no canal FX dos EUA a segunda temporada de What We Do in the Shadows, série baseada no filme de mesmo nome lançado em 2014. Aqui no Brasil, sua primeira temporada foi exibida no ano passado pela Fox Premium. Vamos aproveitar então o retorno do programa lá fora para tecer algumas linhas sobre a atração.

Se você assistiu ao filme, fique sabendo que a mecânica é a mesma do longa. Uma equipe de filmagem que nunca aparece acompanha a rotina de três vampiros centenários que vivem na mesma casa e tentam se adequar ao mundo moderno. A principal mudança em relação à obra original é que a história se passa nos EUA, mais precisamente em Staten Island, Nova York.

O elenco também é outro Com a adição de uma personagem feminina, Nadja (Natasia Demetriou), e do lacaio Guillermo (Harvey Guillén), o trio de vampiros se completa com Nandor (Kayvan Novak) e Laszlo (Matt Berry). Há ainda um personagem recorrente, Colin Robinson (Mark Proksch), um humano que se apresenta como “vampiro de energia” e que se alimenta da força vital das pessoas, deixando-as entediadas.

A vida deles segue tranquila, até que eles são obrigados a receber como hóspede o barão Afanas (Doug Jones coberto de maquiagem, para variar), um vampiro milenar que vem da Europa e sonha em conquistar a América. Apesar desse ponto de partida, o enredo não se apega muito a ele. Como seriado, What We Do in the Shadows é basicamente uma sitcom, na qual o roteiro tenta brincar com os clichês da mitologia e da cultura pop.

No filme isso deu muito certo, mas ao longo de 10 capítulos, a série não se sustenta. Há momentos brilhantes, mas eles são raridades. Destaque para os episódios The Trial, com a participação de vários atores que interpretaram vampiros no cinema (como Wesley Snipes e Danny Trejo), e The Orgy, no qual, como o próprio nome diz, uma orgia vampírica é organizada, sem muito sucesso.

Porém, a impressão que fica é que assistir What We Do in the Shadows é um grande esforço para poucas risadas, mesmo que seus capítulos tenham apenas 30 minutos em média. Uma pena, pois o elenco todo é muito bom. Esperamos que nessa segunda temporada, os roteiristas estejam mais inspirados.

Escala de tocância de terror:

Direção: Jemaine Clement e Taika Waititi
Roteiro: Jemaine Clement e Taika Waititi
Elenco: Kayvan Novak, Matt Berry e Natasia Demetriou
Origem: EUA

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RESENHA: Maria e João – O Conto das Bruxas (2020)

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Maria e João

MARIA E JOÃO – O CONTO DAS BRUXAS é inspirado num dos contos mais conhecidos dos irmãos Grimm que já foi adaptado várias vezes pras telas. Até uma versão estilizada estrelando o Gavião Arqueiro dos Vingadores já teve! Agora é a vez de Osgood “Oz” Perkins dar sua visão à história optando pelo horror de fato nos oferecendo uma fábula cruel e cabulosa típica dos contos originais. (mais…)

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RESENHA: Quando as Luzes se Apagam (2016)

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Quando as Luzes se Apagam

[Por Jarmeson de Lima]

Em sua essência, “Quando as Luzes se Apagam” é mais um drama familiar sobrenatural. Temos aqui uma mãe traumatizada, uma criança assustada, um pai desaparecido e uma filha rebelde compondo o núcleo principal desta produção que nos envolve em uma trama alegórica sobre o medo do escuro.
(mais…)

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