conecte-se conosco

Resenhas

RESENHA: Head Case (2007)

Publicados

em

headcase
Por Osvaldo Neto
HEAD CASE faz parte da leva atual de filmes que usam o “mockumentary” no cinema de horror. Aos que não conhecem o termo, os exemplares do subgênero são filmes de ficção, com atores, roteiro e direção feito como se fosse um documentário, como se as imagens registradas na câmera fossem reais. Quem assistiu CANNIBAL HOLOCAUST sabe que não se trata de nenhuma novidade e que sua popularização foi possível por conta de A BRUXA DE BLAIR, mas isso não impede que mais filmes sejam feitos se utilizando do formato, inclusive de orçamento minúsculo e carater experimental como HEAD CASE.
O jovem cineasta Anthony Spadaccini nos apresenta a Wayne e Andrea Montgomery, vividos por Paul McCloskey e Barbara Lessin, que são pais de dois filhos (Bruce De Santis e Emily Spiegel) e poderiam muito bem ser aquele casal aparentemente simpático que cruza conosco quase todo dia e acena um ‘bom dia’. Na verdade, os Montgomery são assassinos em série cujas atividades noturnas se resumem a sair, escolher suas vítimas, drogar, torturar e matá-las.
Tudo em frente à câmera, já que o filme é editado com o material encontrado na casa deles, em ordem cronológica, com o apoio das famílias dos inocentes assassinados. Outro detalhe: o casal usa tripé ao filmar alguns de seus crimes, ou seja, não há tanto tremilique.
hcasescr2
Assistir HEAD CASE não foi tarefa fácil. Fiquei tentado a usar o botão de FF no DVD em diversos momentos, não por conta das cenas de violência, mas pelo fato do filme ser lentíssimo. Existem coisas que poderiam ser enxugadas no corte final, cenas que a meu ver não levam a lugar nenhum, ficando a sensação de que talvez o diretor tenha se perdido na hora de editar o material. Digo talvez porque isso contribui para o filme ser ainda mais incômodo e deixar o espectador incomodado é algo que Anthony quer.
Não há alívio, uma chance para respirar. Somos meros espectadores das caçadas de Wayne e Andrea e nada podemos fazer pelas vítimas, que veremos morrer uma a uma até a chegada do seu final. A violência segue a cartilha deixada por HENRY – RETRATO DE UM ASSASSINO e O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA: quanto menos se mostra, mais se escuta e imagina. Há momentos que não devem sair de minha cabeça tão cedo, como Andrea recebendo um presente surpresa de Natal e o sorridente Wayne falando “opa, dois pelo preço de um” enquanto abre uma garota que descobre estar grávida.
hcasescr1
Na procura por informações dos bastidores, soube que Anthony não usou roteiro durante as filmagens, preferindo que seus atores improvisarem nos diálogos e na maior parte das situações que os personagens se encontram. Isso pode até ser notado, mas não esperava que fosse em todas as cenas, então nesse aspecto, o elenco limitado surpreende. Os fãs do gênero deverão apreciar a participação especial da ‘scream queen’ Brinke Stevens como a mãe de Wayne, numa das melhores cenas da produção. Segundo o realizador, foi a primeira vez em que a atriz trabalhou com improviso na sua carreira no cinema.
Pretensioso, lento, artístico são adjetivos que podem ser dados a ele, mas ainda assim, digo que valeu a pena conhecer o trabalho de Spadaccini. E que preciso conhecer mais filmes como HEAD CASE.
Direção: Anthony Spadaccini
Roteiro: Anthony Spadaccini
Elenco: Paul McCloskey, Barbara Lessin, Brinke Stevens
Origem: EUA

* Publicado originalmente no blog Vá e Veja.

Gosta de nosso trabalho? Então nos dê aquela forcinha contribuindo através do PicPay!

Continue lendo
Clique para comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Resenhas

RESENHA: Deuses Americanos (2017)

Publicados

em

Shadow Moon (Ricky Whittle) é um sujeito bem azarado. Poucos dias antes de deixar a prisão, ele fica sabendo que sua esposa morreu. E que ela o estava traindo com seu chefe e melhor amigo. Viúvo e desempregado, ele ganha a liberdade, porém, está quebrado. Na viagem para casa, ele conhece o excêntrico Mr. Wednesday (Ian McShane) que lhe oferece um trabalho temporário como seu segurança em uma viagem pelos Estados Unidos. (mais…)

Gosta de nosso trabalho? Então nos dê aquela forcinha contribuindo através do PicPay!

Continue lendo

Resenhas

EVENTO: Estúdio Hammer – A Fantástica Fábrica de Horror (Jan/2021)

Publicados

em

A mostra Estúdio Hammer – A Fantástica Fábrica de Horror exibirá 30 longas-metragens, produzidos entre as décadas de 1950, quando foram lançados os primeiros filmes de terror do estúdio, passando pelo auge dos anos 1960, até o início da sua decadência nos anos 1970. São filmes que tem uma legião de fãs no mundo todo e que são, até hoje, cultuados, copiados, parodiados e reverenciados.

As sessões dos filmes acontece de forma presencial, nos cinemas dos CCBBs. Em São Paulo, a mostra acontece de 20 de janeiro a 8 de fevereiro, de quarta-feira a domingo. Serão realizados também eventos on-line: uma masterclass (21/01, 19h) com o cineasta Rodrigo Aragão, a maior referência em filme de terror no Brasil; dois debates (28/01 e 04/02 às 19h); e um curso de duas aulas com o curador Eduardo Reginato (27/01 e 3/02 às 19h). Os links para as atividades on-line, com capacidade para 500 pessoas, serão divulgados na página www.facebook.com/mostraestudiohammer. Tudo gratuito. O projeto é patrocinado pelo Banco do Brasil, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.

Os curadores Eduardo Reginato e Danilo Crespo destacam, entre os títulos da mostra, o primeiro filme do Estúdio Hammer com o Conde Drácula: O Vampiro da Noite (Horror of Dracula, 1958), com os atores que se tornariam os grandes astros do gênero – Peter Cushing e Christopher Lee; uma versão do clássico de Sherlock Holmes O Cão dos Baskervilles (The hound of the Baskervilles, 1959); os filmes de múmias e monstros de Frankenstein que tem um toque especial, diferente dos clássicos americanos, como A Maldição da Múmia (The curse of the mummy’s tomb, 1964) e O Horror de Frankenstein (The horror of Frankenstein, 1970); além de Atração Mortal (The vampire lovers, 1970), uma história de vampiras sensuais que aterrorizam um vilarejo.

“O segmento de horror dos Estúdios Hammer surgiu devido a imensa demanda dos adolescentes e jovens adultos por histórias mais violentas, sensuais e aterrorizantes diferentes da morna e conservadora programação da TV inglesa. No Brasil, os filmes eram exibidos nas sessões da madrugada nas TVs nos anos 1970 e 1980. Era comum as crianças e adolescentes fingirem dormir até o momento da madrugada em que o filme da Hammer começaria e na ‘clandestinidade’ ligar a TV para assistir um delicioso filme de terror que mais divertia do que assustava”, comenta Eduardo Reginato.

O Estúdio Hammer era uma pequena produtora britânica de produção familiar que dominou o mercado global de terror e continua sendo altamente influente. A Hammer ressuscitou os ícones góticos descartados por Hollywood após a II Grande Guerra em filmes elegantes, sensuais e violentos que capturaram a essência da forma literária original e funcionaram como reflexos sombrios do drama convencional, da mesma forma que narrativas góticas inverteram o realismo oitocentista. Embora a idade de ouro do Hammer tenha terminado no início dos anos setenta, a marca continua sendo sinônimo de horror e o estúdio, muito parecido com Drácula, saiu recentemente do túmulo e voltou a produzir novos filmes.

Durante 40 anos o Estúdio Hammer produziu mais de 300 obras. Seus filmes lançaram estrelas que se tornaram lendas do cinema, foram dirigidos por grandes cineastas e são marcados por compositores talentosos. O legado do Hammer ajudou a revitalizar todo um gênero de histórias, deu origem a alguns dos maiores talentos da Grã-Bretanha e continuou a inspirar outros filmes como The Rocky Horror Picture Show, The Mummy (versões de Brendan Fraser e Tom Cruise) e muitos outros.

ESTÚDIO HAMMER – A FANTÁSTICA FÁBRICA DE HORROR
De janeiro a fevereiro de 2021

CCBB RJ – 6 de janeiro a 1º de fevereiro
CCBB SP – 20 de janeiro a 8 de fevereiro
CCBB DF – 2 a 21 de fevereiro
Confira a Programação completa
Ingresso: ENTRADA FRANCA
Patrocínio: Banco do Brasil
Curadoria: Eduardo Reginato e Danilo Crespo
Realização: Centro Cultural Banco do Brasil

Gosta de nosso trabalho? Então nos dê aquela forcinha contribuindo através do PicPay!

Continue lendo

Resenhas

RESENHA: O Que Nos Mantêm Vivos (2018)

Publicados

em

O Que Nos Mantêm Vivos

O cinema com temática LGBTQI+ está cada vez mais ganhando visibilidade. Dentre os gêneros abordados, o terror também se encontra presente. Pessoalmente não conheço muitos filmes com uma pegada séria, uma vez que sempre acabam flertando com a comédia, como é o caso de “Matadores de Vampiras Lésbicas” (2009) ou “The Curse of the Queerwolf” (1988). Existem, sim filmes mais sérios como “Parceiros da Noite” (1980), mas obviamente são casos raros. Recentemente, navegando pela Amazon Prime, descobri o filme “O Que Nos Mantêm Vivos”, um filme de terror de sobrevivência estrelado por um casal lésbico.

A trama acompanha o casal Jackie e Jules que está comemorando o seu primeiro ano de casamento indo para uma casa de campo. As coisas começam bem, mas alguns segredos e mentiras vêm à tona e o que seria um fim de semana romântico se torna um pesadelo imprevisível. Falar mais que isso seria spoiler e já adianto que evitem o trailer antes de assistir, pois ele conta o filme todo.

Casais apaixonados em casas no meio do nada sendo apavorados não é algo novo e esse filme tenta não reinventar a roda, mesmo com seus momentos de surpresa. As duas atrizes seguram as pontas e dão mais camadas às suas personagens na medida em que o caos emerge. O jogo de gato e rato é interessante e por vezes instigante, me lembrando o superior “Hush – A Morte Ouve” (2014). A direção consegue na maior parte do tempo captar a tensão e a loucura, mesmo que em alguns momentos escorregadios, as cenas se transformem em algo quase caricato.

Uma coisa que me incomodou em “O Que Nos Mantêm Vivos” foi o uso de estereótipos para caracterizar as personagens. Na maioria dos filmes do gênero sempre parece uma regra ter que se colocar alguém do casal de forma mais masculinizada para se ter uma distinção do seu par. Isso vale para casais gays também, claro. É como se a audiência hétero não pudesse enxergá-los simplesmente como um casal se não tiver essas características aparentes. Outra coisa que me irritou foi se utilizar do manjado artifício da burrice de certa personagem para fazer a trama prosseguir. Ficam claras várias possibilidades, mas o roteiro teima em ir pelo caminho mais fácil.

Embora o filme apele mais para o psicológico, o gore aparece aqui e ali para salpicar a tela de vermelho. No fim é um bom filme que te prende até o final, mesmo por vezes te fazendo virar os olhos em descrédito. Divertido, “O Que Nos Mantêm Vivos” merece ser mais visto.

Escala de tocância de terror:

Título original: What Keeps You Alive
Direção e roteiro: Colin Minihan
Elenco: Hannah Emily Anderson, Britany Allen, Joey Klein
Ano de lançamento: 2018
País de origem: Canadá

Gosta de nosso trabalho? Então nos dê aquela forcinha contribuindo através do PicPay!

Continue lendo

Trending