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RESENHA: Blutgletscher (2013)

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Por Geraldo de Fraga

Todo mundo sabe que, na história do cinema, existe uma infinidade de filmes parecidos uns com os outros. Não estamos falando de remakes ou de adaptações, apenas de uma idéia inicial que pode seguir caminhos diferentes e gerar obras independentes tendo apenas em comum um ponto de partida semelhante.

Existem vários filmes com a mesma premissa e que se valem de enredos diferentes para se manterem distantes, primando, claro, pela qualidade do roteiro. Infelizmente, não foi o que o austríaco Marvin Kren conseguiu fazer com Blutgletscher, seu segundo longa, lançado no ano passado. É impossível assisti-lo sem que as comparações com Enigma do Outro Mundo, de John Carpenter, surjam de cinco em cinco minutos.

Vamos à sinopse: Em uma estação de pesquisa na região dos Alpes na Áustria, uma equipe de três cientistas está realizando um trabalho de coleta geológica. A relação entre eles é tranquila. O ponto de turbulência do local fica a cargo do técnico Janek (Gerhard Liebmann) – personagem pra lá de inspirado no R.J. MacReady do Kurt Russell – que está sempre bêbado e de mau humor, a não ser com seu cachorro Tinnie.

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Em meio a uma das expedições, ele e um dos cientistas encontram um material biológico que brota de uma geleira e, claro, levam uma amostra para o laboratório. A coisa se revela uma forma de vida totalmente desconhecida. Ainda durante essa expedição, Tinnie é atacado, supostamente por uma raposa, e retorna ferido.

Em uma segunda visita ao local, eles acham uma estranha criatura e a coletam para estudo. A partir daí, o roteiro descamba para uma sucessão de fatos apressados. Em apenas uma olhada no microscópio, a especialista em biologia do local já descobre do que se trata o achado. Um tipo de organismo que consegue combinar os DNAs de todas as formas de vida com as quais entra em contato através do sangue. Para explicar melhor: o organismo começa a criar animais que são uma mistura de vários bichos. Logo de cara, a estação de pesquisa começa a ser atacada por uma raposa-cachorro-pulga que deixa todo mundo em estado de alerta.

Como se não bastasse a confusão armada, está agendada para o dia seguinte a visita da ministra de Meio Ambiente austríaca às instalações da pesquisa. Enquanto a equipe de cientistas tenta esconder a descoberta da autoridade, Janek tenta alertá-los do perigo, tendo em vista que sua ex-namorada está vindo para o local junto com a comitiva da autoridade em questão.

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Esse segundo núcleo do filme, onde está a mocinha, também começa a ser perseguido por algumas criaturas. E são nessas cenas que fica evidente o baixo orçamento do filme. Enquanto que na investida da raposa-cachorro-pulga, o bicho não aparece por inteiro, nesse segmento os planos são abertos e vemos um falcão mutante criado com um CGI paupérrimo, no melhor estilo SyFy Channel.

Quando os dois grupos se encontram, o filme vira simplesmente a história de um monte de gente presa em um local isolado sendo atacado por seres mutantes. Porém, ali estava a chance de Marvin Kren “enfeitar” sua obra com todo tipo de criatura bizarra, algo totalmente esperado dado a sua premissa. Mas não é o que acontece. Tirando os dois monstrinhos já citados, pouca coisa interessante surge diante das câmeras.

E quando você começa a desejar que tudo aquilo termine o mais rápido possível, pois aquela sensação de perda de tempo já lhe dominou, vem a cereja do bolo. E o que já estava ruim, piora. Piora muito. O final que Blutgletscher nos reserva é um dos desfechos mais melosos e ridículos de toda a história do terror/ficção científica. Ver esse longa austríaco só tem uma coisa de bom: dá uma vontade danada de assistir Enigma do Outro Mundo.

Nota: 1,0

Direção: Marvin Kren
Roteiro: Benjamin Hessler, Marvin Kren
Elenco: Gerhard Liebmann, Edita Malovcic, Santos
Origem: Áustria

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=Vs77XEappHA&w=560&h=315]

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RESENHA: A Cor Que Caiu do Espaço (2020)

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A cor que caiu do espaço

H.P Lovecraft voltou a ficar em evidência, seja em games como “Call of Cthulhu” (2018) e “The Sinking City” (2019) como em adaptações cinematográficas. Só neste ano de 2020 já tivemos duas obras inspiradas no autor, tendo elementos e personagens de suas obras em “Ameaça Profunda” e agora “A Cor Que Caiu do Espaço” (Color Out of Space), uma adaptação direta de um dos seus celebres contos e o motivo desse texto existir. (mais…)

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GAME: Blair Witch (2019)

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Blair Witch

Mais de 20 anos e “A Bruxa de Blair” (The Blair Witch Project) continua relevante e presente em nossa memória influenciando ainda a indústria cinematográfica e chegando em outras mídias como os games. E em 2019, exatamente duas décadas depois do lançamento do filme original, a E3 anunciava um novo game da franquia feita pelo estudio Blooper Team, responsavel pelo elogiado Layers of Fear.

Então, a pergunta que não quer calar pra você que se interessou e ainda não jogou é… presta? Ou seria algo esquecível como as sequências e o reboot da tela grande? O estúdio sabia da responsabilidade e do peso em levar uma marca famosa de volta ao mundo dos games e utilizou o aprendizado do jogo anterior para aprimorar a experiência. Aqui novamente temos uma câmera em primeira pessoa para causar mais imersão.

Vamos lá… A trama de Blair Witch se passa no ano de 1996, bem na época em que o evento do longa original se passa. Ocorre um novo sumiço na floresta. Dessa vez é de uma criança. O caso mobiliza a força policial e a população pela busca do garoto. No game, você assume o comando de um policial local que tem um passado bem traumático e que junto com seu cachorro segue sozinho em busca do que realmente aconteceu no local. O cachorro não é mero figurante e te auxilia nas buscas encontrando caminhos, itens ou detectando inimigos.

O jogador tem acesso a walkie talkies, celulares (daquele tipo tijolão), uma bolsa que guarda itens e colecionáveis (que são muitos), lanterna e claro, uma famosa handcam que tem a utilidade de visão noturna e que também roda fitas que se encontram no caminho e que ajudam no andamento da campanha. E é claro que logo encontrará os horrores que a famosa vilã colocará no caminho.

Sua arma é a lanterna, que além de auxiliar em lugares extremamente escuros, mata as criaturas das trevas quando as ilumina. O foco do game não é o combate e sim a exploração e resolução de puzzles. Ainda assim, em determinados momentos a luta se faz necessária. A trama em si é boa, mas poderia ser melhor. Ainda assim é bem mais desenvolvida que os filmes que vieram.

A duração do jogo depende do jogador. Eu, por exemplo, num primeiro gameplay levei 7 horas para zerar, mas da segunda vez em diante levei cerca de 3 horas. E graficamente falando é um jogo bonito até, mas não espere algo maravilhoso.

O fator replay se faz presente na forma de dois finais sendo um bom e outro ruim, além dos já citados colecionáveis que fornecem informações complementares. Blair Witch tem uma pegada mais psicólogica, porém sabe assustar em alguns momentos, seja nos bem dosados momentos de jumpscare ou na ambientação sinistra. Este gameé uma viagem de horror que honra o legado do filme original.

Escala de tocância de terror:

P.S.: Existem algumas referências a obra original, mas não entrei em detalhes por conta de spoilers.

Blair Witch esta disponivel para PC, Xbox One, Xbox series (via retrocompatibilidade), Ps4, Ps5 (via retrocompatibilidade) e Nintendo Switch.

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RESENHA: O Garoto Sombrio (2015)

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[Por Geraldo de Fraga]

Em 2011, o diretor Craig William Macneill e o escritor Clay McLeod Chapman se uniram para realizar o curta Henley, que mostrou a infância do serial killer Ted Henley e o início da sua trajetória macabra. Esse ano, os dois retomam a parceria para um projeto bem mais ambicioso: contar toda a história desse psicopata, não em um, mas em três longas.

A primeira parte da trilogia se chama The Boy e é focada nos primeiros anos de vida do futuro assassino. A história começa em 1989, com Ted Henley (Jared Breeze), então com nove anos, vivendo com seu pai, John (David Morse), num motel de beira de estrada que se encontra às moscas. O dia a dia do menino é entediante: quando não está limpando o local, brinca sozinho e procura animais mortos na rodovia.

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Essa rotina é quebrada quando um acidente na rodovia leva o estranho William Colby (Rainn Wilson, irreconhecível num papel dramático) a se hospedar em um dos quartos. Diferente dos outros hóspedes que já passaram pelo motel, Colby esconde alguns segredos e isso atiça a imaginação de Henley, a ponto de deixar fluir sua personalidade doentia.

Um ponto positivo de The Boy é que, ao contrário de vários outros filmes de psicopata, o protagonista aqui não se transforma no vilão por causa de um trauma ou de uma situação extrema. A maldade está nele desde sempre, esperando apenas uma brecha para vir à tona. A vontade de matar é acentuada pelo tédio e pela falta de perspectiva. Não há um julgamento moral de certo ou errado e, para o garoto, tudo é só mais um passatempo.

A negligência por parte do pai alcoólatra conta como o maior ponto para o estopim. É ele quem prende o garoto naquele ambiente hostil, o que já seria nocivo para uma criança normal. Seu estado de negação e inércia, apenas retarda o inevitável. “Esse menino tem olhos crescendo na nuca”, desabafa a Colby, em certo momento do filme, lamentando em ter razão.

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Sobre a construção do longa, a direção de Macneill é segura e consegue grandes atuações do trio de protagonistas. Jared Breeze tem tudo para ser lembrado como um dos melhores garotos problemas dos últimos anos, enquanto Morse e Wilson cumprem seus papéis com louvor. O roteiro de Chapman é afiado, com diálogos curtos, mas eficazes. Além de focar em pequenos detalhes para fazer a trama fluir. O ritmo, por muitas vezes lento, é essencial para a construção do clímax.

The Boy é um filme realista e sóbrio, esqueça todo o exagero de filmes sobre psicopatas mirins como O Anjo Malvado ou A Orfã, por exemplo. Além disso, essa primeira parte da trilogia nos brinda com um ótimo gancho para o segundo filme e já nos deixa sabendo do que Ted Henley é capaz de aprontar. E vale muito a pena acompanhá-lo em sua próxima jornada.

Escala de tocância de terror:

Nome original: The Boy
Direção: Craig William Macneill
Roteiro: Craig William Macneill e Clay McLeod Chapman
Elenco: Jared Breeze, David Morse e Rainn Wilson
Origem: EUA

Trailer

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