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RESENHA: O Maníaco (1980)

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maniaco

Por Júlio César Carvalho

“Eu te avisei para não sair hoje a noite!”

Estive revisitando esse clássico slasher do início dos anos 80, e constatando que O MANÍACO é realmente muito bom e ficando na dúvida se Joe Spinell é dodói de verdade.

A premissa aqui é simples e direta: acompanhamos Frank Zito. Um cara solitário. Bom, mais ou menos, pois ele vive com vários manequins de loja em seu humilde lar. E o que ele faz da vida? Mata e escalpela mulheres! As vítimas aqui são um assunto a parte pois tem de tudo, variando de prostituta à enfermeira. Detalhe: todas são gatas!

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Aliás, é justamente esse detalhe estético que atrai o nosso protagonista. E vale ressaltar que, feio que só ele, Frank é bem descolado e consegue sempre se chegar nas gatinhas. O filme acerta em cheio em nos manter apenas sob a ótica do protagonista revelando assim o quão multifacetado um assassino pode ser e que apesar de cruel, sofre com seus atos brutais. A performance icônica de Spinell, que também assina o roteiro, nos mostra que não é legal ser um maníaco. Muitas vezes, Zito tem intensos diálogos “sozinho” que aos poucos revelam seus traumas de infância relacionados a sua falecida mãe. Spinell consegue ser sutil ao mudar o tom de voz quando encarna o papel de sua mãe, assim como de forma exagerada expressa intensamente sua raiva quando ataca suas vítimas.

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Joe, você está atuando, certo?

A violência é explícita, afinal estamos falando de um filme que ainda carrega a vibe dos insanos anos 70, com direito ao sangue “vermelho tomate” e tudo. Contando com ninguém menos que Tom Savini como responsável pelos efeitos gore, O MANÍACO nos confere vários momentos nojentos e marcantes. Além das escalpeladas em close, lembrando os filmes do Argento, a cena que te faz soltar um “TÁQUEOPARIU” em voz alta é sem dúvida a que Frank, sem dó nem piedade, manda um tiro de 12 na cara do personagem do próprio Tom Savini. Cena esta que só pode ser comparada a cabeça explodindo do maravilhoso SCANNERS do Cronenberg.

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O MANÍACO é visivelmente de baixo orçamento, mas é muito bem dirigido. Logo no início, de forma genial e ousada, um detalhe chave para o ponto principal da trama é rapidamente mostrado, mas pode passar despercebido da primeira vez. Outro destaque, é a sequência do metrô que é um espetáculo de tão tensa que é. Ela mantém a constante dúvida se a moça consegue escapar ou não, resultado no qual não vou contar.

Pra quem não sabe, o diretor William Lustig é o responsável pela trilogia do ilustre MANIAC COP e outros filmes que valem a pena conferir. O ritmo é crescente como deve ser, nos levando à um final interessantíssimo, surpreendente e até polêmico. O MANÍACO cumpre o que promete de forma magistral e com muita personalidade, coisa rara nos filmes do estilo atuais. Altamente recomendado.

Veredicto: OBRIGATÓRIO!

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Parabéns, ficou ótimo!

Título original: Maniac
Direção: William Lustig
Roteiro: C.A. Rosenberg, Joe Spinell
Elenco: Joe Spinell, Caroline Munro, Abigail Clayton
Origem: EUA

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1 comentário

  1. Frank Charles

    4 de Maio de 2014 a 01:22

    Melhor filme do Lustig, e um dos melhores dos anos 80 no tema. Um dos mais intensos e palpáveis retratos no cinema da figura do psicopata assassino, ao lado de Angst, Henry e Minha Vingança.

  2. calvin

    15 de Maio de 2014 a 21:52

    deu a louca nos monstros merecia ser tão lembrado quanto goonies

  3. Pingback: DICA DA SEMANA: The Last Horror Film (1982) | Toca o Terror

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SÉRIE: What We Do in the Shadows (2019)

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What We Do in the Shadows

Na próxima quinta (15 de abril), estreia no canal FX dos EUA a segunda temporada de What We Do in the Shadows, série baseada no filme de mesmo nome lançado em 2014. Aqui no Brasil, sua primeira temporada foi exibida no ano passado pela Fox Premium. Vamos aproveitar então o retorno do programa lá fora para tecer algumas linhas sobre a atração.

Se você assistiu ao filme, fique sabendo que a mecânica é a mesma do longa. Uma equipe de filmagem que nunca aparece acompanha a rotina de três vampiros centenários que vivem na mesma casa e tentam se adequar ao mundo moderno. A principal mudança em relação à obra original é que a história se passa nos EUA, mais precisamente em Staten Island, Nova York.

O elenco também é outro Com a adição de uma personagem feminina, Nadja (Natasia Demetriou), e do lacaio Guillermo (Harvey Guillén), o trio de vampiros se completa com Nandor (Kayvan Novak) e Laszlo (Matt Berry). Há ainda um personagem recorrente, Colin Robinson (Mark Proksch), um humano que se apresenta como “vampiro de energia” e que se alimenta da força vital das pessoas, deixando-as entediadas.

A vida deles segue tranquila, até que eles são obrigados a receber como hóspede o barão Afanas (Doug Jones coberto de maquiagem, para variar), um vampiro milenar que vem da Europa e sonha em conquistar a América. Apesar desse ponto de partida, o enredo não se apega muito a ele. Como seriado, What We Do in the Shadows é basicamente uma sitcom, na qual o roteiro tenta brincar com os clichês da mitologia e da cultura pop.

No filme isso deu muito certo, mas ao longo de 10 capítulos, a série não se sustenta. Há momentos brilhantes, mas eles são raridades. Destaque para os episódios The Trial, com a participação de vários atores que interpretaram vampiros no cinema (como Wesley Snipes e Danny Trejo), e The Orgy, no qual, como o próprio nome diz, uma orgia vampírica é organizada, sem muito sucesso.

Porém, a impressão que fica é que assistir What We Do in the Shadows é um grande esforço para poucas risadas, mesmo que seus capítulos tenham apenas 30 minutos em média. Uma pena, pois o elenco todo é muito bom. Esperamos que nessa segunda temporada, os roteiristas estejam mais inspirados.

Escala de tocância de terror:

Direção: Jemaine Clement e Taika Waititi
Roteiro: Jemaine Clement e Taika Waititi
Elenco: Kayvan Novak, Matt Berry e Natasia Demetriou
Origem: EUA

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RESENHA: Maria e João – O Conto das Bruxas (2020)

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Maria e João

MARIA E JOÃO – O CONTO DAS BRUXAS é inspirado num dos contos mais conhecidos dos irmãos Grimm que já foi adaptado várias vezes pras telas. Até uma versão estilizada estrelando o Gavião Arqueiro dos Vingadores já teve! Agora é a vez de Osgood “Oz” Perkins dar sua visão à história optando pelo horror de fato nos oferecendo uma fábula cruel e cabulosa típica dos contos originais. (mais…)

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RESENHA: Quando as Luzes se Apagam (2016)

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Quando as Luzes se Apagam

[Por Jarmeson de Lima]

Em sua essência, “Quando as Luzes se Apagam” é mais um drama familiar sobrenatural. Temos aqui uma mãe traumatizada, uma criança assustada, um pai desaparecido e uma filha rebelde compondo o núcleo principal desta produção que nos envolve em uma trama alegórica sobre o medo do escuro.
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