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RESENHA: Amantes Eternos (2014)

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only_lovers_left_alive_ver5Por Geraldo de Fraga

Não é de hoje que histórias de vampiros são utilizadas em metáforas. Não é de hoje mesmo. Lá em 1897, quando Bram Stoker lançou Drácula, o personagem principal da sua obra já elegia os moradores do Leste Europeu como os vilões da Europa contra a parte mais rica do continente. Com Entrevista com o Vampiro, Anne Rice abordou a temática gay. E por aí vai….

Em Amantes Eternos (Only Lovers Left Alive, 2014), que chegou aos cinemas brasileiros nesta semana, o diretor e roteirista Jim Jarmusch constrói uma narrativa em que usa os seres da noite como pano de fundo para criticar a mediocridade da produção cultural atual. Razões, infelizmente, ele tem de sobra.

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Adam (Tom Hiddleston) é um vampiro secular, e também astro do rock, que vive recluso do mundo por conta do tédio que desenvolveu em relação aos humanos, aos quais ele dá a pejorativa alcunha de “zumbis”. Preocupada com a depressão dele, sua amante de longa data Eve (Tilda Swinton) decide encontrá-lo e lhe fazer companhia.

Talvez o discurso sobre a mediocridade do mundo atual soe piegas e até mesmo já gasto, mas Jarmusch consegue tornar o filme interessante em vários aspectos. Primeiro pela escolha do elenco. Tilda Swinton e Tom Hiddleston estão perfeitos. A participação de John Hurt como o escritor Christopher Marlowe, mesmo pequena, é bem marcante. Até a insossa Mia Wasikowska rouba a cena quando aparece.

Outro mérito do filme é mostrar os vampiros como seres que, devido a estarem tantos anos na Terra, possuem uma bagagem cultural enorme. E após conviverem com os maiores artistas e cientistas de todos os tempos, é natural que tudo feito nos dias de hoje os desagradem. Isso fica mais claro na obsessão de Adam por instrumentos musicais antigos e na forma como sua casa é retratada: um amontoado de livros e discos, dos quais ele reluta em se desfazer.

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Além disso, os vampiros também evoluíram em sua natureza. Ao contrário do que acontecia por volta do século XV, como Eve cita em uma cena, eles não se alimentam mais através de ataques a humanos. Fica a cargo da personagem de Mia Wasikowska, Ava (irmã mais nova de Eve), o estigma da clássica predadora, do tipo sensual, sedenta por sangue e que não faz a mínima cerimônia em matar para se alimentar. No filme, algo como a irmã mais nova irresponsável e fútil.

Amantes Eternos não é um longa de terror, mas um que se utiliza de elementos do gênero para contar uma boa e interessante história. Principalmente se você também não aguenta mais os vampiros de True Blood e Crepúsculo. As referências culturais que Jim Jarmusch inseriu durante todo o roteiro, que nos lembra obras como Sandman, ainda é um atrativo a mais. E nem precisa ter toda a bagagem cultural de Adam e Eve para apreciar o filme.

Nota: 8,0

Título original: Only loves Left Alive
Direção: Jim Jarmusch
Roteiro: Jim Jarmusch
Elenco: Tilda Swinton, Tom Hiddleston, Mia Wasikowska
Origem: Reino unido, Alemanha, França, Grécia e Chipre

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=ycOKvWrwYFo&w=560&h=315]

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1 comentário

  1. Julia

    18 de agosto de 2014 a 17:40

    Adorei o filme e finalmente uma nota 8,0! Uhuu

  2. jorofer

    13 de agosto de 2015 a 19:25

    Realmente um excelente filme, um destaque para a trilha sonora que é sensacional.

  3. jorofer

    13 de agosto de 2015 a 19:25

    Realmente um excelente filme, um destaque para a trilha sonora que é sensacional.

  4. Heloisa Gabrielly

    5 de julho de 2018 a 23:50

    Filme lindo, fotografia incrível, trilha sonora do caralho e atores maravilhosos. Uma obra de arte audiovisual.

  5. Heloisa Gabrielly

    5 de julho de 2018 a 23:50

    Filme lindo, fotografia incrível, trilha sonora do caralho e atores maravilhosos. Uma obra de arte audiovisual.

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RESENHA: A Hora da Sua Morte (2020)

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A Hora da Sua Morte

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RESENHA: Rabid (2019)

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Rabid

Quando saiu a notícia que iria rolar um remake de RABID, clássico de ninguém menos que David Cronenberg – filme que aqui no Brasil saiu com o título infame de “ENRAIVECIDA NA FÚRIA DO SEXO” – eu fiquei num misto de curiosidade e medo do que viria. Mas aí vi que essa empreitada seria realizada pelas Irmãs Soska e fiquei bem animado, pois as gêmeas diretoras tem uns filmes cabulosos no currículo.

Nesta nova versão, dirigida por Jen e Sylvia Soska, a partir do roteiro de John Serge no qual elas também assinam, acompanhamos Rose, uma design de moda que se envolve em um acidente e fica com o rosto desfigurado. Sem esperanças de recuperar a aparência e voltar ao mundo da moda, resolve se inscrever numa clínica de estética adepta de um movimento “TRANS-HU-MA-NI-SMO” que não é aceito pela comunidade médica. Como voluntária, acaba se submetendo ao procedimento milagroso que restaura toda estrutura do seu rosto. Não bastasse a aparência, a moça passa a se sentir melhor em todos os sentidos. Mas não demoram a surgir os efeitos colaterais… e eles são pra lá de sinistros.

Em nenhum momento as diretoras escondem sua admiração por Cronenberg. Há referências frequentes de sua obra durante o longa, sendo que uma em especial acaba se destacando de tão gritante que é. E é claro que o sadismo aqui impera, marca registrada das gêmeas cineastas em seus longas anteriores – vide “T IS FOR TORTURE PORN” e “AMERICAN MARY“. E assim como o diretor canadense, as irmãs também são chegadas a um body horror raiz. Aqui, usam e abusam de efeitos práticos pra nos conferir muita nojeira e bizarrice. Em uma cena vemos uma “cobra” e uma axila… e basta dizer que ela dificilmente será esquecida, por exemplo.

Apesar de seguir a mesma premissa do “RABID” original, este remake tem suas diferenças – o que já é esperado – e a mais importante é a forma com que Rose, vivida por Laura Vandervoort (Biten), é construída. Ao contrário do original, nossa protagonista não passa o filme todo assistindo impassiva às transformações que seu corpo e mente sofrem. Aqui, nossa heroína evolui dentro da trama, passando a ter domínio de suas ações, dando força e profundidade à personagem.

O ponto forte aqui tá no desenvolvimento da personagem principal, como já mencionado, e na violência extremamente gráfica toda artesanal, que garante uma seboseira danada com muito sangue em tela. Infelizmente, a maquiagem dá uns vacilos como na deformidade do rosto da protagonista, o que é bastante fake. Há umas cenas toscas aqui e ali, mas os pontos fracos mesmos estão mais em alguns personagens que poderiam simplesmente nem existir, a exemplo do boyzinho que fica enchendo o saco da moça o filme todo.

Esta nova versão de “RABID” peca por tentar acrescentar mais elementos à trama do que ele precisaria de fato, mas nada que estrague a sua experiência. No fim das contas, o remake das Irmãs Soska agrada e acaba fazendo “bonito”. Pena que esta refilmagem passou meio batida pelo público do gênero e pouco se falou a respeito. Quem ainda tá torcendo o nariz e ainda não viu, tá vacilando.

Escala de tocância de terror:

Direção: Jen e Sylvia Soska
Roteiro: John Serge e Irmãs Soska
Elenco: Laura Vandervoort, Benjamin Hollingsworth, Ted Atherton
Ano de lançamento: 2019

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DVD: Digipack “Coleção O Homem Invisível”

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[Por Osvaldo Neto]

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