conecte-se conosco

Resenhas

RESENHA: Baby Blues (2013)

Publicados

em

Baby-Blues-2013-6[1]

Por Júlio César Carvalho

Nem o terror asiático se salva de ter filmes ruins. Esse exemplar chinês entra pra categoria “vergonha alheia” com muito requinte e determinação.

Um jovem casal se muda para uma casa linda. Lá, encontram uma boneca deixada pelos donos anteriores e resolvem adotá-la. Em frente à mansão vive um sem-teto que os adverte que eles devem ir embora, mas lógico que é ignorado. Ela é uma blogueira que descobre estar grávida de gêmeos e ele um produtor musical que precisa criar uma música para uma estrela do pop local.

Untitled-4

Durante o processo criativo, já em casa, sem querer ele derruba a boneca que cai no teclado formando uma sequência de notas. Tá feita a música! Mas ao ouví-la, a cantora se acidenta gravemente. Daí por diante, várias coisas sinistras começam a acontecer. Flashes da boneca em um movimento meio mangá intercalam todas as sequências mortais da trama para entendermos sua influência nos eventos. Porra! Os caras usam a mesma cena (a boneca apontando o dedão pra tela) de arquivo toda hora, tipo quando Hulk se transformava na série antiga ou quando o Jaspion chamava o Daileon.

Untitled-2

Falando nesses vícios, o diretor, Po-Chih Leong (Fora do Alcance com Steven Seagal e O Detonador com Wesley Snipes) é praticamente um Zack Snyder “Made in China”. O cara abusa das inúmeras tomadas de computação gráfica em câmera lenta afim de torná-las épicas, mas acaba por banalizá-las. Não adianta ter uma fotografia cristalina e uma edição rebuscada se isso não serve para a imersão do espectador na história que está sendo contada. As atuações são ruins e não valem um parágrafo sequer para comentar.

Já o terrível roteiro, após nos convencer que a boneca exerce uma influência letal na vida de quem escuta a música ou cruza seu caminho, o mesmo nos apresenta um arco dramático quando um dos gêmeos morre na hora do parto, causando um estado de Baby Blues (tipo um início de depressão pós-parto) justificando assim o nome do longa. Daí em diante, ela passa a agir como se a boneca fosse o bebê morto e assim cria ambos os “filhos” com total apoio do marido (COMO ASSIM?!) que age como se fosse normal aquela situação.

Untitled-5

Os efeitos práticos são negativamente hilários, causando total “vergonha alheia” até por se tratar de um filme de 2013. Em um momento, por exemplo, em que a mãe deixa o bebê sobrevivente cair da varanda da casa (!), vemos nitidamente uma boneca daquelas que mija, arrota etc (possivelmente da Estrela – exemplo).

Outro momento ridículo dos efeitos artesanais é quando a boneca maldita, agora andando, segue “chutando”(!) o bebê afim de rolá-lo até a piscina. Estranho porque falhas grotescas como essa contrastam com belos momentos em CGI com câmera lenta que lembram aquela franquia Premonição (Final Destination), onde a morte em si é a vilã. A boneca amaldiçoada, ora atua mais na manipulação do ambiente para conseguir a morte de alguém, ora se mexe ao bom estilo Chucky. Aí você me pergunta: E a boneca é assustadora? Não!

Untitled-1

Já falei demais sobre esse filme que só erra. Nem a revelação causa espanto. O irritante é que Baby Blues é um filme que se leva a sério e até que tenta, mas falha miseravelmente em sua tentativa de causar medo. Com um roteiro fraco e uma direção solta, nem o requinte visual ajuda nessa missão básica de um filme de terror. Ah, e o final? Mais clichê impossível!

Veredito: UM CU CAGADO!

Direção: Po-Chih Leong
Roteiro: Bak-Ming Wong
Elenco: Sing Kwan Janelle, Raymond Lam, Hoi-Pang Lo
Origem: China

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=Mm9rYz95QgM&w=560&h=315]

Gosta de nosso trabalho? Então nos dê aquela forcinha contribuindo através do PicPay!

Anarquista, quase cinéfilo, diretor de arte, fotógrafo, cervejeiro, rockeiro doido e crítico/podcaster do Toca o Terror

Continue lendo
Clique para comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Resenhas

RESENHA: Invocação do Mal 3 – A Ordem do Demônio (2021)

Publicados

em

Invocação do Mal 3

O Casal Warren está de volta com mais uma aventura tenebrosa. “Invocação do Mal 3: A Ordem do Demônio” (The Conjuring: The Devil Made Me Do It) estava deixando os fãs em polvorosa na internet antes da estreia. Todos estavam especulando se esse novo capítulo do invocaverso seria o melhor de todos. A dúvida era se depois de uma espera de quase um ano de adiamentos devido a pandemia do coronavirus, valeria a pena reencontrar os queridos personagens vividos por Vera Farmiga e Patrick Wilson.

O roteiro nos leva ao início dos anos 80, onde os Warren mais uma vez acompanham o exorcismo de uma criança. Desta vez, no entanto, a possessão não termina tão bem e deixa um de seus participantes sequelados pela força maligna. Tempos depois, o rapaz possuído acaba cometendo um crime bárbaro, é preso e sua defesa nos tribunais vai alegar que o diabo foi o mandante do crime. O casal instruído por sua advogada começa a fazer uma investigação paranormal para comprovar a existência do mal. O que eles não sabiam é que algo mais sinistro estava envolvido.

Eu confesso que gosto dos filmes anteriores da franquia principal e mesmo não tendo achado essa nova parte horrenda, tenho que admitir ela é bastante problemática. O longa sofre com uma grande crise de identidade. Os produtores não sabem que caminho seguir, se vão para o lado investigativo e sutil ou se continuam como um terror blockbuster convencional. Nesse impasse, foram capazes de não conseguirem agradar nenhuma das propostas.

As cenas de jumpscares são até agora as mais cretinas que já vi nesse ano de 2021. O lado bom é que são bem menos frequentes que nos outros exemplares. A investigação é morna e lotada de conveniências de roteiro, além de não desenvolver bem o que é apresentado. Tudo é literalmente jogado na cara do público.

Por um lado, temos uma novidade nesta parte 3 de “Invocação do Mal”. Somos apresentados à primeira vilã humana da franquia. Mas ela é tão genérica em todo o conceito que mesmo se fosse mais uma assombração, isso não faria diferença. Seu visual também não fica muito longe de uma Freira Valak da vida.

O lado bom é a inegável química de seus protagonistas. Não tem como não ficar do lado deles e a maior força do longa vem daqui. As partes mais sutis conseguem passar aquele clima sinistro e arrepia muito mais do que qualquer uma assombração gritalhona. Pena que são poucos os momentos assim.

O diretor Michael Chaves de “A Maldição da Chorona” demonstra uma melhora considerável na direção, mas ainda assim parece um James Wan genérico. Falando nele, o realizador original fez falta na hora de conduzir os momentos de malassombro pipoca.

Enfim, “Invocação do Mal 3: A Ordem do Demônio” é um filme bem fraco, mas ainda assim melhor que os últimos spin-offs do invocaverso (o que sinceramente não é algo muito difícil). O fã terá de se contentar com algumas referências bem diretas a “O Exorcista”, umas cenas mais piegas que o anterior e um pouquinho só de terror.

Escala de tocância de terror:

Título original: The Conjuring – The Devil Made Me Do It
Direção: Michael Chaves
Roteiro: David Leslie Johnson-Mcgoldrick
Elenco: Vera Farmiga, Patrick Wilson, Ruairi O´Connor e outros.
Ano de lançamento: 2021

Gosta de nosso trabalho? Então nos dê aquela forcinha contribuindo através do PicPay!

Continue lendo

Resenhas

RESENHA: A Mata Negra (2018)

Publicados

em

Mata Negra

[Por Jota Bosco]

Começo logo essa resenha dizendo que sou suspeito pra falar do trabalho de Rodrigo Aragão pelo motivo de: sou tiete! O cara é, sem sombra de dúvidas, o maior representante das produções de horror no país atualmente. Passo a passo foi crescendo como produtor e diretor, conquistando seu espaço e indo, apesar dos poucos recursos, onde ninguém tinha ido antes no gênero aqui no país. Faz filme com cara de produção hollywoodiana e consegue até captação de verba por edital sem ser filme de gente que mora no Sertão com mensagem bonita no final. (mais…)

Gosta de nosso trabalho? Então nos dê aquela forcinha contribuindo através do PicPay!

Continue lendo

Resenhas

RESENHA: Mãe! (2017)

Publicados

em

Mãe

Assistir a um filme de Darren Aronofsky é sempre uma experiência interessante. Bem ou mal, ele tem conseguido imprimir sua marca e suas fórmulas visuais na tela. E se você está cansado de ver historinhas simples sendo contada de uma forma convencional, tenha certeza de que “Mãe!” (Mother!) é o que você procura.

Não digo com isso que é um filme totalmente despirocado e nonsense. Mas dependendo da sua paciência para ver duas horas de um roteiro que flerta com o surreal para depois lhe pegar desprevenido, “Mãe!” pode vir a ser uma surpresa ou uma catástrofe. Eu mesmo fiquei me equilibrando nessa corda bamba sem saber bem se estava ou não gostando do que estava se passando até o último segundo. Uma coisa é certa: assim como foi com outros filmes, Aronofsky vai dividir opiniões e ser muito comentado pela controvérsia narrativa.

Na verdade, “Mãe!” lembra de certa forma dois filmes bem curiosos. Um é “Fonte da Vida”, do próprio Aronofsky. E o outro é “O Anjo Exterminador”, de Buñuel. Tentaram vendê-lo como “O Bebê de Rosemary” por conta dos personagens principais, mas a película de Polanski serve apenas como uma vaga comparação. Parece-me às vezes que Aronofsky faz um filme não pro estúdio ou pro público, mas só pra ver o que vai dar. Uma coisa meio “arte pela arte” para ficar bonito em seu portfólio.

Pra quem já conhece a peça, digo, diretor, sabe que ele tem uma certa predileção e sadismo por mostrar personagens sofridos, que vão se acabando em um martírio cada vez maior até chegar ao fundo do poço da mais profunda tristeza. Isso aqui não é nada difícil de prever, mas desta vez ele exagera. Veja bem, se estou que o diretor de “Réquiem Para um Sonho” e Cisne Negrodeu uma forçada de barra, então segura o que vem por aí.

Com este alerta, o que poderia dizer agora? Se você veio atrás de um resumo da história de “Mãe!”, admito que será frustrante dizê-lo sem spoilers ou interpretações pessoais. Basicamente é a saga de um casal que vive a sós numa casa reformada no meio do mato e que um dia passa a receber visitas, de forma que a anfitriã logo se sente como uma convidada indesejada. E dentro deste argumento cinematográfico ainda deu para falar sobre maternidade, idolatria, traição, religiosidade, fanatismo, morte e, claro, amor. Aquele amor incondicional de mãe, sabe como é – afinal, o título não é só uma pegadinha.

Agora pense em tudo isso aí com uma boa dose de metáforas visuais e diálogos repletos de simbolismo. Pode parecer chato e pretensioso como dizem, mas até que acaba funcionando. Parte dessa estranheza vem de três coisas: a atuação e os closes no rosto de Jennifer Lawrence em mais da metade das cenas do filme; as imagens capturadas em 16mm e o acúmulo de reviravoltas em sua reta final. É tão tenso e inusitado que bate um desespero em tentar decifrar o que estamos vendo. Para alguns, este desespero vai resultar num sonoro “bela bosta!” e para outros um contido “ca-ra-lho!“. A certeza é que ao final ninguém vai passar batido por uma obra de Aronofksy de novo.

#Spoilers(?!) de “Mãe!”

Palavras do diretor sobre o filme:
“Eu queria fazer um filme sobre a Mãe Terra e como nós a tratamos. Da maneira que eu vejo, nós a tratamos de uma forma extremamente desrespeitosa. Nós a saqueamos, estupramos, chamamos-a de lixo. Por isso Jennifer Lawrence interpretou o papel daquele jeito. Eu olhei a Bíblia e como o Velho Testamento é escrito. Quando você pensa naquele Deus, se você não reza para ele, ele te mata. Que tipo de personagem faz isso? Para mim, era tudo sobre interpretar a emoção humana.”

Escala de tocância de terror:

Diretor: Darren Aronofsky
Roteiro: Darren Aronofsky
Elenco: Jennifer Lawrence, Javier Bardem, Ed Harris e Michelle Pfeiffer
Ano de produção: 2017
País de origem: EUA

* Filme visto na Cabine de Imprensa promovida pela Espaço Z no Cinemark Rio Mar.

Gosta de nosso trabalho? Então nos dê aquela forcinha contribuindo através do PicPay!

Continue lendo

Trending