conecte-se conosco

Resenhas

RESENHA: Viy 3D (2014)

Publicados

em

ByOc3t6IMAAKol2Por Geraldo de Fraga

A onda de remakes, tão popular na indústria americana, parece ter contagiado outro país. Em 2014, foi a vez da Rússia refilmar um dos seus maiores clássicos do cinema fantástico. Viy – A Lenda do Monstro, filme de 1967, dirigido por Konstantin Ershov e Georgi Kropachyov, ganhou uma nova roupagem com ares de megaprodução e com direito até à tecnologia 3D.

viy_3d_mb09

Mas o upgrade não foi apenas nas questões técnicas. Na verdade, o remake, dirigido por Oleg Stepcjanko, toma um rumo bem diferente, o que dá ao filme mais cara de continuação do que de refilmagem. Toda a história do original, cujo roteiro é baseado em um conto de Nikolai Gogol, é contada em flashbacks, enquanto acompanhamos o que acontece depois.

Após uma donzela ser atacada por uma entidade maligna e, à beira da morte, pedir para que o noviço Khoma Brutus reze por ela em seu velório de três dias, um grande mal é desencadeado nesse pequeno vilarejo do século XVIII. É nesse cenário de medo e paranoia que o cartógrafo inglês Jonathan Green (Jason Flemyng) acaba chegando, em meio às suas viagens pelo interior da Europa. A partir daí, o protagonista é envolvido em uma disputa entre o chefe do vilarejo, pai da donzela assassinada, e um padre fanático que discordam sobre os fatos bizarros que acontecem no local.

viy_3d_mb11O roteiro tem o mérito de fazer o filme ser uma homenagem ao antigo e apresentar uma nova história, mas ao mesmo tempo peca por se alongar demais. Salvo os filmes megalomaníacos da Peter Jackson, dificilmente um filme de fantasia precisa ter 2h10. Mas parece que Viy 3D também incorporou essa megalomania de Hollywood. Tudo no filme é exagerado, incluindo aí um monte de cenas gratuitas só para lançar objetos na tela de quem foi aos cinemas russos vê-lo em 3D. Por mais que o efeitos sejam impecáveis, pouco acrescentam à história.

Para os fãs do gênero, Viy 3D vale pela excentricidade por se tratar de um filme fora do circuito americano e por se basear em lendas da Rússia Oriental, que possui um folclore bem interessante. Porém, é uma superprodução, e como tal, mantém os velhos vícios e clichês para agradar o grande público. E agradou. O filme já bateu um monte de recordes em seu país, inclusive o de filme 3D mais visto da história.

viy_3d_mb03

Em suma, Viy 3D não é o pior dos remakes, como dito anteriormente, até inovou por manter a história original e inserir novos fatos por cima, não ofendendo o seu antecessor. Até mesmo porque o filme de 1967 não tem lá um roteiro genial, apesar de ser muito legal visualmente. Só que esse novo longa não é nada mais do que um filme de aventura, que investe mais nos efeitos do que em qualquer outra coisa. Os russos devem ter lotado as salas de cinema para prestigiarem uma produção local, mas como produto de exportação, Viy 3D ainda não é o melhor exemplar

Nota: 5,0 (De 0,0 a 10,0)

Direção: Oleg Stepchenko
Roteiro: Aleksandr Karpov, Nikolai Gogol (história)
Elenco: Jason Flemyng, Andrey Smolyakov, Aleksey Chadov
Origem: Rússia, Ucrânia, República Checa

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=OLYFRceOzdc?rel=0&w=560&h=315]

P.S.: Viy 3D tem partes faladas em inglês e, se você não sabe, na Rússia a dublagem não substitui a voz original. O dublador narra por cima do ator, como um narrador. Até hoje não entendo o motivo disso. Alguém sabe?

Gosta de nosso trabalho? Então nos dê aquela forcinha contribuindo através do PicPay!

Continue lendo
1 comentário

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Resenhas

RESENHA: Noite Passada em Soho (2021)

Publicados

em

Noite Passada em Soho

Quem não conhece gente apegada a um passado que não viveu e tem um carinho e apego por determinada época ou local na história? Em “Noite Passada em Soho” (Last Night in Soho), que está chegando nos cinemas brasileiros, temos uma visão toda especial sobre Londres nos anos 1960.

E assim como muita gente, Eloise “Ellie” Turner (Thomasin McKenzie) é uma jovem dos anos 2000 que, deslocada do seu tempo, só pensa em roupas, livros e, principalmente, música daquele período. Mas sim, toca música o tempo todo no filme, sendo que diferentemente das obras de Tarantino, a trilha não é aleatória e tem ligação direta com as ações das personagens com mensagens sutis contidas nas letras.

Voltando… Por morar no interior da Inglaterra, o maior sonho da protagonista é estudar moda em Londres, oportunidade que mudaria para sempre sua vida. Introvertida e sem condições de se adaptar ao estilo frenético de suas colegas numa república, Ellie vai parar em um quarto/sala alugado de um antigo prédio. A aparência retrô do imóvel pode até agradar à jovem, mas é aí onde reside o perigo.

Coincidentemente, é quando Eloise passa a ter sonhos ou alucinações frequentes com Sandie (Anya Taylor-Joy), uma aspirante a cantora que vivenciou a Swinging London em seus altos e baixos. O fato é que a cada novo encontro com Sandie, uma figura que se equilibra entre a sedução e a ingenuidade, mais ficamos intrigados com seu destino e no que isso reverbera nas atitudes da jovem Eloise.

Mas se em sua primeira metade, “Noite Passada em Soho” mais parece um musical ou um drama fantasioso, ao chegar na sua hora final, o caldo entorna e o que ficava envolto a um mistério não resolvido começa a ganhar contornos mais sombrios com sangue, assombrações e sustos que não saem de forma gratuita.

É neste clima que acabamos nos envolvendo com a trama e o destino das personagens a ponto de realmente nos surpreendermos com uma reviravolta que há anos o cinema de horror contemporâneo não consegue realizar. Sim, amigos, estamos diante de um filme que consegue ser primoroso em aspectos visuais, do figurino aos cenários e com sequências bonitas de ver na tela. E tudo isso sem falar da presença de nomes como Terence Stamp, Matt Smith e da saudosa Diana Rigg, a quem o filme é dedicado.

Assim é a nova empreitada de Edgar Wright que verdadeiramente faz uma homenagem moderna ao Giallo sem querer forçar a barra como bem tentou “Maligno“. Tanto pela trama, quanto pelas atuações e ainda pelo tom feminista, “Noite Passada em Soho” é um filme que merece ser visto, preferencialmente no cinema.

Escala de tocância de terror:

Título original: Last Night in Soho
Direção: Edgar Wright
Roteiro: Edgar Wright e Krysty Wilson-Cairns
Elenco: Thomasin McKenzie, Anya Taylor-Joy, Matt Smith e outros
País de origem: Reino Unido

Gosta de nosso trabalho? Então nos dê aquela forcinha contribuindo através do PicPay!

Continue lendo

Resenhas

RESENHA: Halloween Kills – O Terror Continua (2021)

Publicados

em

Halloween Kills

Bem a tempo de mais um Dia das Bruxas, o sanguinário Michael Myers está de volta aos cinemas do Brasil e do mundo. HALLOWEEN KILLS – O TERROR CONTINUA é uma continuação direta do filme lançado em 2018, também resenhado aqui no Toca o Terror, que ignora os eventos ocorridos de HALLOWEEN 2 (1981) em diante. Ou seja, os dois novos filmes se propõem a criar uma trilogia à parte da franquia original, a partir de referências ao longa de 1978 e nada mais.

Feito pelo mesmo time criativo do anterior (David Gordon Green na direção e roteiro co-escrito por ele, Danny McBride e agora Scott Teems neste segundo filme), HALLOWEEN KILLS começa justamente de onde o filme de 2018 parou.

O policial Hawkins (Will Patton) consegue escapar da morte e esse personagem será o protagonista de um dos melhores momentos da produção: um flashback dos eventos acontecidos após o fim do HALLOWEEN original de 1978, com excelente direção de arte e uma fotografia mais granulada, que – por si só – já seria um belo tributo ao filme de Carpenter. Meyers, obviamente, também escapa da armadilha preparada por Laurie Strode (Jamie Lee Curtis) em sua casa, graças aos bombeiros que atenderam a um chamado de incêndio. Não vai sobrar um só sequer.

Muito ferida, Laurie é internada no hospital de Haddonfield, acompanhada por sua filha Karen (Judy Greer) e Allyson (Andi Matichak). Novos personagens serão apresentados, com algum destaque a mais para três atores que reprisam seus papéis de sobreviventes do longa original: Kyle Richards como Lindsey Wallace, a menina que teve sua babá assassinada e foi salva por Laurie Strode; Nancy Stephens como a enfermeira Marion e Charles Cyphers – velho conhecido de vários filmes do Carpenter – como o policial Lee Brackett. Anthony Michael Hall (sim, o então jovem ator de “Clube dos Cinco” e “Gatinhas e Gatões”) surge em cena como um adulto Tommy Doyle que lidera o grupo de amigos sobreviventes, completado por Lonnie Elam (Robert Longstreet), personagem visto no flashback e que também está no filme de 78.

Brutal e intenso na maior parte de sua duração, HALLOWEEN KILLS faz jus ao título. Michael Myers talvez seja um matador ainda mais impiedoso do que em todas as demais continuações, protagonizando um massacre de fazer o espectador às vezes perder a contagem dos cadáveres. A crueldade deste nosso psicopata favorito com suas vítimas é tamanha que o diretor Gordon Green parece ter feito uma maratona de filmes do Lucio Fulci antes de começar os trabalhos no set.

Nem tudo são flores, é claro. Falta um pouco mais de foco e ‘sustança’ na narrativa deste filme de quase 2h, que lida com um número maior que o necessário de subtramas apenas para exterminar a maioria dos personagens. Entende-se a intenção do roteiro de expandir o escopo desta nova trilogia, mostrando que o trauma dos assassinatos de
Michael Myers em ‘78 também se estendeu aos demais moradores de Haddonfield por 40 anos.

Isso também faz com que, por exemplo, a presença de Laurie Strode seja bem decorativa na maior parte do filme. Quem acaba se tornando o mais próximo de um protagonista aqui é um vingativo Tommy Doyle, que toma a iniciativa de reunir um grupo de cidadãos ávidos por fazer justiça com as próprias mãos, procurando pelos rastros de Michael Myers durante a noite.

Mesmo com alguns problemas, HALLOWEEN KILLS – O TERROR CONTINUA fica acima da média. O filme pode crescer em uma revisão e, justamente, por vestir mais a camisa do cinema slasher que ele se revela superior ao primeiro desta trilogia e uma ótima diversão para os fãs. Vale o ingresso.

Que venha HALLOWEEN ENDS!

Escala de tocância de terror:

Gosta de nosso trabalho? Então nos dê aquela forcinha contribuindo através do PicPay!

Continue lendo

Resenhas

RESENHA: À Sombra do Medo (2016)

Publicados

em

Under the shadow

Por Geraldo de Fraga

Babak Anvari foi mais um diretor que estreou em 2016 com o pé direito. Em todos os festivais por onde passou, seja de gênero ou não, Under the Shadow (2016), seu primeiro longa metragem, saiu contabilizando várias e várias críticas positivas, além de alguns prêmios aqui e ali. Tudo isso com atores desconhecidos, num filme falado em persa e com um tipo de assombração que foge do padrão convencional. (mais…)

Gosta de nosso trabalho? Então nos dê aquela forcinha contribuindo através do PicPay!

Continue lendo

Trending