conecte-se conosco

Resenhas

RESENHA: Livrai-nos do Mal (2014)

Publicados

em

Livrai-nos do MalPor Júlio César Carvalho

É sempre difícil escrever sobre filmes medíocres pois essas belezas sempre nos deixam com aquela sensação “empata foda” de tão frustrantes que são. Praticamente tudo em Livrai-nos do Mal é ruim, regular ou quase bom. Isso provavelmente se deve as rédeas dos grandes produtores que preferem fazer apenas o aceitável para atingir o máximo de público visando apenas o lucro. Nesse caso, Jerry Bruckheimer (franquia Piratas do Caribe, série C.S.I: NY, O Cavaleiro solitário). Entendo o lado empresarial da coisa, claro, mas isso não me impede de vir aqui fazer meu “mimimi” clichê de sempre. E sendo assim, vamos lá.

Untitled-2O filme começa no Iraque mostrando um pequeno pelotão de soldados americanos que encontram uma gruta e lá são atacados por alguma coisa.

Aí somos levados a Nova Iorque e passamos a acompanhar uma dupla de policiais que investigam uma série de crimes (assassinato, espancamento etc) que a princípio não parecem ter relação entre si. Durante as investigações eles conhecem um padre latino ex-drogado que tenta convencê-los de que uma influência demoníaca é a causa de tudo e após muita relutância do tenente Sarchie, o jovem missionário passa a ajudá-los. Tudo isso baseado em fatos reais descritos em um livro pelo verdadeiro tenente Sarchie.

O vilão da vez é um demônio. Foda pra caralho, né? Deveria ser. Essa premissa não é nova, mas quando bem trabalhada rende um bom resultado. Filmes como o ótimo Possuídos (1998) com Denzel Washington, o injustiçado O Exorcista 3 (1990) e o intrigante japonês Cure (1997) estão aí pra comprovar isso. Mas voltando a Livrai-nos do Mal, esse clima de investigação policial é o único ponto interessante já que o tal demônio poderia ter soado mais ameaçador do aparenta ser. O drama familiar é pouco abordado, mas por incrível que pareça as vezes se torna mais interessante que a trama principal.

Untitled-4

A intenção do já conhecido diretor Scott Derrickson (O Exorcismo de Emily Rose, A Entidade) não é de causar medo, mas apenas provocar sustos. Para isso, Scott constrói situações que chegam a ser uma ofensa ao clichê de tão clichês que são. Tem até descrições nas paredes feitos com sangue humano. Uau! Sem contar o uso preguiçoso (e covarde) de efeitos sonoros altíssimos que faz qualquer um saltar da poltrona mesmo se estivessem exibindo vídeos de gatinhos fofos se espreguiçando.

Tudo bem que tem umas cenas aqui e ali que se salvam, porém mais por qualidade visual do que por competência narrativa. Há elementos bem ridículos com relação aos possuídos, mas não vale detalhá-los. Para o filme ficar mais cool, uma música do The Doors passa a ser a principal pista para solucionar o caso. Isso vai agradar muita gente.

E as atuações? Eric Bana interpreta o tenente Ralph Sarchie e faz o melhor que pode dentro das óbvias limitações dele e da produção. Seu parceiro vivido por Joel McHale (série Community) serve apenas de “alívio cômico” e olhe lá. O padre Ramirez interpretado por Edgar Ramirez é muito canastrão. Mas aí tem o Sean Harris, que vive o endiabrado Santino, como uma grata surpresa.

Sempre com um olhar cabuloso, além da maquiagem, realmente nos confere uma ótima performance conseguindo passar pura maldade. Pena que sejam aparições tão breves. O esquisito é que o tinhoso da vez vem do Iraque e, além do latim e inglês, curte se expressar em espanhol. Há um exorcismo em que o padre começa a cantarolar para o demo que acaba sendo uma sequência no máximo hilária, mas como não sou demonologista, paro minhas humildes observações por aqui.

Untitled-1O problema é que Livrai-nos do Mal é um filme comercial e, por via de regra, é preso as amarras da grande indústria cinematográfica, evitando ousar, se mantendo sempre na zona de conforto e se estabelecendo como apenas mais um filme medíocre.

É frustrante pois a premissa é muito boa e quem sabe se tivesse sido feito de uma maneira menos comercial, poderia ter nos rendido um clássico contemporâneo do terror policial. Pra mim, a única pergunta que fica, além de “como que desperdiçam uma premissa boa dessa?“, é: Seria o ‘mal (evil)’ do título referente ao demônio ou a falta de crença cristã do protagonista?. Pois tudo ali deixa a entender que se o policial não tivesse perdido sua fé no passado (bem distante mesmo) tudo teria se resolvido sem mais rodeios. Pura pregação barata. Sem contar a última cena que me fez levar as mãos ao rosto de tanta vergonha alheia.

Veredito: ASSISTA SÓ SE NÃO TIVER ESCOLHA.

Nota: Pra quem se interessar, tem um artigo esclarecedor sobre esses fatos reais do filme. Clique -> www.assombrado.com.br.

Título original: Deliver Us From Evil
Direção: Scott Derrickson
Roteiro: Scott Derrickson e Paul Harris Boardman
Elencos: Eric Bana, Édgar Ramírez, Olivia Munn
Origem: EUA

Gosta de nosso trabalho? Então nos dê aquela forcinha contribuindo através do PicPay!

Continue lendo
Clique para comentar

1 comentário

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Resenhas

RESENHA: Pânico (2022)

Publicados

em

Pânico

A franquia Pânico tem um grande espaço no meu coração de cinéfilo. Lembro de ter convencido minha irmã a não lanchar na escola no dia seguinte para podermos alugar o VHS do primeiro filme no meio da semana. Reunimos os amigos da rua e juntos assistimos à primeira aparição do Ghostface, hoje icônico vilão(a).

Vi todas as sequências no cinema e mesmo preferindo o original, gosto delas. Quando veio a noticia de um reboot da franquia, fiquei receoso. Primeiro porque não seria mais Wes Craven quem dirigiria e depois pelos rumores de como utilizariam os personagens clássicos. Até que enfim pude ver o resultado deste novo filme da franquia.

A cidade de Woodsboro mais uma vez se vê palco de assassinatos misteriosos e brutais, deixando claro que um novo Ghostface surgiu, mas há algo diferente dessa vez. O foco está numa garota que volta à cidade para tentar desvendar o mistério e que recebe ajuda de outros velhos conhecidos da franquia enquanto uma pilha de corpos se acumula no caminho.

Todos sabem que Pânico sempre foi conhecido por brincar com a metalinguagem. E dessa vez não é diferente. Esta nova produção ainda provoca uma sátira da briga de fãs entre o estilo de terror elevado com filmes como A Bruxa em detrimento do slasher aqui utilizando a propria série representada pelos filmes da franquia Punhalada (STAB) – o filme dentro do filme. Isso além de brincar com o conceito de reboots que anda dominando os filmes daquele jeito que gostamos de ver.

A tecnologia sempre foi uma aliada do asasssino e mais uma vez ela evolui para que Ghostface se utilize disso para causar o terror. Isso também não deixa de ser um lembrete que esses aparelhos e aplicativos são usadas para causar o mal. Este longa de 2022 é bem sucedido em analisar e brincar com o que acontece no cenario do terror atual, além de cutucar a fanbase tóxica de uma forma geral.

Os novos personagens são carismáticos e logo criamos vínculos com eles. É divertido ver esses jovens cientes de onde estão se metendo, porém mais ligados nas regras estabelecidas pela franquia e dando mais trabalho a nosso vilão(a). O reencontro com Sidney, Gale e Dewey além de bem executado, não é feito de forma banal. Estes personagens “clássicos” tem importância para a história e toda cena em que aparecem, o coração do fã se aquece. A passada de tocha para o novo elenco é feita de modo natural e muito respeitoso. Wes estaria orgulhoso.

O que mais curti desse novo longa é que investiram mais no suspense e na antecipação do susto, coisa que senti falta em Halloween Kills (2021) onde Michael vai do ponto A a B matando figurantes irrelevantes e sem carisma, sem criar tensão e ainda cometendo a heresia máxima de descaracterizar a personagem central. Isso não ocorre aqui, felizmente.

Ah, e deixando claro, esse é o filme da franquia com um elevado grau de gore e sangue jorrando, com o Ghostface mais brutal. Esse é o reboot ideal que respeita o que veio antes, não ignora eventos e mesmo com foco maior no filme original, existe uma penca de easter eggs e diálogos que remete às demais continuações.

Pânico pode ser considerado o Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa(2021) do terror, com vários momentos onde o cinema interagia, gritava e se emocionava. Sinceramente nunca assisti a um filme de terror no cinema onde isso tivesse acontecido. Para quem é fã, Pânico é obrigatorio.

Escala de tocância de terror:

Título original: Scream
Direção: Matt Bertinelli-Olpin, Tyler Gillet
Roteiro: James Vanderbilt, Guy Busick
Elenco: Melissa Barrera, Neve Campbell, Courtney Cox, David Arquette e outros
Ano de lançamento: 2022

Gosta de nosso trabalho? Então nos dê aquela forcinha contribuindo através do PicPay!

Continue lendo

Resenhas

RESENHA: Resident Evil – Bem-Vindo a Raccoon City (2021)

Publicados

em

Raccoon City

Desde que foi anunciado um reboot da franquia RESIDENT EVIL para os cinemas, fãs dos games e até dos filmes do Paul W. S. Anderson estrelado pela Milla Jovovich ficaram ouriçados, até que o trailer saiu e causou geral na internet. Eis que, finalmente, o filme, agora intitulado de RESIDENT EVIL: BEM-VINDO A RACCOON CITY (Resident Evil: Welcome to Raccoon City), saiu para os cinemas e disputou o título de mais odiado de 2021.

Pra começar, acho que é justo adiantar que, apesar de eu ter jogado, não sou fã da franquia. Ou seja, achava legal, mas nada além disso. O lance é que eu jogava mais casualmente e sem me ater a detalhes da trama e as conexões entre todos os jogos da franquia. Dito isso, como fã de cinema de horror que sou, vi o filme mais pela ótica de um filme de baixo orçamento – pelo trailer tava nítido isso – do que pela fidelidade aos games. E neste sentido, RESIDENT EVIL: RACCOON CITY é um filme bem irregular em vários aspectos, mas que não me ofendeu.

Na trama, acompanhamos Clarie Redfield que vai para Raccoon City em busca do seu irmão mais velho, Chris, para mostrar denúncias de envenenamento da população por parte da Umbrella Corporation. Porém, mal sabe ela que a cidade está prestes a entrar em colapso envolvendo infectados por uma espécie de vírus criado em laboratório que transforma as pessoas em zumbis.

Não dá pra negar que o filme é tecnicamente fraco, mal acabado e tosco. Salvo as maquiagens dos infectados que se resumem a pele pálida esverdeada e sangue na boca que pra mim ficaram legais. O CGI, não só das criaturas, mas de veículos como o caminhão e o helicóptero, é podre de tão amador. Ficou nítido que a Sony tava cagando pra esta produção, então o encarei como o filme de baixo orçamento que é e tentei relevar essas coisas durante maior parte do tempo. Mas, pra mim, o longa tem dois grandes defeitos que suponho serem os principais problemas em comum tanto para os fãs da franquia quanto pra quem não liga pros jogos: Roteiro e personagens.

Escrito e dirigido por Johannes Roberts, RESIDENT EVIL: RACCOON CITY tenta fundir as tramas de 3 jogos em um único filme e o resultado é uma bagunça apressada cheia de situações mal contadas, diálogos ridículos e personagens muito mal escritos. – Tudo se passa em uma madrugada! – Quanto aos personagens, a diversidade étnica é muito bem vinda, porém as personalidades são bem zoadas. Provavelmente os fãs do Lion, por exemplo, vão se irritar pois aqui ele é retratado como um completo idiota que mal sabe segurar uma arma – mas que porra? – e que está presente em uma das cenas mais ridículas do filme na qual envolve um infectado em chamas… parei.

Em contrapartida, a direção de Roberts é boa em alguns bons momentos, principalmente nos que se passam na mansão Spencer, onde ele faz um bom uso do espaço claustrofóbico e escuro dos cenários, conferindo boas cenas de tensão e ação. É tudo muito cru e direto, sem maneirismos ou cenas mirabolantes, o que pra mim soou como acerto visto as limitações do filme. O design de produção em geral é honesto e procura ser fiel como o mapa de Raccoon City e os cenários, porém o descaso com os efeitos visuais deixa tudo fake atrapalhando na imersão. Tem fan service? Tem! Agora se são suficientes pra ganhar o coração dos fãs, aí já não sei dizer.

Em resumo, a impressão que fica é que RESIDENT EVIL: RACCOON CITY é um filme que provavelmente vai ser visto como um lixo pelos fãs dos games – com razão! -, qualquer coisa (e ignorado) por grande parte do público em geral, ou simplesmente inofensivo pra poucos, como no meu caso, que, apesar dos pesares, acabou me divertindo.

Escala de tocância de terror:

Título original: Resident Evil: Welcome to Raccoon City
Direção: Johannes Roberts
Roteiro: Johannes Roberts
Elenco: Kaya Scodelario, Hannah John-Kamen, Robbie Amell, Avan Jogia
Origem: Canadá/Alemanha

Gosta de nosso trabalho? Então nos dê aquela forcinha contribuindo através do PicPay!

Continue lendo

Resenhas

SÉRIE: Chucky (2021)

Publicados

em

Chucky

Chucky sempre volta. De um jeito ou de outro, o brinquedo assassino encontra um meio de continuar seu reinado de horror. Dessa vez o formato é que mudou, ao invés de filme (reboot ou remake), nosso querido vilão retorna às telas no formato de série. A proposta, no entanto, segue a mesma com promessa de muitas mortes e sustos.

Na trama de “Chucky”, produção original do SyFy, seguimos Jake, um introvertido adolescente que é perseguido por outros jovens e vítima de bullying pesado. Como se não bastasse, ele tem a infeliz ideia de comprar um boneco “good guy” numa feira de usados. Não demora muito para que “infelizes acidentes” comecem a acontecer e um insistente Chucky o tente convencer a começar um massacre na sua cidade. Será Jake capaz resistir à tentação de punir seus algozes? Ou no caso de evitar a tentação, ele conseguiria sobreviver à fúria do pequeno vilão?

Mas então, sem mais mistério, digo logo que gostei da série, mesmo tendo ressalvas no decorrer da temporada. Acho que o número de 8 episódios foi prejudicial. Tem uma queda de ritmo notável a partir da metade. E como é uma trama slasher, ela é preenchida com assassinatos frequentes, mas chega uma hora que cansa.

Os temas debatidos como o bullying, sexualidade e câncer são muito comentados, mas no roteiro eles são apenas arranhados. A primeira temática é até mais aproveitada no início, mas depois é deixada totalmente de lado. Uma grande surpresa aqui foi ver Chucky ser transformado em ícone queer. Foi interessante ver um vilão homicida despido de preconceito LGBTQIA+. A questão que pega nesse assunto é que o ator principal é péssimo. O rapaz só tem duas caras: abusinho e abusinho triste. Torci muito para que o boneco fizesse o favor de nos privar dessa atuação tenebrosa.

O restante do elenco até que se sai bem, trazendo velhos conhecidos da série (incluindo Brad Dourif, a clássica voz do boneco) e de outros filmes de terror em um show de fanservice que apresenta referências a eventos e personagens de filmes passados assim como acontece em “Homem-Aranha: Sem Volta para Casa”. Claro que temos o retorno de alguns rostos famosos da franquia, com o destaque para uma certa personagem. Ainda assim, a maioria deles representa apenas um aceno aos fãs e parecem meio deslocados da trama principal. Falando nisso, demora demais para que o plano de Chucky ande mas quando se é revelado, é bobo e muito vago.

É uma série pra lá de nostálgica, mas que se sacrifica pela longa duração e com um protagonista que não fará nenhuma falta caso não retorne para segunda temporada. Tem momentos gore, mas não tanto como nos filmes anteriores. Sinceramente queria mais.

A pergunta que fica é: será que dessa vez Chucky vai conseguir o que quer ou serão necessárias trocentas temporadas (a 2ª já foi confirmada) para que ele cumpra seu objetivo ou seja detido de uma vez por todas? Vale a pena passar umas horinhas como nosso pra lá de carismático brinquedo asasssino. Aqui no Brasil a produção está no catálogo da Star+.

Gosta de nosso trabalho? Então nos dê aquela forcinha contribuindo através do PicPay!

Continue lendo

Trending