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RESENHA: Proxy (2014)

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Proxy-2014Por Júlio César Carvalho

Proxy é um filme americano que desde que foi feito em 2013, vem sendo exibido apenas em festivais nos EUA, Canadá, em países da Europa e  até aqui no Brasil. No Imdb diz que sua estreia (acredito que no circuito de cinemas comerciais americano) foi em abril desse ano, mas por aqui, tirando os festivais, até agora nada.

proxyÉ um suspense intenso que traz um roteiro dramático com requintes de crueldade. Na trama, a jovem Esther, grávida de quase 9 meses é assaltada e espancada assim que sai do consultório médico em plena luz do dia. Passando a frequentar um grupo de apoio para superar o trauma, ela conhece a meiga Melanie que a conforta e tornam-se amigas. Daí em diante as cosias desandam… enfim, assista!

Proxy mal começa e já dá uma tijolada no espectador sem dó nem piedade. Aviso logo que é inapropriado para grávidas por motivos óbvios. Esther é interpretada por Alexia Rasmussen que nos confere uma personagem no mínimo estranha. Constantemente ficamos sem saber qual é a dela por sua incapacidade de se expressar. Acredito que propositalmente. Já a Melanie (Alexa Havins), é aquela típica pessoa do bem que você “sabe” que tem coisa errada ali. Num geral, os personagens são bem interessantes. O marido da Melanie vivido por Joe Swanberg (Você é o próximo, VHS) também merece destaque por nos proporcionar empatia com seu peso dramático à trama. Dentre outros que vão surgindo e encorpando o caldo.

proxy3O cartaz traz uma frase no mínimo intrigante: A HITCHCOCKIAN MINDFUCK OF A MOVIE. Corajoso pois pode causar desconfiança (e até ódio antecipado) por parte dos fãs do Alfred. A frase nitidamente se refere a sua narrativa que, apesar de linear, toma rumos totalmente inesperados antes do normal, ao bom estilo Psicose (1960). Soa pretensioso sim, mas não há como negar que Proxy se sai muito bem e realmente constrói um clima tenso de constante incerteza no espectador.

A direção fica a cargo de Zack Parker que também assina o roteiro junto com o estreante Kevin Donner. A produção chama a atenção por todo o cuidado, bom gosto e competência narrativa apresentada. As câmeras de Parker são praticamente estáticas e nada é filmado a toa. A violência aqui é mostrada na forma mais poética e contemplativa possível. Por incrível que pareça, o gore é praticamente inexistente, mas sua sugestão já é forte o bastante. A trilha sonora é tão bem aplicada que se não tivesse, certas cenas não teriam o mesmo impacto. Além da já citada cena de abertura, há uma sequência que além de dar à trama outro caminho, com certeza é o gozo audiovisual de todos dos realizadores de Proxy. Levei pra minha vida. Parabéns à todos os envolvidos.

proxy4Dito tudo isso, adiciono aqui que o desfecho de Proxy é corajoso e muito doentio. Além de tudo, assusta por nos lembrar que gente ruim (ou doente?) é o que mais tem nesse mundo. É uma pena que essa beleza seja ignorada por nossos distribuidores tupiniquins, mas pelo menos foi exibido no Fantaspoa em abril e até venceu como Melhor Diretor. Por fim, Obrigado, Zack Parker, pelo filme e por me deixar com mais medo ainda do ser humano.

Veredito: MUITO BOM MESMO!

Direção: Zack Parker
Roteiro: Kevin Donner, Zack Parker
Elenco: Alexa Havins, Kristina Klebe, Joe Swanberg
Origem: EUA

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=BcvPmieIUNk]

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RESENHA: A Cor Que Caiu do Espaço (2020)

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A cor que caiu do espaço

H.P Lovecraft voltou a ficar em evidência, seja em games como “Call of Cthulhu” (2018) e “The Sinking City” (2019) como em adaptações cinematográficas. Só neste ano de 2020 já tivemos duas obras inspiradas no autor, tendo elementos e personagens de suas obras em “Ameaça Profunda” e agora “A Cor Que Caiu do Espaço” (Color Out of Space), uma adaptação direta de um dos seus celebres contos e o motivo desse texto existir. (mais…)

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GAME: Blair Witch (2019)

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Blair Witch

Mais de 20 anos e “A Bruxa de Blair” (The Blair Witch Project) continua relevante e presente em nossa memória influenciando ainda a indústria cinematográfica e chegando em outras mídias como os games. E em 2019, exatamente duas décadas depois do lançamento do filme original, a E3 anunciava um novo game da franquia feita pelo estudio Blooper Team, responsavel pelo elogiado Layers of Fear.

Então, a pergunta que não quer calar pra você que se interessou e ainda não jogou é… presta? Ou seria algo esquecível como as sequências e o reboot da tela grande? O estúdio sabia da responsabilidade e do peso em levar uma marca famosa de volta ao mundo dos games e utilizou o aprendizado do jogo anterior para aprimorar a experiência. Aqui novamente temos uma câmera em primeira pessoa para causar mais imersão.

Vamos lá… A trama de Blair Witch se passa no ano de 1996, bem na época em que o evento do longa original se passa. Ocorre um novo sumiço na floresta. Dessa vez é de uma criança. O caso mobiliza a força policial e a população pela busca do garoto. No game, você assume o comando de um policial local que tem um passado bem traumático e que junto com seu cachorro segue sozinho em busca do que realmente aconteceu no local. O cachorro não é mero figurante e te auxilia nas buscas encontrando caminhos, itens ou detectando inimigos.

O jogador tem acesso a walkie talkies, celulares (daquele tipo tijolão), uma bolsa que guarda itens e colecionáveis (que são muitos), lanterna e claro, uma famosa handcam que tem a utilidade de visão noturna e que também roda fitas que se encontram no caminho e que ajudam no andamento da campanha. E é claro que logo encontrará os horrores que a famosa vilã colocará no caminho.

Sua arma é a lanterna, que além de auxiliar em lugares extremamente escuros, mata as criaturas das trevas quando as ilumina. O foco do game não é o combate e sim a exploração e resolução de puzzles. Ainda assim, em determinados momentos a luta se faz necessária. A trama em si é boa, mas poderia ser melhor. Ainda assim é bem mais desenvolvida que os filmes que vieram.

A duração do jogo depende do jogador. Eu, por exemplo, num primeiro gameplay levei 7 horas para zerar, mas da segunda vez em diante levei cerca de 3 horas. E graficamente falando é um jogo bonito até, mas não espere algo maravilhoso.

O fator replay se faz presente na forma de dois finais sendo um bom e outro ruim, além dos já citados colecionáveis que fornecem informações complementares. Blair Witch tem uma pegada mais psicólogica, porém sabe assustar em alguns momentos, seja nos bem dosados momentos de jumpscare ou na ambientação sinistra. Este gameé uma viagem de horror que honra o legado do filme original.

Escala de tocância de terror:

P.S.: Existem algumas referências a obra original, mas não entrei em detalhes por conta de spoilers.

Blair Witch esta disponivel para PC, Xbox One, Xbox series (via retrocompatibilidade), Ps4, Ps5 (via retrocompatibilidade) e Nintendo Switch.

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RESENHA: O Garoto Sombrio (2015)

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[Por Geraldo de Fraga]

Em 2011, o diretor Craig William Macneill e o escritor Clay McLeod Chapman se uniram para realizar o curta Henley, que mostrou a infância do serial killer Ted Henley e o início da sua trajetória macabra. Esse ano, os dois retomam a parceria para um projeto bem mais ambicioso: contar toda a história desse psicopata, não em um, mas em três longas.

A primeira parte da trilogia se chama The Boy e é focada nos primeiros anos de vida do futuro assassino. A história começa em 1989, com Ted Henley (Jared Breeze), então com nove anos, vivendo com seu pai, John (David Morse), num motel de beira de estrada que se encontra às moscas. O dia a dia do menino é entediante: quando não está limpando o local, brinca sozinho e procura animais mortos na rodovia.

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Essa rotina é quebrada quando um acidente na rodovia leva o estranho William Colby (Rainn Wilson, irreconhecível num papel dramático) a se hospedar em um dos quartos. Diferente dos outros hóspedes que já passaram pelo motel, Colby esconde alguns segredos e isso atiça a imaginação de Henley, a ponto de deixar fluir sua personalidade doentia.

Um ponto positivo de The Boy é que, ao contrário de vários outros filmes de psicopata, o protagonista aqui não se transforma no vilão por causa de um trauma ou de uma situação extrema. A maldade está nele desde sempre, esperando apenas uma brecha para vir à tona. A vontade de matar é acentuada pelo tédio e pela falta de perspectiva. Não há um julgamento moral de certo ou errado e, para o garoto, tudo é só mais um passatempo.

A negligência por parte do pai alcoólatra conta como o maior ponto para o estopim. É ele quem prende o garoto naquele ambiente hostil, o que já seria nocivo para uma criança normal. Seu estado de negação e inércia, apenas retarda o inevitável. “Esse menino tem olhos crescendo na nuca”, desabafa a Colby, em certo momento do filme, lamentando em ter razão.

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Sobre a construção do longa, a direção de Macneill é segura e consegue grandes atuações do trio de protagonistas. Jared Breeze tem tudo para ser lembrado como um dos melhores garotos problemas dos últimos anos, enquanto Morse e Wilson cumprem seus papéis com louvor. O roteiro de Chapman é afiado, com diálogos curtos, mas eficazes. Além de focar em pequenos detalhes para fazer a trama fluir. O ritmo, por muitas vezes lento, é essencial para a construção do clímax.

The Boy é um filme realista e sóbrio, esqueça todo o exagero de filmes sobre psicopatas mirins como O Anjo Malvado ou A Orfã, por exemplo. Além disso, essa primeira parte da trilogia nos brinda com um ótimo gancho para o segundo filme e já nos deixa sabendo do que Ted Henley é capaz de aprontar. E vale muito a pena acompanhá-lo em sua próxima jornada.

Escala de tocância de terror:

Nome original: The Boy
Direção: Craig William Macneill
Roteiro: Craig William Macneill e Clay McLeod Chapman
Elenco: Jared Breeze, David Morse e Rainn Wilson
Origem: EUA

Trailer

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