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DICAS: Quatro filmes e duas HQs para o Natal

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Enquanto o bom velhinho não chega e enche o seu saco de presentes, resolvemos dar umas dicas de filmes e de HQs para vocês. Aproveitem a oportunidade para o seu Natal não ser tão chato como nos outros anos.


* O Dia da Besta (El Dia de La Bestia)
[Dica de Jota Bosco]

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Com o excelente Álex Angulo, falecido esse ano, o segundo filme da parceria entre Santiago Segura e o diretor Álex de la Iglesia, conta a história de um padre que em seus estudos cabalísticos descobre a data da chegada do Anticristo. Com a ajuda de um headbanger, um apresentador de TV e sua namorada, tentarão invocar o demônio para descobrir o local do nascimento e matar o bebê demoníaco.

O filme é repleto de humor negro, grandes atuações e tem como base a presença do Mal. Não apenas o Mal bíblico e sim o Mal que está na esquina de sua casa, o Mal do ser humano, o Mal representado, entre outras coisas, pelo crescimento de movimentos de extrema direita na Europa, coisa que deixa o filme ainda atual, mesmo tendo sido lançado há quase 20 anos.
Ótimo filme pra assistir tomando aquele ponche aguado feito pela tia e comendo uma coxa de peru, pq todo mundo só quer uma fatia do peito. Boa diversão!

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=6Jh3qovS9dM?rel=0&w=420&h=315]


* Papai Noel das Cavernas (Rare Exports)
[Dica de Geraldo de Fraga]

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Longa finlandês de 2010, escrito e dirigido por Jalmari Helander, que conta a história de um grupo de escavadores que descobre o túmulo do Papai Noel… Mas ele não está morto… e também, nem de longe, pode ser chamado de “bom velhinho”. Belo exemplar de terrir produzido na Europa. É um filme para ser apreciado, de preferência, enchendo a cara de Sidra Cereser e batendo um prato daquele salpicão esperto.

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=9RQlikX4vvw?rel=0&w=560&h=315]


* Avalanche de Tubarões (Avalanche Skarks)
[Dica de Jarmeson de Lima]

Avalanche_Sharks

Natal combina com frio, lareira e neve, certo? Errado! Só se você foi criado na Lapônia e era um dos 200 empregados da Santa Claus S/A. Mas para os que não dispensam filmes friorentos para ver nesta época, recomendo esta “obra” que só podia ter sido exibida no canal SyFy: “Avalanche de Tubarões”.
A história é a mais ridícula e inverossível do universo: tá rolando um “spring break” de inverno com marmanjos e gatinhas adolescentes em uma região montanhosa. De repente a galera vai morrendo e descobrem que é coisa de TUBARÕES PRÉ-HISTÓRICOS QUE REVIVERAM APÓS UMA AVALANCHE DE NEVE! Mas você acha que a falta de água na área complica o deslocamento do nosso amigo? Claro que não! Tubarão de nevasca só não faz andar de ski, mas “nada” debaixo do gelo que é uma beleza!
Se você gostou de “Sharknado”, então assista aí “Avalanche de Tubarões” pra rir da podreira. Garanto que será mais divertido do que ver a Missa do Galo.

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=sotQoOngYno?rel=0&w=560&h=315]


* Uma Noite de Fúria (Santa’s Slay)
[Dica de Júlio Carvalho]

santas-slay-poster

Com um enredo bem escroto, “Uma Noite de Fúria” (Santa’s Slay, 2005) é um filme daquele tipo “tão ruim que é bom”, só que totalmente intencional. Aqui não tem psicopata fantasiado ou coisa do tipo, pois é o próprio “bom” velhinho quem toca o terror. No filme, o glorioso Papai Noel perdeu uma aposta com um anjo e teve de ser bonzinho por mil anos. O tempo acabou e ele volta a ser o que sempre foi: MAU PRA CARALHO! O filme tem uma produção bem B mesmo, mas é cheio de momentos insanos e hilários. Essa é a minha dica de Natal pra você, caro leitor.

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=o57v1nhBS54?rel=0&w=560&h=315]


* HQs: “Hideout” e “A Saga do Monstro do Pântano”
[Dicas de Queops Negronski]

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O mito do “salvador da humanidade” atravessa os tempos. No momento histórico em que estamos, o mais famoso deles atende pelo nome de Jesus Cristo, cuja data de nascimento é comemorada mundo afora como um momento de reflexão (na hora da ceia principalmente, onde a variedade ofertada nos faz refletir durantes alguns segundos até decidirmos por onde começar).

E é assim, imbuído do espírito natalino, que indico duas singelas HQs pra vocês desfrutarem durante o bode pós-festas. Uma é o mangá “Hideout”, de Masasumi Kakizaki (Panini Comics / Planet Mangá), onde um escritor fracassado que perdeu o filho vai com a esposa tirar férias num lugar paradisíaco e aos poucos tudo se revela estranho, tanto a relação dos dois, como os caminhos que eles percorrem no lugar. História massa com desenhos bonitos de doer.

A outra dica (ou deveria dizer “outras”) são os dois volumes já lançados de “A Saga do Monstro do Pântano”, fase Alan Moore (Vertigo / Panini Comics). Uma volta no tempo pra quem leu as edições lançadas no Brasil e um arco de histórias clássicas do personagem que certamente vai alegrar o leitor de HQ que ainda o desconhece.

monstro_pantano_capa


BÔNUS TRACK
E para encerrar… o curta “Natal, Vade Retro” que exibimos no último Cineclube Toca o Terror deste ano.

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=tm9aI3s0LAM?rel=0&w=560&h=315]

Ho Ho Ho Horror!

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DICA DA SEMANA: Funeral Home (1980)

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Funeral Home

O YouTube acabou se tornando uma grande ferramenta para quem procura e gosta de filmes obscuros. Por lá como sabem, existem produções que não foram lançadas oficialmente em formato digital, sendo repositório de cópias digitalizadas diretamente do VHS e que eventualmente ganharam relançamentos em DVD/Blu-Ray lá fora longe da nossa realidade e de nosso poder aquisitivo. Numa dessas pesquisas encontrei por lá “Funeral Home”, um slasher desconhecido e que pode ser considerado um cruzamento de Psicosee Halloween.

Na trama, acompanhamos uma jovem que vai passar férias numa pequena cidade para ajudar sua carinhosa avó numa hospedaria que no passado já foi uma casa funerária. No cotidiano do local, hóspedes vem e vão e alguns somem para sempre. Será que o passado do local tem alguma relação com os misteriosos assassinados ou alguém se aproveita do passado sinistro para realizar seus crimes?

Os exemplos de filmes citados no início do texto dão o clima de “Funeral Home”. Aqui o clima soturno é o que faz a ambientação das cenas. As mortes são escassas e demoram para acontecer, mas quando rola são sempre envoltas de muita sombra para mascarar a violência.

Alguns clichês dos slashers se mostram aqui de diversas formas: a personagem da mais descolada sexualmente; o personagem esquisitão e por aí vai. Agora indo na contramão do que estamos acostumados, neste longa não existem cenas de nudez e o máximo que se verá são as mulheres com biquinis e maiôs.

De alguma forma esse filme me agradou por mais que enxergue suas limitações e reconheça que as obras que o longa se espelha são infinitamente superiores. A direção é operante e consegue passar em alguns momentos o clima estranho e desconfortável que se pede.

O elenco é encabeçado por uma turma teen, mas a maior parte é composta por atores mais velhos e quem primeiro vai pro caixão é essa galera. “Funeral home” integra o seleto time de slashers desconhecidos e que valem a pena redescobrir.

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DICA DA SEMANA: Sexta-Feira 13 (1940)

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Sexta-Feira 13 Black Friday

As décadas de 30 e 40 foram marcantes para a evolução do cinema. E não apenas no sentido tecnológico. Diversas histórias puderam ser contadas a um espectador ávido por essa, então, nova experiência audiovisual, graças ao talento de grandes cineastas que foram revelados durante esse período.

No caso, estou me referindo ao lado mais comercial da história, com o cinema de gênero e o “studio system” em Hollywood criando os seus astros para cada tipo específico de produção. Este foi o caso de Boris Karloff e Bela Lugosi no terror. Foi aí que os estúdios se viram interessados em fazer híbridos, filmes em que tínhamos uma trama que abraça o gênero ‘do momento’ misturado a outros já consagrados para o público. Essa mistura de gêneros também era algo frequente nas rádio-novelas da época.

Foi no ano de 1940 que a Universal chegaria a lançar o seu último longa estrelado pela dupla Karloff e Lugosi. BLACK FRIDAY foi dirigido pelo experiente Arthur Lubin e recebeu por aqui, nada mais, nada menos que o título de SEXTA-FEIRA 13, algo que hoje é divertido de reparar por motivos mais do que óbvios para qualquer fã de terror.

Mas o título brasileiro até que faz sentido, pois é justamente em uma Sexta-Feira 13 em que o gentil e querido professor de literatura George Kingsley (Stanley Ridges) termina sendo vítima de um atropelamento. O famoso doutor Ernest Kovac (Boris Karloff) se vê com duas vidas em mãos: a de seu amigo que se encontra em estado grave e a de Red Cannon, o gângster que causou o acidente, ao fugir de uma perseguição por outros bandidos. É quando o médico vê no ocorrido a chance de comprovar as suas teorias, realizando um transplante do cérebro do bandido no corpo do amigo… E o pior é que a operação dá certo, com Kingsley voltando para casa depois de receber a alta do hospital.

Só que o transplante de Kovac tem os seus efeitos colaterais, com o professor se tornando uma espécie de Jekyll / Hyde quando a personalidade do gângster toma conta por completo do corpo de Kingsley (justamente nos momentos em que a trama mais exige, claro!). Ao mesmo tempo em que fica espantado, o médico também enxerga a oportunidade de fazer com que Cannon revele onde escondeu US$ 500 mil que vieram de um grande assalto a banco. Ele só não contava que o bandido não estava apenas interessado em recuperar todo esse dinheiro, mas também em se vingar dos antigos comparsas, dentre eles o perverso Marnay (Bela Lugosi).

Com SEXTA-FEIRA 13 temos então essa mistura de ficção científica, de filme de cientista maluco e de gângsters, com direito até a uma “femme fatale” na segunda parte da história. O que deve desapontar a alguns fãs é o fato de nem Karloff e nem Lugosi serem, de fato, os protagonistas da produção e sim, o ator Stanley Ridges que facilmente tem a melhor atuação do filme e consegue roubá-lo das duas estrelas.

Originalmente, Lugosi seria o dr. Kovac e Karloff teria o papel duplo de Kingsley/Red Cannon, mas o famoso intérprete da criatura de Frankenstein preferiu ficar com o personagem do amigo médico. Lugosi foi o que mais se prejudicou, apesar de ter o seu nome em destaque nos créditos e na divulgação, e teve que se contentar com o papel menor do gângster Marnay. Foi desta forma que um ator como Ridges sempre visto em personagens coadjuvantes, deitou e rolou com a oportunidade. Ele impressiona de uma maneira que é capaz do espectador pensar que seus dois papéis são feitos por atores diferentes.

Com apenas 70 minutos, SEXTA-FEIRA 13 tem diversão de sobra para os fãs dos atores e do cinema de horror/ficção científica dos anos 40. O filme pode ser assistido gratuitamente através do YouTube. Abaixo o trailer de cinema (com SPOILERS), onde se “revela” que Bela Lugosi foi hipnotizado (risos) pelo místico Manly P. Hall para uma de suas cenas no filme.

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DICA DA SEMANA: Dead Mountaineer’s Hotel (1979)

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Dead Mountaineer's Hotel

A polícia recebe uma ligação anônima vinda de um hotel, que fica em uma região montanhosa, praticamente no meio do nada, durante um rigoroso inverno. Eles enviam Glebsky (Uldis Pucitis), o típico detetive sisudo, de cara fechada, poucos amigos e vestido com um sobretudo, para apurar o que teria acontecido.

Chegando lá, o homem se depara com uma galeria de tipos esquisitos, a começar pelo próprio recepcionista. O policial também recebe o carinho de um enorme cão da raça São Bernardo, que foi de um hóspede e alpinista cujo rosto foi pintado em uma das paredes do estabelecimento e que faleceu nas proximidades (daí o título). Por tudo aparentar estar mais do que tranquilo, Glebsky aceita o convite para jantar e passar a noite no local. É quando cai uma avalanche que mantém todos em estado de isolamento forçado e não muito depois, o assassinato de um dos hóspedes.

DEAD MOUNTAINEER’S HOTEL é uma produção da Estônia, lançada enquanto o país se encontrava anexado à U.R.S.S. (a.k.a. União Soviética). Trata-se daquele tipo de longa que, no decorrer de sua narrativa passada em uma única locação, consegue fazer com que o espectador enxergue aquele lugar como uma porta de entrada para um mundo diferente do “normal” e do que acreditamos conhecer. Mas é claro que essa não seria uma história comum de detetives… afinal, o filme está sendo recomendado pelo Toca o Terror!

O personagem principal, inclusive, passa a ter suas crenças e convicções pessoais desafiadas por tudo que vê acontecer ao seu redor. E como é de esperar de alguém com uma visão fechada e limitada como a de um policial (ou a de um fascista mesmo, fique à vontade), ele seguirá o senso comum e essa história termina de forma trágica.

Um porém que melhoraria a experiência seria a revelação do mistério vir antes do 3º ato. O ritmo do filme de Grigori Kromanov melhora consideravelmente após o espectador também ficar sabendo um pouco mais sobre o que raios está acontecendo no hotel. Mas isso não diminui o prazer de ver esse híbrido de gêneros interessante e fora do convencional.

Adaptado de um livro dos Irmãos Strugátski, DEAD MOUNTAINEER’S HOTEL foi roteirizado por esses autores de enorme importância para a literatura de ficção científica. O romance ainda ganharia uma adaptação para jogo de PC em 2011. Vale lembrar que 1979 também veria o lançamento de STALKER, do cineasta Andrei Tarkovski, outro filme roteirizado por eles a partir de “Piquenique na Estrada”, um de seus livros mais famosos.

Atenção para a trilha sonora eletrônica e o aspecto visual do longa, que faz com que ele pareça ter influenciado o que viria a seguir em filmes lançados a partir de “Blade Runner”, embora isso seja muito pouco provável pela dificuldade de um filme vindo da U.R.S.S. em ser comercializado no ocidente durante a Guerra Fria.

DEAD MOUNTAINEER’S HOTEL pode ser assistido no YouTube, o link disponibiliza legendas em inglês.

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