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RESENHA: Tusk – A Transformação (2014)

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Tusk-poster[1] Por Júlio César Carvalho

Quando se assiste a uma produção que não se leva a sério por natureza, a gente também não e releva tudo o que não toleraria normalmente em um filme. É assim que deve ser assistido A Presa (Tusk), a mais recente produção de Kevin Smith, cultuado diretor de O Balconista e Dogma. O curioso é que a ideia do bizarro roteiro surgiu por acaso em um dos seus podcasts que depois de uma enquete decidiu realizá-lo. tusk_0O filme conta a história de Wallace Bryton (Justing Long), um podcaster que vai ao Canadá entrevistar uma celebridade de internet, mas chegando lá descobre que o rapaz está morto e para não perder viagem sai a procura de alguém interessante pra usar em seu programa. Então, por acaso, encontra uma carta interessante de um tal Howard Howe (Michael Parks), decidindo assim encontrá-lo e entrevistá-lo. Não demora, Wallace se vê preso em uma armadilha na qual será submetido a uma terrível transformação física contra a sua vontade. A primeira metade do longa é muito boa pois a química entre Wallace (Long) e Howard (Parks) nos confere bons diálogos.

Desde o início, o humor está sempre presente, mas quando o bom velhinho se revela um psicopata é que a coisa começa a melhorar e o clima descontraído vai dando lugar a tensão. O que funciona bem para nos preocuparmos com o (antes detestável) coitado podcaster. Só que a grande expectativa de Tusk é sem dúvida o tal homem-morsa transformado. O problema é que é revelada a criatura, o filme vira uma piada vergonhosa. Caro leitor, imagine o Baby Sauro (Família Dinossauros) do tamanho de um hipopótamo, cheio de cicatrizes e com enormes presas. Junte isso a uma produção do nível do extinto programa infantil TV Colosso. Pronto. Não digo é mais nada. tusk_1Daí em diante, o filme passa a criar situações ridículas como quando o velho resolve vestir uma fantasia de morsa e propõe uma luta justa estilo “mano-a-mano” com a criatura que acabara de criar. Que cena bosta. Pois é, o antes aterrorizante psicopata agora não passa de um velho gagá. Para piorar, Johnny Depp faz uma pequena, e importante, participação como um detetive particular excêntrico e sem graça. Aí você vem e me diz “Mas Júlio, o filme é zuêra.”. Foda-se! tusk_2O fato é que Tusk falha miseravelmente em sua tentativa de ser divertido e perturbador. Ainda bem que Kevin Smith tem fãs, o que deve garantir uma boa receptividade dessa baboseira, mas esses com certeza serão alvo de piadas do próprio realizador ao ler as mais diversas interpretações profundas sobre seu longa propositalmente tosco. Aliás, durante os créditos finais, tocam trechos do áudio do seu podcast no qual o diretor teve a ideia para esse filme. Detalhe esse que soa mais como um “sorriso amarelo” de quem fez besteira e ficou sem graça.

Veredicto: TOSCO.

Escala de tocância de terror:

Direção: Kevin Smith
Roteiro: Kevin Smith
Elenco: Justin Long, Michael Parks e Haley Joel Osment 
Origem: EUA e Canadá

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=BCQJnOn0ru0]

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Anarquista, quase cinéfilo, diretor de arte, fotógrafo, cervejeiro, rockeiro doido e crítico/podcaster do Toca o Terror

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RESENHA: As Faces do Demônio (2020)

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As Faces do Demônio

Pouco se vê do cinema sul-coreano nas salas multiplex do país. E de terror então, nem se fala! “AS FACES DO DEMÔNIO” (Byeonshin 변신), que entraria em cartaz em março deste ano se não fosse a pandemia da COVID-19, estreia agora nos cinemas. A insistência em não lançar o filme em VOD e streaming apesar da quarentena talvez seja sinal de uma abertura maior para produções de gênero da Ásia nas salas comerciais depois que “PARASITA” fez a festa no Oscar.

Este novo longa coreano já começa com os dois pés nas caixas do peito do espectador com um exorcismo pra lá de escatológico que acaba em tragédia, servindo pra nos apresentar os personagens principais: o padre e o demonho. Sequência nada sutil com vômito de sangue, muita ferida e nojeira. A cena é tão surtada que lembra clássicos como “A MORTE DO DEMÔNIO” de Sam Raimi. Mas quando somos apresentados a família que vai sofrer com o malassombro, logo o tom muda radicalmente, entrando num ritmo mais calmo como é de se esperar das produções asiáticas, porém com certa agilidade atípica.

A trama de “AS FACES DO DEMÔNIO” é muito boa, mas infelizmente sua sinopse e trailers entregam muitos spoilers. Eu sei que é difícil, mas se puder, evite-os. A direção de Hong-seon Kim é segura e nos traz uma situação cabulosa atrás da outra. Incrível como o cinema sul-coreano consegue entregar momentos brutos e ternos dentro de uma mesma situação, por mais desconfortável que seja. Pra não estragar, vou evitar descrever o desenrolar dos eventos, mas dá pra dizer que o clima de paranoia, ao bom estilo O ENIGMA DE OUTRO MUNDO do mestre carpinteiro, é muito bem construído e acaba sendo a base que sustenta toda trama. Porém, o diretor perde a mão quando tenta “enfeitar” alguns momentos que poderiam ser mais contidos.

O que chama atenção logo de cara, é a fotografia cristalina e com uma paleta de cor de fortes contrastes entre azul e laranja, típica do cinema mainstream de hollywood predominante, deixando claro que a produção foi feita pra o mercado internacional. Isso é ruim? Seria se fosse mal feito, o que não é o caso. Outra coisa que salta os olhos, é o trabalho de maquiagem artesanal, tanto do possuído como dos cadáveres que podem causar certa repulsa. O que incomoda mesmo é o mal uso de CGI em situações que não precisariam. Não é nem uma questão de purismo, é porque ficaram mal feitas mesmo.

Talvez, o problema aqui é que, para além da estética nitidamente feita pra o público internacional, temos excessos tipicamente hollywoodianos que vão agradar o público em geral, mas podem incomodar os apreciadores do horror asiático mais contido. É sério! Tem hora que a pessoa pergunta pra tela: “PRA QUÊ TUDO ISSO?”. Mas a situação principal concebida é tão intrigante que dá pra relevar esses “exageros ocidentalizados” e ficar tenso do mesmo jeito.

No geral, AS FACES DO DEMÔNIO é um bom filme não só pela narrativa equilibrada e aspectos técnicos, mas pela forma nada convencional de como é tratado o lance de possessão, tema tão mal explorado no cinema de horror nos últimos anos.

NOTA: É bom lembrar que ainda estamos em plena pandemia. Então, se for arriscar, ao menos respeite os protocolos de segurança.

Escala de tocância de terror:

Título original: Byeonshin
Direção: Hong-seon Kim
Roteiro: Kim Hyang-ji
Elenco: Sung-Woo Bae, Dong-il Sung, Young-nam Jang
Origem: Coréia do Sul

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RESENHA: #Alive (2020)

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Alive

O cinema sul coreano ganhou uma visibilidade incrivel nos últimos anos e hoje não é tão raro ver obras vindas de lá aportarem no cinema. Mas é claro que com a pandemia as coisas foram freadas e alguns filmes estão ganhando destaque via streaming. Este é o caso de #Alive, filme que estreou em seu país na reabertura dos cinemas com bastante êxito e está sendo distribuído mundialmente pela Netflix.

A trama acompanha um jovem rapaz, que sozinho no apartamento da família, tenta sobreviver a uma epidemia mortal que transforma os cidadãos em zumbis sedentos por carne humana. No passar de vários dias, com comida e água acabando e ataques cada vez piores das criaturas, o rapaz coloca em cheque a promessa que fez ao pai de sobreviver. E aos trancos e barrancos ele tentará cumprir o que foi pedido.

#Alive é um bom filme de zumbis que não coloca nada de novo na mesa, mas traz o básico que, em sua maior parte, é competente. O longa não enrola e logo nos primeiros minutos a confusão e o caos predominam. A primeira parte é a melhor, se passando em praticamente um único cenário, mostrando bem a sensação de solidão e medo do personagem com cenas de ação pontuais e mais comedidas. Vale comentar a ótima maquiagem dos monstros que lembram o conterrâneo “Invasão Zumbi” (Train to Busan).

Outra semelhança com o longa de zumbis mais famoso é a ambientação minimalista e o país. Sinceramente, essa sim deveria ser a sequência real dele, pois mesmo não sendo perfeita, se mostra bem superior à continuação oficial, chamanda “Península”.

Os problemas de #Alive vêm à tona em sua segunda metade, onde as sequências de ação se tornam inverossímeis demais (até para um filme de zumbis)… Meio que a produção se rende ao espetáculo ocidental apresentando exageros que tiram a atenção diversas vezes. O clímax acaba sendo forçado e emotivo demais querendo a todo custo arrancar lágrimas do público.

Concluindo… #Alive não é um divisor de águas do gênero, mas é divertido e tenso na maior parte de sua duração. Vale gastar o tempo assistindo as desventuras do protagonista e sua busca pela sobrevivência.

Escala de tocância de terror:

Título original: #Saraitda
Diretor: II Cho
Roteiro: II Cho,Matt Naylor
Elenco: Ah-in Yoo, Shin-Hye Park,Bae-soo Jeon e outros
País de origem: Coreia do Sul

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RESENHA: Dominação (2017)

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Dominação

[Por Felipe Macedo]

Estrelado por Aaron Eckhart e produzido por Jason Blum, “Dominação” (Incarnate) mais uma vez mostra a história de um jovem possuído por um demônio poderoso. Nosso herói aqui luta para derrotar o grande mal e salvar o dia. No entanto, o longa tenta vir com uma promessa de abordar o tema de uma forma diferente do que foi mostrado até hoje. (mais…)

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