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RESENHA: Monsters: Dark Continent (2014)

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Por Júlio César Carvalho

Há 5 anos atrás, um filme independente chamado Monstros (Monsters, 2010) chamou a atenção por seu subtexto político, formato quase documental e monstros gigantes na fronteira do México com os EUA. Esse filme foi realizado por Gareth Edwards e lhe rendeu o privilégio de fazer o novo filme do Godzilla em Hollywood. Demorou, mas a sequência foi anunciada e, apesar dos realizadores serem outros, os empolgantes trailers animaram os fãs do gênero. Aí, você vai todo empolgado assisti-lo pensando que vai ver um novo Tropas Estrelares (Starship Troopers, 1997) e quebra a cara.

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A trama se passa 10 anos após os eventos do primeiro filme. Agora estamos nas chamadas “áreas infectadas” no Oriente Médio, o tal “continente obscuro” do qual o subtítulo do filme sugere. Preconceituoso? TOTAL! Ao contrário do longa antecessor que soava como crítica a exclusão dos latinos por parte dos EUA, aqui soa apenas pejorativo e gratuito. Acompanhamos o soldado Parkes (Sam Keeley), o resto do pelotão e o sargento badass motherfucker Frater (Johnny Harris). Estes tem a missão de resgatar outros soldados americanos que estão em poder de um grupo rebelde local. Ah, claro, tem monstros alienígenas gigantes vagando pelo deserto e alguns pontos urbanos.

Depois de uma breve, e desleixada, construção de personagem em Detroit, o soldado Parke vai finalmente para o Oriente Médio. Vale citar que há monstros nos EUA, pois o protagonista presencia uma rinha entre um cachorro e um monstrinho, um filhote talvez, nas ruas de Detroit. Em paralelo, o sargento fodão americano é mostrado em missão como infiltrado lá do outro lado do globo. Apresentada a nossa dupla dinâmica, uma bela sequencia de créditos iniciais nos coloca a par do cenário mundial em que o filme se passa. Daí em diante, o longa desanda se mostrando apenas mais um filme medíocre de guerra.

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No intuito de conferir realismo (Lembrando que não se trata de um found-footage), a câmera na mão é o recurso predominante aqui. Então prepare-se para closes excessivos, cenas tremidas etc deixando tudo muito mal resolvido na tela. Os personagem aqui apresentados não despertam empatia por parte do espectador em momento algum. Simplesmente existem para serem mortos em tiroteios e explosões de minas terrestres. Tem aquele chororô de despedida do colega sem as pernas, soldado se martirizando pelo pelotão, enfim… Aí você deve estar se perguntando: E os monstros? Aí você já está querendo demais!

Pra piorar, tudo nessa sequência é superficial. Aliás, nada é abordado de fato. Nem os, aparentemente, eternos conflitos no Oriente Médio e nem os monstros em si. O filme paira num clima de distanciamento contextual irritante, mostrando o quão incompetentes seus realizadores são. Salvo, com ressalvas, a equipe de efeitos visuais, que apesar de utilizar artifícios como muita poeira e visão noturna, para não mostrar tão bem as gigantes criaturas, conseguem apresentar um clima bem realista quando as mesmas são relevadas às claras e com detalhes. Pena que esses momentos são muito poucos.

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Passado já metade do longa, perca as esperanças de achar que Monsters: Dark Continent vai se tornar um filme de monstros em algum momento. Pois não vai. Esses seres são apenas plano de fundo para um filme de “guerra ao terror“. E isso é frustrante! Se a intenção de Tom Green (diretor e roteirista) foi levantar um questionamento sobre quem afinal são os monstros, humanos ou alienígenas, falhou feio. Há umas situações até tensas entre os marines e os rebeldes locais, mas nada que outros inúmeros filmes de guerra já tenham feito de forma competente.

Veredicto: TOTAL ENGANAÇÃO!

Escala de tocância de terror:
Direção: Tom Green
Roteiro: Tom Green, Jay Basu
Elenco: Johnny Harris, Sam Keeley, Joe Dempsie  
Origem: Reino Unido

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Anarquista, quase cinéfilo, diretor de arte, fotógrafo, cervejeiro, rockeiro doido e crítico/podcaster do Toca o Terror

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RESENHA: As Faces do Demônio (2020)

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As Faces do Demônio

Pouco se vê do cinema sul-coreano nas salas multiplex do país. E de terror então, nem se fala! “AS FACES DO DEMÔNIO” (Byeonshin 변신), que entraria em cartaz em março deste ano se não fosse a pandemia da COVID-19, estreia agora nos cinemas. A insistência em não lançar o filme em VOD e streaming apesar da quarentena talvez seja sinal de uma abertura maior para produções de gênero da Ásia nas salas comerciais depois que “PARASITA” fez a festa no Oscar.

Este novo longa coreano já começa com os dois pés nas caixas do peito do espectador com um exorcismo pra lá de escatológico que acaba em tragédia, servindo pra nos apresentar os personagens principais: o padre e o demonho. Sequência nada sutil com vômito de sangue, muita ferida e nojeira. A cena é tão surtada que lembra clássicos como “A MORTE DO DEMÔNIO” de Sam Raimi. Mas quando somos apresentados a família que vai sofrer com o malassombro, logo o tom muda radicalmente, entrando num ritmo mais calmo como é de se esperar das produções asiáticas, porém com certa agilidade atípica.

A trama de “AS FACES DO DEMÔNIO” é muito boa, mas infelizmente sua sinopse e trailers entregam muitos spoilers. Eu sei que é difícil, mas se puder, evite-os. A direção de Hong-seon Kim é segura e nos traz uma situação cabulosa atrás da outra. Incrível como o cinema sul-coreano consegue entregar momentos brutos e ternos dentro de uma mesma situação, por mais desconfortável que seja. Pra não estragar, vou evitar descrever o desenrolar dos eventos, mas dá pra dizer que o clima de paranoia, ao bom estilo O ENIGMA DE OUTRO MUNDO do mestre carpinteiro, é muito bem construído e acaba sendo a base que sustenta toda trama. Porém, o diretor perde a mão quando tenta “enfeitar” alguns momentos que poderiam ser mais contidos.

O que chama atenção logo de cara, é a fotografia cristalina e com uma paleta de cor de fortes contrastes entre azul e laranja, típica do cinema mainstream de hollywood predominante, deixando claro que a produção foi feita pra o mercado internacional. Isso é ruim? Seria se fosse mal feito, o que não é o caso. Outra coisa que salta os olhos, é o trabalho de maquiagem artesanal, tanto do possuído como dos cadáveres que podem causar certa repulsa. O que incomoda mesmo é o mal uso de CGI em situações que não precisariam. Não é nem uma questão de purismo, é porque ficaram mal feitas mesmo.

Talvez, o problema aqui é que, para além da estética nitidamente feita pra o público internacional, temos excessos tipicamente hollywoodianos que vão agradar o público em geral, mas podem incomodar os apreciadores do horror asiático mais contido. É sério! Tem hora que a pessoa pergunta pra tela: “PRA QUÊ TUDO ISSO?”. Mas a situação principal concebida é tão intrigante que dá pra relevar esses “exageros ocidentalizados” e ficar tenso do mesmo jeito.

No geral, AS FACES DO DEMÔNIO é um bom filme não só pela narrativa equilibrada e aspectos técnicos, mas pela forma nada convencional de como é tratado o lance de possessão, tema tão mal explorado no cinema de horror nos últimos anos.

NOTA: É bom lembrar que ainda estamos em plena pandemia. Então, se for arriscar, ao menos respeite os protocolos de segurança.

Escala de tocância de terror:

Título original: Byeonshin
Direção: Hong-seon Kim
Roteiro: Kim Hyang-ji
Elenco: Sung-Woo Bae, Dong-il Sung, Young-nam Jang
Origem: Coréia do Sul

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RESENHA: #Alive (2020)

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Alive

O cinema sul coreano ganhou uma visibilidade incrivel nos últimos anos e hoje não é tão raro ver obras vindas de lá aportarem no cinema. Mas é claro que com a pandemia as coisas foram freadas e alguns filmes estão ganhando destaque via streaming. Este é o caso de #Alive, filme que estreou em seu país na reabertura dos cinemas com bastante êxito e está sendo distribuído mundialmente pela Netflix.

A trama acompanha um jovem rapaz, que sozinho no apartamento da família, tenta sobreviver a uma epidemia mortal que transforma os cidadãos em zumbis sedentos por carne humana. No passar de vários dias, com comida e água acabando e ataques cada vez piores das criaturas, o rapaz coloca em cheque a promessa que fez ao pai de sobreviver. E aos trancos e barrancos ele tentará cumprir o que foi pedido.

#Alive é um bom filme de zumbis que não coloca nada de novo na mesa, mas traz o básico que, em sua maior parte, é competente. O longa não enrola e logo nos primeiros minutos a confusão e o caos predominam. A primeira parte é a melhor, se passando em praticamente um único cenário, mostrando bem a sensação de solidão e medo do personagem com cenas de ação pontuais e mais comedidas. Vale comentar a ótima maquiagem dos monstros que lembram o conterrâneo “Invasão Zumbi” (Train to Busan).

Outra semelhança com o longa de zumbis mais famoso é a ambientação minimalista e o país. Sinceramente, essa sim deveria ser a sequência real dele, pois mesmo não sendo perfeita, se mostra bem superior à continuação oficial, chamanda “Península”.

Os problemas de #Alive vêm à tona em sua segunda metade, onde as sequências de ação se tornam inverossímeis demais (até para um filme de zumbis)… Meio que a produção se rende ao espetáculo ocidental apresentando exageros que tiram a atenção diversas vezes. O clímax acaba sendo forçado e emotivo demais querendo a todo custo arrancar lágrimas do público.

Concluindo… #Alive não é um divisor de águas do gênero, mas é divertido e tenso na maior parte de sua duração. Vale gastar o tempo assistindo as desventuras do protagonista e sua busca pela sobrevivência.

Escala de tocância de terror:

Título original: #Saraitda
Diretor: II Cho
Roteiro: II Cho,Matt Naylor
Elenco: Ah-in Yoo, Shin-Hye Park,Bae-soo Jeon e outros
País de origem: Coreia do Sul

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RESENHA: Dominação (2017)

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Dominação

[Por Felipe Macedo]

Estrelado por Aaron Eckhart e produzido por Jason Blum, “Dominação” (Incarnate) mais uma vez mostra a história de um jovem possuído por um demônio poderoso. Nosso herói aqui luta para derrotar o grande mal e salvar o dia. No entanto, o longa tenta vir com uma promessa de abordar o tema de uma forma diferente do que foi mostrado até hoje. (mais…)

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