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RESENHA: O Conto dos Contos (2015)

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Conto dos ContosPor Geraldo de Fraga

Você já deve ter ouvido por aí que os contos de fadas, quando criados, eram histórias muito assustadoras e que metiam medo até nos adultos. As animações de Walt Disney são apontadas como as principais responsáveis pela infantilização dessas fábulas. Mas isso já havia acontecido bem antes, entre 1825 e 1858, quando os irmãos Grimm as publicaram em formato de livro para crianças.

Captura de Tela 2015-09-18 às 12.05.49Porém, mesmo antes de tudo isso, alguns contos de fadas já haviam sido coletados pelo escritor Giambattista Basile, de uma forma mais próxima de suas origens. E foi baseado nessa obra, digamos, mais visceral, que o diretor Matteo Garrone tirou três histórias para produzir O Conto dos Contos (Il Racconto dei Racconti, 2015), que concorreu à Palma de Ouro do Festival de Cannes deste ano.

A fita é uma produção italiana, mas conta com um elenco hollywoodiano e é falada em inglês. Só que mesmo com toda essa pompa, o filme aposta de fato no caminho contrário de como os contos de fadas são usados nas recentes produções do mainstream. Esqueça qualquer indício de romance, príncipes encantados ou finais felizes.

Captura de Tela 2015-09-18 às 12.08.17O longa nos apresenta três fábulas, que são mostradas paralelamente. Na primeira, uma rainha (Salma Hayek) engravida de uma maneira bem pouco convencional e tem que arcar com as consequências da sua decisão. Perto dali, um rei depravado (Vincent Cassel) se apaixona pela voz de uma mulher, sem saber que ela é uma velha. No terceiro conto, outro rei (Toby Jones) decide realizar um concurso que tem como prêmio a mão da sua filha, mas a princesa acaba levando a pior.

Podemos apontar os principais trunfos de O Conto dos Contos, começando pelo fato de a obra manter a sobriedade. Mesmo nas cenas com monstros, tudo é muito sutil e competente, sem encher a tela de efeitos especiais. Temos também a violência como parte da história e das situações. Nada de sangue gratuito. Além disso, o elenco mostra que não está lá apenas para apresentar rostos conhecidos ao grande público.

Captura de Tela 2015-09-18 às 12.06.43Mas esse mesmo elenco, parece subaproveitado. Assim, como a maioria das histórias. É nisso que o filme mais desaponta. Toda a simplicidade, que colabora com um roteiro coeso, é uma faca de dois gumes, pois, em certos momentos, deixa o filme meio bobo. Mas, tudo bem, afinal é um conto de fadas. E se o resultado final não foi o espectador feliz para sempre, pelo menos ele teve um bom passatempo.

Escala de tocância de terror:

Título original: Il Racconto dei Racconti (Tale of tales)
Direção: Matteo Garrone
Roteiro: Matteo Garrone e Edoardo Albinati (baseado na obra de Giambattista Basile)
Elenco: Salma Hayek, Vincent Cassel e Toby Jones
Origem: Itália, França, Reino Unido

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1 comentário

  1. Tavares

    8 de junho de 2017 a 10:06

    Decepcionado, o filme sai do nada a lugar a nenhum. E nem pra aparecer a Salma Hayek pelada (o que ia salvar o filme).

  2. Johnna

    17 de setembro de 2017 a 00:05

    Lembrando que conto e fábula não são a mesma coisa. Cuidado!

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RESENHA: In Search of Darkness (2019)

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Search of Darkness

[Por Frederico Toscano]*

In Search of Darkness é um documentário com uma proposta simples e direta: destrinchar a produção de horror dos Estados Unidos da década de 80. Lançado em maio do ano passado, acabou não chamando tanta atenção no Brasil (ou mesmo lá fora), provavelmente por não ter recebido uma distribuição e divulgação mais abrangentes. O que é compreensível, já que o projeto não saiu de um estúdio convencional, sendo fruto de uma bem-sucedida campanha de arrecadação dos sites Kickstarter e Indiegogo.

Com a meta alcançada e os fundos garantidos, o diretor e roteirista David Weiner deve ter pensado que os apoiadores mereciam ver seu dinheiro bem empregado. E entregou um filme de quatro horas e meia de duração. E pensar que teve gente reclamando de O Irlandês(mais…)

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RESENHA: The Titan (2018)

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The Titan

Em mais uma aposta da Netflix na Ficção Científica, “The Titan” é uma prova que nem sempre a gigante do streaming acerta em suas produções. Veja bem, não é culpa da produção técnica em si (quase sempre impecável), mas de parte do roteiro e de seu ritmo. (mais…)

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SÉRIE: Coletivo Terror (2020)

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Coletivo Terror

Coletivo Terror (Bloodride), série norueguesa da Netflix, é uma produção em formato de antologia. São seis episódios com histórias independentes, durando cerca de 30 minutos cada. Os roteiros são diversificados, temos contos de fantasmas, psicopatas, lendas nórdicas, tudo no melhor estilo Além da Imaginação.

Three Sick Brothers

Muita gente pensa que escrever histórias curtas pode ser fácil, mas nem todo mundo é capaz de condensar uma ideia em um espaço de tempo limitado. Em certos casos é até mais difícil. E a série criada por Kjetil Indregard e Atle Knudsen tropeça justamente aí, falhando em dar ritmo aos capítulos e buscando sempre uma reviravolta que poucas vezes surpreende o espectador.

The Elephant in the Room

De algum destaque, listamos como bons argumentos os episódios Three Sick Brothers (E02), Lab Rats (E04) e The Elephant in the Room (E06). A intenção foi boa, mas uma coisa ou outra no roteiro acaba deixando-os menos interessantes do que poderiam ter sido. Lab Rats tinha tudo para ser ótimo suspense, não fossem os diálogos constrangedores.

Ultimate Sacrifice

Ultimate Sacrifice (E01), Bad Writer (E04) e The Old School (E05) são os responsáveis por jogar a nota do programa lá pra baixo, com histórias ruins, previsíveis e atuações que deixam a desejar. O primeiro principalmente por ser o único a fugir do lugar comum e focar em um fato histórico bem norueguês: a herança viking.

Talvez o formato de curtas empolgue quem procura um passatempo rápido e leve, mas não espere ser surpreendido em nada por Coletivo Terror. Se uma segunda temporada for confirmada pela Netflix, é bom os criadores começarem a se esforçar mais.

P.S.: Não entendi a relação com o ônibus da abertura.

Escala de tocância de terror:

Título original: Bloodride
Direção: Geir Henning Hopland e Atle Knudsen
Roteiro: Kjetil Indregard e Atle Knudsen
Elenco: Stig R. Amdam, Anna Bache-Wiig e Ellen Bendu
Origem: Noruega

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