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RESENHA: Jerusalém (2016)

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[Por Geraldo de Fraga]

Segundo o Talmude, conjunto de livros sagrados da religião judaica, existem três portas para o inferno: uma no deserto, uma no oceano e uma em Jerusalém. Foi usando essa mitologia, que os irmãos Doron e Yoav Paz escreveram e dirigiram Jerusalém (Jeruzalem, 2016), novo exemplar do estilo found footage que esteve presente em todas as listas dos mais aguardados para esse ano.

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Duas jovens americanas, Rachel (Yael Grobglas) e Sarah (Danielle Jadelyn), partem em uma viagem de férias rumo a Tel Aviv. Ainda no avião, elas conhecem Kevin (Yon Tumarkin), um estudante de antropologia que as convida para passar primeiro em Jerusalém. Lá, os três ficam hospedados em um albergue dentro da Cidade Antiga, área histórica cercada por muros gigantescos e onde judeus e muçulmanos convivem numa certa tensão.

O roteiro explora bem esse contexto cultural, incluindo aí uma treta entre os árabes donos do albergue e dois soldados israelenses. Já o formato found footage ajuda a deixar o cenário ainda mais claustrofóbico. A filmagem, que emula a câmera de um Google Glass, deixa as ruas da antiga cidade com um aspecto de labirinto e ainda aproveita para colocar informações auxiliares na tela, como vídeos, perfis de redes sociais e mapas.

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Então, as véspera do Yom Kipur, o tal portão para o inferno se abre e liberta uma horda de demônios e mortos vivos. Logo, a cidade está tomada e o governo de Israel ordena o fechamento de todas as saídas do centro histórico. O que se vê a partir desse momento é uma batalha gigantesca contra as forças do mal. Os irmãos Paz até acertam em manter uma visão minimalista de toda aquela catástrofe, focando na luta dos protagonistas pela sobrevivência e mostrando apenas detalhes do embate maior.

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Infelizmente, todo esse acerto estético vai por água abaixo quando chegamos ao clímax do filme. Vários clichês dão as caras e temos aquele velho problema do estilo found footage de solucionar embates com cenas caóticas, onde a imagem fica tremida o tempo todo ou todas as luzes se apagam. Tanto a locação histórica, quanto a mitologia judaica poderiam render muito mais, porém os vícios do estilo se sobressaem mais uma vez. Jerusalém começa muito bem, se mantém bom, mas decepciona demais quando menos podia. Uma pena.

Escala de tocância de terror:

Direção: Doron e Yoav Paz
Roteiro: Doron e Yoav Paz
Elenco: Yael Grobglas, Danielle Jadelyn e Yon Tumarkin.
Origem: Israel
Ano: 2016

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RESENHA: O Beco do Pesadelo (2022)

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O beco do pesadelo

Sem exageros: o nome de Guillermo Del Toro é garantia de cinema de gênero de qualidade. O realizador mexicano é um dos poucos casos em que a sua cinefilia ardorosa (desde a infância, vale lembrar) mais ajuda do que atrapalha na condução narrativa de seus filmes.

Hoje ele ainda é alguém que consegue bons orçamentos para fazer obras que não sejam o terceiro filme de uma franquia de super-heróis. Foi assim com todos os seus longas mais recentes: PACIFIC RIM, A COLINA ESCARLATE e A FORMA DA ÁGUA e, assim como os dois últimos citados, “O BECO DO PESADELO” (Nightmare Alley) também se trata de outro ‘filme de época’.

Bradley Cooper encabeça a grandiosa produção passada nos anos 40 como o protagonista Stan Carlisle, um misterioso sujeito que acaba trabalhando como ajudante de um ‘sideshow’ itinerante onde conhece vários outros personagens, interpretados por Rooney Mara, Toni Collette, Ron Perlman, Willem Dafoe e David Strathairn.

É nesse ambiente com Zeena e Pete (Collette e Strathairn) que ele aprenderá um número poderoso com truques de mentalismo que o levará para os salões de hotéis e teatros de luxo junto a Molly (Mara). Stan vê no sucesso de suas apresentações a oportunidade de faturar muito alto enganando pessoas especialmente selecionadas dentro da elite nova-iorquina e acaba encontrando alguém para ajudá-lo nisso, a psicóloga Lilith Ritter (Cate Blanchett).

O BECO DO PESADELO é a segunda adaptação para os cinemas de um romance ‘noir’ de William Lindsay Gresham (a anterior, lançada em 1947, foi estrelada por Tyrone Power). Esta nova versão termina sendo um pouco mais longa do que deveria com suas 2h30 que nunca entediam, mas tem o seu impacto pela direção de Del Toro. As atuações do elenco estelar (ninguém no piloto automático), um bom roteiro e a excelência da fotografia e direção de arte fazem do filme algo a se ver em 2022. Outro ponto positivo é a trilha sonora a cargo de Nathan Johnson.

Mas e como o longa se sai em comparação ao de 1947? Muitíssimo bem, chegando a superá-lo em alguns momentos. Pelo fato de hoje estarmos na segunda década do século XXI, o roteiro adaptado de Del Toro e Kim Morgan consegue ser bem mais sombrio e fatalista, incluindo temas difíceis de lidar na época como aborto e o fato de tudo acontecer em meio à II Guerra Mundial. O BECO DO PESADELO possui cenas que surpreendem na carga de violência gráfica e a dispensa de um final feliz, com a história se encerrando exatamente como no livro.

No mais, é um belo de um exemplar de ótimo cinema de gênero que entra em cartaz nos nossos cinemas. O filme de Del Toro vale o ingresso, não apenas por prestar tributo ao longa original que o inspirou, mas também ao cinema em si, talvez a mais única e resistente de todas as artes das ilusões.

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RESENHA: Pânico (2022)

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Pânico

A franquia Pânico tem um grande espaço no meu coração de cinéfilo. Lembro de ter convencido minha irmã a não lanchar na escola no dia seguinte para podermos alugar o VHS do primeiro filme no meio da semana. Reunimos os amigos da rua e juntos assistimos à primeira aparição do Ghostface, hoje icônico vilão(a).

Vi todas as sequências no cinema e mesmo preferindo o original, gosto delas. Quando veio a noticia de um reboot da franquia, fiquei receoso. Primeiro porque não seria mais Wes Craven quem dirigiria e depois pelos rumores de como utilizariam os personagens clássicos. Até que enfim pude ver o resultado deste novo filme da franquia.

A cidade de Woodsboro mais uma vez se vê palco de assassinatos misteriosos e brutais, deixando claro que um novo Ghostface surgiu, mas há algo diferente dessa vez. O foco está numa garota que volta à cidade para tentar desvendar o mistério e que recebe ajuda de outros velhos conhecidos da franquia enquanto uma pilha de corpos se acumula no caminho.

Todos sabem que Pânico sempre foi conhecido por brincar com a metalinguagem. E dessa vez não é diferente. Esta nova produção ainda provoca uma sátira da briga de fãs entre o estilo de terror elevado com filmes como A Bruxa em detrimento do slasher aqui utilizando a propria série representada pelos filmes da franquia Punhalada (STAB) – o filme dentro do filme. Isso além de brincar com o conceito de reboots que anda dominando os filmes daquele jeito que gostamos de ver.

A tecnologia sempre foi uma aliada do asasssino e mais uma vez ela evolui para que Ghostface se utilize disso para causar o terror. Isso também não deixa de ser um lembrete que esses aparelhos e aplicativos são usadas para causar o mal. Este longa de 2022 é bem sucedido em analisar e brincar com o que acontece no cenario do terror atual, além de cutucar a fanbase tóxica de uma forma geral.

Os novos personagens são carismáticos e logo criamos vínculos com eles. É divertido ver esses jovens cientes de onde estão se metendo, porém mais ligados nas regras estabelecidas pela franquia e dando mais trabalho a nosso vilão(a). O reencontro com Sidney, Gale e Dewey além de bem executado, não é feito de forma banal. Estes personagens “clássicos” tem importância para a história e toda cena em que aparecem, o coração do fã se aquece. A passada de tocha para o novo elenco é feita de modo natural e muito respeitoso. Wes estaria orgulhoso.

O que mais curti desse novo longa é que investiram mais no suspense e na antecipação do susto, coisa que senti falta em Halloween Kills (2021) onde Michael vai do ponto A a B matando figurantes irrelevantes e sem carisma, sem criar tensão e ainda cometendo a heresia máxima de descaracterizar a personagem central. Isso não ocorre aqui, felizmente.

Ah, e deixando claro, esse é o filme da franquia com um elevado grau de gore e sangue jorrando, com o Ghostface mais brutal. Esse é o reboot ideal que respeita o que veio antes, não ignora eventos e mesmo com foco maior no filme original, existe uma penca de easter eggs e diálogos que remete às demais continuações.

Pânico pode ser considerado o Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa(2021) do terror, com vários momentos onde o cinema interagia, gritava e se emocionava. Sinceramente nunca assisti a um filme de terror no cinema onde isso tivesse acontecido. Para quem é fã, Pânico é obrigatorio.

Escala de tocância de terror:

Título original: Scream
Direção: Matt Bertinelli-Olpin, Tyler Gillet
Roteiro: James Vanderbilt, Guy Busick
Elenco: Melissa Barrera, Neve Campbell, Courtney Cox, David Arquette e outros
Ano de lançamento: 2022

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RESENHA: Resident Evil – Bem-Vindo a Raccoon City (2021)

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Raccoon City

Desde que foi anunciado um reboot da franquia RESIDENT EVIL para os cinemas, fãs dos games e até dos filmes do Paul W. S. Anderson estrelado pela Milla Jovovich ficaram ouriçados, até que o trailer saiu e causou geral na internet. Eis que, finalmente, o filme, agora intitulado de RESIDENT EVIL: BEM-VINDO A RACCOON CITY (Resident Evil: Welcome to Raccoon City), saiu para os cinemas e disputou o título de mais odiado de 2021.

Pra começar, acho que é justo adiantar que, apesar de eu ter jogado, não sou fã da franquia. Ou seja, achava legal, mas nada além disso. O lance é que eu jogava mais casualmente e sem me ater a detalhes da trama e as conexões entre todos os jogos da franquia. Dito isso, como fã de cinema de horror que sou, vi o filme mais pela ótica de um filme de baixo orçamento – pelo trailer tava nítido isso – do que pela fidelidade aos games. E neste sentido, RESIDENT EVIL: RACCOON CITY é um filme bem irregular em vários aspectos, mas que não me ofendeu.

Na trama, acompanhamos Clarie Redfield que vai para Raccoon City em busca do seu irmão mais velho, Chris, para mostrar denúncias de envenenamento da população por parte da Umbrella Corporation. Porém, mal sabe ela que a cidade está prestes a entrar em colapso envolvendo infectados por uma espécie de vírus criado em laboratório que transforma as pessoas em zumbis.

Não dá pra negar que o filme é tecnicamente fraco, mal acabado e tosco. Salvo as maquiagens dos infectados que se resumem a pele pálida esverdeada e sangue na boca que pra mim ficaram legais. O CGI, não só das criaturas, mas de veículos como o caminhão e o helicóptero, é podre de tão amador. Ficou nítido que a Sony tava cagando pra esta produção, então o encarei como o filme de baixo orçamento que é e tentei relevar essas coisas durante maior parte do tempo. Mas, pra mim, o longa tem dois grandes defeitos que suponho serem os principais problemas em comum tanto para os fãs da franquia quanto pra quem não liga pros jogos: Roteiro e personagens.

Escrito e dirigido por Johannes Roberts, RESIDENT EVIL: RACCOON CITY tenta fundir as tramas de 3 jogos em um único filme e o resultado é uma bagunça apressada cheia de situações mal contadas, diálogos ridículos e personagens muito mal escritos. – Tudo se passa em uma madrugada! – Quanto aos personagens, a diversidade étnica é muito bem vinda, porém as personalidades são bem zoadas. Provavelmente os fãs do Lion, por exemplo, vão se irritar pois aqui ele é retratado como um completo idiota que mal sabe segurar uma arma – mas que porra? – e que está presente em uma das cenas mais ridículas do filme na qual envolve um infectado em chamas… parei.

Em contrapartida, a direção de Roberts é boa em alguns bons momentos, principalmente nos que se passam na mansão Spencer, onde ele faz um bom uso do espaço claustrofóbico e escuro dos cenários, conferindo boas cenas de tensão e ação. É tudo muito cru e direto, sem maneirismos ou cenas mirabolantes, o que pra mim soou como acerto visto as limitações do filme. O design de produção em geral é honesto e procura ser fiel como o mapa de Raccoon City e os cenários, porém o descaso com os efeitos visuais deixa tudo fake atrapalhando na imersão. Tem fan service? Tem! Agora se são suficientes pra ganhar o coração dos fãs, aí já não sei dizer.

Em resumo, a impressão que fica é que RESIDENT EVIL: RACCOON CITY é um filme que provavelmente vai ser visto como um lixo pelos fãs dos games – com razão! -, qualquer coisa (e ignorado) por grande parte do público em geral, ou simplesmente inofensivo pra poucos, como no meu caso, que, apesar dos pesares, acabou me divertindo.

Escala de tocância de terror:

Título original: Resident Evil: Welcome to Raccoon City
Direção: Johannes Roberts
Roteiro: Johannes Roberts
Elenco: Kaya Scodelario, Hannah John-Kamen, Robbie Amell, Avan Jogia
Origem: Canadá/Alemanha

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