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RESENHA: Rua Cloverfield, 10 (2016)

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[Por Jarmeson de Lima]

Faz tempo que vi no NatGeo um programa chamado “Preparados Para o Fim“. O programa mostrava algumas famílias nos Estados Unidos (claro, onde mais?!) que criaram verdadeiros abrigos e bunkers para se precaverem de uma eventual hecatombe nuclear ou algo do tipo. Guardavam todo tipo de comida, munição e apetrechos diversos para curtir melhor o tempo em que estiverem abrigados.

A cultura do medo e os radicais religiosos tem cada vez mais alimentado este tipo de paranoia e é lógico que este comportamento vira um farto material para o cinema. E é usando este preceito e mais os elementos do sucesso “Cloverfield” que o recém “Rua Cloverfield, 10” surge.

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A priori ele não é nem um prequel nem uma continuação direta do filme de Matt Reeves, que foi lançado em 2008 e produzido por J.J.Abrams. Pois é… apesar do nome do produtor se destacar mais do que o diretor, este novo filme também não foi dirigido pelo criador de “Lost“. O estreante Dan Trachtenberg é quem está à frente deste longa que pega emprestado o universo apocalíptico de uma invasão alienígena nos EUA para nos apresentar uma micro história de confinamento. Tema inclusive explorado em episódios de séries como “Além da Imaginação” e “Lost”.

Rua Cloverfield, 10” começa de maneira casual mostrando a jovem Michelle (Mary Elizabeth Winstead) fazendo uma mudança às pressas em um apartamento e pegando a estrada. No meio do caminho, um acidente acontece e subitamente ela se vê trancada em uma cela algum tempo depois. Este é o momento em que conhecemos Howard (John Goodman), um aposentado da Marinha que construiu um verdadeiro bunker ao longo dos anos para se proteger do fatídico dia.

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Ao longo do filme vamos descobrindo pouco a pouco os segredos do estranho homem que mantém a jovem como hóspede e refém ao mesmo tempo. Sempre com tom dúbio mas ameaçador, Howard alerta os seus convidados sobre a ameaça que perambula na Terra desde o dia do acidente e que coincidentemente marca o início dos ataques em massa no planeta. Por não termos acesso como espectador ao que está acontecendo fora do abrigo subterrâneo durante grande parte do filme, a curiosidade aflora e ficamos na mesma situação da personagem de Mary Elizabeth Winstead sem saber no que acreditar.

Como não sabemos de nada do que se passa no mundo externo, só nos resta ir imaginando o que o roteiro nos reserva. Roteiro este que se esforça em ser original e menos previsível. E nisso as perguntas vão se acumulando… Seria mentira? Seria verdade? Howard seria um fanático ou um bom samaritano? Seria mesmo o fim do mundo ou uma alucinação? Sem respostas e sem sinal de celular, Michelle vai vivendo seus dias num cativeiro domiciliar sem saber se o perigo maior está lá fora ou dentro do abrigo.

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Este clima de tensão crescente que culmina em briga, sangue e mortes confere vários pontos positivos ao filme apesar de ser em sua essência um produto da grande indústria hollywoodiana que não abre mão de uma trilha sonora intermitente e de finais explicadinhos. O cenário claustrofóbico e a boa interação entre os atores também ajuda a manter uma empatia com a história, apesar de que já prevejo que alguns espectadores vão achar a trama meio “chata” e enfadonha.

Em meio a um confinamento sem Pedro Bial e um regime “sobrevivencialista” alimentado pelos extremismos ideológicos do mundo real, o que ainda me marca em “Rua Cloverfield, 10“, mesmo que não seja enfatizado, é uma específica frase do personagem de John Goodman: “Loucura é construir uma arca depois que o dilúvio já começou“. Estaria certa essa galera dos bunkers? Seriam elas as formigas e nós as cigarras? Seriam os deuses astronautas? Quem sabe. Só o tempo dirá…

Escala de tocância de terror:

Direção: Dan Trachtenberg
Roteiro: Drew Goddard, Daniel Casey
Elenco: John Goodman, Mary Elizabeth Winstead e John Gallagher Jr.
Origem: EUA
Ano: 2016

* Filme visto na cabine de imprensa promovida pela Espaço Z no Cinemark Rio Mar.

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  1. Pingback: RÁDIO - PROGRAMA: Isolamento social (2020) | Toca o Terror

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RESENHA: Raw (2017)

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[Por Gabriela Alcântara]

É possível um filme ser grotesco e ainda assim ser extremamente belo e erótico. A prova pode ser vista em “Raw” (no Brasil traduzido também como “Grave”), de Julia Ducornau, que está disponível na Netflix. Apesar dele ter ganhado burburinho nos últimos anos por ter ganho diversos prêmios – incluindo o FRIPESCI da Semana da Crítica de Cannes – e teoricamente ter feito muitas pessoas vomitarem, confesso que evitei assisti-lo por um tempo – na verdade justamente por isso. (mais…)

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RESENHA: V/H/S (2012)

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Existe vida inteligente no found footage. Em meio a vários e vários filmes que exploram o estilo de falso documentário, é difícil encontrar algum que realmente se sobressaia. É aí que As Crônicas do Medo (V/H/S) entra na jogada. A trama é centrada em um grupo de criminosos cuja missão é encontrar uma misteriosa fita de vídeo em uma casa. Na busca pela fita certa, eles acabam encontrando e assistindo a uma série de vídeos de horror.

O enredo que se passa dentro da casa e amarra as pequenas histórias, que são independentes umas das outras, é fraca. Mas isso fica em segundo plano. O que aparece nas fitas encontradas é o que importa. São cinco curtas, cada um dirigido por um ou dois diretores. No total, são 10 dez profissionais dividindo a direção do filme.

Quando assisti ao trailer, algo que me chamava a atenção era como os efeitos especiais ficavam muito realistas quando inseridos em imagens de baixa qualidade (lembrando que a película é filmada totalmente com câmeras caseiras de VHS).

A primeira história mostra um grupo de jovens que compram uns óculos com uma mini-câmera e saem pelas baladas para filmar seus sucessos amorosos. Porém uma das moças que eles conhecem não é, digamos, muito sociável.

No segundo ato, acompanhamos um casal em uma viagem pelo interior dos EUA, onde eles registram tudo em vídeo. Nesse não dá pra falar mais sem entregar spoilers. É o único dos cinco onde o elemento sobrenatural não está presente, mas que possui um dos melhores finais.

O terceiro filme foi o que achei mais fraco. Um grupo de jovens vai a um lago no meio da floresta, fumar um e tomar banho pelado. É aí que eles têm uma desagradável surpresa. Apesar do roteiro fraco, a estética desse aqui deve ser apontada como um ponto a favor.

Na quarta história, temos um casal conversando pelas suas respectivas webcams. A menina acha que seu apartamento está sendo assombrado por fantasmas e sempre que algo de estranho acontece, ela liga para o cara para que ele a faça companhia. Muito boa história e efeitos.

Por falar em efeitos, é no quinto episódio que eles aparecem em sua melhor forma. Quatro jovens vão a uma festa na noite de Halloween e descobrem algo muito sinistro acontecendo na casa onde deveria estar acontecendo a farra.

A trama do grupo de criminosos tem um desfecho meia boca, mas isso não tira o mérito do filme. Concentre-se nos cinco curtas e divirta-se. A franquia teve mais duas sequências e a qualidade de alguns segmentos foi mantida, mas no geral também valem a pena serem vistos.

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RESENHA: Invasão Zumbi 2 – Península (2020)

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Peninsula

Esqueça o que você viu e gostou em “Invasão Zumbi” (Train to Busan). “Invasão Zumbi 2: Península” (Train to Busan 2: Peninsula) consegue ser tão genérico e pouco original que se não fosse da mesma franquia nem valeria a pena a conferida. Aliás, a ligação entre os dois filmes se dá apenas pela breve introdução em que falam que uma epidemia se espalhou por toda a Coreia do Sul e em pouco tempo o país ficou em lockdown total.

Neste começo até temos uma palhinha do que o filme poderia ser se não tivessem se perdido na megalomania. A cena no caso se passa em um navio de refugiados até o Japão onde um infectado faz mais estrago do que o exército que comanda a embarcação podia imaginar. Mas fica só nisso.

De resto, temos um salto de quatro anos onde mercenários em Hong Kong se especializam em saquear o que restou da Coreia do Sul enviando “mulas” em missões específicas. Aí é quando vemos que “Peninsula” vira um daqueles filmes pós-apocalípticos sem graça com direito a aqueles clichês que já vimos em “Resident Evil“, “Terra dos Mortos” e “The Walking Dead” com refugiados em bunkers contra zumbis que perambulam entre os escombros das cidades.

Se no primeiro filme desta franquia coreana tivemos como um dos pontos cruciais da trama um emocionante desfecho trágico em família, este longa utiliza-se disso como uma muleta para causar empatia com um núcleo de personagens. E falha miseravelmente. A mãe durona que tenta criar suas crianças com o pai/avô está longe de chamar atenção ou emocionar a quem já imagina que o destino deles não será dos mais felizes.

Tirando o aspecto tiro/porrada/bomba nos confrontos com os zumbis, os efeitos digitais deixam muito a desejar. As perseguições com carros atropelando zumbis lembram “Mad Max: Estrada da Fúria” num centro urbano mas com um CGI tão mal construído que parecem extraídos de “Guerra Mundial Z“, onde os mortos-vivos morrem igual a baratas e são vistos rapidamente em frações de segundos.

Considerando o sucesso mundial do primeiro filme, os produtores quiseram agora faturar alto com um orçamento bem maior e algumas concessões criativas transformando o longa em um tipo de filme de ação/aventura que por um acaso tem essas criaturas tão populares no universo do horror. A preocupação em atrair um público maior foi tanta que praticamente eliminaram a carnificina típica de um ataque zumbi para deixar as mortes dos vivos em off-screen.

Diante de tudo isso, não procure ter muitas expectativas ao assistir “Peninsula“. Claro que dependendo do seu grau de exigência, o filme possa ser um bom passatempo. O problema é que não se torna nada mais além disso, tornando-se aquele produto tipicamente enlatado que não precisaria ser revisto depois.

Escala de tocância de terror:

Diretor: Sang-ho Yeon
Roteiro: Sang-ho Yeon, Ryu Yong-jae
Elenco: Dong-won Gang, Jung-hyun Lee, Re Lee
País de origem: Coreia do Sul
Ano de lançamento: 2020

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