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RESENHA: Visões do Passado (2015)

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[Por Júlio Carvalho]

O cinema australiano sempre nos traz bons filmes e no terror não é diferente. O exemplo mais recente disso é o ótimo The Babadook (2014) que a crítica se rasgou em elogios. Agora o filme da vez é Visões do Passado (Backtrack) que vem com dois grandes nomes do cinema e com a promessa que vai fazer todo mundo se borrar de medo e ainda se surpreender. Pois sinto adiantar que: fica só na promessa.

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Acompanhamos aqui o luto de Peter Bower (Adrien Brody), um psiquiatra que tenta superar a morte de sua filha, Evie. Com a ajuda de seu mentor Duncan Stewart (Sam Neil), tenta continuar a atender seus pacientes que, não demora, descobre que são fantasmas. Aí você agora deve está furando os olhos achando que eu soltei um spoiler, mas te digo que não. Essa “revelação” é feita logo nos primeiros minutos do longa, está na sinopse oficial e no trailer do mesmo, pois é nisso que a trama vai se sustentar pra nos levar à “incrível revelação” final. Risos.

A situação fica mais intrigante, quando ele recebe em seu consultório uma garotinha de capuz chamada Elizabeth Valentine (Chloe Bayliss), que deixa na sua mesa um papel com uma sequência numérica misteriosa. Daí pra frente vem uma enxurrada de sustos (covardes e nem sempre justificados) e pequenas revelações que o fazem voltar a False Creek, sua cidade natal. Agora o engodo aumenta com o acréscimo de novos personagens como o pai do protagonista, um amigo de infância e uma policial.

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Dirigido por Michael Petroni, que também assina o roteiro, Visões do Passado se sabota o tempo inteiro e segue perdendo força dramática a cada revelação. Ao longo do desenrolar da história, você já não dá mais a mínima pro atormentado psiquiatra e seus fantasmas. O elenco até que se esforça, mas é em vão. Resta apenas as caras e bocas do Adrien Brody e das almas penadas.

Os efeitos visuais são medíocres. Aliás, tem uma sequência bem tosca de um acidente de trem em que o CGI é tão falso que ficou com cara de maquete. Ah! Tem um erro de continuidade no visual pútrido de um dos fantasmas que, ao avançar na tela, vemos em close que as cavidades oculares estão vazias, mas segundos depois quando reaparece, tá tudo no lugar. Mas apesar de tudo, é preciso ser justo e reconhecer que o longa é belamente fotografado por Stefan Duscio. O visual Teal & Orange tão empregado nos filmes blockbusters aqui se mostra bem equilibrado. Pena que só isso não basta.

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Na sua segunda metade, os fantasmas já não conferem medo algum e servem apenas de enfeite em cenas de sustos pontuais, restando apenas o elemento investigativo que fica cada vez mais desinteressante a cada descoberta. Sendo assim, Visões do Passado não empolga em momento algum e acaba findando numa conclusão que se acha genial, mas que na verdade não passa de uma galhofada só.

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Escala de tocância de terror:

Título original: Backtrack
Direção: Michael Petroni 
Roteiro: Michael Petroni 
Elenco: Adrien Brody,  Sam Neill e  Robin McLeavy
Origem: Austrália

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Anarquista, quase cinéfilo, diretor de arte, fotógrafo, cervejeiro, rockeiro doido e crítico/podcaster do Toca o Terror

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RESENHA: As Faces do Demônio (2020)

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As Faces do Demônio

Pouco se vê do cinema sul-coreano nas salas multiplex do país. E de terror então, nem se fala! “AS FACES DO DEMÔNIO” (Byeonshin 변신), que entraria em cartaz em março deste ano se não fosse a pandemia da COVID-19, estreia agora nos cinemas. A insistência em não lançar o filme em VOD e streaming apesar da quarentena talvez seja sinal de uma abertura maior para produções de gênero da Ásia nas salas comerciais depois que “PARASITA” fez a festa no Oscar.

Este novo longa coreano já começa com os dois pés nas caixas do peito do espectador com um exorcismo pra lá de escatológico que acaba em tragédia, servindo pra nos apresentar os personagens principais: o padre e o demonho. Sequência nada sutil com vômito de sangue, muita ferida e nojeira. A cena é tão surtada que lembra clássicos como “A MORTE DO DEMÔNIO” de Sam Raimi. Mas quando somos apresentados a família que vai sofrer com o malassombro, logo o tom muda radicalmente, entrando num ritmo mais calmo como é de se esperar das produções asiáticas, porém com certa agilidade atípica.

A trama de “AS FACES DO DEMÔNIO” é muito boa, mas infelizmente sua sinopse e trailers entregam muitos spoilers. Eu sei que é difícil, mas se puder, evite-os. A direção de Hong-seon Kim é segura e nos traz uma situação cabulosa atrás da outra. Incrível como o cinema sul-coreano consegue entregar momentos brutos e ternos dentro de uma mesma situação, por mais desconfortável que seja. Pra não estragar, vou evitar descrever o desenrolar dos eventos, mas dá pra dizer que o clima de paranoia, ao bom estilo O ENIGMA DE OUTRO MUNDO do mestre carpinteiro, é muito bem construído e acaba sendo a base que sustenta toda trama. Porém, o diretor perde a mão quando tenta “enfeitar” alguns momentos que poderiam ser mais contidos.

O que chama atenção logo de cara, é a fotografia cristalina e com uma paleta de cor de fortes contrastes entre azul e laranja, típica do cinema mainstream de hollywood predominante, deixando claro que a produção foi feita pra o mercado internacional. Isso é ruim? Seria se fosse mal feito, o que não é o caso. Outra coisa que salta os olhos, é o trabalho de maquiagem artesanal, tanto do possuído como dos cadáveres que podem causar certa repulsa. O que incomoda mesmo é o mal uso de CGI em situações que não precisariam. Não é nem uma questão de purismo, é porque ficaram mal feitas mesmo.

Talvez, o problema aqui é que, para além da estética nitidamente feita pra o público internacional, temos excessos tipicamente hollywoodianos que vão agradar o público em geral, mas podem incomodar os apreciadores do horror asiático mais contido. É sério! Tem hora que a pessoa pergunta pra tela: “PRA QUÊ TUDO ISSO?”. Mas a situação principal concebida é tão intrigante que dá pra relevar esses “exageros ocidentalizados” e ficar tenso do mesmo jeito.

No geral, AS FACES DO DEMÔNIO é um bom filme não só pela narrativa equilibrada e aspectos técnicos, mas pela forma nada convencional de como é tratado o lance de possessão, tema tão mal explorado no cinema de horror nos últimos anos.

NOTA: É bom lembrar que ainda estamos em plena pandemia. Então, se for arriscar, ao menos respeite os protocolos de segurança.

Escala de tocância de terror:

Título original: Byeonshin
Direção: Hong-seon Kim
Roteiro: Kim Hyang-ji
Elenco: Sung-Woo Bae, Dong-il Sung, Young-nam Jang
Origem: Coréia do Sul

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RESENHA: #Alive (2020)

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Alive

O cinema sul coreano ganhou uma visibilidade incrivel nos últimos anos e hoje não é tão raro ver obras vindas de lá aportarem no cinema. Mas é claro que com a pandemia as coisas foram freadas e alguns filmes estão ganhando destaque via streaming. Este é o caso de #Alive, filme que estreou em seu país na reabertura dos cinemas com bastante êxito e está sendo distribuído mundialmente pela Netflix.

A trama acompanha um jovem rapaz, que sozinho no apartamento da família, tenta sobreviver a uma epidemia mortal que transforma os cidadãos em zumbis sedentos por carne humana. No passar de vários dias, com comida e água acabando e ataques cada vez piores das criaturas, o rapaz coloca em cheque a promessa que fez ao pai de sobreviver. E aos trancos e barrancos ele tentará cumprir o que foi pedido.

#Alive é um bom filme de zumbis que não coloca nada de novo na mesa, mas traz o básico que, em sua maior parte, é competente. O longa não enrola e logo nos primeiros minutos a confusão e o caos predominam. A primeira parte é a melhor, se passando em praticamente um único cenário, mostrando bem a sensação de solidão e medo do personagem com cenas de ação pontuais e mais comedidas. Vale comentar a ótima maquiagem dos monstros que lembram o conterrâneo “Invasão Zumbi” (Train to Busan).

Outra semelhança com o longa de zumbis mais famoso é a ambientação minimalista e o país. Sinceramente, essa sim deveria ser a sequência real dele, pois mesmo não sendo perfeita, se mostra bem superior à continuação oficial, chamanda “Península”.

Os problemas de #Alive vêm à tona em sua segunda metade, onde as sequências de ação se tornam inverossímeis demais (até para um filme de zumbis)… Meio que a produção se rende ao espetáculo ocidental apresentando exageros que tiram a atenção diversas vezes. O clímax acaba sendo forçado e emotivo demais querendo a todo custo arrancar lágrimas do público.

Concluindo… #Alive não é um divisor de águas do gênero, mas é divertido e tenso na maior parte de sua duração. Vale gastar o tempo assistindo as desventuras do protagonista e sua busca pela sobrevivência.

Escala de tocância de terror:

Título original: #Saraitda
Diretor: II Cho
Roteiro: II Cho,Matt Naylor
Elenco: Ah-in Yoo, Shin-Hye Park,Bae-soo Jeon e outros
País de origem: Coreia do Sul

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RESENHA: Dominação (2017)

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Dominação

[Por Felipe Macedo]

Estrelado por Aaron Eckhart e produzido por Jason Blum, “Dominação” (Incarnate) mais uma vez mostra a história de um jovem possuído por um demônio poderoso. Nosso herói aqui luta para derrotar o grande mal e salvar o dia. No entanto, o longa tenta vir com uma promessa de abordar o tema de uma forma diferente do que foi mostrado até hoje. (mais…)

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