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RESENHA: Bite (2016)

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[Por Júlio Carvalho]

Estamos diante de mais um filme que chega com um hype lá em cima calcado em notícias de pessoas passando mal em suas exibições em festivais mundo afora. Mas será que Bite é mesmo tão nojento e impactante como andam dizendo por aí?

Em uma viagem de despedida de solteira a uma praia paradisíaca na Costa Rica, três amigas se jogam geral nas baladas locais. Ao entrarem numa gruta, a noiva do grupo, Casey (Elma Begovic), é picada por um inseto. Só que ao voltar pra casa, o local da picada infecciona e o quadro segue piorando até que a moça percebe que aos poucos está sofrendo uma metamorfose. E como se não bastasse esse probleminha de saúde, ela ainda está duvidosa quanto ao casamento e tem a dura missão de dizer isso ao seu noivo.

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Dirigido por Chad Archibald, Bite não consegue sair da chatice inicial. O que era pra ser crescente, permanece na mesma e nem melhora quando os elementos de gore começam a tomar conta da trama. O roteiro de Jayme Laforest não tem muito a oferecer, pois, além da sofrida metamorfose da protagonista, temos o dilema da mesma de se casar ou não com o rapaz que não passa de uma lenga-lenga com situações e diálogos que enchem o saco.

Sem contar que esse lance de turistas norte americanos sujeitos aos “perigos naturais” do continente latino-americano é muito preconceituoso. O inseto transmissor poderia perfeitamente ser do próprio país de origem com alguma premissa do tipo radioativa, ou experiência de laboratório… Enfim, bastava o mínimo de criatividade. Mas pra quê ser criativo se pode ser preconceituoso, não é verdade?

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Em agosto de 2015, foi noticiado que no festival Fantasia International Film além da distribuição de sacos de vômito para o público, foi preciso até chamar uma ambulância durante a exibição do filme. Daí você cria aquela expectativa, assiste esperando as cenas grotescas que poderiam causar tanto e finda ainda esperando, pois nada ali causa nojo de fato. Nem os fluidos corporais como sangue, pus e baba parecem realistas. Tudo é tão gelatinoso e cristalino que se brincar, até parece gostoso. Conseguem até estragar o clichê da unha sendo arrancada. E por incrível que pareça, vem ganhando prêmios pelos “efeitos especiais” em alguns eventos.

O problema é que Bite aposta no estilo conhecido como body horror, ou seja, o horror corporal, onde a trama gira em torno da destruição física dos personagens. Aqui, a transformação da protagonista em um inseto é o chamariz do longa. Claro que não tem como não lembrar do clássico A Mosca (The Fly, 1986) do mestre Cronenberg. Só que essa produção canadense é bem “café com leite”. O filme é tão careta que em certo momento a protagonista sozinha na banheira cobre os seios com as mãos ao se levantar. Se não vai mostrar, tudo bem, mas esconde com jogo de câmeras, pois não tem sentido alguém tomar banho cobrindo as partes, né?

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Claro que em algum momento a transformação se completa e quando isso acontece a sensação é de que você perdeu tempo. Ou seja, nada presta nessa produção e a conclusão é a mais óbvia possível: Bite é pura propaganda enganosa! Chamar esse filme de body horror é uma grande ofensa aos clássicos do estilo como o já citado de Cronenberg e outros grandes destruidores de corpos como Hellraiser (1987) de Clive Barker, por exemplo.

Dica: Desconfie desse tipo de marketing do nojo, pois recentemente também foi utilizado por Canibais (The Green Inferno, 2015) de Eli Roth e olha a bosta que foi.

Direção: Chad Archibald
Roteiro: Jayme Laforest
Elenco: Elma Begovic, Annette Wozniak e Denise Yuen
Origem: Canadá
Ano: 2016

Escala de tocância de terror:

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1 comentário

  1. dan

    3 de junho de 2016 a 13:23

    Realmente uma bomba,me senti enganado!

  2. Pingback: BALANÇO: O melhor e o pior de 2016 (até agora) | Toca o Terror

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SÉRIE: Coletivo Terror (2020)

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Coletivo Terror

Coletivo Terror (Bloodride), série norueguesa da Netflix, é uma produção em formato de antologia. São seis episódios com histórias independentes, durando cerca de 30 minutos cada. Os roteiros são diversificados, temos contos de fantasmas, psicopatas, lendas nórdicas, tudo no melhor estilo Além da Imaginação.

Three Sick Brothers

Muita gente pensa que escrever histórias curtas pode ser fácil, mas nem todo mundo é capaz de condensar uma ideia em um espaço de tempo limitado. Em certos casos é até mais difícil. E a série criada por Kjetil Indregard e Atle Knudsen tropeça justamente aí, falhando em dar ritmo aos capítulos e buscando sempre uma reviravolta que poucas vezes surpreende o espectador.

The Elephant in the Room

De algum destaque, listamos como bons argumentos os episódios Three Sick Brothers (E02), Lab Rats (E04) e The Elephant in the Room (E06). A intenção foi boa, mas uma coisa ou outra no roteiro acaba deixando-os menos interessantes do que poderiam ter sido. Lab Rats tinha tudo para ser ótimo suspense, não fossem os diálogos constrangedores.

Ultimate Sacrifice

Ultimate Sacrifice (E01), Bad Writer (E04) e The Old School (E05) são os responsáveis por jogar a nota do programa lá pra baixo, com histórias ruins, previsíveis e atuações que deixam a desejar. O primeiro principalmente por ser o único a fugir do lugar comum e focar em um fato histórico bem norueguês: a herança viking.

Talvez o formato de curtas empolgue quem procura um passatempo rápido e leve, mas não espere ser surpreendido em nada por Coletivo Terror. Se uma segunda temporada for confirmada pela Netflix, é bom os criadores começarem a se esforçar mais.

P.S.: Não entendi a relação com o ônibus da abertura.

Escala de tocância de terror:

Título original: Bloodride
Direção: Geir Henning Hopland e Atle Knudsen
Roteiro: Kjetil Indregard e Atle Knudsen
Elenco: Stig R. Amdam, Anna Bache-Wiig e Ellen Bendu
Origem: Noruega

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RESENHA: A Night of Horror – Nightmare Radio (2019)

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A Night of Horror – Nightmare Radio

[Por Frederico Toscano]*

A Night of Horror – Nightmare Radio é um filme esquisito. Começa pelo título, longo demais (podia ser ou “A Night of Horror” ou “Nightmare Radio”, né?). Mas além disso, é uma apanhado de curtas de horror que não foram produzidos para esta antologia especificamente.

Pois é, os caras tiveram a manha de pegar alguns filmes que já circulavam por aí, principalmente em festivais e até no YouTube, criaram uma trama central envolvendo um DJ atendendo ligações de ouvintes em uma madrugada chuvosa, juntaram tudo e pronto: antologia instantânea. Não deixa de ser uma abordagem original, e pode até inspirar outros cineastas, inclusive brasileiros, a conectar seus trabalhos, apresentá-los como partes de um longa e assim ganhar mais visibilidade.

O resultado aqui é meio desconjuntado e a qualidade varia bastante…o que é verdade para, bem, quase todas as antologias que existem por aí. O filme está listado como uma produção da Argentina e dos Países Baixos, tem roteiristas uruguaios e diretores italianos no segmento principal, além de gente de tudo o que é lugar na produção dos curtas em si.

Daí já se imagina o tamanho da salada: o DJ que conta e escuta histórias de horror é claramente americano, trabalhando em uma rádio nos Estados Unidos, mas atende ligações de croatas e ingleses, além de compartilhar causos sobrenaturais falados em espanhol. Lógica não tem, mas com um pouco de suspenção de descrença, dá para comprar a ideia. Assim, sem mais delongas, vamos aos curtas propriamente ditos, na ordem em que aparecem na antologia A Night of Horror – Nightmare Radio:

– In the Dark Woods
Curtinho, direto ao ponto e com clima de contos de fadas (infernais, claro). É basicamente a história de uma mulher invisível que não se contenta com sua situação e chega a extremos para ficar com o homem que ama. Bons efeitos e sanguinolência na medida.

Post-Mortem Mary
Sabia que antigamente as pessoas pagavam para que tirassem fotos de parentes falecidos? Em casa, com suas melhores roupas e arrumados para parecerem vivos. Uma história de horror oitocentista com uma reprodução de época bem-feita e clima gótico, em plena luz do dia. Um dos melhores da coletânea.

A Little off the Top
Uma história de inveja capilar que descamba em tortura e sangue. É isso mesmo que você leu, inveja capilar. Sendo muito curto, melhor não falar muito da história. Basta dizer que mesmo um salão de cabeleireiro pode ser um local de horrores. Meio paradão, mas o gore salva.

The Disappearance of Willie Bingham
Para mim, o melhor. Uma nova lei permite que a família de uma pessoa assassinada possa mutilar o criminoso aos poucos, até se sentirem vingados. O tal Willie Bingham é um bêbado, assassino e estuprador. E ainda assim, depois de uma série de cirurgias horripilantes, garanto que você vai chegar a ter pena do desgraçado. Horror corporal dos bons e uma história que te faz pensar o que, afinal, significa conseguir justiça.

– Drops (ou Gotas, no original em espanhol)
Uma mulher está presa em casa com uma criatura horripilante enquanto sente dores terríveis…ou não. Boa produção espanhola, como uma reviravolta interessante no final.

– The Smiling Man
Criança encontra…algo em sua casa. Achei a história pouco original, a criatura visualmente fraca e a protagonista infantil com a expressividade de um Cigano Igor depois do botox. Mas parece que fez sucesso quando lançado na Internet, vai entender.

Into the Mud
Uma mulher acorda nua e ferida no meio da floresta, e passa a ser perseguida por um caçador. O roteiro só funciona porque o homem é ruim de mira e toma algumas decisões imbecis, mas tem uma surpresinha boa no final, além de uma carniceira honesta.

– Vicious
Mais uma história de mulher presa em casa com um bicho feio à espreita. Clichê e com uma atriz que parece mais estressada do que aterrorizada, é bem mediano. Parece que também fez sucesso na Internet. Sei de mais nada.

Assim, juntando tudo, bem medido e bem pesado, leva aí 3 caveiras de 5. O formato permite assistir aos poucos e, sendo 9 curtas, não é possível que você não ache algo do seu agrado. O filme não saiu no Brasil e nem parece estar em qualquer serviço de streaming. Logo, obtenham-no através do seu bucaneiro favorito ou simplesmente corram atrás dos curtas individualmente, no YouTube ou em outras plataformas de vídeo. Assim, dê uma chance e fique em casa se aterrorizando de forma segura.

Escala de tocância de terror:

Direção geral: Oliver Park
Diretores dos segmentos: Jason Bognacki, A.J. Briones, Joshua Long, Sergio Morcillo, Adam O’Brien, Luciano Onetti, Nicolás Onetti, Pablo S. Pastor e Matthew Richards
Produção: Black Mandala
Ano de lançamento: 2019

* Especial para o Toca o Terror

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RESENHA: Guerra Mundial Z (2013)

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Guerra Mundial Z

Às vezes você tem medo que o trailer de um filme entregue demais ou mostre apenas as melhores partes de um longa que se arrasta por 120 minutos. O trailer de “Guerra Mundial Z“, que custei a ver e que passou a aparecer em intervalos de TV nas últimas semanas, ao menos não corre nenhum desses perigos. Nem entrega demais nem mostra as melhores partes do filme (até porque não as tem). Ele é simplesmente igual ao filme: superficial e quadradão. (mais…)

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