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RESENHA 2: Invocação do Mal 2 (2016)

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[Por Geraldo de Fraga]

E eis que, em seu fim de semana de estreia, Invocação do Mal 2 já levou mais de um milhão de espectadores aos cinemas brasileiros, ultrapassando, inclusive, os números do primeiro filme, que já eram consideráveis. Para persuadir tanta gente a comprar ingresso, a estratégia de marketing foi pesada, com trailers sempre focados nos jumpscares e até uma pegadinha no Programa Sílvio Santos. Além disso, o velho migué do “baseados em fatos reais” estampado no poster aguça a curiosidade de qualquer cristão.

SEM SPOILER
Dentro desse conceito de entretenimento, o longa de James Wan cumpre o que promete, com um drama familiar fácil de se identificar e monstros que surgem em espelhos (ou por trás dos personagens), acompanhados de uma explosão sonora que faz a cadeira do cinema tremer. É o cinema pipoca em seu estado mais puro, o sonho de qualquer cadeia de multiplex.

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Há mérito no diretor em alguns jumpscares, artifício muitas vezes relegado pelos fãs de terror mais puritanos, mas sempre interessante quando bem feito e encaixado com precisão no roteiro. Só que isso não é o bastante para fazer de Invocação do Mal 2 um grande filme de horror, muito menos alçar James Wan ao patamar de novo mestre do gênero, como alguns apontam por aí.

O que vemos na tela não é nada mais do que uma reciclagem de clichês e uma repetição de lugares comuns que já saltava aos olhos, inclusive no longa anterior. O que falta à Invocação do Mal 2, e que também fez falta no 1, é consistência. Dois dias após deixar a sala de cinema, as imagens da casa assombrada vão se esvair da sua lembrança como fantasmas exorcizados. E olhe que são mais de duas horas de filme…

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COM SPOILER

Por se tratar de uma franquia que deve se estender além desse filme, antes de se contar qualquer história, urge em Invocação do Mal 2 a necessidade de valorizar ao máximo sua dupla de protagonistas. Mesmo que o caso de Enfield aconteça a milhares de quilômetros da casa dos Warrens, o poltergeist que se manifesta no subúrbio londrino tem total ligação com o casal e suas aventuras sobrenaturais.

Isso não seria problema, caso o roteiro não apelasse para soluções fáceis, como se vê no terceiro ato do filme. A forma como cai a ficha de Ed Warren e ele ouve a fita para entender que na verdade o fantasma era tão vítima quanto a menina assombrada foi de doer. Pior que isso, só a revelação de que Lorraine já sabia o nome do demônio e só então se liga no que tinha escrito na sua Bíblia.

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Apesar de bem feitos tecnicamente, o único fantasma convincente quando aparece sem ser de relance é o velho Bill Wilkins. O Crooked Man (que apareceu mais como um gancho de spin off, caso caia nas graças do público) soa como uma tentativa frustrada de se criar um novo ícone. O mesmo acontece com a freira demônio, que ao que parece já deve ganhar um filme para revelar sua origem. Ainda assim a imagem que fica é de um personagem meia boca.

Há, porém, a obrigação de se elogiar as referências que o longa faz aos “fatos reais”, mesmo que tudo seja adaptado com o máximo de licença poética. A cena dos policias fugindo da casa ao perceber que se trata mesmo de um fantasma e as réplicas das fotos do evento, além das gravações originais servem aos fãs de horror como os easter eggs dos filmes de super heróis. Infelizmente o personagem de Maurice Grosse ficou relegado a um coadjuvante de luxo, mas era um filme para enaltecer os Warrens, no fim das contas.

Escala de tocância de terror:

Diretor: James Wan
Roteiro: Chad Hayes, Carey Hayes, James Wan e David Leslie Johnson
Elenco: Vera Farmiga, Patrick Wilson, Frances O’Connor e Madison Wolfe
País: EUA
Ano: 2016

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RESENHA: Raw (2017)

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[Por Gabriela Alcântara]

É possível um filme ser grotesco e ainda assim ser extremamente belo e erótico. A prova pode ser vista em “Raw” (no Brasil traduzido também como “Grave”), de Julia Ducornau, que está disponível na Netflix. Apesar dele ter ganhado burburinho nos últimos anos por ter ganho diversos prêmios – incluindo o FRIPESCI da Semana da Crítica de Cannes – e teoricamente ter feito muitas pessoas vomitarem, confesso que evitei assisti-lo por um tempo – na verdade justamente por isso. (mais…)

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RESENHA: V/H/S (2012)

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Existe vida inteligente no found footage. Em meio a vários e vários filmes que exploram o estilo de falso documentário, é difícil encontrar algum que realmente se sobressaia. É aí que As Crônicas do Medo (V/H/S) entra na jogada. A trama é centrada em um grupo de criminosos cuja missão é encontrar uma misteriosa fita de vídeo em uma casa. Na busca pela fita certa, eles acabam encontrando e assistindo a uma série de vídeos de horror.

O enredo que se passa dentro da casa e amarra as pequenas histórias, que são independentes umas das outras, é fraca. Mas isso fica em segundo plano. O que aparece nas fitas encontradas é o que importa. São cinco curtas, cada um dirigido por um ou dois diretores. No total, são 10 dez profissionais dividindo a direção do filme.

Quando assisti ao trailer, algo que me chamava a atenção era como os efeitos especiais ficavam muito realistas quando inseridos em imagens de baixa qualidade (lembrando que a película é filmada totalmente com câmeras caseiras de VHS).

A primeira história mostra um grupo de jovens que compram uns óculos com uma mini-câmera e saem pelas baladas para filmar seus sucessos amorosos. Porém uma das moças que eles conhecem não é, digamos, muito sociável.

No segundo ato, acompanhamos um casal em uma viagem pelo interior dos EUA, onde eles registram tudo em vídeo. Nesse não dá pra falar mais sem entregar spoilers. É o único dos cinco onde o elemento sobrenatural não está presente, mas que possui um dos melhores finais.

O terceiro filme foi o que achei mais fraco. Um grupo de jovens vai a um lago no meio da floresta, fumar um e tomar banho pelado. É aí que eles têm uma desagradável surpresa. Apesar do roteiro fraco, a estética desse aqui deve ser apontada como um ponto a favor.

Na quarta história, temos um casal conversando pelas suas respectivas webcams. A menina acha que seu apartamento está sendo assombrado por fantasmas e sempre que algo de estranho acontece, ela liga para o cara para que ele a faça companhia. Muito boa história e efeitos.

Por falar em efeitos, é no quinto episódio que eles aparecem em sua melhor forma. Quatro jovens vão a uma festa na noite de Halloween e descobrem algo muito sinistro acontecendo na casa onde deveria estar acontecendo a farra.

A trama do grupo de criminosos tem um desfecho meia boca, mas isso não tira o mérito do filme. Concentre-se nos cinco curtas e divirta-se. A franquia teve mais duas sequências e a qualidade de alguns segmentos foi mantida, mas no geral também valem a pena serem vistos.

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RESENHA: Invasão Zumbi 2 – Península (2020)

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Peninsula

Esqueça o que você viu e gostou em “Invasão Zumbi” (Train to Busan). “Invasão Zumbi 2: Península” (Train to Busan 2: Peninsula) consegue ser tão genérico e pouco original que se não fosse da mesma franquia nem valeria a pena a conferida. Aliás, a ligação entre os dois filmes se dá apenas pela breve introdução em que falam que uma epidemia se espalhou por toda a Coreia do Sul e em pouco tempo o país ficou em lockdown total.

Neste começo até temos uma palhinha do que o filme poderia ser se não tivessem se perdido na megalomania. A cena no caso se passa em um navio de refugiados até o Japão onde um infectado faz mais estrago do que o exército que comanda a embarcação podia imaginar. Mas fica só nisso.

De resto, temos um salto de quatro anos onde mercenários em Hong Kong se especializam em saquear o que restou da Coreia do Sul enviando “mulas” em missões específicas. Aí é quando vemos que “Peninsula” vira um daqueles filmes pós-apocalípticos sem graça com direito a aqueles clichês que já vimos em “Resident Evil“, “Terra dos Mortos” e “The Walking Dead” com refugiados em bunkers contra zumbis que perambulam entre os escombros das cidades.

Se no primeiro filme desta franquia coreana tivemos como um dos pontos cruciais da trama um emocionante desfecho trágico em família, este longa utiliza-se disso como uma muleta para causar empatia com um núcleo de personagens. E falha miseravelmente. A mãe durona que tenta criar suas crianças com o pai/avô está longe de chamar atenção ou emocionar a quem já imagina que o destino deles não será dos mais felizes.

Tirando o aspecto tiro/porrada/bomba nos confrontos com os zumbis, os efeitos digitais deixam muito a desejar. As perseguições com carros atropelando zumbis lembram “Mad Max: Estrada da Fúria” num centro urbano mas com um CGI tão mal construído que parecem extraídos de “Guerra Mundial Z“, onde os mortos-vivos morrem igual a baratas e são vistos rapidamente em frações de segundos.

Considerando o sucesso mundial do primeiro filme, os produtores quiseram agora faturar alto com um orçamento bem maior e algumas concessões criativas transformando o longa em um tipo de filme de ação/aventura que por um acaso tem essas criaturas tão populares no universo do horror. A preocupação em atrair um público maior foi tanta que praticamente eliminaram a carnificina típica de um ataque zumbi para deixar as mortes dos vivos em off-screen.

Diante de tudo isso, não procure ter muitas expectativas ao assistir “Peninsula“. Claro que dependendo do seu grau de exigência, o filme possa ser um bom passatempo. O problema é que não se torna nada mais além disso, tornando-se aquele produto tipicamente enlatado que não precisaria ser revisto depois.

Escala de tocância de terror:

Diretor: Sang-ho Yeon
Roteiro: Sang-ho Yeon, Ryu Yong-jae
Elenco: Dong-won Gang, Jung-hyun Lee, Re Lee
País de origem: Coreia do Sul
Ano de lançamento: 2020

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