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LIVRO: Tânatos – Contos sobre a morte e o oculto

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Tanatos-Livro

[Por Geraldo de Fraga]

A história que abre Tânatos chama-se Combustão e se passa numa favela carioca controlada pelo tráfico de drogas. Esse primeiro conto já nos dá uma ideia do que virá nas páginas seguintes. Terror nacional contemporâneo em cenários e situações que qualquer pessoa bem informada irá situar-se.

Esse é um trunfo que Vitor Abdala traz em sua obra de estreia, publicada pela editora Giostri. Jornalista de formação, fica evidente que Abdala usou todo o seu know-how profissional para obter informações sobre o temas que aborda.

Colocar histórias de horror dentro de um cenário mais verossímil possível deixa o leitor com a satisfação de estar lendo algo feito com cuidado estético. Como maiores destaques do livro, podemos citar as histórias Vodu (que nos apresenta uma história clássica de zumbi, envolvendo um militar brasileiro naquela famosa missão de paz, no Haiti) e Soterrados (ambientada na região serrana do Rio de Janeiro, onde ocorreu um trágico deslizamento de terra).

Falando de uma forma bem pessoal, me animou muito ver o direcionamento que autor tomou na obra. Claro que ele poderia escrever contos que se passassem em Nova York, mas se eu leio um escritor carioca, o mínimo que espero é que ele me mostre o Rio de Janeiro como cenário de horror.

Abdala mostra um empolgação com suas histórias também digna de nota, mesmo quando os contos são curtos. Os mais longos são mais legais pela ambientação mais trabalhada e personagens mais desenvolvidos. Como pessoas mais gabaritada que eu já falaram, Tânatos é um livro para se ter na estante. Tomara que Abdala siga em frente na carreira e nos dê mais obras como essa.

Sobre o autor – Vitor Abdala nasceu em 1981, no Rio de Janeiro. Jornalista, formado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), com pós-graduação em Políticas de Justiça Criminal e Segurança Pública, pela Universidade Federal Fluminense (UFF), trabalha como repórter na agência pública de notícias brasileira, a Agência Brasil, desde 2004.

Título: Tânatos – Contos sobre a morte e o oculto
Autor: Vitor Abdala
Páginas: 124
Editora: Giostri
Mais informações: www.facebook.com/tanatoscontos

Escala de tocância de terror:

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DICA DA SEMANA: Burial Ground – Noites de Terror (1981)

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Burial Ground

Enredo? Boas atuações? Efeitos visuais maravilhosos? Quem precisa disso em um filme de zumbis? E ninguém melhor que o diretor italiano Andrea Bianchi para nos provar isso! Apesar de execrado por muitos, minha dica da semana é o melhor filme do gênero já feito e quem discorda está errado: “Burial Ground – Noites de Terror”.

Um professor esquisitão inventa de xeretar um sítio histórico que fica nos arredores de uma mansão e, sem motivo aparente, desperta uma legião de zumbis. Isso é tudo o que o roterista Piero Regnoli acha que precisamos saber e quem sou eu pra discordar?

Vemos então a chegada de um grupo de três jovens casais com o intuito de passar um final de semana pitoresco na moradia a convite do excêntrico professor, mesmo que nenhum deles pareçam remotamente ter um perfil acadêmico (se bem que eles só pensam em transar, o que é basicamente o que a direita brasileira acha que é um perfil acadêmico). Com os mortos-vivos levantando do túmulo, eles viverão “Noites de Terror” dando inspiração ao título do filme, mesmo que ele se passe praticamente inteiro durante o dia e em apenas uma noite.

Muito gore, zumbis que parecem papangus de Bezerros arremessando pregos e usando foices para decapitar pessoas, mais gore, adultos esquisitos de 35 anos interpretando crianças incestuosas (isso sempre dá bons resultados, como por exemplo o ótimo “The Baby“, mas isso fica pra outra dica…) e já falei muito gore? Isso é o que temos aqui.

Uma curiosidade: O filme foi lançado com vários títulos diferentes ao redor do planeta (só aqui no Brasil saiu com os títulos “A Noite do Terror”,A Noite dos Mortos-Vivos“, e “Burial Ground: Noites de Terror“). Além deles, tivemos o charmoso “A Mansão do Terror“, o disputadíssimo “Zombie 3“, o mais conhecido “Burial Ground” e o ótimo “The Zombie Dead“.

Tá esperando o quê pra dar o play nessa obra-prima e conhecer o querido Michael (interpretado magistralmente por Peter Bark) e gravar para sempre em sua mente a frase “Oh Momma“?

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DICA DA SEMANA: Maldição Paranormal (2014)

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Maldição Paranormal

Em outro momento aqui falei a respeito de “A Noiva Possuída“, filme turco de Hasan Karacadag que está no catálogo da Netflix. Este filme, no caso, faz parte de uma franquia chamada originalmente de “Dabbe“. O filme da noiva é o quarto e “Maldição Paranormal” (Dabbe 5: Zehr-i Cin Fragman) é o quinto desta série.

Com relação ao filme anterior, este é diferente na estética e no roteiro. Em comum apenas o uso do universo sobrenatural do djins como ameaças do além-mundo. Se antes tínhamos algo querendo emular o estilo found-footage, este já vai por um modelo mais convencional, o que não é ruim, diga-se de passagem.

Maldição Paranormal” (título nacional extremamente simplório e que não diz nada com nada) explora o gênero de casa mal assombrada com um olhar oriental. Esqueça “Atividade Paranormal“,”Sobrenatural” ou esses filmes recentes com assombrações do mainstream. O negócio é mais pesado e capaz de lhe deixar com receio de acordar de madrugada e encontrar uma entidade num pentagrama na sala, por exemplo.

Aqui vemos Dilek, uma dona de casa que começa a se assustar com certos incovenientes que acontecem nos cômodos de sua casa. Omer, seu marido, fica cético com relação ao que vem ocorrendo, mas em determinado momento eles se rendem às evidências e chamam uma velha curandeira que revela que existe uma maldição ancestral que caiu sobre eles. Sendo que obviamente não é uma coisa simples assim de se livrar e os desdobramentos e os antecedentes são bem mais sinistros do que parecem.

Em alguns momentos o filme se rende à fórmula ocidental do cinema de terror com seus jumpscares e trucagens de edição, mas nada que realmente incomode ou torne a história previsível. Por sinal, se quiser ver algo fora da curva, chegue junto em “Maldição Paranormal” no catálogo da Netflix que o medo é garantido.

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DICA DA SEMANA: O Animal Cordial (2017)

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O Animal Cordial

O Animal Cordial não foi o primeiro, nem será o último filme brasilieiro de gênero a discutir os problemas da sociedade No entanto, o longa escrito e dirigido por Gabriela Amaral Almeida é um dos melhores nesse sentido. Classificado por alguns como um suspense, a obra também é rotulada como um slasher, por conta da matança em série, mesmo que não tenha o clássico vilão mascarado tocando o terror.

Vamos à sinopse (roubada do Google): Inácio (Murilo Benício) é o dono de um restaurante de classe média. Sua postura arrogante gera atritos com os funcionários, em especial com o cozinheiro Djair (Irandhir Santos). Quando o estabelecimento é assaltado por dois bandidos, Inácio e a garçonete Sara (Luciana Paes) precisam encontrar meios para controlar a situação e lidar com os clientes que ainda estão na casa.

A partir daí, o roteiro levanta uma série de questões sobre a violência urbana nas grandes cidades, colocando em conflitos pessoas de diferentes classes sociais e gêneros. Tudo isso em um ambiente claustrofóbico, já que o filme se passa todo em um único cenário, e sem medo de jogar sangue na tela.

Não à toa, O Animal Cordial levantou prêmios por aí. Murilo Benício ganhou como Melhor Ator no Festival do Rio de 2017. Já Luciana Paes ganhou Melhor Atriz e Gabriela Amaral Almeida levou como Melhor Diretora no Festival de Cinema Fantástico de Porto Alegre em 2018. Tem na Netflix? Tem. Não perca tempo.

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