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RESENHA: Sadako Vs Kayako (2016)

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Por Júlio Carvalho

Quando saiu a notícia do crossover de O CHAMADO (Ringu, 1998) e O GRITO (Ju-On, 2002), minha reação foi de extrema desconfiança. Apesar de ser fã de ambas as franquias japonesas, eu não conseguia imaginar como seria tal briga na “prática”. Aí, no começo do ano, surgiram os bons trailers e juntos trouxeram esperança. O filme enfim aconteceu e resultado: Azar o meu, que deveria ter confiado nos meus instintos iniciais, pois SADAKO Vs KAYAKO é pura cilada. Dito isso, agora vamos por partes.

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Na trama, estamos em Seian, nos dias atuais e ambas assombrações já fazem parte das lendas urbanas do Japão. Conhecemos Shinichi Morishige, um professor de universidade obcecado por Sadako, a fantasma de O CHAMADO (Ringu), que quer a todo custo achar a fita VHS original amaldiçoada. Aí entram em cena as universitárias Yuri e Natsumi, que conseguem a maldita fita por acidente e acabam assistindo o conteúdo. Dá merda.

Ao mesmo tempo, em outro local, a estudante Suzuka acaba de chegar na cidade se mudando pra uma casa que é vizinha a casa mal-assombrada pela dupla Toshio e Kayako da franquia O GRITO (Ju-On). A garota sente que tem algo estranho ali e decide bisbilhotar. Dá merda.

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Esse duelo sobrenatural é dirigido pelo já conhecido Kōji Shiraishi, responsável pelos cabulosos NOROI (2005) e GUROTESUKO (2009), e por umas merdas como OKARUTO (2009) e KARUTO (2013) . Em SADAKO V KAYAKO, o tom de blockbuster ocidental é notório, porém há certas sutilezas típicas dos filmes de j-horror com planos elegantes e sem muitos apelos sonoros nas horas de sustos. Mas também temos alguns momentos embaraçosos como em uma das aparições do Toshio, em que o mesmo aparece discretamente ao fundo em uma cena diurna, só que de repente, um super zoom no fantasminha, que se encontra de cócoras, avacalha geral a cena.

Sobre o crossover em si, Aqui a parada é bem desequilibrada. O domínio, com aproximadamente 51min da trama, de O CHAMADO é inegável. A Sadako aparece várias vezes, enquanto o lado da maldição de O GRITO fica com cerca de 22min dedicados. Desse pouquinho, Toshio aparece quase umas 10 vezes. Ou seja, a Kayako mal dá as caras no filme que tem seu nome no título. Sim. Eu contei. Diferentemente do divertido FREDDY Vs JASON (2003) em que, se não me falha a memória, ambos são trabalhados quase que igual pra igual durante o filme todo, criando assim a expectativa necessária para o confronto prometido.

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SADAKO Vs KAYAKO começa até bem tanto na construção de personagens quanto na forma em que ambas as maldições são trabalhadas. O drama das garotas que procuram ajuda pra evitar o encontro inevitável com Sadako funciona até a chegada do tal xamã que veio de Tóquio pra salvá-las. Em paralelo, Suzuka desconfia que 4 crianças que estão desaparecidas tenham sido vítimas da dupla fantasmagórica Toshio e Kayako na casa ao lado, e passa a ser o próximo alvo. O problema é que tudo vai ficando chato e a impaciência só aumentando. Aí você deve tá se perguntando “quando e como” essas duas fantasmas vão se encontrar. A resposta é simples: o Xamã. O cara bola um plano – bem furado – em que as assombrações se manifestariam ao mesmo tempo lá na casa malasombrada e brigariam até a “morte”, esquecendo assim suas vítimas. TA SERTO, FERA!

Finalmente, depois de tanta enrolação, acontece o encontro. Daí pra frente, o que já não tava tão bom, piora consideravelmente. Falta timing nas sequências, dando a impressão que todos estão esperando os sinais do diretor pra se movimentar no cenário. Cada cena mais ridícula e mal editada que a outra. É como se o diretor tivesse ido tirar um cochilo e algum sobrinho do produtor de uns 14 anos tivesse ido lá na surdina filmar e editar tudo em sua ausência. E os (d)efeitos especiais? Lógico que não vou contar o que acontece, mas a palavra “constrangimento” define o estado em que a pessoa fica.

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No geral, SADAKO Vs KAYAKO é simplesmente desastroso e mesmo assim se leva a sério até o último segundo. E como foi dito antes, aqui fica a impressão de se tratar de mais um filme da franquia de O CHAMADO, só que com participações especiais da dupla fantasmagórica de O GRITO.

NOTA: Tem uma cena pós-crédito que se você assistiu até o fim, tem a obrigação de conferi-la. Afinal, é como dizem: O estrago só presta se for grande!

Escala de tocância de terror:

Direção: Kôji Shiraishi
Roteiro: Takashi Shimizu e Kôji Suzuki 
Elenco:  Mizuki Yamamoto, Tina Tamashiro, Aimi Satsukawa
Origem: Japão

E COM VOCÊS, A HORA DOS COMERCIAIS TOSCOS:

https://youtu.be/0fsG3bf0ykQ

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2 Comentários

2 Comments

  1. Pingback: RESENHA: O Chamado 3 (2017) | Toca o Terror

  2. Marcelo Diego

    20 de Maio de 2017 a 22:49

    Vi o filme hoje e fiquei curioso com as mudanças feitas na história de Ringu. Houve algum reboot? Pois o vídeo amaldiçoado é diferente do original de 1998 e o tempo de vida que a pessoa tem diminuiu.

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RESENHA: A Hora da Sua Morte (2020)

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A Hora da Sua Morte

Nos últimos dez anos a Blumhouse deu o tom das produções de terror de baixo orçamento. Fez filmes com boas premissas, elenco iniciante, roteiros ágeis e muito jumpscare. Eis que agora chega às telas “A Hora da Sua Morte” (Countdown), um filme que tem todas essas características, mas que NÃO É da Blumhouse. Talvez até por isso tenha se saído melhor que a média desta produtora. (mais…)

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RESENHA: Rabid (2019)

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Rabid

Quando saiu a notícia que iria rolar um remake de RABID, clássico de ninguém menos que David Cronenberg – filme que aqui no Brasil saiu com o título infame de “ENRAIVECIDA NA FÚRIA DO SEXO” – eu fiquei num misto de curiosidade e medo do que viria. Mas aí vi que essa empreitada seria realizada pelas Irmãs Soska e fiquei bem animado, pois as gêmeas diretoras tem uns filmes cabulosos no currículo.

Nesta nova versão, dirigida por Jen e Sylvia Soska, a partir do roteiro de John Serge no qual elas também assinam, acompanhamos Rose, uma design de moda que se envolve em um acidente e fica com o rosto desfigurado. Sem esperanças de recuperar a aparência e voltar ao mundo da moda, resolve se inscrever numa clínica de estética adepta de um movimento “TRANS-HU-MA-NI-SMO” que não é aceito pela comunidade médica. Como voluntária, acaba se submetendo ao procedimento milagroso que restaura toda estrutura do seu rosto. Não bastasse a aparência, a moça passa a se sentir melhor em todos os sentidos. Mas não demoram a surgir os efeitos colaterais… e eles são pra lá de sinistros.

Em nenhum momento as diretoras escondem sua admiração por Cronenberg. Há referências frequentes de sua obra durante o longa, sendo que uma em especial acaba se destacando de tão gritante que é. E é claro que o sadismo aqui impera, marca registrada das gêmeas cineastas em seus longas anteriores – vide “T IS FOR TORTURE PORN” e “AMERICAN MARY“. E assim como o diretor canadense, as irmãs também são chegadas a um body horror raiz. Aqui, usam e abusam de efeitos práticos pra nos conferir muita nojeira e bizarrice. Em uma cena vemos uma “cobra” e uma axila… e basta dizer que ela dificilmente será esquecida, por exemplo.

Apesar de seguir a mesma premissa do “RABID” original, este remake tem suas diferenças – o que já é esperado – e a mais importante é a forma com que Rose, vivida por Laura Vandervoort (Biten), é construída. Ao contrário do original, nossa protagonista não passa o filme todo assistindo impassiva às transformações que seu corpo e mente sofrem. Aqui, nossa heroína evolui dentro da trama, passando a ter domínio de suas ações, dando força e profundidade à personagem.

O ponto forte aqui tá no desenvolvimento da personagem principal, como já mencionado, e na violência extremamente gráfica toda artesanal, que garante uma seboseira danada com muito sangue em tela. Infelizmente, a maquiagem dá uns vacilos como na deformidade do rosto da protagonista, o que é bastante fake. Há umas cenas toscas aqui e ali, mas os pontos fracos mesmos estão mais em alguns personagens que poderiam simplesmente nem existir, a exemplo do boyzinho que fica enchendo o saco da moça o filme todo.

Esta nova versão de “RABID” peca por tentar acrescentar mais elementos à trama do que ele precisaria de fato, mas nada que estrague a sua experiência. No fim das contas, o remake das Irmãs Soska agrada e acaba fazendo “bonito”. Pena que esta refilmagem passou meio batida pelo público do gênero e pouco se falou a respeito. Quem ainda tá torcendo o nariz e ainda não viu, tá vacilando.

Escala de tocância de terror:

Direção: Jen e Sylvia Soska
Roteiro: John Serge e Irmãs Soska
Elenco: Laura Vandervoort, Benjamin Hollingsworth, Ted Atherton
Ano de lançamento: 2019

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DVD: Digipack “Coleção O Homem Invisível”

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[Por Osvaldo Neto]

A Classicline é uma distribuidora de home video especializada em cinema clássico com mais de uma década de existência e atividade. Mensalmente, temos lançamentos e relançamentos de filmes que se encontravam ausentes das lojas físicas e virtuais – sejam lançados antes por eles ou outras empresas – assim como produções esquecidas que ganham uma nova vida no mercado. (mais…)

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