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DVD: Obras-Primas do Terror – Vol. 3

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[Por Geraldo de Fraga]

Falar bem do trabalho da Versátil Home Video é chover no molhado, mas é impossível não puxar o saco da seleção de filmes e extras do digistack Obras-Primas do Terror 3. São 3 DVDs que reúnem 6 clássicos, todos em versões restauradas, além cards com as artes dos posters originais.

Queria destacar dois longas (curiosamente ambos com crianças) que muitas vezes são esquecidos quando se fala de melhores filmes de terror de todos os tempos, mas que merecem sim um lugar nesse panteão: A Inocente Face do Terror (1972) e Os Meninos (1976).

No primeiro, um conto que se passa em uma área rural americana e que mistura gêmeos malignos, uma lenda russa e uma série de assassinatos. É um longa do qual não se pode entrar em detalhes para não estragar nada. Os Meninos não pega menos pesado, colocando a gurizada como vilões da trama, num suspense da melhor qualidade e que nos revela também um final arrebatador.

Os extras são um show a parte. Tem um depoimento de Narciso Ibañez Serrador (onde ele revela detalhes da produção de Os Meninos); um mini-documentário sobre Jacques Tourneur (usando como gancho Farsa Trágica, que está no digistack) e uma entrevista onde Anthony Hopkins fala de Magia Negra e conta como treinou para interpretar um ventríloquo. Esse filme também é outro destaque da caixa.

DISCO 1

Banho de Sangue (A Bay of Blood/Reazione a Catena, 1971)

A disputa por uma propriedade em uma baía dá início a um banho de sangue que não poupará ninguém. Polêmica e sangrenta obra-prima do mestre Mario Bava que foi precursora dos filmes slasher. Também conhecido como A Mansão da Morte.

A Inocente Face do Terror (The Other, 1972)

Interior dos Estados Unidos, anos 30. Dois meninos, gêmeos idênticos, são a fonte de estranhos acontecimentos que colocam em perigo a vida daqueles que os cercam. Obra-prima do terror psicológico dirigida por Robert Mulligan (“O Sol é Para Todos”).

https://www.youtube.com/watch?v=3pE84X4x8e4

DISCO 2

Os Meninos (¿Quién puede matar a un niño?, 1976)

Um casal de turistas ingleses chega a uma ilha onde todas as crianças ficaram loucas e estão assassinando os adultos. Obra-prima do horror espanhol dirigida pelo mestre Narciso Ibañez Serrador.

Carnaval de Almas (Carnival of Souls, 1962)

Após um traumático acidente, uma mulher fica fascinada por um parque abandonado. Lendário filme B americano que se tornou um dos maiores cult-movies de horror de todos os tempos. Conhecido também como “O Parque Macabro”.

DISCO 3

Farsa Trágica (The Comedy of Terrors, 1963)

Para poder pagar dívidas, um coveiro começa a matar pessoas a fim de obter novos “clientes”. Com muito humor negro, o mestre Jacques Tourneur (Sangue de Pantera) reúne monstros sagrados do cinema de horror.

Magia Negra (Magic, 1978)

Anthony Hopkins, em grande atuação, é o talentoso, mas perturbado ventríloquo que se esconde por trás da forte personalidade de seu maligno boneco Fats. Assustador terror psicológico dirigido pelo premiado Richard Attenborough (Gandhi). Também conhecido como “Um Passe de Mágica”.

Extras: Documentário sobre Banho de Sangue (25 min), Depoimento de Joe Dante sobre Banho de Sangue (12 min), Trailers americanos de Banho de Sangue (6 min), Depoimento de Narciso Ibañez Serrador (9 min), Trailers dos outros filmes (11 min), Depoimento de Richard Matheson sobre Farsa Trágica (10 min), Especial sobre Jacques Tourneur (16 min), Entrevista de Anthony Hopkins (6 min).

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RESENHA: A Cor Que Caiu do Espaço (2020)

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A cor que caiu do espaço

H.P Lovecraft voltou a ficar em evidência, seja em games como “Call of Cthulhu” (2018) e “The Sinking City” (2019) como em adaptações cinematográficas. Só neste ano de 2020 já tivemos duas obras inspiradas no autor, tendo elementos e personagens de suas obras em “Ameaça Profunda” e agora “A Cor Que Caiu do Espaço” (Color Out of Space), uma adaptação direta de um dos seus celebres contos e o motivo desse texto existir. (mais…)

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GAME: Blair Witch (2019)

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Blair Witch

Mais de 20 anos e “A Bruxa de Blair” (The Blair Witch Project) continua relevante e presente em nossa memória influenciando ainda a indústria cinematográfica e chegando em outras mídias como os games. E em 2019, exatamente duas décadas depois do lançamento do filme original, a E3 anunciava um novo game da franquia feita pelo estudio Blooper Team, responsavel pelo elogiado Layers of Fear.

Então, a pergunta que não quer calar pra você que se interessou e ainda não jogou é… presta? Ou seria algo esquecível como as sequências e o reboot da tela grande? O estúdio sabia da responsabilidade e do peso em levar uma marca famosa de volta ao mundo dos games e utilizou o aprendizado do jogo anterior para aprimorar a experiência. Aqui novamente temos uma câmera em primeira pessoa para causar mais imersão.

Vamos lá… A trama de Blair Witch se passa no ano de 1996, bem na época em que o evento do longa original se passa. Ocorre um novo sumiço na floresta. Dessa vez é de uma criança. O caso mobiliza a força policial e a população pela busca do garoto. No game, você assume o comando de um policial local que tem um passado bem traumático e que junto com seu cachorro segue sozinho em busca do que realmente aconteceu no local. O cachorro não é mero figurante e te auxilia nas buscas encontrando caminhos, itens ou detectando inimigos.

O jogador tem acesso a walkie talkies, celulares (daquele tipo tijolão), uma bolsa que guarda itens e colecionáveis (que são muitos), lanterna e claro, uma famosa handcam que tem a utilidade de visão noturna e que também roda fitas que se encontram no caminho e que ajudam no andamento da campanha. E é claro que logo encontrará os horrores que a famosa vilã colocará no caminho.

Sua arma é a lanterna, que além de auxiliar em lugares extremamente escuros, mata as criaturas das trevas quando as ilumina. O foco do game não é o combate e sim a exploração e resolução de puzzles. Ainda assim, em determinados momentos a luta se faz necessária. A trama em si é boa, mas poderia ser melhor. Ainda assim é bem mais desenvolvida que os filmes que vieram.

A duração do jogo depende do jogador. Eu, por exemplo, num primeiro gameplay levei 7 horas para zerar, mas da segunda vez em diante levei cerca de 3 horas. E graficamente falando é um jogo bonito até, mas não espere algo maravilhoso.

O fator replay se faz presente na forma de dois finais sendo um bom e outro ruim, além dos já citados colecionáveis que fornecem informações complementares. Blair Witch tem uma pegada mais psicólogica, porém sabe assustar em alguns momentos, seja nos bem dosados momentos de jumpscare ou na ambientação sinistra. Este gameé uma viagem de horror que honra o legado do filme original.

Escala de tocância de terror:

P.S.: Existem algumas referências a obra original, mas não entrei em detalhes por conta de spoilers.

Blair Witch esta disponivel para PC, Xbox One, Xbox series (via retrocompatibilidade), Ps4, Ps5 (via retrocompatibilidade) e Nintendo Switch.

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RESENHA: O Garoto Sombrio (2015)

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[Por Geraldo de Fraga]

Em 2011, o diretor Craig William Macneill e o escritor Clay McLeod Chapman se uniram para realizar o curta Henley, que mostrou a infância do serial killer Ted Henley e o início da sua trajetória macabra. Esse ano, os dois retomam a parceria para um projeto bem mais ambicioso: contar toda a história desse psicopata, não em um, mas em três longas.

A primeira parte da trilogia se chama The Boy e é focada nos primeiros anos de vida do futuro assassino. A história começa em 1989, com Ted Henley (Jared Breeze), então com nove anos, vivendo com seu pai, John (David Morse), num motel de beira de estrada que se encontra às moscas. O dia a dia do menino é entediante: quando não está limpando o local, brinca sozinho e procura animais mortos na rodovia.

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Essa rotina é quebrada quando um acidente na rodovia leva o estranho William Colby (Rainn Wilson, irreconhecível num papel dramático) a se hospedar em um dos quartos. Diferente dos outros hóspedes que já passaram pelo motel, Colby esconde alguns segredos e isso atiça a imaginação de Henley, a ponto de deixar fluir sua personalidade doentia.

Um ponto positivo de The Boy é que, ao contrário de vários outros filmes de psicopata, o protagonista aqui não se transforma no vilão por causa de um trauma ou de uma situação extrema. A maldade está nele desde sempre, esperando apenas uma brecha para vir à tona. A vontade de matar é acentuada pelo tédio e pela falta de perspectiva. Não há um julgamento moral de certo ou errado e, para o garoto, tudo é só mais um passatempo.

A negligência por parte do pai alcoólatra conta como o maior ponto para o estopim. É ele quem prende o garoto naquele ambiente hostil, o que já seria nocivo para uma criança normal. Seu estado de negação e inércia, apenas retarda o inevitável. “Esse menino tem olhos crescendo na nuca”, desabafa a Colby, em certo momento do filme, lamentando em ter razão.

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Sobre a construção do longa, a direção de Macneill é segura e consegue grandes atuações do trio de protagonistas. Jared Breeze tem tudo para ser lembrado como um dos melhores garotos problemas dos últimos anos, enquanto Morse e Wilson cumprem seus papéis com louvor. O roteiro de Chapman é afiado, com diálogos curtos, mas eficazes. Além de focar em pequenos detalhes para fazer a trama fluir. O ritmo, por muitas vezes lento, é essencial para a construção do clímax.

The Boy é um filme realista e sóbrio, esqueça todo o exagero de filmes sobre psicopatas mirins como O Anjo Malvado ou A Orfã, por exemplo. Além disso, essa primeira parte da trilogia nos brinda com um ótimo gancho para o segundo filme e já nos deixa sabendo do que Ted Henley é capaz de aprontar. E vale muito a pena acompanhá-lo em sua próxima jornada.

Escala de tocância de terror:

Nome original: The Boy
Direção: Craig William Macneill
Roteiro: Craig William Macneill e Clay McLeod Chapman
Elenco: Jared Breeze, David Morse e Rainn Wilson
Origem: EUA

Trailer

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