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RESENHA: A Seita Maligna (The Void) (2017)

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the void

Ultimamente, os melhores títulos de horror que tem surgido, tem sido filmes com um apelo mais dramático e psicológico do que visualmente escatológico, como A BRUXA (the VVitch, 2016) e FEBRUARY (2016). Eis que então surge, lá do Canadá, A SEITA MALIGNA (THE VOID), que resgata com excelência aquele terror visceral como há muito tempo não se via.

Para evitar spoilers, vou tentar entrar em detalhes o mínimo possível com relação aos acontecimentos e conceitos apresentados no longa.

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Tenso desde os primeiros segundos, tudo começa com um casal fugindo de uma casa no meio do nada. Já do lado de fora, a garota é atingida por um tiro pelas costas e o cara foge deixando-a pra trás. Dois sujeitos armados se aproximam da moça, que ainda está viva, e ateiam fogo nela sem dó nem piedade. Daí entram os créditos iniciais com imagens da cidadezinha desoladora onde tudo se passará. Até que um policial encontra o rapaz visivelmente ferido na beira da estrada e o leva para o hospital, onde a bagaceira de verdade está prestes a acontecer.

Chegando lá, nos deparamos com um hospital funcionando em condições precárias onde temos duas enfermeiras, um médico, um senhor e uma adolescente grávida. Não demora, as coisas começam a ficar estranhas e o banho de sangue começa a acontecer de fato. E pra piorar, logo todos se veem presos no hospital que está cercado por uma galera armada e encapuzada com um triangulo estampado na cara. Está configurado um verdadeiro suvival horror em que ninguém confia em ninguém e… enfim, o bagulho é louco!
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Produção independente fruto de crowdfunding, THE VOID é escrito e dirigido pela dupla Jeremy Gillespie e Steven Kostanski que sempre estiveram envolvidos com a parte visual de grandes produções. Gillespie fez parte da equipe de direção de arte de CIRCULO DE FOGO (Pacific Rim, 2013) e da série HANNIBAL por exemplo. Já Kostanski tem uma filmografia bem mais expressiva sendo responsável pelos efeitos especiais de maquiagem de NURSE 3D (2014), HANNIBAL (a série), CLOWN (2014), ABC DA MORTE 2 (2014), A COLINA ESCARLATE (Crimson Peak, 2015) e até… ESQUADRÃO SUICIDA…¯ \ _ (ツ) _ / ¯  
Além disso, ambos também estão na equipe do remake de IT do Stephen King que estreia esse ano.

Segundo seus realizadores, o projeto se arrasta há uns 10 anos na tentativa de achar a combinação perfeita entre a estética do horror atual com o gore concebido por efeitos práticos dos anos 80. Parece que conseguiram, pois sem dúvida alguma, o destaque aqui fica para esse aspecto. A cada criatura desfigurada apresentada, é impossível não pensar em filmes como O ENIGMA DE OUTRO MUNDO (The Thing, 1982), VIDEODROME (1983) e HELLRAISER (1987), por exemplo. É puro body horror que graças a um “belíssimo” trabalho de efeitos de maquiagem, chega a causar desconforto de tamanha deformidade das criaturas apresentadas. Há CGI aqui e ali sim, mas nada que tire a sua atenção. Vale destacar também a competente fotografia de Samy Inayeh que consegue o equilíbrio necessário para que o gore absurdo jogado na sua cara não fique banalizado em momento algum.

Já o elenco, no geral, até que entrega bem seus personagens dentro da proposta, sendo que o destaque acaba ficando para o veterano Kenneth Welsh que encarna o Dr. Richard Powers de onde acabam vindo as melhores falas do filme.

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O roteiro de THE VOID também nos reserva algumas surpresas bem intrigantes. Sociedade secreta, culto a deuses de outras dimensões e muitas coisas cabulosas acabam resultando numa atmosfera digna dos contos de H.P. Lovecraft e que, inevitavelmente, traz à mente outros clássicos do estilo como, por exemplo, À BEIRA DA LOUCURA (In the Mouth of Madness, 1995) de John Carpenter e o subestimado horror sci-fi O ENIGMA DO HORIZONTE (Event Horizon, 1997).

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Para mim, mesmo que geralmente eu prefira, THE VOID finda em um filme curto demais – 1h24min – e que acaba não trabalhando um pouco mais a fundo a interessante mitologia cósmica aqui sugerida.

Apesar deste filme ter um forte apelo nostálgico pra geração 80 (e até 90) acredito que também funcione pra essa geração mais atual baseada em games. É possível relacionar muita coisa tanto no aspecto temático quanto visual. Como deu pra notar, o longa é um prato cheio pra quem quer caçar referências e isso é ótimo, pois além de divertir, funciona como uma pura homenagem aos clássicos literários e cinematográficos do gênero.

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Insano, violento e cabuloso, THE VOID chega pra tocar o terror e mostrar que ainda é possível fazer um filme de gênero mais escancarado, sem receio de algum de ser tratado injustamente como uma produção trash, o que tá longe de ser. Até agora, o melhor filme de terror do ano.

Escala de tocância de terror:

Direção: Jeremy Gillespie, Steven Kostanski
Roteiro: Jeremy Gillespie, Steven Kostanski
Elenco: Aaron Poole, Kenneth Welsh, Daniel Fathers
Origem: Canadá

https://www.youtube.com/watch?v=PvJpUgDhvLc

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Anarquista, quase cinéfilo, diretor de arte, fotógrafo, cervejeiro, rockeiro doido e crítico/podcaster do Toca o Terror

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RESENHA: Raw (2017)

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raw

[Por Gabriela Alcântara]

É possível um filme ser grotesco e ainda assim ser extremamente belo e erótico. A prova pode ser vista em “Raw” (no Brasil traduzido também como “Grave”), de Julia Ducornau, que está disponível na Netflix. Apesar dele ter ganhado burburinho nos últimos anos por ter ganho diversos prêmios – incluindo o FRIPESCI da Semana da Crítica de Cannes – e teoricamente ter feito muitas pessoas vomitarem, confesso que evitei assisti-lo por um tempo – na verdade justamente por isso. (mais…)

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RESENHA: V/H/S (2012)

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Existe vida inteligente no found footage. Em meio a vários e vários filmes que exploram o estilo de falso documentário, é difícil encontrar algum que realmente se sobressaia. É aí que As Crônicas do Medo (V/H/S) entra na jogada. A trama é centrada em um grupo de criminosos cuja missão é encontrar uma misteriosa fita de vídeo em uma casa. Na busca pela fita certa, eles acabam encontrando e assistindo a uma série de vídeos de horror.

O enredo que se passa dentro da casa e amarra as pequenas histórias, que são independentes umas das outras, é fraca. Mas isso fica em segundo plano. O que aparece nas fitas encontradas é o que importa. São cinco curtas, cada um dirigido por um ou dois diretores. No total, são 10 dez profissionais dividindo a direção do filme.

Quando assisti ao trailer, algo que me chamava a atenção era como os efeitos especiais ficavam muito realistas quando inseridos em imagens de baixa qualidade (lembrando que a película é filmada totalmente com câmeras caseiras de VHS).

A primeira história mostra um grupo de jovens que compram uns óculos com uma mini-câmera e saem pelas baladas para filmar seus sucessos amorosos. Porém uma das moças que eles conhecem não é, digamos, muito sociável.

No segundo ato, acompanhamos um casal em uma viagem pelo interior dos EUA, onde eles registram tudo em vídeo. Nesse não dá pra falar mais sem entregar spoilers. É o único dos cinco onde o elemento sobrenatural não está presente, mas que possui um dos melhores finais.

O terceiro filme foi o que achei mais fraco. Um grupo de jovens vai a um lago no meio da floresta, fumar um e tomar banho pelado. É aí que eles têm uma desagradável surpresa. Apesar do roteiro fraco, a estética desse aqui deve ser apontada como um ponto a favor.

Na quarta história, temos um casal conversando pelas suas respectivas webcams. A menina acha que seu apartamento está sendo assombrado por fantasmas e sempre que algo de estranho acontece, ela liga para o cara para que ele a faça companhia. Muito boa história e efeitos.

Por falar em efeitos, é no quinto episódio que eles aparecem em sua melhor forma. Quatro jovens vão a uma festa na noite de Halloween e descobrem algo muito sinistro acontecendo na casa onde deveria estar acontecendo a farra.

A trama do grupo de criminosos tem um desfecho meia boca, mas isso não tira o mérito do filme. Concentre-se nos cinco curtas e divirta-se. A franquia teve mais duas sequências e a qualidade de alguns segmentos foi mantida, mas no geral também valem a pena serem vistos.

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RESENHA: Rua do Medo – 1994 – Parte 1 (2021)

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Rua do Medo

A Netflix está lançando nesse mês uma trilogia de filmes que sairão semanalmente. Estas obras são baseadas na série literária “Rua do Medo” (Fear Street) escrita por R.L Stine, também autor da série Goosebumps. São livros voltados para o público infanto juvenil, mas a gigante do streaming garante que os longas serão voltados para maiores. O primeiro foi lançado no dia 2 de julho e se chama “Rua do Medo: 1994 – Parte 1”.

Vamos ao filme: Uma cidade interiorana dos EUA é conhecida nacionalmente como a capital dos homicídios, já que de tempos em tempos é comum algum cidadão enlouquecer e sair matando quem aparece pela frente. Acompanhamos então um grupo adolescente que se vê alvo de um mal muito maior quando acidentalmente despertam a ira de uma bruxa morta que é a verdadeira responsável pelas ondas de mortes anteriores.

Rua do medo: 1994”, pelo menos em seu início tem “Pânico” como maior referência. Sua cena inicial é uma clara homenagem ao momento de horror vivido pela personagem de Drew Barrymore, chegando a colocar também uma atriz conhecida do público para se tornar a primeira vítima. Os minutos seguintes também emulam o longa de 1996, mas depois despiroca de vez indo ladeira abaixo. Os personagens centrais são qualquer coisa, extremamente estereotipados e forçam a todo tempo uma ligação com o espectador. Falham miseravelmente. Por mim todos iriam para a faca rapidinho.

Então o filme que começa como um slasher comum de assassino mascarado, logo vira algo sobrenatural. Isso não seria lá um problema, mas essa transição é problemática e associada a uma edição e fotografia noturna ruins que remetem a filmes trash de Tv dos anos 90. A mistura de horror e comédia desse período sempre rendeu bons exemplares – o que não é caso aqui – mas as tentativas de arrancar um riso mesmo que seja de nervoso são falhas e artificiais, não conseguindo arrancar nem um sorriso do canto de boca.

Em termos de horror, “Rua do Medo: 1994” é lotado de jumpscares que apesar de ter dois que funcionam, depois fica tão batido que isso cansa. Também tem o fator gore e nisso sim o filme é bem eficaz e violento, sendo que as atuações quase inexistentes e uma quebra de ritmo no meio do longa me fez acreditar estar vendo mais um capítulo (ruim) da série Goosebumps.

Não conheço a série de livros, mas acredito que me divertiria muito mais lendo. Creio que grande parte da culpa é da diretora que não soube conduzir seu elenco nem criar cenas realmente tensas. O problema não é nem ser clichê em alguns momentos e sim não saber como se utilizar disso a seu favor.

Finalizando, “Rua do Medo: 1994” é mais uma obra da Netflix que tem umas ideias legais aqui e ali, mas no geral é extremamente esquecível. Esta primeira impressão inclusive me deixou com uma preguiça danada de acompanhar os longas restantes que vão vir…

Escala de tocância de terror:

Direção: Leigh Janiak
Roteiro: Kyle Killen, Phil Grazidiel,Leigh Janiak, R. L Stine( livros)
Elenco: Kiana Madeira, Benjamin Flores, Maya Hawke e outros
Título original: Fear Street: 1994
Ano de lançamento: 2021

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