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DICA DA SEMANA: Calafrios (Shivers, 1975)

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[Por Gabriela Alcântara]

Minha dica para este fim de semana caliente é um dos filmes que mais assisti no ano passado: Calafrios, do rei Cronenberg, filmado em 1975.

O filme é um clássico e uma das coisas que mais me atrai nele é que Cronenberg conseguiu, no meio de tanta nojeira, enfiar uma reflexão política sobre uma classe média assustada que decide se refugiar em uma espécie de condomínio-paraíso nos arredores de Montreal, no Canadá. O estilo de vida do condomínio promete ser tão luxuoso, que chega a ser comparado a uma eterna viagem a bordo de um cruzeiro.

Além de vantagens VIP como uma piscina olímpica aquecida com vista para um rio que segue de encontro ao mar e equipamentos de lazer exclusivos para os moradores, os apartamentos trazem uma série de comodidades, equipados com eletrodomésticos modernos e TV a cabo.

Entretanto, logo veremos que a propaganda promete mais do que pode cumprir. A contraposição colocada por Cronenberg entre promessa e “realidade” se dá através de um jogo de montagem e também de caracterização de um dos personagens. Após assistirmos a publicidade do condomínio que dá início ao filme, acompanhamos um casal que chega ao Starliner em busca de um apartamento. Eles são recebidos por um segurança armado e claramente despreparado para isso.

A cena ajuda a compor a caracterização do personagem: frágil e confiante no bom caráter dos condôminos. Não tardará muito dentro da narrativa para que seja atacado. Assim, temos também a impressão de que a segurança do condomínio não é tão forte quanto promete ser. Mas o jogo entre promessa e realidade fica explícito quando Cronenberg contrapõe, através da montagem, imagens pacíficas do condomínio e seu estilo de vida perfeito com cenas de violência. Enquanto a vida corre tranquilamente, um homem ataca uma jovem de aproximadamente 20 anos dentro do condomínio. E é exatamente a partir daí que o jogo começa a virar para a tradicional família canadense.

Permeado por um humor ácido e cenas razoavelmente indigestas, Calafrios é um filme que causa o incômodo que pretende ao mesmo tempo em que nos diverte. Afinal de contas, nada como ver a sociedade branca e perfeita de um condomínio de luxo ser literalmente pervertida por um verme que espalha uma doença ninfomaníaca e mortal na população. As cenas de ataque dos vermes e algumas atuações canastronas só ajudam a aumentar a diversão.

O primeiro longa de David Cronenberg recebeu tratamento especial da Versátil Home Video que lançou o filme no Brasil em uma luva com 2 discos Blu-Ray. Cronenberg Essencial oferece 4 trabalhos do diretor e horas de material extra. Além de Calafrios, a seleção contemplou Os Filhos do Medo, Videodrome e Mistérios e Paixões. Esse pack pode ser encontrado para compra nas melhores lojas.

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DICA DA SEMANA: Tenebre (1982)

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Tenebre

Esta semana trago-lhes uma obra marcante do início dos anos 80: TENEBRE, clássico do giallo italiano de ninguém menos que Dario Argento, que aliás, que fez aniversário neste mês setembro.

Ele tinha quebrado o mais profundo tabu e não sentia culpa, nem ansiedade, nem medo, mas liberdade. Cada humilhação que lhe barrava o caminho podia ser varrida por um ato simples de aniquilação: HOMICÍDIO.”

Na trama, Peter Neal (Anthony Franciosa), um escritor de romance policial americano, vai à Itália para promover o seu mais novo livro: Tenebrae. Mas sua estadia em Roma vira um pesadelo quando uma série de assassinatos relacionados diretamente a sua obra começam aterrorizar a capital italiana.

Como dito no início, TENEBRE é escrito e dirigido por Dario Argento (SUSPIRIA, PROFONDO ROSSO) e tem todos os elementos que um giallo deve ter como assassino de luva de preta, sangue vermelho vivo, objetos cortantes, erotismo, etc. E, como é se esperar de suas das obras, somos contemplados aqui com planos sequências meticulosamente planejados que levam a mortes horríveis ao som da trilha marcante da banda Goblin.

Para além da estética audiovisual, Argento levanta debates em alguns diálogos que são pertinentes ainda hoje como o machismo e a misoginia nas obras de horror que tendem a objetificar o corpo feminino, e que chegam a fazer da violência contra a mulher um fetiche.

Se não viu ainda, aproveita que TENEBRE está disponível no catálogo do Looke, pois é altamente recomendado pra qualquer fã do gênero.

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DICA DA SEMANA: Warlock, O Demônio (1989)

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Warlock, O Demônio

Colônia de Massachusetts, Boston, Século XVII. Um feiticeiro, interpretado por Julian Sands, capturado e condenado por práticas demoníacas está prestes a ser enforcado e depois queimado sobre um cesto com gatos vivos (?!?) quando magicamente é transportado para o Século XX.

Junto com ele, Redferne (Richard E. Grant), seu carrasco, também vem para na Boston do final dos anos 80 e com a ajuda de uma jovem (Lori Singer) tentará rastrear e destruir o feiticeiro antes que ele coloque suas mão nas páginas do Grand Grimoire (a bíblia do capeta) e desfaça tudo o que Deus criou. Estamos falando de “Warlock, O Demônio“, polêmico filme que despertou atenção até do Alborghetti quando a Rede OM exibiu o longa na TV aberta pela primeira vez.

Lembro como fiquei ansioso para ver esse filme na época de seu lançamento graças à uma matéria numa revista “Terror e Ficção“. Ela contava como o filme continha várias referências “verdadeiras” sobre bruxaria e coisa e tal. Assistindo, realmente havia coisas bem interessantes e inéditas no cinema lá pra ver (o lance dos pregos nas pegadas, por exemplo, é sensacional). Apesar do argumento ser basicamente um “Exterminador do Futuro” só que vindo do passado e com bruxos, consegue segurar a onda e divertir bastante.

O diretor Steve Miner (aquele do segundo “Sexta-Feira 13” e de “A Casa do Espanto“) mantém o filme em bom ritmo mesclando elementos de terror, comédia e ação. O trio de protagonistas têm ótima química, com destaque para Sands que faz um feiticeiro impecável. Como em certos momentos o filme abusa um pouco dos efeitos especiais, fica um pouquinho “datado” mas nada que comprometa o conjunto da obra.

O filme está disponível no YouTube em uma cópia com qualidade de VHS (tem uma versão dublada e com imagem melhor, também) mas pra quem quiser ver o filme numa qualidade bacana, a Obras Primas do Cinema lançou o filme no volume 3 da coleção “Sessão de Terror Anos 80“. Já as continuações “Warlock II” e “Warlock 3: Armageddon” podem ser vistas na Amazon Prime Video, que pelo visto esqueceu de colocar o primeiro em seu catálogo…

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DICA DA SEMANA: O Escondido (1987)

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O Escondido

A dica desta semana é um daqueles filmes que mesclam lindamente o gênero policial com horror e sci-fi. “O Escondido” (The Hidden), lançado em 1987, traz pra gente uma história aparentemente batida, mas bem conduzida a ponto de ficarmos na expectativa do que virá a acontecer cena após cena.

Em termos de ação, o longa já começa explodindo tudo com uma perseguição de carros e viaturas policiais. A caçada humana ocorre por conta de um sujeito aparentemente pacato que, do nada, assaltou um banco, matou um bocado de gente, deixou mais meio mundo de gente ferida e infringiu várias leis de trânsito na fuga.

No final da perseguição, ele é levado a um hospital em estado grave onde é revelado para nós espectadores o motivo pelo qual ele estava transtornado. Neste rastro de morte e confusão, o sujeito vinha sendo rastreado também por um misterioso agente do FBI (Lloyd Gallagher, alguns anos antes de Twin Peaks) que aparentemente sabe o que está rolando.

Possivelmente a maioria das pessoas que viveu os anos 80, já conhece o filme ou sabe do que se trata o tal “escondido” do título, no entanto pra garantir um melhor aproveitamento de quem nunca o assistiu, vou parando por aqui na sinopse.

É claro que “O Escondido” tem alguns pontos fracos, a começar pelo seu style datado que inclui uma trilha bem metal farofa característica da época e aquela obsessão yuppie por carros conversíveis. Mas o que você, caro leitor, precisa saber, é que se você curtiu “Enigma do Outro Mundo” e “O Exterminador do Futuro” (o primeiro e não aquelas continuações), certamente vai curtir este filme aqui também.

O Escondido” está disponível em versão legendada atualmente na mais nova plataforma de streaming brasileira: Vix. O bom é que pra ver filmes e séries não precisa de cadastro e nem de assinatura, mas de tempos em tempos aparece propaganda entre as cenas como ocorre em alguns canais de Tv a cabo.

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