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Resenhas

RESENHA: O Rastro (2017)

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[Por Felipe Macedo]

Estreou recentemente o filme de mistério e horror nacional “O Rastro”. Ele veio cheio de expectativas com um bom trailer e até uma participação na CCXP com a presença de parte da equipe. Protagonizado por atores famosos de novelas globais como: Rafael Cardoso, Leandra Leal, Cláudia Abreu, Felipe Camargo e outros, a produção tinha cara de blockbuster nacional e tinha a chance real de popularizar esse nicho por aqui.

O Rastro” segue um jovem médico (Cardoso) que trabalha para a prefeitura e fica responsável de fechar um antigo hospital no centro da cidade do Rio de Janeiro. Apesar das tentativas contrárias de seus colegas de profissão de tentar continuar com o funcionamento do local, ele precisa concluir essa ingrata missão. Nesse ínterim ainda tem que cuidar de sua esposa grávida (Leal) e lidar com seu chefe (Camargo).

A situação seguia até com uma certa ordem até que o hospital recebe uma paciente de última hora e a mesma desaparece no dia da evacuação do local. O jovem médico começa uma busca pela verdade e entra numa jornada onde fantasia e realidade se misturam e o sobrenatural pode realmente existir.

Esteticamente, “O Rastro” segue bem os moldes dos últimos longas de horror pipoca que invadiram o cinema. Principalmente os do diretor James Wan. E aí? Fica legal? Quando se é bem feito o feijão com arroz pode ser bem saboroso, mas aqui o realizador brasileiro não soube encontrar o ponto da receita.

Outro ponto importante de se destacar é que a produção não soube lidar com um elenco estrelado. Os atores parecem perdidos no meio dessa bagunça. Chega a dar dó ver Cláudia Abreu num papel fraco e forçado. O protagonista até tenta, mas Rafael Cardoso é um ator limitado e chega a ser risível quando seu personagem começa a surtar.

O roteiro é um remendo de várias situações de filmes famosos. Apesar de ser apressado e forçado, confesso que acontece até um bom plot twist, só que ele é tão mal estruturado e, como já disse antes, apressado que tira boa parte da graça. Talvez se essa fosse a trama do filme, pelo menos desde o meio de projeção poderia ter sido mais desenvolvido.

Pra piorar, o diretor insiste em sustos feitos com jumpscares o tempo todo. Com isso, o som do longa é problemático demais. Tudo é muito alto e qualquer objeto de cena causa um barulho ensurdecedor, causando irritação em quem assiste. Vale destacar a cenografia e fotografia, ambas muito boas, mas que acabam desperdiçadas nessa bagunça.

A critica dada pelo roteiro é super válida na ideia de mesclar o horror sobrenatural com o real. Afinal, o estado de alguns hospitais públicos são tão lastimáveis que não duvido que não existam forças sobrenaturais clamando por justiça e vingança. Infelizmente, não vai ser dessa vez que o horror nacional vai ser popularizado. Não adianta querer emular o que deu certo em produções estrangeiras sem o mínimo de coerência e talento.

Escala de tocância de terror:

Titulo: O Rastro
Diretor: J.C Feyer
Roteiro: André Pereira, Beatriz Manela
Elenco: Rafael Cardoso, Leandra Leal , Felipe Camargo e outros
País de origem: Brasil

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1 comentário

1 comentário

  1. Canal Dissecando

    26 de Maio de 2017 a 13:33

    Que broxssss haha mesmo assim quero ver

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RESENHA: Maria e João – O Conto das Bruxas (2020)

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Maria e João

MARIA E JOÃO – O CONTO DAS BRUXAS é inspirado num dos contos mais conhecidos dos irmãos Grimm que já foi adaptado várias vezes pras telas. Até uma versão estilizada estrelando o Gavião Arqueiro dos Vingadores já teve! Agora é a vez de Osgood “Oz” Perkins dar sua visão à história optando pelo horror de fato nos oferecendo uma fábula cruel e cabulosa típica dos contos originais. (mais…)

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RESENHA: Quando as Luzes se Apagam (2016)

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Quando as Luzes se Apagam

[Por Jarmeson de Lima]

Em sua essência, “Quando as Luzes se Apagam” é mais um drama familiar sobrenatural. Temos aqui uma mãe traumatizada, uma criança assustada, um pai desaparecido e uma filha rebelde compondo o núcleo principal desta produção que nos envolve em uma trama alegórica sobre o medo do escuro.
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RESENHA: O Poço (2020)

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O Poço

Com uma produção modesta com apoio do governo espanhol e distribuição da Netflix, “O Poço” (El Hoyo) mescla mistério, drama e ficção científica numa trama que é fácil de resumir, mas difícil de explicar. Assim como obras como “Cubo” e “Demônio“, a ação deste filme se concentra em alguns poucos cenários, restando aos atores imprimir um trabalho que chama a atenção do público.

O estreante em direção de longas, Galder Gaztelu-Urrutia, apresenta aqui uma história que se passa em uma espécie de prisão vertical, em que cada andar abriga dois presos. A plataforma não possui grades ou janelas… apenas as paredes, camas e um buraco no chão e no teto que é por onde uma vez por dia desce uma grande mesa de comida.

E é através do comportamento dos presos frente às refeições que são destrinchadas analogias sociais de opressão, solidariedade e das relações de poder que vão de cima para baixo literalmente. Quem tem sorte de ficar nos níveis superiores tem a chance de comer as refeições com os pratos ainda intactos e limpinhos. Já quem está mais abaixo vai tendo que se contentar com o que vai sobrando sem que nehum dos confinados tenha a preocupação de deixar algo para quem vai se alimentar depois. 

Nesta situação de isolamento dividida em um lugar onde você não queria estar e com quem você não queria conviver, o lado obscuro de cada um se revela e podemos esperar o pior na medida em que vemos o que acontece nos níveis inferiores do Poço. Podia ser só um filme tipo crítica social ao sistema carcerário, mas ele abrange uma metáfora maior sobre nossa presença no mundo e nossa responsabilidade diante da escassez e desperdício de alimentos.

Apesar de ter um ritmo mais reflexivo, “O Poço” sempre guarda cenas impactantes (e com boa dose de gore) no desdobramento de sua história garantindo uma certa fluidez pra quem assiste. Obras assim que oferecem algo a mais do que aparentam estão em falta no cardápio da Netflix, mas são sempre bem vindas.

Escala de tocância de terror:

Título original: El Hoyo
Diretor: Galder Gaztelu-Urrutia
Roteirista: David Desola
Elenco: Ivan Massagué, Zorion Eguileor, Antonia San Juan
País de origem: Espanha

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