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RESENHA: Deuses Americanos (2017)

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[Por Geraldo de Fraga]

Shadow Moon (Ricky Whittle) é um sujeito bem azarado. Poucos dias antes de deixar a prisão, ele fica sabendo que sua esposa morreu. E que ela o estava traindo com seu chefe e melhor amigo. Viúvo e desempregado, ele ganha a liberdade, porém, está quebrado. Na viagem para casa, ele conhece o excêntrico Mr. Wednesday (Ian McShane) que lhe oferece um trabalho temporário como seu segurança em uma viagem pelos Estados Unidos.

Ele aceita e, a partir daí, começa a conhecer uma América mística, onde os deuses esquecidos e que não são mais cultuados vivem entre os simples humanos. Esses seres mitológicos levavam a vida em paz até o surgimento de novas entidades, mitos modernos que tomaram para si a devoção dos seres humanos, como a internet e a televisão.

Essa é a premissa de Deuses Americanos (American Gods, 2017), série baseada no livro de mesmo nome do escritor britânico Neil Gaiman, produzida pelo canal Starz! e distribuída pelo serviço de streaming Amazon Prime Video. Como a obra original é de 2001, o primeiro desafio da adaptação era modernizar a história. As redes sociais não eram como hoje e não tínhamos os smartphones. Essa primeira meta é alcançada, sem muitos problemas.

A parte mais difícil era tornar um enredo tão complicado em algo de grande aceitação. Apenas o nome de Neil Gaiman não é suficiente para chamar audiência. Já está mais do que provado que o inglês é ídolo sim, mas apenas dentro da bolha nerd. A série, porém, não se importou em entregar nada mastigado ao público. A adaptação é bem fiel nesses primeiros oito episódios. A mudança mais significativa foi expandir as participações de Laura (Emily Browning), a esposa de Shadow (sim, ela morre, mas volta), e do leprechaun Mad Sweeney (Pablo Schreiber). Esse arco secundário não existe no livro e foi bem aproveitado na tela.

No núcleo principal, que mostra a road trip de Shadow e Wednesday à procura dos deuses decadentes para convocá-los à guerra contra os novos, a atuação de Ian McShane beira a perfeição como o anti-herói manipulador e trapaceiro. Se Ricky Whittle não está muito inspirado no papel de fio condutor da trama, as aparições de Orlando Jones e Peter Stormare, respectivamente como as divindades Anansi e Czernobog, salvam alguns episódios. E não podemos nos esquecer de Gillian Anderson.

A produção se mostrou audaciosa em seguir à risca a obra original que é complexa e aborda temas espinhosos como imigração, preconceito racial, cultura armamentista, machismo e homofobia (das poucas vezes que a série ganhou destaque na mídia, foi por conta das cenas de sexo pouco convencionais). A história pode não agradar a todos pelo tema tão específico, mas se você se interessa pelas crenças de diferentes culturas e como elas se relacionam com a criação da nação mais rica do mundo, Deuses Americanos é um prato cheio.

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RESENHA: In Search of Darkness (2019)

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Search of Darkness

[Por Frederico Toscano]*

In Search of Darkness é um documentário com uma proposta simples e direta: destrinchar a produção de horror dos Estados Unidos da década de 80. Lançado em maio do ano passado, acabou não chamando tanta atenção no Brasil (ou mesmo lá fora), provavelmente por não ter recebido uma distribuição e divulgação mais abrangentes. O que é compreensível, já que o projeto não saiu de um estúdio convencional, sendo fruto de uma bem-sucedida campanha de arrecadação dos sites Kickstarter e Indiegogo.

Com a meta alcançada e os fundos garantidos, o diretor e roteirista David Weiner deve ter pensado que os apoiadores mereciam ver seu dinheiro bem empregado. E entregou um filme de quatro horas e meia de duração. E pensar que teve gente reclamando de O Irlandês(mais…)

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RESENHA: As Fábulas Negras (2015)

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Fábulas Negras

Por Jota Bosco

Rodrigo Aragão, diretor de Mangue Negro (2008), A Noite do Chupacabras (2011) e Mar Negro (2013) lança seu mais novo longa, As Fábulas Negras. Projeto que envolve, além dele, claro, alguns dos principais nomes do gênero no país como Petter Baiestorf e Joel Caetano. E pra fechar com chave de ouro, nada mais que José Mojica Marins (Sim!! José Mojica Marins, porra!!!!). (mais…)

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RESENHA: O Grito (2020)

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O grito

Passados 16 anos do lançamento de um remake que rendeu duas continuações (uma delas feita para lançamento em vídeo), temos aqui o quarto filme da franquia americana de “O Grito”. (mais…)

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