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Resenhas

RESENHA: Leatherface (2017)

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Leatherface

[Por Geraldo de Fraga]

Clássico absoluto do horror, O Massacre da Serra Elétrica rendeu três continuações – a segunda dirigida pelo próprio Tobe Hooper – um remake, um prequel e mais uma continuação em 3D, lançada em 2013. Nenhum desses derivados, porém, trouxe algo relevante para a mitologia da saga texana.

O filme de 1974 segue até hoje como o único que importa. Mesmo assim, a turma não larga o osso. Em 2017, depois de vários atrasos na produção, Leatherface chega como o mais novo subproduto a tentar tirar mais uma lasquinha da marca.

Para dirigir essa nova requentada na história da famosa família de canibais, foram escalados os franceses Alexandre Bustillo e Julien Maury. A dupla é responsável pelo ótimo A Invasora, longa que fez parte do New French Extremity, movimento que inclusive bebeu na fonte de O Massacre da Serra Elétrica para produzir suas obras viscerais, na década passada.

Se a missão dos diretores era a de trazer a violência que executam habitualmente em seus filmes, não podemos dizer que ela não foi cumprida. Tem sangue e gore do jeitinho que o público gosta.

O problema é que, mais uma vez, temos um derivado genérico. O filme não se conecta muito bem com o original, não usa a mitologia de forma interessante e, o pior de tudo, nem consegue fazer o personagem título ser o vilão do longa.

Vamos lá! A história começa em 1955, onde na primeira cena já nos é mostrado como a família Sawyer é sádica e disfuncional. Todos, com exceção do pequeno Jed, não veem problema em matar pessoas das formas mais violentas possíveis. Quando uma das vítimas é a filha do xerife, a matriarca Verna perde a guarda de Jed.

Temos então um salto temporal de exatos dez anos, para acompanhar a chegada da enfermeira Lizzy (Vanessa Grasse) ao reformatório Gorman House, onde o caçula  Sawyer ainda está internado. Após uma rebelião em massa, ela é feita de refém por um casal de jovens psicopatas que foge da instituição, acompanhados também de Jed (Sam Strike) e de seu amigo grandalhão Bud (Sam Coleman).

Leatherface vira então um roadie movie de fuga, quando o xerife Hal Hartman (Stephen Dorff) vê a oportunidade de se vingar dos assassinos da sua filha. A partir daí, a gente começa a ser bombardeado por uma sucessão de clichês do gênero que transforma o filme, como já dito antes, num produto qualquer que não referencia em nada a franquia da qual se apossou.

A família Sawyer também não lembra em muita coisa aquela criada por Hooper. Ao invés de caipiras ignorantes e desajustados, temos pessoas que agem de maneira metódica, incluindo um jovem Drayton Sawyer caracterizado como um capataz de fazenda.

Se o longa de Bustillo e Maury fosse uma obra qualquer, sem ligação com alguma mitologia famosa, até passaria como um terror mediano/regular. Como história de origem chega a ser constrangedor. Leatherface ganhou um facepalm.

Escala de tocância de terror:

Direção: Alexandre Bustillo e Julien Maury
Roteiro: Seth M. Sherwood
Elenco: Sam Strike, Vanessa Grasse, Stephen Dorff e Lili Taylor
Origem: EUA
Ano de produção: 2017

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1 comentário

  1. Daniel Novaes

    3 de outubro de 2017 a 06:34

    Parabéns pelas resenhas e constante atualizações. Conferi alguns aqui citados e sempre bateu a opinião. Show!

  2. Igor

    5 de outubro de 2017 a 20:31

    Discordo, o filme e otimo, o problema e q so pelo fato de ser da franquia tem uma enorme glr q ja critica o filme, sendo q o filme e bom, e o ramake assim como o seu prequel de 2006 são otimos tbm!

  3. Pingback: RETROSPECTIVA: Melhores e Piores Filmes de 2017 | Toca o Terror

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RESENHA: A Hora da Sua Morte (2020)

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A Hora da Sua Morte

Nos últimos dez anos a Blumhouse deu o tom das produções de terror de baixo orçamento. Fez filmes com boas premissas, elenco iniciante, roteiros ágeis e muito jumpscare. Eis que agora chega às telas “A Hora da Sua Morte” (Countdown), um filme que tem todas essas características, mas que NÃO É da Blumhouse. Talvez até por isso tenha se saído melhor que a média desta produtora. (mais…)

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RESENHA: Rabid (2019)

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Rabid

Quando saiu a notícia que iria rolar um remake de RABID, clássico de ninguém menos que David Cronenberg – filme que aqui no Brasil saiu com o título infame de “ENRAIVECIDA NA FÚRIA DO SEXO” – eu fiquei num misto de curiosidade e medo do que viria. Mas aí vi que essa empreitada seria realizada pelas Irmãs Soska e fiquei bem animado, pois as gêmeas diretoras tem uns filmes cabulosos no currículo.

Nesta nova versão, dirigida por Jen e Sylvia Soska, a partir do roteiro de John Serge no qual elas também assinam, acompanhamos Rose, uma design de moda que se envolve em um acidente e fica com o rosto desfigurado. Sem esperanças de recuperar a aparência e voltar ao mundo da moda, resolve se inscrever numa clínica de estética adepta de um movimento “TRANS-HU-MA-NI-SMO” que não é aceito pela comunidade médica. Como voluntária, acaba se submetendo ao procedimento milagroso que restaura toda estrutura do seu rosto. Não bastasse a aparência, a moça passa a se sentir melhor em todos os sentidos. Mas não demoram a surgir os efeitos colaterais… e eles são pra lá de sinistros.

Em nenhum momento as diretoras escondem sua admiração por Cronenberg. Há referências frequentes de sua obra durante o longa, sendo que uma em especial acaba se destacando de tão gritante que é. E é claro que o sadismo aqui impera, marca registrada das gêmeas cineastas em seus longas anteriores – vide “T IS FOR TORTURE PORN” e “AMERICAN MARY“. E assim como o diretor canadense, as irmãs também são chegadas a um body horror raiz. Aqui, usam e abusam de efeitos práticos pra nos conferir muita nojeira e bizarrice. Em uma cena vemos uma “cobra” e uma axila… e basta dizer que ela dificilmente será esquecida, por exemplo.

Apesar de seguir a mesma premissa do “RABID” original, este remake tem suas diferenças – o que já é esperado – e a mais importante é a forma com que Rose, vivida por Laura Vandervoort (Biten), é construída. Ao contrário do original, nossa protagonista não passa o filme todo assistindo impassiva às transformações que seu corpo e mente sofrem. Aqui, nossa heroína evolui dentro da trama, passando a ter domínio de suas ações, dando força e profundidade à personagem.

O ponto forte aqui tá no desenvolvimento da personagem principal, como já mencionado, e na violência extremamente gráfica toda artesanal, que garante uma seboseira danada com muito sangue em tela. Infelizmente, a maquiagem dá uns vacilos como na deformidade do rosto da protagonista, o que é bastante fake. Há umas cenas toscas aqui e ali, mas os pontos fracos mesmos estão mais em alguns personagens que poderiam simplesmente nem existir, a exemplo do boyzinho que fica enchendo o saco da moça o filme todo.

Esta nova versão de “RABID” peca por tentar acrescentar mais elementos à trama do que ele precisaria de fato, mas nada que estrague a sua experiência. No fim das contas, o remake das Irmãs Soska agrada e acaba fazendo “bonito”. Pena que esta refilmagem passou meio batida pelo público do gênero e pouco se falou a respeito. Quem ainda tá torcendo o nariz e ainda não viu, tá vacilando.

Escala de tocância de terror:

Direção: Jen e Sylvia Soska
Roteiro: John Serge e Irmãs Soska
Elenco: Laura Vandervoort, Benjamin Hollingsworth, Ted Atherton
Ano de lançamento: 2019

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Resenhas

DVD: Digipack “Coleção O Homem Invisível”

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[Por Osvaldo Neto]

A Classicline é uma distribuidora de home video especializada em cinema clássico com mais de uma década de existência e atividade. Mensalmente, temos lançamentos e relançamentos de filmes que se encontravam ausentes das lojas físicas e virtuais – sejam lançados antes por eles ou outras empresas – assim como produções esquecidas que ganham uma nova vida no mercado. (mais…)

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