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Resenhas

DVD: A Menina do Outro Lado da Rua (1976)

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[Por Osvaldo Neto]

A jovem Jodie Foster teve um grande ano em 1976. Além de trabalhar com Martin Scorsese em TAXI DRIVER, ela viria a ter papéis de destaque no musical QUANDO AS METRALHADORAS COSPEM, de Alan Parker, no pouco conhecido drama ECOS DE UM VERÃO (filmado 2 anos antes), de Don Taylor e no longa que comentaremos hoje. A MENINA DO OUTRO LADO DA RUA chega pela 1a. vez no Brasil em DVD com um excelente tratamento pela distribuidora Obras-Primas do Cinema.

No filme, baseado no livro de Laird Koenig com roteiro do próprio autor, Rynn Jacobs (Foster) é uma adolescente que vive em uma casa que foi alugada por ela e seu pai, um poeta, em uma pequena cidade de Quebec, no Canadá. O porém é que algumas pessoas da área – entre elas, a senhoria e seu filho pedófilo (Alexis Smith e Martin Sheen), um policial (Mort Shuman) e seu sobrinho (Scott Jacoby) – nunca observam a garota na companhia do pai que, segundo ela, está sempre trabalhando e não deseja ser importunado. Ao longo da narrativa, todos passam a desconfiar que ela tem algo de anormal a esconder. Segredo esse que nós, espectadores, também iremos saber.


Essa produção franco-canadense dirigida por Nicolas Gessner hoje realmente é muito mais conhecida do que assistida graças à presença de Foster no elenco. Rynn é uma personagem que não seria nada convincente se tivéssemos uma atuação menor que a de Foster aqui, encarando um papel difícil. Sem falar que ela está presente no longa inteiro, com os outros poucos personagens importantes possuindo um tempo limitado de participação.

Nicolas Gessner mostra a que veio em poucos minutos logo no início do filme, quando Frank Hallet (Sheen) faz uma visita na casa de Rynn em plena noite de Halloween. Ver aquela garota indefesa enquanto Hallet constantemente sugere que um dia irá tê-la na cama é um exercício de tensão que beira o insuportável.

Esse repulsivo personagem foi muitíssimo bem atuado por Sheen, que é sempre uma presença incômoda nas poucas e certeiras cenas em que aparece. A veterana Alexis Smith, estrela de Hollywood durante os anos 40 e 50, deixa uma grande marca em seus únicos dois momentos no filme como Cora Hallet, a mãe de Frank, outra pessoa igualmente desprezível.

Mario (Scott Jacoby)

O policial Ron Miglioriti (Mort Shuman)

O trabalho de Gessner com o inteligente roteiro de Koenig é uma verdadeira aula de economia e segurança narrativa, em como ser objetivo se utilizando do subjetivo. Sua direção sempre cria tensão e suspense a partir das atuações, diálogos e o uso da câmera em um filme que se passa quase que inteiramente em uma única locação.

A MENINA DO OUTRO LADO DA RUA continua a ser tão surpreendente quanto na época de seu lançamento, quando ele foi vendido como um simples filminho de terror pela AIP (de Sam Arkoff e James H. Nicholson, estúdio e distribuidora que financiou as obras-primas de Roger Corman). O que temos aqui, na verdade, é um filme corajoso ao lidar com temas bem espinhosos e que, com certeza, não seria feito hoje.

Mas, ao mesmo tempo, ele também nunca cai no horror grotesco, nas cenas brutais de violência, no terreno do ‘exploitation’ por ser classudo demais para isso. O resultado é um longa inclassificável, que não se prende a um só gênero (alô, galerinha do “pós-horror”) e corre vários riscos. Sendo assim, também é difícil de acreditar que A MENINA DO OUTRO LADO DA RUA tenha sido feito nesse período em particular do cinema de gênero internacional.

A Edição Especial de Colecionador da Obras-Primas do Cinema para A MENINA DO OUTRO LADO DA RUA apresenta o filme em excelente cópia, de uma recente restauração. De extras, uma entrevista de quase meia hora com o ator Martin Sheen, claramente feliz de estar sendo entrevistado sobre o longa; uma pequena e amável conversa via Skype de Sheen com o diretor Nicolas Gessner e o trailer de cinema. Como um brinde, temos um card do pôster de cinema e outra arte de divulgação impressa no verso da capinha. Uma valiosa aquisição.

Todas as imagens do filme utilizadas nessa resenha são de capturas do DVD, que pode ser facilmente encontrado para compra nas melhores lojas físicas e virtuais.

Dica extra:
Antes de A MENINA DO OUTRO LADO DA RUA, Nicolas Gessner fez outro intrigante filme com poucos atores e uma casa de locação principal. Trata-se de ALGUÉM ATRÁS DA PORTA (1971), estrelado por Charles Bronson, Anthony Perkins e Jill Ireland. Merece muito ser redescoberto.

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1 comentário

1 comentário

  1. luizguilhermeyusuke

    28 de Maio de 2018 a 01:21

    Gostei do filme. Comprarei meu dvd para coleção.

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RESENHA: In Search of Darkness (2019)

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Search of Darkness

[Por Frederico Toscano]*

In Search of Darkness é um documentário com uma proposta simples e direta: destrinchar a produção de horror dos Estados Unidos da década de 80. Lançado em maio do ano passado, acabou não chamando tanta atenção no Brasil (ou mesmo lá fora), provavelmente por não ter recebido uma distribuição e divulgação mais abrangentes. O que é compreensível, já que o projeto não saiu de um estúdio convencional, sendo fruto de uma bem-sucedida campanha de arrecadação dos sites Kickstarter e Indiegogo.

Com a meta alcançada e os fundos garantidos, o diretor e roteirista David Weiner deve ter pensado que os apoiadores mereciam ver seu dinheiro bem empregado. E entregou um filme de quatro horas e meia de duração. E pensar que teve gente reclamando de O Irlandês(mais…)

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RESENHA: Os Estranhos – Caçada Noturna (2018)

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Caçada Noturna

[Por Felipe Macedo]

O medo da violência atinge a todos nós, cada vez mais assustados com a quantidade de casos assim em todo o mundo. Sendo assim, o único lugar em que nos sentimos seguros é nossa casa, certo? Mas imagina se um trio de assassinos mascarados começa a fazer jogos macabros para te aterrorizar e logo depois te caçar sem piedade? Essa é a trama do primeiro Os Estranhos (2008) e que foi alterada quase que por completo em sua tardia sequência. (mais…)

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RESENHA: As Fábulas Negras (2015)

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Fábulas Negras

Por Jota Bosco

Rodrigo Aragão, diretor de Mangue Negro (2008), A Noite do Chupacabras (2011) e Mar Negro (2013) lança seu mais novo longa, As Fábulas Negras. Projeto que envolve, além dele, claro, alguns dos principais nomes do gênero no país como Petter Baiestorf e Joel Caetano. E pra fechar com chave de ouro, nada mais que José Mojica Marins (Sim!! José Mojica Marins, porra!!!!). (mais…)

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