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RESENHA: Hereditário (2018)

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Hereditário

[Por Jarmeson de Lima]

O problema maior que filmes como “Hereditário” sofrem hoje em dia é a grande expectativa criada em torno deles. Sabem como é… antes do lançamento oficial gera-se um burburinho mundo afora, a coisa cresce de volume e quando cai nos cinemas brasileiros, metade do público já vai achando que é o melhor filme de terror da década, conforme alguns sites e críticos afirmam. Some-se isso a uns eventos ocorridos como o trailer exibido inadvertidamente em uma sessão infantil na Australia para causar mais rebuliço…

O que importa é que sim, “Hereditário” é um ótimo filme, com personalidade própria e que marca seu território em um campo que vem sendo dominado pelo jumpscare fácil ou pelos clichês de gênero. Denso, perturbador, misterioso, iconoclasta e macabro. Depois que você descobre a trama, logo começa a respirar do mesmo medo que os personagens da história.

O longa já começa com um clima estranho… em um funeral. É lá que vemos a família de Annie (Toni Collete) se despedindo de sua mãe idosa e somos apresentados à jovem Charlie (Milly Shapiro) com seus tiques esquisitos tentando aparentar normalidade com seu caderno de desenhos. Aos poucos, vamos descobrimos mais da relação que a família tinha com sua matriarca, sugerindo algo de bizarro nesta árvore genealógica.

Com esse fardo pela perda recente, Annie relutantemente encontra um grupo de ajuda onde outra pessoa vai interferir no rumo de suas atitudes na história. Em paralelo a isso, tem o marido Steve (Gabriel Byrne) um tanto quanto ausente das questões familiares e o filho mais velho do casal, Peter (Alex Wolff), que ao longo do filme vai adquirindo maior importância em seu papel.

O mais interessante disso é que até a metade do roteiro, se não fossem algumas situações incômodas, pareceria ser mais um daqueles dramas carregados que servem para alavancar o potencial de atuação dos protagonistas. Uma cena em especial deve ter sido feita sob medida para Toni Collete triscar o Oscar, algo raro para um filme de terror, mas natural para uma obra que se leva a sério, sem alívio cômico ou piadinhas. Para um diretor estreante em longas, Ari Aster já começa mandando bem com um roteiro original que segue a cartilha dos clássicos que amamos.

Infelizmente, “Hereditário” também não é a prova de falhas… O uso contínuo de alguns efeitos digitais soa inadequado e tira um pouco de nossa concentração. Apesar disso, o efeito e o uso do som é digno de nota, sendo tão bem estruturado como foi “Um Lugar Silencioso“, outra grande surpresa do ano. E como produto da A24, este filme faz jus ao hype e inevitavelmente estará sujeito aos mesmos haters que preguiçosamente reclamaram de “A Bruxa” por não haver sustos gratuitos. Mas vá por mim que vale a pena!

Escala de tocância de terror:

Direção: Ari Aster
Roteiro: Ari Aster
Elenco: Toni Collette, Milly Shapiro e Gabriel Byrne
País de origem: EUA
Ano de lançamento: 2018

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7 Comentários

7 Comments

  1. Pedro Batista

    30 de setembro de 2018 a 02:23

    Simplesmente perfeito! Perturbador, angustiante, tudo na medida certa, sem clichês, sem excesso de sangue ou gracinhas.

  2. Federer

    30 de setembro de 2018 a 11:00

    Pois eu achei bem sacal e sem sentido, pode ser que tenha achado chato mas não tou com coragem de ver de novo!

  3. Mario Vitor

    1 de outubro de 2018 a 23:55

    Grande filme. Uma obra prima. Apesar de um momento um pouco exagerado não perde o seu brilho. Recomendo a todos!!!

  4. Monaliza Silva

    14 de fevereiro de 2019 a 15:50

    Esse filme me assustou como nem um outro nunca fez! É o tipo de filme que deixa vc com medo do vento depois que acaba. Além do final muito foda, desde o inicio do filme existem detalhes que passam despercebidos mas que acabam culminando naquele final. Aquela cena com a Charlie vai ficar pra sempre!

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RESENHA: A Hora da Sua Morte (2020)

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A Hora da Sua Morte

Nos últimos dez anos a Blumhouse deu o tom das produções de terror de baixo orçamento. Fez filmes com boas premissas, elenco iniciante, roteiros ágeis e muito jumpscare. Eis que agora chega às telas “A Hora da Sua Morte” (Countdown), um filme que tem todas essas características, mas que NÃO É da Blumhouse. Talvez até por isso tenha se saído melhor que a média desta produtora. (mais…)

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RESENHA: Rabid (2019)

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Rabid

Quando saiu a notícia que iria rolar um remake de RABID, clássico de ninguém menos que David Cronenberg – filme que aqui no Brasil saiu com o título infame de “ENRAIVECIDA NA FÚRIA DO SEXO” – eu fiquei num misto de curiosidade e medo do que viria. Mas aí vi que essa empreitada seria realizada pelas Irmãs Soska e fiquei bem animado, pois as gêmeas diretoras tem uns filmes cabulosos no currículo.

Nesta nova versão, dirigida por Jen e Sylvia Soska, a partir do roteiro de John Serge no qual elas também assinam, acompanhamos Rose, uma design de moda que se envolve em um acidente e fica com o rosto desfigurado. Sem esperanças de recuperar a aparência e voltar ao mundo da moda, resolve se inscrever numa clínica de estética adepta de um movimento “TRANS-HU-MA-NI-SMO” que não é aceito pela comunidade médica. Como voluntária, acaba se submetendo ao procedimento milagroso que restaura toda estrutura do seu rosto. Não bastasse a aparência, a moça passa a se sentir melhor em todos os sentidos. Mas não demoram a surgir os efeitos colaterais… e eles são pra lá de sinistros.

Em nenhum momento as diretoras escondem sua admiração por Cronenberg. Há referências frequentes de sua obra durante o longa, sendo que uma em especial acaba se destacando de tão gritante que é. E é claro que o sadismo aqui impera, marca registrada das gêmeas cineastas em seus longas anteriores – vide “T IS FOR TORTURE PORN” e “AMERICAN MARY“. E assim como o diretor canadense, as irmãs também são chegadas a um body horror raiz. Aqui, usam e abusam de efeitos práticos pra nos conferir muita nojeira e bizarrice. Em uma cena vemos uma “cobra” e uma axila… e basta dizer que ela dificilmente será esquecida, por exemplo.

Apesar de seguir a mesma premissa do “RABID” original, este remake tem suas diferenças – o que já é esperado – e a mais importante é a forma com que Rose, vivida por Laura Vandervoort (Biten), é construída. Ao contrário do original, nossa protagonista não passa o filme todo assistindo impassiva às transformações que seu corpo e mente sofrem. Aqui, nossa heroína evolui dentro da trama, passando a ter domínio de suas ações, dando força e profundidade à personagem.

O ponto forte aqui tá no desenvolvimento da personagem principal, como já mencionado, e na violência extremamente gráfica toda artesanal, que garante uma seboseira danada com muito sangue em tela. Infelizmente, a maquiagem dá uns vacilos como na deformidade do rosto da protagonista, o que é bastante fake. Há umas cenas toscas aqui e ali, mas os pontos fracos mesmos estão mais em alguns personagens que poderiam simplesmente nem existir, a exemplo do boyzinho que fica enchendo o saco da moça o filme todo.

Esta nova versão de “RABID” peca por tentar acrescentar mais elementos à trama do que ele precisaria de fato, mas nada que estrague a sua experiência. No fim das contas, o remake das Irmãs Soska agrada e acaba fazendo “bonito”. Pena que esta refilmagem passou meio batida pelo público do gênero e pouco se falou a respeito. Quem ainda tá torcendo o nariz e ainda não viu, tá vacilando.

Escala de tocância de terror:

Direção: Jen e Sylvia Soska
Roteiro: John Serge e Irmãs Soska
Elenco: Laura Vandervoort, Benjamin Hollingsworth, Ted Atherton
Ano de lançamento: 2019

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DVD: Digipack “Coleção O Homem Invisível”

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[Por Osvaldo Neto]

A Classicline é uma distribuidora de home video especializada em cinema clássico com mais de uma década de existência e atividade. Mensalmente, temos lançamentos e relançamentos de filmes que se encontravam ausentes das lojas físicas e virtuais – sejam lançados antes por eles ou outras empresas – assim como produções esquecidas que ganham uma nova vida no mercado. (mais…)

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