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Resenhas

RESENHA: A Mata Negra (2018)

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Mata Negra

[Por Jota Bosco]

Começo logo essa resenha dizendo que sou suspeito pra falar do trabalho de Rodrigo Aragão pelo motivo de: sou tiete! O cara é, sem sombra de dúvidas, o maior representante das produções de horror no país atualmente. Passo a passo foi crescendo como produtor e diretor, conquistando seu espaço e indo, apesar dos poucos recursos, onde ninguém tinha ido antes no gênero aqui no país. Faz filme com cara de produção hollywoodiana e consegue até captação de verba por edital sem ser filme de gente que mora no Sertão com mensagem bonita no final.

Rasgação de seda à parte, bora falar de A Mata Negra, filme que estreou no último Fantaspoa e conta as desventuras da jovem Clara (interpretada por Carol Aragão, a filha do diretor e que já fez papeis em outras produções do pai, mas que pela primeira vez é uma protagonista), criada por Pai Pedro (personagem do sempre marcante Markus Konká), e que vê-se envolvida em uma série de problemas que iniciam com o adoecimento de seu tutor.

A situação dela piora em um encontro com um moribundo Albino (Sim! Ele mesmo! O personagem interpretado pelo Walderrama dos Santos está de volta!) que lhe dá a missão de salvar sua alma destruindo o Livro Perdido de Cipriano em troca de um saco de moedas de ouro. E piora ainda mais ao ter de enfrentar uma legião de fanáticos religiosos liderados pelo pastor Francisco das Graças (papel protagonizado pelo nosso Charles Bronson, Jackson Antunes) e sua fiel escudeira Abigail (numa divertida atuação de Mayra Alarcón, esposa do diretor e também produtora do filme).

Em sua saga, Clara se apaixona pelo jovem Jean (Elbert Merlin), pede a ajuda do granjeiro José (o ótimo Francisco Gaspar que fez o palhaço Cangaço em “Condado Macabro”), que mora com sua mãe, Dona Vera (Margareth Galvão provando que é um tipo de Fernanda Montenegro do horror até mesmo sem falar uma palavra no filme) e com a grávida e resmunguenta Maria (Clarissa Pinheiro). No decorrer da trama, até mesmo um dos vilões, Socó (Marco Antônio Reis), se junta à jovem aventureira em sua luta contra o mal.

Como deve ter dado para notar, A Mata Negra é bastante densa (risos) e esse talvez seja o único elo fraco da obra. O ritmo acaba sendo um pouco prejudicado na apresentação e “união” de tantos personagens no roteiro. Mas nada que chegue a sequer perto de estragar o produto final.

A Mata Negra foge um pouco dos já tradicionais filmes de zumbi de Rodrigo, cheios de gore e humor escrachado, partindo aqui para uma abordagem mais séria do horror “universal” e de nosso folclore (que o diretor já flertou muito bem em As Fábulas Negras, de 2015). Mas… calma! A obra ainda tem momentos divertidos e cenas e enquadramentos que remetem à obra de diretores como Sam Raimi (da franquia Evil Dead e Arraste-me Para o Inferno), àquele Peter Jackson de antigamente (o Peter Jackson de raiz, de Fome Animal), além de um cara que acho que tem uma obra bem similar a de Rodrigo pelos finais “apoteóticos” que é o Álex de la Iglesia (do ótimo O dia da Besta e As bruxas de Zugarramurdi). Também temos de destacar a excelente maquiagem e efeitos práticos (ou não) que já são quase uma assinatura das produções da Fábulas Negras.

Enfim, A Mata Negra chega para mostrar mais uma vez que existe horror feito no Brasil, com cara de Brasil e de ótima qualidade! Torça para que esse filme consiga uma distribuição pelas salas de cinema ou, ao menos, que entre na programação da TV a cabo como as demais obras do diretor.

Dica: Acompanhe o trabalho do próximo filme (O Cemitério das Almas Perdidas) através da página no Facebook da produtora Fábulas Negras.

Escala de tocância de terror:

Título original: A Mata Negra
Direção e roteiro: Rodrigo Aragão e Alexandre Callari
Elenco: Carol Aragão, Francisco Gaspar, Jackson Antunes
Ano de lançamento: 2018
País de origem: Brasil

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1 comentário

1 comentário

  1. Margareth Galvão

    2 de julho de 2018 a 21:19

    Gratidão pelo enorme elogio. A gente vai aprendendo. Abraços

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RESENHA: O Farol (2019)

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[Por Rodrigo Rigaud]*
Após A Bruxa, difícil resistir a lançar holofotes sobre o novo longa de Robert Eggers – ainda o segundo de sua carreira. Para quem mergulhou no universo de isolamento, fanatismo, loucura e fantasia – um horror, de fato – de seu filme debut, O Farol (The Lighthouse) poderá soar como um naufrágio na potência de seu cinema. (mais…)

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RESENHA: Contato Visceral (2019)

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Contato Visceral

Sinceramente, alguns títulos traduzidos da Netflix atrapalham mais do que ajudam na hora de decidir o que ver. Se não fosse alguns colegas falarem bem de “Wounds“, eu jamais chegaria perto de assistir o filme que está no catálogo de streaming com o nome de “Contato Visceral“.

Dirigido por Babak Anvari, o mesmo autor de “À Sombra do Medo” (Under The Shadow), esta produção com selo Netflix vai fisgar a atenção de quem curte um horror sobrenatural perturbador.

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SÉRIE: Marianne (2019)

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marianne
[Por Felipe Macedo]

Histórias de bruxas sempre fascinaram o público. Sejam elas voltadas pra algo mais assustador ou infantil, essas personagens sempre causaram certo impacto. A lenda da bruxa má povoa nossa imaginação desde a infância em histórias como “João e Maria” e depois na vida adulta em filmes como “ Suspiria ”.

A Netflix sabendo do interesse sobre o tema e na falta de produções atuais sobre o assunto, trouxe recentemente para seu catálogo a série francesa “Marianne” prometendo noites insones para o público. A trama acompanha Emma, uma jovem escritora de bastante sucesso devido a uma série de livros onde a bruxa Marianne, literalmente toca o terror. Forçada a voltar para a cidade de Eden, uma pequena cidade costeira na França, lá ela descobre que sua personagem é real e está a procura de algo. Agora cabe a Emma e seus amigos de infância colocarem um fim no reinado de terror de Marianne.

Bem, qualquer semelhança com algumas historias de Stephen King não é mera coincidência. É notável a influência do autor em toda a história. O clima soturno e uma criatura realmente maligna norteiam a trama com alguns momentos cabulosos. Pena que isso não dure muitos episódios. Apesar de ter bastantes clichês do gênero, no começo a série me prendeu e logo em seguida me fez revirar os olhos diversas vezes. A tentativa de humor, no entanto, é totalmente descabida, sem agradar em nenhum momento gerando até irritação em uma quebra de clima.


O formato de série não ajudou no desenvolvimento dos demais personagens. Tirando Emma e Marianne, os outros são apenas estereótipos de filmes de terror. Pra piorar não são carismáticos e a medida que somem ou morrem na história, isso não acarreta peso algum. E isso é um grande problema no roteiro. A falta de consequências em situações que deveriam repercutir são esquecidas rapidamente. Num filme, isso é compreensível pela questão do tempo, mas numa série? Parece preguiça mesmo.

O número de episódios também poderia ter sido reduzido para no máximo uns seis. Tanto é que no meio da temporada temos muita encheção de linguiça. No fim, “Marianne” tem uma premissa boa, uma vilã realmente aterradora, mas os jumpscares em desmasia e a tentativa a todo custo de parecer um enlatado americano tiram muito de sua graça.

Escala de tocância de terror:

Criador: Samuel Bodin
Elenco: Victorie Du Bois, Lucie Boujenah, Alban Lenoir e outros
País de origem: França
Ano de lançamento: 2019

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