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RESENHA: Vidro (2019)

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Vidro

[Por Jarmeson de Lima]

Assim como os demais filmes deste universo narrativo, “Vidro” (Glass) não é uma história comum. Enveredando mais uma vez pelo universo semiótico dos quadrihos, M. Night Shyamalan desenvolve aqui uma história intrigante sobre os personagens que criou. Mas diferente de “Fragmentado” (Split), o foco neste longa recém-lançado foge um pouco do horror em si.

Se você chegou até este texto, já sabe um pouco do que estamos falando. “Vidro” é a conclusão de uma trilogia iniciada há 19 anos com o polêmico “Corpo Fechado“, segundo filme do diretor. Para quem quer se aprofundar nas análises sobre a psique de personagens de quadrinhos e tal, essa tríade de filmes fornece um bom material.

Tá, mas e “Vidro“? Certo, vamos lá… como já foi mostrado e divulgado à exaustão nos trailers, este filme aqui é a continuação dos fatos ocorridos em “Fragmentado” em uma narrativa linear. Sabemos que a Besta está a solta e que David Dunn (Bruce Willis) está interessado em capturá-lo cumprindo seu papel de heroi na história. Logo no começo sem muita enrolação já vemos esse pequeno e aguardado confronto.

Ao invés de ter cenas mirabolantes, cheia de efeitos onde se sobressaem os superpoderes dos herois e vilões, as lutas aqui são comedidas e não temos aqueles exageros típicos de produções de ação e aventura. Ok, vai… tem um pouco, mas bem mais naquela pegada de filme ‘realista’ que a DC carimbou há um tempo.

No caso de “Vidro“, quem se encarrega em cortar o barato da onda aventuresca é a psicóloga vivida por Sarah Paulson, que junta cada um deles em uma espécie de terapia em grupo. E apesar dela querer ser uma “Caçadora de Mitos” explicando de maneira cética as situações extraordinárias que envolvem os personagens, veremos depois que o papel dela vai bem mais além.

E novamente comparando com “Fragmentado“… se no filme anterior, Shyamalan soube construir bem uma tensão ao longo de toda a história na criação da personalidade de Kevin (James McAvoy), nesta obra aqui, o medo se perde um pouco por já termos uma boa noção de quem é quem em sua atuação multifacetada. Já o vilão que dá título ao filme, Mr. Glass (Samuel L. Jackson), parece o tempo inteiro esconder a que veio. Mas como este é um filme com a marca do diretor indiano, logo vamos descobrir em uma não tão surpreendente reviravolta que ele não é só um coadjuvante de luxo.

Em matéria de filme de suspense/terror, “Vidro” não funciona muito. Mal tem sangue em cena inclusive. No entanto, se você busca um filme que possa problematizar relações de mocinho/bandido em uma área ainda subestimada como a das HQs, pode ir fundo e encarar esta empreitada de Shyamalan. E assim como ocorreu com “Corpo Fechado“, o diretor entregou um filme que não apresenta o que a gente quer, mas o que o fã de quadrinhos merece.

Escala de tocância de terror:

Título original: Glass
Diretor: M. Night Shyamalan
Roteirista: M. Night Shyamalan
Elenco: James McAvoy, Bruce Willis, Samuel L. Jackson, Sarah Paulson
País de origem: EUA

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RESENHA: A Hora da Sua Morte (2020)

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A Hora da Sua Morte

Nos últimos dez anos a Blumhouse deu o tom das produções de terror de baixo orçamento. Fez filmes com boas premissas, elenco iniciante, roteiros ágeis e muito jumpscare. Eis que agora chega às telas “A Hora da Sua Morte” (Countdown), um filme que tem todas essas características, mas que NÃO É da Blumhouse. Talvez até por isso tenha se saído melhor que a média desta produtora. (mais…)

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RESENHA: Rabid (2019)

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Rabid

Quando saiu a notícia que iria rolar um remake de RABID, clássico de ninguém menos que David Cronenberg – filme que aqui no Brasil saiu com o título infame de “ENRAIVECIDA NA FÚRIA DO SEXO” – eu fiquei num misto de curiosidade e medo do que viria. Mas aí vi que essa empreitada seria realizada pelas Irmãs Soska e fiquei bem animado, pois as gêmeas diretoras tem uns filmes cabulosos no currículo.

Nesta nova versão, dirigida por Jen e Sylvia Soska, a partir do roteiro de John Serge no qual elas também assinam, acompanhamos Rose, uma design de moda que se envolve em um acidente e fica com o rosto desfigurado. Sem esperanças de recuperar a aparência e voltar ao mundo da moda, resolve se inscrever numa clínica de estética adepta de um movimento “TRANS-HU-MA-NI-SMO” que não é aceito pela comunidade médica. Como voluntária, acaba se submetendo ao procedimento milagroso que restaura toda estrutura do seu rosto. Não bastasse a aparência, a moça passa a se sentir melhor em todos os sentidos. Mas não demoram a surgir os efeitos colaterais… e eles são pra lá de sinistros.

Em nenhum momento as diretoras escondem sua admiração por Cronenberg. Há referências frequentes de sua obra durante o longa, sendo que uma em especial acaba se destacando de tão gritante que é. E é claro que o sadismo aqui impera, marca registrada das gêmeas cineastas em seus longas anteriores – vide “T IS FOR TORTURE PORN” e “AMERICAN MARY“. E assim como o diretor canadense, as irmãs também são chegadas a um body horror raiz. Aqui, usam e abusam de efeitos práticos pra nos conferir muita nojeira e bizarrice. Em uma cena vemos uma “cobra” e uma axila… e basta dizer que ela dificilmente será esquecida, por exemplo.

Apesar de seguir a mesma premissa do “RABID” original, este remake tem suas diferenças – o que já é esperado – e a mais importante é a forma com que Rose, vivida por Laura Vandervoort (Biten), é construída. Ao contrário do original, nossa protagonista não passa o filme todo assistindo impassiva às transformações que seu corpo e mente sofrem. Aqui, nossa heroína evolui dentro da trama, passando a ter domínio de suas ações, dando força e profundidade à personagem.

O ponto forte aqui tá no desenvolvimento da personagem principal, como já mencionado, e na violência extremamente gráfica toda artesanal, que garante uma seboseira danada com muito sangue em tela. Infelizmente, a maquiagem dá uns vacilos como na deformidade do rosto da protagonista, o que é bastante fake. Há umas cenas toscas aqui e ali, mas os pontos fracos mesmos estão mais em alguns personagens que poderiam simplesmente nem existir, a exemplo do boyzinho que fica enchendo o saco da moça o filme todo.

Esta nova versão de “RABID” peca por tentar acrescentar mais elementos à trama do que ele precisaria de fato, mas nada que estrague a sua experiência. No fim das contas, o remake das Irmãs Soska agrada e acaba fazendo “bonito”. Pena que esta refilmagem passou meio batida pelo público do gênero e pouco se falou a respeito. Quem ainda tá torcendo o nariz e ainda não viu, tá vacilando.

Escala de tocância de terror:

Direção: Jen e Sylvia Soska
Roteiro: John Serge e Irmãs Soska
Elenco: Laura Vandervoort, Benjamin Hollingsworth, Ted Atherton
Ano de lançamento: 2019

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DVD: Digipack “Coleção O Homem Invisível”

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[Por Osvaldo Neto]

A Classicline é uma distribuidora de home video especializada em cinema clássico com mais de uma década de existência e atividade. Mensalmente, temos lançamentos e relançamentos de filmes que se encontravam ausentes das lojas físicas e virtuais – sejam lançados antes por eles ou outras empresas – assim como produções esquecidas que ganham uma nova vida no mercado. (mais…)

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