conecte-se conosco

Resenhas

RESENHA: Raw (2017)

Publicados

em

raw

[Por Gabriela Alcântara]

É possível um filme ser grotesco e ainda assim ser extremamente belo e erótico. A prova pode ser vista em “Raw” (no Brasil traduzido também como “Grave”), de Julia Ducornau, que está disponível na Netflix. Apesar dele ter ganhado burburinho nos últimos anos por ter ganho diversos prêmios – incluindo o FRIPESCI da Semana da Crítica de Cannes – e teoricamente ter feito muitas pessoas vomitarem, confesso que evitei assisti-lo por um tempo – na verdade justamente por isso.

No final das contas, “Raw” não tem nada demais pra te fazer vomitar – exceto por uma cena envolvendo cabelos que realmente me deixou enjoada – e chega alcança a beleza graças à sua fotografia e trilha sonora. Nele acompanhamos o início da vida universitária da jovem Justine (Garance Marilier), que está entrando no curso de veterinária.

Acredito inclusive que o filme foge um pouco do horror e encontra um lugar muito próximo ao drama, retratando o início da vida adulta de Justine e as relações complicadas com sua irmã mais velha Alexia (a belíssima Ella Rumpf) e uma paixão platônica pelo colega de quarto gay Adrien (Rabah Nait Oufella).

Para além disso, o filme é um respiro dentro do gênero – ao pensarmos nele também como um horror, afinal de contas as duas irmãs gostam do sabor da carne humana – por trazer personagens femininas complexas, fugindo daquela merda de final girl gostosa e virgem. Trunfo alcançado principalmente pelo fato de termos aqui uma roteirista e diretora mulher, algo que vem crescendo dentro da cena nos últimos anos.

Como todo bom filme de terror vindo de qualquer outro lugar do mundo que não seja Hollywood – neste caso da França – “Raw” traz ainda a maravilha de não ter o abuso dos jumpscares. O horror aqui está muitas vezes na contemplação, além do ato de canibalismo em si (óbvio) e também na expectativa que nos segura até o fim, porque a forma como as irmãs lidam com esta situação é tão crua – e por vezes descompensada – que é claro que aquilo vai dar em merda alguma hora.

Do meio pro fim a vida de Justine vira quase um Polishop de horrores, e o final não deixa a desejar. Com uma fotografia belíssima e o grande uso de luzes expressivas, além da paleta de cores atípica ao cinema de gênero – e por isso mesmo uma grata surpresa àqueles que gostam de fugir do mais do mesmo – “Raw” é um bom filme pra começar o seu final de semana.

Resenhas

RESENHA: Quando as Luzes se Apagam (2016)

Publicados

em

Quando as Luzes se Apagam

[Por Jarmeson de Lima]

Em sua essência, “Quando as Luzes se Apagam” é mais um drama familiar sobrenatural. Temos aqui uma mãe traumatizada, uma criança assustada, um pai desaparecido e uma filha rebelde compondo o núcleo principal desta produção que nos envolve em uma trama alegórica sobre o medo do escuro.
(mais…)

Continue lendo

Resenhas

RESENHA: A Visita (2015)

Publicados

em

A Visita

Por Júlio César Carvalho

Para uns, M. Night Shyamalam é um gênio, mas pra outros, o diretor não passa de uma farsa. Na minha visão, a carreira do rapaz se resume assim: em 1999, Shyamalam ganhou a atenção do mundo com o clássico contemporâneo O Sexto Sentido (The Sixth Sense) e em seguida, se superou com o ótimo Corpo Fechado (Unbreakable, 2000). Depois vieram Sinais (Signs, 2002) e A Vila (The Village, 2004) que apesar de bons, começaram a causar dúvidas em muitos a respeito da sua suposta genialidade. (mais…)

Continue lendo

Resenhas

RESENHA: O Poço (2020)

Publicados

em

O Poço

Com uma produção modesta com apoio do governo espanhol e distribuição da Netflix, “O Poço” (El Hoyo) mescla mistério, drama e ficção científica numa trama que é fácil de resumir, mas difícil de explicar. Assim como obras como “Cubo” e “Demônio“, a ação deste filme se concentra em alguns poucos cenários, restando aos atores imprimir um trabalho que chama a atenção do público.

O estreante em direção de longas, Galder Gaztelu-Urrutia, apresenta aqui uma história que se passa em uma espécie de prisão vertical, em que cada andar abriga dois presos. A plataforma não possui grades ou janelas… apenas as paredes, camas e um buraco no chão e no teto que é por onde uma vez por dia desce uma grande mesa de comida.

E é através do comportamento dos presos frente às refeições que são destrinchadas analogias sociais de opressão, solidariedade e das relações de poder que vão de cima para baixo literalmente. Quem tem sorte de ficar nos níveis superiores tem a chance de comer as refeições com os pratos ainda intactos e limpinhos. Já quem está mais abaixo vai tendo que se contentar com o que vai sobrando sem que nehum dos confinados tenha a preocupação de deixar algo para quem vai se alimentar depois. 

Nesta situação de isolamento dividida em um lugar onde você não queria estar e com quem você não queria conviver, o lado obscuro de cada um se revela e podemos esperar o pior na medida em que vemos o que acontece nos níveis inferiores do Poço. Podia ser só um filme tipo crítica social ao sistema carcerário, mas ele abrange uma metáfora maior sobre nossa presença no mundo e nossa responsabilidade diante da escassez e desperdício de alimentos.

Apesar de ter um ritmo mais reflexivo, “O Poço” sempre guarda cenas impactantes (e com boa dose de gore) no desdobramento de sua história garantindo uma certa fluidez pra quem assiste. Obras assim que oferecem algo a mais do que aparentam estão em falta no cardápio da Netflix, mas são sempre bem vindas.

Escala de tocância de terror:

Título original: El Hoyo
Diretor: Galder Gaztelu-Urrutia
Roteirista: David Desola
Elenco: Ivan Massagué, Zorion Eguileor, Antonia San Juan
País de origem: Espanha

Continue lendo

Trending