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RESENHA: Emelie (2015)

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Emelie

[Por Gabriela Alcântara]

A busca por bons filmes na Netflix nem sempre é fácil. Emelie (2015), de Michael Telin, pode não ser o melhor filme que você verá na sua vida (nem mesmo neste final de semana), mas traz uma experiência bacana através da boa execução. Além disso, o filme tem uma trama que evoca medos extremamente comuns em todas as mães e pais: o medo de que algo aconteça algo a seus filhos.

Encarnada pela competente Sarah Bolger, a personagem principal parece ser a típica girl next door americana. Ela é a nova babá da família Thompson, e está indo cuidar das crianças enquanto o jovem casal comemora seu aniversário de casamento. Apesar de sua aparência dentro do padrão de boa-moça, a atuação de Sarah – que conta com olhares poderosos – já nos indica que alguma coisa ali está fora de ordem. Logo após o jovem casal deixar seus filhos com a nova babá, as suspeitas se confirmam: há algo de muito errado com Anna.

Sendo a figura da babá fonte de diversas fantasias – especialmente machistas e hiperssexualizadas – em filmes de terror, fica difícil fazer um novo filme sobre a temática sem soar piegas e repetitivo. Portanto, Emelie acaba não necessariamente nos surpreendendo por conta da narrativa, mas sim por boas atuações e pela sensação reconfortante de ver um bom filme independente.

Ainda assim, é um filme com problemas de narrativa – o suspense quase não tem tempo para crescimento e as “soluções” de nossas suspeitas, que deveriam nos surpreender, acabam sendo entregues muito facilmente. Emelie, na verdade, pode não agradar a todos. Entretanto, onde se está um ponto fraco é possível apontar também que o filme surpreende inclusive por ser mais tenso e arrepiante do que assustador.

Isso acontece especialmente pelas atuações de Sarah e das três crianças, que seguram o filme e nos deixam assistindo até o final. Fosse construído com mais pausas, Emelie poderia ser uma versão moderna de A Mão que Balança o Berço – e na verdade é isso que ele aparenta alcançar. Mesmo ficando na metade do caminho, o comportamento da babá nos deixa ansiosos e claustrofóbicos.

É o tipo de filme que nos instiga a ter participação mais ativa. E isso já é um trunfo, se pensarmos que vivemos um momento onde a maioria das pessoas não consegue mais assistir a um filme sem parar e mexer no celular.

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RESENHA: Quando as Luzes se Apagam (2016)

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Quando as Luzes se Apagam

[Por Jarmeson de Lima]

Em sua essência, “Quando as Luzes se Apagam” é mais um drama familiar sobrenatural. Temos aqui uma mãe traumatizada, uma criança assustada, um pai desaparecido e uma filha rebelde compondo o núcleo principal desta produção que nos envolve em uma trama alegórica sobre o medo do escuro.
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RESENHA: A Visita (2015)

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A Visita

Por Júlio César Carvalho

Para uns, M. Night Shyamalam é um gênio, mas pra outros, o diretor não passa de uma farsa. Na minha visão, a carreira do rapaz se resume assim: em 1999, Shyamalam ganhou a atenção do mundo com o clássico contemporâneo O Sexto Sentido (The Sixth Sense) e em seguida, se superou com o ótimo Corpo Fechado (Unbreakable, 2000). Depois vieram Sinais (Signs, 2002) e A Vila (The Village, 2004) que apesar de bons, começaram a causar dúvidas em muitos a respeito da sua suposta genialidade. (mais…)

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RESENHA: O Poço (2020)

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O Poço

Com uma produção modesta com apoio do governo espanhol e distribuição da Netflix, “O Poço” (El Hoyo) mescla mistério, drama e ficção científica numa trama que é fácil de resumir, mas difícil de explicar. Assim como obras como “Cubo” e “Demônio“, a ação deste filme se concentra em alguns poucos cenários, restando aos atores imprimir um trabalho que chama a atenção do público.

O estreante em direção de longas, Galder Gaztelu-Urrutia, apresenta aqui uma história que se passa em uma espécie de prisão vertical, em que cada andar abriga dois presos. A plataforma não possui grades ou janelas… apenas as paredes, camas e um buraco no chão e no teto que é por onde uma vez por dia desce uma grande mesa de comida.

E é através do comportamento dos presos frente às refeições que são destrinchadas analogias sociais de opressão, solidariedade e das relações de poder que vão de cima para baixo literalmente. Quem tem sorte de ficar nos níveis superiores tem a chance de comer as refeições com os pratos ainda intactos e limpinhos. Já quem está mais abaixo vai tendo que se contentar com o que vai sobrando sem que nehum dos confinados tenha a preocupação de deixar algo para quem vai se alimentar depois. 

Nesta situação de isolamento dividida em um lugar onde você não queria estar e com quem você não queria conviver, o lado obscuro de cada um se revela e podemos esperar o pior na medida em que vemos o que acontece nos níveis inferiores do Poço. Podia ser só um filme tipo crítica social ao sistema carcerário, mas ele abrange uma metáfora maior sobre nossa presença no mundo e nossa responsabilidade diante da escassez e desperdício de alimentos.

Apesar de ter um ritmo mais reflexivo, “O Poço” sempre guarda cenas impactantes (e com boa dose de gore) no desdobramento de sua história garantindo uma certa fluidez pra quem assiste. Obras assim que oferecem algo a mais do que aparentam estão em falta no cardápio da Netflix, mas são sempre bem vindas.

Escala de tocância de terror:

Título original: El Hoyo
Diretor: Galder Gaztelu-Urrutia
Roteirista: David Desola
Elenco: Ivan Massagué, Zorion Eguileor, Antonia San Juan
País de origem: Espanha

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