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RESENHA: Cemitério Maldito (2019)

A missão de se desvincular tanto da primeira adaptação poderá desagradar o público mais “purista.”

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Cemitério Maldito

[Por Jota Bosco]

Segundo filme baseado no conto homônimo de Stephen King, “Cemitério Maldito” foi dirigido a quatro mãos por Kevin Kölsch e Dennis Widmyer e conta a história do Doutor Louis Creed (Jason Clarke), que se muda de Boston para o Maine com sua família. Estão incluídos aí a esposa Rachel (Amy Seimetz), suas duas crianças Ellie e Gage (interpretadas por Jeté Laurence e Hugo Lavoie) e o gato Church. O objetivo é tentar construir uma vida mais tranquila para todos eles.

Os sonhos do pobre Louis começarão a desmoronar após Church ser atropelado por um caminhão. Mesmo após os avisos do fantasma de Victor Pascow (Obssa Ahmed), um jovem que morreu recentemente nas mãos do médico, de que “certas barreiras não devem ser ultrapassadas”, o doutor aceita a sugestão do vizinho Jud Crandall (o sempre ótimo, John Lithgow) de enterrar o gato em um lugar um tanto misterioso e isolado. E esse lugar fica onde? (Isso! Depois de uma barreira!) Atrás do “Semitério” de animais que fica em sua nova propriedade. A partir daí o enredo se transforma numa cadeia de horríveis eventos que culminarão em terríveis consequências.

Esta nova versão de “Cemitério Maldito” consegue manter um clima nostálgico (a floresta, por exemplo, chega dá pra sentir o cheiro de anos 80 com tanta fumaça de gelo seco!) sem precisar apelar para o já quase clichê de contextualizar a história nessa década. É aí que o roteiro de Jeff Buhler e Matt Greenberg adapta e “atualiza” a obra de uma forma bem corajosa. Corajosa? Por quê? Porque é uma baita faca de dois gumes! Assim como essas mudanças para deixar a história mais contemporânea funcionaram muito bem para este que vos escreve, o objetivo de se desvincular tanto da primeira adaptação poderá desagradar bastante o público mais “purista.”

Algumas diferenças cruciais SEM SPOILERS entre as adaptações: A personagem de Rachel (e seus traumas) é muito mais explorada neste novo filme. Já o carismático Gage do primeiro filme é tão secundário que chega a incomodar (eu mesmo fiquei me perguntando várias vezes: “cadê o menino?!?”). O ponto em comum entre as duas adaptações? O sentimento de culpa/luto pouquíssimo aprofundado. Com uma pequena diferença: nesse segundo, os atores não são péssimos.

Por fim, para alguns que devem estar se perguntando, “e os Ramones? Tem Ramones?” Errrrr… Tem. Mas em forma de cover. Ouçam “Pet Sematary” pela banda Starcrawler.

No final das contas, vale a ida ao cinema pra depois de assistir esse “remake” (entre aspas mesmo) poder confirmar se o velho Jud Crandall estava certo ou não quando dizia “às vezes estar morto é melhor.”

Escala de tocância de terror:

Título original: Pet Sematary
Direção: Kevin Kölsch e Dennis Widmyer
Roteiro: Jeff Buhler e Matt Greenberg
Elenco: Jason Clarke, Amy Seimetz, John Lithgow e outros
Ano de lançamento: 2019

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Simpático de corpo™ Vimeo: https://vimeo.com/jotabosco/ Youtube: https://www.youtube.com/user/sonicbosco/videos

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RESENHA: A Cor Que Caiu do Espaço (2020)

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A cor que caiu do espaço

H.P Lovecraft voltou a ficar em evidência, seja em games como “Call of Cthulhu” (2018) e “The Sinking City” (2019) como em adaptações cinematográficas. Só neste ano de 2020 já tivemos duas obras inspiradas no autor, tendo elementos e personagens de suas obras em “Ameaça Profunda” e agora “A Cor Que Caiu do Espaço” (Color Out of Space), uma adaptação direta de um dos seus celebres contos e o motivo desse texto existir. (mais…)

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GAME: Blair Witch (2019)

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Blair Witch

Mais de 20 anos e “A Bruxa de Blair” (The Blair Witch Project) continua relevante e presente em nossa memória influenciando ainda a indústria cinematográfica e chegando em outras mídias como os games. E em 2019, exatamente duas décadas depois do lançamento do filme original, a E3 anunciava um novo game da franquia feita pelo estudio Blooper Team, responsavel pelo elogiado Layers of Fear.

Então, a pergunta que não quer calar pra você que se interessou e ainda não jogou é… presta? Ou seria algo esquecível como as sequências e o reboot da tela grande? O estúdio sabia da responsabilidade e do peso em levar uma marca famosa de volta ao mundo dos games e utilizou o aprendizado do jogo anterior para aprimorar a experiência. Aqui novamente temos uma câmera em primeira pessoa para causar mais imersão.

Vamos lá… A trama de Blair Witch se passa no ano de 1996, bem na época em que o evento do longa original se passa. Ocorre um novo sumiço na floresta. Dessa vez é de uma criança. O caso mobiliza a força policial e a população pela busca do garoto. No game, você assume o comando de um policial local que tem um passado bem traumático e que junto com seu cachorro segue sozinho em busca do que realmente aconteceu no local. O cachorro não é mero figurante e te auxilia nas buscas encontrando caminhos, itens ou detectando inimigos.

O jogador tem acesso a walkie talkies, celulares (daquele tipo tijolão), uma bolsa que guarda itens e colecionáveis (que são muitos), lanterna e claro, uma famosa handcam que tem a utilidade de visão noturna e que também roda fitas que se encontram no caminho e que ajudam no andamento da campanha. E é claro que logo encontrará os horrores que a famosa vilã colocará no caminho.

Sua arma é a lanterna, que além de auxiliar em lugares extremamente escuros, mata as criaturas das trevas quando as ilumina. O foco do game não é o combate e sim a exploração e resolução de puzzles. Ainda assim, em determinados momentos a luta se faz necessária. A trama em si é boa, mas poderia ser melhor. Ainda assim é bem mais desenvolvida que os filmes que vieram.

A duração do jogo depende do jogador. Eu, por exemplo, num primeiro gameplay levei 7 horas para zerar, mas da segunda vez em diante levei cerca de 3 horas. E graficamente falando é um jogo bonito até, mas não espere algo maravilhoso.

O fator replay se faz presente na forma de dois finais sendo um bom e outro ruim, além dos já citados colecionáveis que fornecem informações complementares. Blair Witch tem uma pegada mais psicólogica, porém sabe assustar em alguns momentos, seja nos bem dosados momentos de jumpscare ou na ambientação sinistra. Este gameé uma viagem de horror que honra o legado do filme original.

Escala de tocância de terror:

P.S.: Existem algumas referências a obra original, mas não entrei em detalhes por conta de spoilers.

Blair Witch esta disponivel para PC, Xbox One, Xbox series (via retrocompatibilidade), Ps4, Ps5 (via retrocompatibilidade) e Nintendo Switch.

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RESENHA: O Garoto Sombrio (2015)

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[Por Geraldo de Fraga]

Em 2011, o diretor Craig William Macneill e o escritor Clay McLeod Chapman se uniram para realizar o curta Henley, que mostrou a infância do serial killer Ted Henley e o início da sua trajetória macabra. Esse ano, os dois retomam a parceria para um projeto bem mais ambicioso: contar toda a história desse psicopata, não em um, mas em três longas.

A primeira parte da trilogia se chama The Boy e é focada nos primeiros anos de vida do futuro assassino. A história começa em 1989, com Ted Henley (Jared Breeze), então com nove anos, vivendo com seu pai, John (David Morse), num motel de beira de estrada que se encontra às moscas. O dia a dia do menino é entediante: quando não está limpando o local, brinca sozinho e procura animais mortos na rodovia.

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Essa rotina é quebrada quando um acidente na rodovia leva o estranho William Colby (Rainn Wilson, irreconhecível num papel dramático) a se hospedar em um dos quartos. Diferente dos outros hóspedes que já passaram pelo motel, Colby esconde alguns segredos e isso atiça a imaginação de Henley, a ponto de deixar fluir sua personalidade doentia.

Um ponto positivo de The Boy é que, ao contrário de vários outros filmes de psicopata, o protagonista aqui não se transforma no vilão por causa de um trauma ou de uma situação extrema. A maldade está nele desde sempre, esperando apenas uma brecha para vir à tona. A vontade de matar é acentuada pelo tédio e pela falta de perspectiva. Não há um julgamento moral de certo ou errado e, para o garoto, tudo é só mais um passatempo.

A negligência por parte do pai alcoólatra conta como o maior ponto para o estopim. É ele quem prende o garoto naquele ambiente hostil, o que já seria nocivo para uma criança normal. Seu estado de negação e inércia, apenas retarda o inevitável. “Esse menino tem olhos crescendo na nuca”, desabafa a Colby, em certo momento do filme, lamentando em ter razão.

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Sobre a construção do longa, a direção de Macneill é segura e consegue grandes atuações do trio de protagonistas. Jared Breeze tem tudo para ser lembrado como um dos melhores garotos problemas dos últimos anos, enquanto Morse e Wilson cumprem seus papéis com louvor. O roteiro de Chapman é afiado, com diálogos curtos, mas eficazes. Além de focar em pequenos detalhes para fazer a trama fluir. O ritmo, por muitas vezes lento, é essencial para a construção do clímax.

The Boy é um filme realista e sóbrio, esqueça todo o exagero de filmes sobre psicopatas mirins como O Anjo Malvado ou A Orfã, por exemplo. Além disso, essa primeira parte da trilogia nos brinda com um ótimo gancho para o segundo filme e já nos deixa sabendo do que Ted Henley é capaz de aprontar. E vale muito a pena acompanhá-lo em sua próxima jornada.

Escala de tocância de terror:

Nome original: The Boy
Direção: Craig William Macneill
Roteiro: Craig William Macneill e Clay McLeod Chapman
Elenco: Jared Breeze, David Morse e Rainn Wilson
Origem: EUA

Trailer

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