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DICA DA SEMANA: Numa Noite Escura (1982)

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Noite Escura

[Por Felipe Macedo]

Sendo grande fã dos filmes de horror dos anos 80, sempre ouvi falar muito bem de “Numa Noite Escura” (One Dark Night), que por coincidência foi realizado no ano do meu nascimento. Finalmente aquietei o facho e matei a curiosidade assisitindo a ele numa noite com ventania e igualmente escura com a ajuda de uma cópia no YouTube.

O longa tem no elenco Meg Tily, velha conhecida nossa em um dos seus primeiros papeis e também o inesquecível Batman, Adam West. Sem falar de um personagem que passa o filme quase todo com uma escova de dentes na boca. A trama segue a mocinha (Tily) que está determinada em entrar numa fraternidade comandada por uma megera loira que certifica que as candidatas só podem entrar após uma série de desafios.

A última fase de testes está para ter início e o desafio da protagonista é passar a noite sozinha num mausoléu. Enquanto suas “irmãs” preparam vários truques para assustá-la, o terror aparece na forma de um defunto que foi um homem com poderes sobrenaturais malignos, fazendo com que a noite se transforme numa luta pela sobrevivência.

A estrutura do longa não foge ao lugar-comum, lembrando bastante os slashers que já conhecemos com mocinhas boazinhas demais e suas rivais bitches além da conta, além dos rapazes bonitos, corpos sarados e personagens estereotipados com pouca profundidade. Sabemos quem vive ou morre logo de cara, apesar de ter algumas surpresas no meio do caminho. Uma curiosidade é que o diretor desse filme (Tom McLoughlin) é o mesmo de “Sexta-Feira 13 VI – Jason Vive” (1986).

Numa Noite Escura” tem algo de climático onde o terror vai sendo construído aos poucos, mostrando ao que veio só no final. Enquanto isso, temos uma atmosfera até que razoavelmente sinistra e estranha, mas que é prejudicada um pouco pelo fraco elenco. O clímax em si é um pesadelo vindo dos anos 80. Mas mesmo com todos seus excessos, hoje em dia consegue causar algum impacto.

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"Nós deixamos de procurar os monstros embaixo de nossas camas, quando percebemos que eles estão dentro de nós"

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DICA DA SEMANA: Maniac Cop – O Exterminador (1988)

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Maniac Cop

Que os anos 80 foram o “boom” dos slashers não é novidade nenhuma. Brutamontes assassinos com força sobrenatural e praticamente à prova de balas fizeram a alegria dos fãs do gênero durante a década dos mullets e casacos com ombreira. Mas com o passar do tempo a galinha dos ovos de ouro dos estúdios começou a mostrar cansaço.

Foi quando realizadores como Larry Cohen (que escreveu e dirigiu clássicos como “Nasce um Monstro“) e William Lustig (diretor do excelente “O Maníaco“, que viria a ter uma ótima refilmagem protagonizada por Elijah Wood, em 2012) resolveram tirar esses assassinos dos acampamentos de verão e trouxeram para a cidade grande, dando um tom de “realidade” aos filmes do subgênero.

Maniac Cop vem de uma Nova York decadente e violenta, onde uma jovem garçonete é assassinada. As testemunhas, que minutos antes do ocorrido estavam tentando assaltar a moça, apontam a autoria para um homem-da-lei. O único que aparentemente leva a sério a denúncia é o detetive Frank McCrae (o grande Tom Atkins, de “Night of the Creeps” e outros filmaços) que em sua busca por um policial com problemas psicológicos, acaba esbarrando em Jack Forrest (Bruce Campbell, que dispensa apresentações) que está sendo acusado de matar sua esposa. Para o departamento de polícia, o assassino serial foi encontrado, mas para McCrae e Theresa Mallory (Laurene Landon), a amante de Jack e também policial, a investigação está apenas começando.

Sabemos que Jack é inocente mas quem diabos está realmente matando transeuntes na Grande Maçã? A resposta vem em forma de um policial lendário chamado Matt Cordell (Robert Z’Dar, figura com traços marcantes que interpretou vários vilões) que caiu numa emboscada e acabou sendo preso após denunciar um esquema mafioso que chegaria até o prefeito da cidade. No presídio, sofre um ataque enquanto tomava banho e apesar da ajuda do médico da instituição e de sua então namorada, ele é declarado oficialmente morto. Mas Cordell “volta dos mortos” e começa sua vingança (de um jeito meio cagado, vale salientar…).

Um filme de ação policial (outro gênero que fez muito sucesso nos anos 70 e 80) misturado com horror (com direito a uma boa quantidade de sangue), fazem de Maniac Cop um ótimo exemplar de slasher que alia diversão com crítica social ao mostrar as consequências geradas graças a um sistema corrupto e uma polícia que não “serve e protege” como deveria.

Ah! O sucesso de Maniac Cop rendeu duas sequências inferiores mas que também garantem boa diversão com um Cordell ficando cada vez mais sobrenatural e invencível. Mas deixando as filiais e voltando à matriz… cá entre nós, tem como não resistir e não ver (ou rever) um filme com Tom Atkins, Bruce “Ash” Campbell, Robert Z’Dar e pontinhas de Richard Roundtree (O “Shaft”, porra!), do diretor William Lustig e de Sam Raimi? Não, né? CLICA AQUI e assiste!

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DICA DA SEMANA: Children Shouldn’t Play with Dead Things (1972)

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Children Shouldn't Play with Dead Things

Fruto de um período anárquico no cinema, onde realizadores independentes pegavam qualquer orçamento pra filmar o que queriam, “Children Shouldn’t Play With Dead Things” toma emprestado um pouco desse espírito e o contexto de contracultura hippie ainda remanescente. Isso se vê claramente no visual da turma que aparece neste longa com suas roupas coloridas, adereços e papos viajados.

É com uma conversa mole prometendo diversão exótica e uma festa diferente que vemos uma galera sem noção ir até uma ilha remota para realizar um ritual macabro. Sim, exatamente isso! Eles estão indo passar a noite em uma região isolada que, não por acaso, possui um cemitério abandonado (!). Seria o típico lugar ideal (só que não) para essa trupe se divertir com o sobrenatural sem maiores consequências até a hora em que forças ocultas resolvem agir.

Tirando uma coisa e outra, até parece algo comum pra quem se acostumou com várias obras de terror, mas “Children Shouldn’t Play With Dead Things” é tão bagaceiro que custa a lembrar que ele veio ANTES de tanta tranqueira parecida na seara de filmes de zumbis e em cabanas. É possível ver paralelos dele nas obras de horror italiano no aspecto grotesco e até em “The Evil Dead” com aquele negócio de pegar um livro de magia e despertar “sem querer” uma maldição com seres do além.

Mas calma… até aparecerem os mortos-vivos atacando os incautos, a história traz toda uma enrolação apresentando a conjuração satânica, pegadinhas com os personagens e profanação de cadáveres em tom de “brincadeira”. Isso tudo naquele clima de cinema exploitation onde o que vemos não é bem levado a sério por conta da atuação limitada e da canastrice dos atores, o que pode configurar um charme a mais pra esta produção orçada em menos de 70 mil dólares e filmada em poucos dias.

Children Shouldn’t Play With Dead Things” não chegou a ser lançado oficialmente por aqui, mas está no YouTube assim como muita coisa que merece ser (re)descoberta pelos fãs do gênero. Uma última coisa que merece ser mencionada é que este foi o segundo longa do diretor Bob Clark (que ainda assinava como Benjamin Clark), o mesmo que realizou “Noite de Terror” (Black Christmas), a saga “Porky’s” e “Bebês Geniais“.

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DICA DA SEMANA: REC (2007)

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Found Footage é um tipo de produção que divide opiniões desde que A Bruxa de Blair estourou, lá em 1999. O estilo “câmera na mão” virou febre durante bons anos, até mesmo porque se mostrou uma forma muito mais barata de se realizar um filme. Quem é fã de horror sabe da enxurrada de longas desse estilo que inundou o cinema de gênero.

Na minha humilde opinião, a esmagadora maioria pode colocar num saco e jogar no lixo. Por outro lado, alguns se mostraram bons produtos, e uns poucos se transformaram em filmes essenciais, até considerados clássicos modernos.

Um desses exemplos é REC, dirigido por Jaume Balagueró e Paco Plaza. Olhando para ele hoje em dia, a mistura Found Footage + zumbis/infectados pode não parecer tão atraente, mas lá em 2007, o filme fez muita gente cagar nas calças e recolocou a Espanha no mapa do terror mundial.

O enredo é simples. Acompanhamos uma equipe de reportagem (uma repórter e um cinegrafista) que gravam um programa específico sobre profissionais que trabalham à noite. Um belo dia, enquanto filmam a rotina do corpo de bombeiros de Barcelona, os dois acompanham o batalhão em um chamado de emergência.

Chegando ao local, eles se deparam com uma infecção que deixa as pessoas descontroladas e agressivas. Quando o prédio é colocado em quarentena, o bicho pega. O fato de o filme se passar praticamente em um cenário, aliado ao estilo “câmera da mão”, dá uma sensação única de claustrofobia. O ritmo acelerado é perfeito e tem uma boa reviravolta no fim (algo que as continuações estragaram).

Está disponível de graça na Pluto TV. Vá sem medo.

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