conecte-se conosco

Resenhas

RESENHA: Morto não Fala (2019)

Publicados

em

morto não fala
[Por Geraldo de Fraga]
Há um grande desafio para qualquer filme brasileiro de horror que se passe na periferia de uma metrópole. Nossos subúrbios não são como os americanos ou os ingleses, retratados sempre com aquele ar de tranquilidade e isolamento. As “quebradas” são um amontoado de pessoas e casas humildes, com ruas estreitas e, quase sempre, territórios violentos.

O primeiro ponto positivo de Morto não Fala (2019), longa de Dennison Ramalho, é a São Paulo sem glamour que vemos na tela, mais precisamente o bairro de Vila Gustavo. O diretor e roteirista soube aproveitar esse universo, se valendo da geografia, da “malandragem” e dos dramas da classe média baixa para construir um cenário sem elementos exóticos ou tropicais. Algo que ele já tinha feito no seu curta Ninjas, de 2010.
Em Morto não Fala, Stênio (Daniel de Oliveira) é um funcionário do IML que tem a habilidade de conversar com cadáveres. Deitados na mesa de autópsia, todos proferem suas últimas palavras a ele, seja um pedido de ajuda ou uma confissão. Alheio ao que levou aquelas pessoas à morte, o protagonista não faz nenhum julgamento de valor, se mantendo imparcial sempre.
A guinada no roteiro acontece justamente quando ele utiliza uma informação do além para resolver um problema pessoal. No momento em que o mundo dos desencarnados se conecta ao dos vivos, Morto não Fala nos apresenta uma história de vingança, com alguns dos melhores elementos de contos de assombração.

A aptidão sobrenatural de Stênio é outro detalhe interessante. Ele precisa estar frente a frente com o morto para que consiga se comunicar. Esse detalhe rende ótimas cenas, mesmo que a mistura de efeitos práticos e CGI venha dividindo opiniões. A ausência de explicações sobre esse “dom” serve ainda para dar agilidade à narrativa.
O filme também não tem medo de mostrar violência, particularmente nas cenas no necrotério. Com diálogos pouco explicativos e sem formalidades, o elenco consegue passar credibilidade nas situações. Daniel Oliveira está muito bem no papel clichê de fracassado que paga caro por decisões erradas.
Mas, como nem tudo são flores, paira sobre a história a sensação de que alguns coadjuvantes podiam ser mais aproveitados, tanto os vivos, como os mortos. Mesmo assim, Morto não Fala é um dos melhores exemplares do gênero no ano

Escala de tocância de terror:

Direção: Dennison Ramalho
Roteiro: Dennison Ramalho e Cláudia Jouvin (baseado no conto de Marco de Castro)
Elenco: Daniel de Oliveira, Fabiula Nascimento e Bianca Comparato
Ano de lançamento: 2019
Origem: Brasil

Continue lendo
Clique para comentar

1 comentário

  1. Pingback: LISTA: Top 20 – Melhores filmes da década (2010-2019) | Toca o Terror

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Resenhas

RESENHA: O Farol (2019)

Publicados

em


[Por Rodrigo Rigaud]*
Após A Bruxa, difícil resistir a lançar holofotes sobre o novo longa de Robert Eggers – ainda o segundo de sua carreira. Para quem mergulhou no universo de isolamento, fanatismo, loucura e fantasia – um horror, de fato – de seu filme debut, O Farol (The Lighthouse) poderá soar como um naufrágio na potência de seu cinema. (mais…)

Continue lendo

Resenhas

RESENHA: Contato Visceral (2019)

Publicados

em

Contato Visceral

Sinceramente, alguns títulos traduzidos da Netflix atrapalham mais do que ajudam na hora de decidir o que ver. Se não fosse alguns colegas falarem bem de “Wounds“, eu jamais chegaria perto de assistir o filme que está no catálogo de streaming com o nome de “Contato Visceral“.

Dirigido por Babak Anvari, o mesmo autor de “À Sombra do Medo” (Under The Shadow), esta produção com selo Netflix vai fisgar a atenção de quem curte um horror sobrenatural perturbador.

(mais…)

Continue lendo

Resenhas

SÉRIE: Marianne (2019)

Publicados

em

marianne
[Por Felipe Macedo]

Histórias de bruxas sempre fascinaram o público. Sejam elas voltadas pra algo mais assustador ou infantil, essas personagens sempre causaram certo impacto. A lenda da bruxa má povoa nossa imaginação desde a infância em histórias como “João e Maria” e depois na vida adulta em filmes como “ Suspiria ”.

A Netflix sabendo do interesse sobre o tema e na falta de produções atuais sobre o assunto, trouxe recentemente para seu catálogo a série francesa “Marianne” prometendo noites insones para o público. A trama acompanha Emma, uma jovem escritora de bastante sucesso devido a uma série de livros onde a bruxa Marianne, literalmente toca o terror. Forçada a voltar para a cidade de Eden, uma pequena cidade costeira na França, lá ela descobre que sua personagem é real e está a procura de algo. Agora cabe a Emma e seus amigos de infância colocarem um fim no reinado de terror de Marianne.

Bem, qualquer semelhança com algumas historias de Stephen King não é mera coincidência. É notável a influência do autor em toda a história. O clima soturno e uma criatura realmente maligna norteiam a trama com alguns momentos cabulosos. Pena que isso não dure muitos episódios. Apesar de ter bastantes clichês do gênero, no começo a série me prendeu e logo em seguida me fez revirar os olhos diversas vezes. A tentativa de humor, no entanto, é totalmente descabida, sem agradar em nenhum momento gerando até irritação em uma quebra de clima.


O formato de série não ajudou no desenvolvimento dos demais personagens. Tirando Emma e Marianne, os outros são apenas estereótipos de filmes de terror. Pra piorar não são carismáticos e a medida que somem ou morrem na história, isso não acarreta peso algum. E isso é um grande problema no roteiro. A falta de consequências em situações que deveriam repercutir são esquecidas rapidamente. Num filme, isso é compreensível pela questão do tempo, mas numa série? Parece preguiça mesmo.

O número de episódios também poderia ter sido reduzido para no máximo uns seis. Tanto é que no meio da temporada temos muita encheção de linguiça. No fim, “Marianne” tem uma premissa boa, uma vilã realmente aterradora, mas os jumpscares em desmasia e a tentativa a todo custo de parecer um enlatado americano tiram muito de sua graça.

Escala de tocância de terror:

Criador: Samuel Bodin
Elenco: Victorie Du Bois, Lucie Boujenah, Alban Lenoir e outros
País de origem: França
Ano de lançamento: 2019

Continue lendo

Trending