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RESENHA: Os Mortos Não Morrem (2019)

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[Por Geraldo de Fraga]
Não é a primeira vez que Jim Jarmusch usa elementos do horror para tecer uma crítica social. Com Amantes Eternos (Only Lovers Left Alive), o diretor e roteirista já tinha feito um discurso contra a ‘mediocridade’ da atual produção cultural, usando a história de um casal de vampiros que se sente entediado com os artistas do mundo moderno.

Na comédia Os Mortos Não Morrem (The Dead Don’t Die), Jarmusch entra de cabeça na mitologia dos zumbis, algo tão desgastado no cinema e na TV que até mesmo a escolha por esse sub-gênero parece ser a primeira piada a se entender. É como um ciclo. George A. Romero parodiava a sociedade, depois passou a ser parodiado, e agora essas paródias são parodiadas.
Confuso? Sim, muito. E isso dá ao filme uma cara de piada interna que dificilmente vai agradar o grande público. Os Mortos Não Morrem não se parece em nada com Todo Mundo Quase Morto ou Zumbilândia, longas que poderíamos chamar de seus “primos distantes”. A obra de Jim Jarmusch é arrastada, excêntrica e faz uso até de metalinguagem.

Vamos à sinopse: a ‘exploração polar’ causou uma mudança na rotação da Terra, o que terminou provocando desastres naturais e estranhos fenômenos ao redor do mundo. A pequena cidade de Centerville começa a ser impactada por esses eventos e não só os mortos começam a sair de seus túmulos, como quem morre se transforma em zumbi.
Dentro desse cenário apocalíptico, Jarmusch espalha a história por vários núcleos: a delegacia de polícia comandada por Bill Murray e Adam Driver; o eremita Bob (Tom Waits); a esquisita agente funerária Zelda Winston (Tilda Swinton); o nerd vivido por Caleb Landry Jones; um orfanato; e até um grupo de hipsters liderados por Selena Gomez.

Em cada subtrama há uma crítica social aqui e ali, mas nenhuma delas traz qualquer ineditismo. Temos o personagem de Steve Buscemi com seu boné escrito “Make America White Again” e os zumbis que caminham a esmo balbuciando “wi-fi” e “moda”, porém parecem aquelas indiretas que atingem todo mundo, sem atingir ninguém. Os Mortos Não Morrem tenta parecer algo relevante em uma embalagem descartável, mas falha ao superestimar sua mensagem.

Escala de tocância de terror:

Título original: The Dead Don’t Die
Direção: Jim Jarmusch
Roteiro: Jim Jarmusch
Elenco: Bill Murray, Adam Driver, Tom Waits
Origem: EUA

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1 comentário

  1. ed

    29 de novembro de 2019 a 17:35

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RESENHA: Ameaça Profunda (2020)

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Ameaça Profunda
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