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RESENHA: Brinquedo Assassino (2019)

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Brinquedo Assassino

[Por Osvaldo Neto]

Antes de conversar com o leitor do Toca o Terror sobre o novo Brinquedo Assassino em si, o rapaz que vos escreve gostaria de convidá-los a se lembrar de um passado recente. Um passado em que as redes sociais poderiam até existir, mas não eram tão invasivas e não chegavam a criar ou destruir tantas expectativas quanto ao consumo de um produto audiovisual (seja filme ou série de TV) que ainda será lançado daqui a uns bons meses.

E quando se fala de uma tentativa de ‘reboot’ de uma franquia tão famosa e popular entre fãs de terror como essa… aí é que a merda bate no ventilador. Haja “polêmica”!

Foi só a Orion/MGM começar a divulgar os pôsters, o novo visual do boneco e os trailers para uma legião de fãs nos encherem de posts negativos, falando que o filme seria um lixo antes mesmo de sequer o assistirem. Aliás, talvez essas pessoas não saibam, mas os estúdios AMAM toda essa propaganda gratuita.

Por essas e outras que o melhor é sempre ignorar esse tipo de reação exagerada, assistir ao filme ou série que você realmente tá a fim de ver e ter a sua própria opinião. E a minha opinião é que, se o Brinquedo Assassino versão 2019 não é nenhuma maravilha (assim como o original nunca foi, convenhamos!), também não se trata de nenhuma bomba atômica.

Na cena de abertura vemos que Buddi é produzido em uma fábrica no Vietnã com condições desumanas de trabalho a mando da Kaslan, uma corporação bilionária (representada na participação especial de Tim Matheson, de Sepultado Vivo). Ou seja, o novo filme já explicita que o Chucky dos dias de hoje não é resultado de nenhuma possessão do espírito de um sádico criminoso. Aqui temos um funcionário que altera as configurações de um único boneco antes de se “desligar voluntariamente” do seu emprego, se é que vocês me entendem.

É quando Karen (Aubrey Plaza), mãe solteira e batalhadora que trabalha em uma grande loja de brinquedos, presenteia o seu filho Andy (Gabriel Bateman), com um Buddi que apresentou defeitos e foi devolvido por uma cliente insatisfeita. Mas é claro que estamos falando exatamente do boneco que será o causador de todas as desgraças que acontecerão ao longo do filme.

Devido à natureza do novo boneco e pela Kaslan também ser uma gigante da tecnologia (o Buddi pode controlar vários dispositivos da empresa, assim como pedir um carro particular sem motorista, que leva o usuário ao destino que escolher), tem se dito que o filme critica a extrema dependência tecnológica dos tempos atuais, tal como faz a série Black Mirror. Sim, é verdade, mas isso nunca é visto com enorme seriedade e nem estraga a diversão de, justamente, ver o novo Chucky ter mais essas ferramentas ao seu dispor para pintar e bordar com suas vítimas. Aliás, Mark Hamill – isso mesmo, o Luke Skywalker – pode não superar o maravilhoso Brad Dourif como a voz do boneco, mas também faz um bom trabalho.

Se tem algo que incomoda no novo Brinquedo Assassino não é nem a sua previsibilidade (que até termina sendo parte da diversão) mas a necessidade, assim como parece acontecer com 99% dos ‘reboots’, de fazer tantas referências ao filme original ao invés de tentar fazer algo do inteiramente novo. Pra quê ter um novo Andy e um novo Chucky? É o tipo de decisão criativa que faz com que seja inevitável fazer comparações com o longa anterior.

Mas se visto sem muitas expectativas e um grande balde de pipoca, Brinquedo Assassino cumpre seu papel de divertir por 90 minutos. Vale uma conferida, nem que seja para alguns de vocês largarem de ser um bando de “Maria vai com as outras” e dizer que um filme é ruim sem tê-lo assistido. 😛

Escala de tocância de terror:

Direção: Lars Klevberg
Roteiro: Tyler Burton Smith (baseado nos personagens de Dom Mancini)
Elenco: Mark Hamill, Aubrey Plaza, Tim Matheson
Origem: EUA

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1 comentário

  1. Luiz Agueda Santos

    18 de setembro de 2019 a 11:17

    Cara…. vi em um cinema perto de casa, e do grupo (namorada e um casal de cunhados) que foi naquele dia, só eu saí comentando que não era exatamente um completo desastre.

    E, mesmo assim, tive que admitir que o filme é fraco.

    Distrai por uma horinha e meia? Sim, e foi o maior elogio que consegui fazer. Basicamente, o filme é só isso: uma distração leve, divertidinha, com algumas cenas mais legais, só que com um roteiro bem sem criatividade.

    Vale pra assistir a toa, mas acho que principalmente pq meu nível de exigência pra esse tipo de filme é bem baixo…

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RESENHA: Rabid (2019)

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Rabid

Quando saiu a notícia que iria rolar um remake de RABID, clássico de ninguém menos que David Cronenberg – filme que aqui no Brasil saiu com o título infame de “ENRAIVECIDA NA FÚRIA DO SEXO” – eu fiquei num misto de curiosidade e medo do que viria. Mas aí vi que essa empreitada seria realizada pelas Irmãs Soska e fiquei bem animado, pois as gêmeas diretoras tem uns filmes cabulosos no currículo.

Nesta nova versão, dirigida por Jen e Sylvia Soska, a partir do roteiro de John Serge no qual elas também assinam, acompanhamos Rose, uma design de moda que se envolve em um acidente e fica com o rosto desfigurado. Sem esperanças de recuperar a aparência e voltar ao mundo da moda, resolve se inscrever numa clínica de estética adepta de um movimento “TRANS-HU-MA-NI-SMO” que não é aceito pela comunidade médica. Como voluntária, acaba se submetendo ao procedimento milagroso que restaura toda estrutura do seu rosto. Não bastasse a aparência, a moça passa a se sentir melhor em todos os sentidos. Mas não demoram a surgir os efeitos colaterais… e eles são pra lá de sinistros.

Em nenhum momento as diretoras escondem sua admiração por Cronenberg. Há referências frequentes de sua obra durante o longa, sendo que uma em especial acaba se destacando de tão gritante que é. E é claro que o sadismo aqui impera, marca registrada das gêmeas cineastas em seus longas anteriores – vide “T IS FOR TORTURE PORN” e “AMERICAN MARY“. E assim como o diretor canadense, as irmãs também são chegadas a um body horror raiz. Aqui, usam e abusam de efeitos práticos pra nos conferir muita nojeira e bizarrice. Em uma cena vemos uma “cobra” e uma axila… e basta dizer que ela dificilmente será esquecida, por exemplo.

Apesar de seguir a mesma premissa do “RABID” original, este remake tem suas diferenças – o que já é esperado – e a mais importante é a forma com que Rose, vivida por Laura Vandervoort (Biten), é construída. Ao contrário do original, nossa protagonista não passa o filme todo assistindo impassiva às transformações que seu corpo e mente sofrem. Aqui, nossa heroína evolui dentro da trama, passando a ter domínio de suas ações, dando força e profundidade à personagem.

O ponto forte aqui tá no desenvolvimento da personagem principal, como já mencionado, e na violência extremamente gráfica toda artesanal, que garante uma seboseira danada com muito sangue em tela. Infelizmente, a maquiagem dá uns vacilos como na deformidade do rosto da protagonista, o que é bastante fake. Há umas cenas toscas aqui e ali, mas os pontos fracos mesmos estão mais em alguns personagens que poderiam simplesmente nem existir, a exemplo do boyzinho que fica enchendo o saco da moça o filme todo.

Esta nova versão de “RABID” peca por tentar acrescentar mais elementos à trama do que ele precisaria de fato, mas nada que estrague a sua experiência. No fim das contas, o remake das Irmãs Soska agrada e acaba fazendo “bonito”. Pena que esta refilmagem passou meio batida pelo público do gênero e pouco se falou a respeito. Quem ainda tá torcendo o nariz e ainda não viu, tá vacilando.

Escala de tocância de terror:

Direção: Jen e Sylvia Soska
Roteiro: John Serge e Irmãs Soska
Elenco: Laura Vandervoort, Benjamin Hollingsworth, Ted Atherton
Ano de lançamento: 2019

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DVD: Digipack “Coleção O Homem Invisível”

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[Por Osvaldo Neto]

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RESENHA: Aterrorizados (2017)

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Aterrorizados

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