conecte-se conosco

Resenhas

RESENHA: Dia dos Mortos (1985) x Day of the Dead: Bloodline (2018)

Publicados

em

Day of the Dead

[Por Jarmeson de Lima]

Por curiosidade mórbida, um dia após reassistir ao clássico oitentista de George Romero, resolvi encarar o remake que vinha protelando há um tempo e com razão. Sei que é covardia comparar, mas fazer o que, né?! Sem coragem de admitir ser totalmente uma refilmagem, “Day of the Dead: Bloodline” deixa claro que é apenas “baseado em Day of the Dead“. Sei sei… sendo que ele pega emprestado do original duas coisinhas básicas: a ambientação numa base militar e o zumbi “Bub”, que aqui ganha o nome de “Max”.

Pra quem já viu ou ainda vai ver, saiba que o filme de 1985 não tem muito arrodeio. O mundo está um caos, os sobreviventes em um bunker do exército dividem suas atividades com uma equipe de cientistas e eventualmente saem para procurar outros vivos com a ajuda de um helicóptero. O que ocorre nos seus 96 minutos é de um primor com um tom de claustrofobia e pessimismo incomparável na história do cinema de horror.

A produção mais atual, no entanto, não possui qualquer tipo sutileza e cai naquele clichê de querer explicar tudo nos mínimos detalhes pra que o espectador incauto não se perca. “Bloodline” ainda força a barra para manter uma fotografia mais escura em contraste com a obra na qual se baseia, em que apesar de ser encenado em cenários fechados, é sempre mais claro.

Nesta nova versão, como já deve imaginar, os mortos-vivos deste filme não andam, correm! E muito! Não bastasse isso, com alguns minutos de tela já sabemos que os zumbis, apelidados de “rottens” foram vítimas de uma infecção generalizada e que tem gente atrás da cura. Esta parte da pesquisa científica que também é um traço em comum das duas obras deixa claro as intenções de seus idealizadores. Enquanto Romero procurava mostrar os experimentos do doutor Logan “Frankenstein” como uma coisa grotesca que transcende qualquer tipo de ética médica, este remake trata tudo como uma anomalia que pode ser revertida a qualquer momento.

A doutora Zoe (Sophie Skelton) que faz parte do núcleo científico não perde a esperança na cura e se arrisca até a manter um ex-paciente abusador como cobaia de seus testes. Acredite se puder, mas o diretor achou por bem colocar este sujeito de atitudes asquerosas que aparece rapidamente no início do filme como o novo “Bub” dando a ele este background. E não basta ser um zumbi, ele tem que ser mais esperto que a maioria dos zumbis pra pegar carona em um jipe, subir num duto de ventilação e manusear chaves.

Com um elenco numeroso e sem muita necessidade, todo mundo em cena esbanja canastrice em “Bloodline“, a começar dos principais oficiais militares Miguel (Jeff Gum) e Baca (Mascus Vanco). Diferente da obra de Romero, onde temos personagens mais velhos, a média de faixa etária dos novos personagens é entre 20 e 30 anos. O conflito de autoridade neste caso não é muito convincente ao contrário da obra original, onde há um confronto nos diálogos e que segura a trama até o final.

Resumindo… “Bloodline” traz o que há de pior nos filmes atuais de zumbis com personagens estúpidos, cenas ridículas de dar raiva, sustos gratuitos e uma trama derivativa que poderia fazer parte de uma temporada de The Walking Dead, por exemplo. Com foco no gore e na ação pra compensar a falta de tensão e suspense, só quem nunca assistiu a um filme de mortos vivos pode se impressionar com essa obra. Não perca seu tempo. Nunca é demais repetir, então está dado o recado: confira o original e as demais produções de George A. Romero.

* “Dia dos Mortos” (1985) está disponível em versões legendada e dublada na Amazon Prime Video enquanto “Day of the Dead: Bloodline” encontra-se no catálogo da Netflix.

Gosta de nosso trabalho? Então nos dê aquela forcinha contribuindo através do PicPay ou em nossa campanha no APOIA.se!

Continue lendo
Clique para comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Resenhas

SÉRIE: Castlevania (2017)

Publicados

em

Castlevania

[Por Felipe Macedo]

Sou gamer desde de quando me entendo por gente e passei boa parte da minha vida me divertindo (e me estressando) com essa mídia. Conheci a série Castlevania nos 16bits e já sabia que era uma franquia já bastante estabelecida antes (em 8 bits), mais precisamente no nintendinho. Passei várias tardes dando chicotadas em lobisomens, medusas, zumbis e claro no vampirão mais famoso do mundo: O Conde Drácula. (mais…)

Gosta de nosso trabalho? Então nos dê aquela forcinha contribuindo através do PicPay ou em nossa campanha no APOIA.se!

Continue lendo

Resenhas

RESENHA: #Alive (2020)

Publicados

em

Alive

O cinema sul coreano ganhou uma visibilidade incrivel nos últimos anos e hoje não é tão raro ver obras vindas de lá aportarem no cinema. Mas é claro que com a pandemia as coisas foram freadas e alguns filmes estão ganhando destaque via streaming. Este é o caso de #Alive, filme que estreou em seu país na reabertura dos cinemas com bastante êxito e está sendo distribuído mundialmente pela Netflix.

A trama acompanha um jovem rapaz, que sozinho no apartamento da família, tenta sobreviver a uma epidemia mortal que transforma os cidadãos em zumbis sedentos por carne humana. No passar de vários dias, com comida e água acabando e ataques cada vez piores das criaturas, o rapaz coloca em cheque a promessa que fez ao pai de sobreviver. E aos trancos e barrancos ele tentará cumprir o que foi pedido.

#Alive é um bom filme de zumbis que não coloca nada de novo na mesa, mas traz o básico que, em sua maior parte, é competente. O longa não enrola e logo nos primeiros minutos a confusão e o caos predominam. A primeira parte é a melhor, se passando em praticamente um único cenário, mostrando bem a sensação de solidão e medo do personagem com cenas de ação pontuais e mais comedidas. Vale comentar a ótima maquiagem dos monstros que lembram o conterrâneo “Invasão Zumbi” (Train to Busan).

Outra semelhança com o longa de zumbis mais famoso é a ambientação minimalista e o país. Sinceramente, essa sim deveria ser a sequência real dele, pois mesmo não sendo perfeita, se mostra bem superior à continuação oficial, chamanda “Península”.

Os problemas de #Alive vêm à tona em sua segunda metade, onde as sequências de ação se tornam inverossímeis demais (até para um filme de zumbis)… Meio que a produção se rende ao espetáculo ocidental apresentando exageros que tiram a atenção diversas vezes. O clímax acaba sendo forçado e emotivo demais querendo a todo custo arrancar lágrimas do público.

Concluindo… #Alive não é um divisor de águas do gênero, mas é divertido e tenso na maior parte de sua duração. Vale gastar o tempo assistindo as desventuras do protagonista e sua busca pela sobrevivência.

Escala de tocância de terror:

Título original: #Saraitda
Diretor: II Cho
Roteiro: II Cho,Matt Naylor
Elenco: Ah-in Yoo, Shin-Hye Park,Bae-soo Jeon e outros
País de origem: Coreia do Sul

Gosta de nosso trabalho? Então nos dê aquela forcinha contribuindo através do PicPay ou em nossa campanha no APOIA.se!

Continue lendo

Resenhas

RESENHA: In Search of Darkness (2019)

Publicados

em

Search of Darkness

[Por Frederico Toscano]*

In Search of Darkness é um documentário com uma proposta simples e direta: destrinchar a produção de horror dos Estados Unidos da década de 80. Lançado em maio do ano passado, acabou não chamando tanta atenção no Brasil (ou mesmo lá fora), provavelmente por não ter recebido uma distribuição e divulgação mais abrangentes. O que é compreensível, já que o projeto não saiu de um estúdio convencional, sendo fruto de uma bem-sucedida campanha de arrecadação dos sites Kickstarter e Indiegogo.

Com a meta alcançada e os fundos garantidos, o diretor e roteirista David Weiner deve ter pensado que os apoiadores mereciam ver seu dinheiro bem empregado. E entregou um filme de quatro horas e meia de duração. E pensar que teve gente reclamando de O Irlandês(mais…)

Gosta de nosso trabalho? Então nos dê aquela forcinha contribuindo através do PicPay ou em nossa campanha no APOIA.se!

Continue lendo

Trending