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DICA DA SEMANA: Alligator – O Jacaré Gigante (1980)

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Alligator

Um dos prazeres de todos nós que fazemos a coluna Dica da Semana é correr atrás de pérolas subestimadas dignas daquela boa e velha revisão. Não deve fazer menos de 20 anos que, por exemplo, o filme de hoje foi exibido na TV aberta pela última vez.

“Clássico” do Cinema em Casa com incontáveis reprises, ALLIGATOR deve ser um dos filmes que Roger Corman mais sentiu inveja de não ter produzido. Não só pelo inesperado sucesso, sendo um título que faturou ainda mais em vídeo e TV, mas porque tanto o diretor Lewis Teague (THE LADY IN RED), quanto o roteirista John Sayles (PIRANHA) vieram de sua “escola”. Algo me diz que eles sabiam que o sujeito não bancaria os salários mais decentes que tinham em mente, por isso devem ter corrido atrás de todos os outros produtores que poderiam topar a produção e deixado Corman como a última das últimas opções.

ALLIGATOR se inspira não somente em TUBARÃO e nos filmes de animais gigantes dos anos 50 como também em uma famosa lenda urbana. Explico: por muito tempo se acreditou na idéia de que jacarés comprados como animais de estimação (WTF?) teriam sido jogados pelas privadas depois de começarem a crescer e que os esgotos de cidades americanas teriam vários desses animais. Já o filme vai mais além…

O grande Robert Forster (JACKIE BROWN) interpreta um policial de Chicago que, ao investigar mortes de pessoas identificadas – literalmente – aos pedaços encontrados no esgoto, se depara com um jacaré gigante que não demorará para achar a cidade em si muito mais atraente em matéria de opções para um lanchinho. Assim como também não se demora para perceber que o filme (ufa!) não se leva tão a sério.

Na verdade, ALLIGATOR é um daqueles filmes exemplares para o subgênero na maneira como consegue equilibrar a violência dos ataques da criatura-título, alguns bem memoráveis, com um delicioso senso de humor que está presente ao longo de toda a narrativa.

As atuações ajudam bastante a “vender” isso, com destaque para uma hilariante participação especial de Henry Silva como Brock, o típico caçador e ex-militar fodão (e branco) que acha que sabe de tudo. Temos ainda Robin Riker como a cientista que quando garotinha ganhou o jacaré de presente dos pais. Michael Gazzo, no papel do impaciente chefe de polícia, e Dean Jagger como o dono da indústria farmacêutica por trás das experiências ilegais que resultaram no monstrengo, completam o elenco principal.

Fica então a recomendação para se rever ou assistir ALLIGATOR pela 1ª vez. O filme está disponível no YouTube, com a ‘dublagem clássica’. Os anos 90 veriam o lançamento de uma continuação inferior, ALLIGATOR 2 – A MUTAÇÃO, que também chegou a ser exibida no Cinema em Casa.

Curiosidades:
– O diretor Lewis Teague viria a dirigir CUJO e OLHOS DE GATO, duas adaptações para o cinema da obra de Stephen King.
– Todas as piadas e referências à calvície de David, o policial vivido por Forster, foram sugestões do próprio ator.
– A atriz Sue Lyon (LOLITA), falecida recentemente, tem aqui o seu último papel no cinema como uma repórter de TV.

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DICA DA SEMANA: A Companhia dos Lobos (1984)

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Companhia dos Lobos

Acho lobisomem um monstro massa, no entanto, tenho que concordar com a maioria dos fãs de terror: achar um filme bom com essa criatura é meio dureza. Além do clássico da Universal The Wolf Man (1941), a gente pode citar a santíssima trindade do gênero Grito de Horror (1981), Um Lobisomem Americano em Londres (1981) e Bala de Prata/A Hora do Lobisomem (1985).

Mas os anos 80 também nos deram um filmaço, muitas vezes esquecido. Escrito e dirigido por Neil Jordan, A Companhia dos Lobos (The Company of Wolves, 1984) é uma das mais perfeitas misturas de terror e fantasia.

O roteiro, livre adaptação de um conto da escritora britânica Angela Carter, nos apresenta uma versão mais sinistra da história da Chapeuzinho Vermelho. Esqueça a cesta de doces e o lobo mau vestido de vovó. Quer dizer, até tem, mas tudo no filme foge dos contos de fadas tradicionais.

A obra de Jordan usa todo o imaginário presente nas clássicas histórias infantis para montar uma narrativa sobre a descoberta da sexualidade em uma sociedade opressora, principalmente para as mulheres. Os cenários artificiais, construídos para dar um aspecto onírico, acaba trazendo um tom angustiante ao filme.

Falar demais pode acabar atrapalhando a experiência. “A Companhia dos Lobos” é filmão cabeça, mas com lobisomem, sangue e sustos. Confia. Tem no YouTube.

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DICA DA SEMANA: O Espectro do Sr. Boogedy (1986)

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Boogedy

Há um bom tempo atrás no século passado, a Disney tinha um programa semanal chamado “O Mundo Mágico da Disney“, aqui chamado de “Disneylândia” e que era exibido aleatoriamente na Tv aberta brasileira. Dentre os inúmeros episódios deste especial, um deles me chamou a atenção na época que vi. Com um tom diferente das fábulas em “live action” que nos acostumamos a ver, “O Espectro do Sr. Boogedy” (Mr. Boogedy) é uma verdadeira pérola escondida no catálogo da Disney+.

Mas por que Boogedy, uma produção da turma que detém os direitos do Pateta, do Thor e de Boba Fett está aqui como dica? Simplesmente porque tem algo nele que destoa um tanto de outras historinhas fantásticas que a Disney produz e produzia até então. Com pouco mais de 40 minutos, “O Espectro do Sr. Boogedy” é uma trama de fantasmas e de casa assombrada com atores reais, sustos e narrativa sobrenatural que ainda toca em temas sensíveis que poderiam ser considerados inadequados hoje em dia.

Vemos a família Davis indo a Lucifer Falls atrás de uma casa para morar e servir de base para guardar as quinquilharias de truques e brincadeiras que o patriarca vende. Ao chegar na mansão que procuram, são logo alertados que existe uma lenda a respeito de um tal de Boogedy que apavora os moradores do local. Mas é claro que se não ignorassem o aviso, não haveria história.

Então ao contrário dos pais que não se importam com a lenda, as crianças da família vão atrás até de historiadores da cidade para entender porque estão ouvindo vozes, porque os eletrodomésticos da casa estão ficando loucos e porque luzes acendem e se apagam nos cômodos da casa. É quando ficam sabendo que durante a colonização americana, um peregrino chamado Boogedy cobiçava uma mulher que diante de sua recusa, partiu para fazer um pacto com o diabo e ganhar poderes de forma a ter a mão dela de qualquer forma.

O tempo passa e advinhem quem está por trás de eventos sombrios na mansão da família Davis? Justamente o fantasma do peregrino em pessoa com sua cara deformada e um rastro de gosma pelo chão. O personagem inclusive pode ter inspirado o vilão do segundo filme dos Caça-Fantasmas, mas aqui estou divagando…

Com referências sutis a filmes clássicos de horror e efeitos até um tanto datados que compõem o charme da época, este telefilme causou um inesperado sucesso a ponto de lançarem um ano depois “A Noiva de Boogedy“. E como a Disney conhece bem o seu público, “O Espectro do Sr. Boogedy” pode até soar estranho hoje, mas é suficientemente nostálgico para os adultos e capaz de entreter as crianças desta geração.

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DICA DA SEMANA: Gremlins (1984)

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Gremlins

O Natal está aí batendo na porta. A maioria das pessoas se prepara para festejar com familiares e amigos, escutar piadas sem graças dos tios, forrar o bucho com comidas típicas da época (menos as frutas cristalizadas, porque essa quase ninguém gosta) e fechar a cara se alguém elogiar o bozo durante a ceia. Agora imagina essa festa sendo invadida por monstrinhos sedentos por diversão e caos, o quão legal seria? Por isso é que neste ano falaremos de “Gremlins”, um horror infantil que marcou gerações.

Falar desse filme é voltar no tempo onde um Felipe por volta dos 6 anos ficou horrorizado e maravilhado com o que via em tela. O filme passava nas tardes em sessões voltadas ao público jovem, algo que hoje isso jamais aconteceria. Embora tenha sim um foco mais no infantil, o longa tem cenas pesadas e até gore e a algazarra e citações protagonizadas pelos monstrinhos são mesmo para adulto ver.

Durante uma visita a Chinatown, um pai em busca de um presente especial para seu filho, se depara com uma loja de antiguidades diferentes. Entre os itens vendidos, encontramos Gizmo, um bichinho bem raro e muito fofo. Após uma longa negociação com seu antigo dono, o senhor consegue comprar o animal com a condição de que nunca irá molhá-lo, alimentá-lo depois da meia-noite ou expor a uma luz forte. Mas uma vez nas mãos da nova família, essas regras logo serão quebradas e um pandemônio se formará na cidade, já que os gremlins estão à solta na noite de Natal e o que mais querem é destruir tudo.

O diretor Joe Dante junto com o roteirista Chris Columbus souberam captar o clima natalino, esbanjando carisma com seus personagens. O toque principal fica por conta de Gizmo, que é a coisa mais fofa do mundo até os dias de hoje. O pequeno herói junto com seu novo dono tem uma jornada incrível de amadurecimento e coragem e por que não, amor? Seus antagonistas, por mais horrendos que sejam, são um capítulo a parte: perversos, maliciosos e também incrivelmente carismáticos.

Se falei do clima natalino, não poderia deixar de falar também do horror. “Gremlins” é, sem sombra de dúvidas, pertencente ao gênero com suas cenas tensas e violentas que incluem até assassinato (de forma bem sutil, claro). O tom anárquico é outra coisa que deve ser mencionada. A cena no cinema onde os monstros assistem a um clássico da Disney é impagável. Impossível não mencionar a icônica trilha sonora de Jerry Goldsmith, cuja música tema ecoou por toda uma geração. Os efeitos todos práticos são um show a parte. Alguns podem parecer datados, mas no geral continuam muito eficientes e assustadores.

Gremlins” é um filme atemporal. Sua mensagem é eterna e muito bonita. Um filme que dificilmente seria realizado hoje e espero sinceramente que os planos de sequência/remake sejam deixados de lado. Um ótimo passatempo para quem está cansado de romances adocicados típicos dessa época e que estejam a procura de um filme natalino um tanto diferente. É possível assisti-lo no catálogo da HBOMAX e no especial de fim de ano da Darkflix.

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