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RESENHA: Maggie – A Transformação (2015)

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maggie

Por Geraldo de Fraga

Há exatos 15 anos (desde o sci-fi O Sexto Dia), que Arnold Schwarzenegger não trabalhava como produtor de um filme. Sua volta à essa função deu-se com mais um exemplar daquele que é o sub-gênero do horror que parece não se esgotar nunca: zumbis. Mas Arnold não ficou apenas nos bastidores. Ele deixou a barba crescer e deu vida a um simples fazendeiro que tem a filha mordida por um zumbi e precisa lidar com o fim inevitável causado por esse acontecimento.

20a6bb744120No universo em que se passa Maggie – A Transformação (também conhecido por Contágio, Epidemia Mortal), a epidemia zumbi chegou, mas ao contrário da maioria das produções do tipo, não temos o clássico cenário pós-apocalíptico. A vida segue tranquila, na medida do possível, naquela pequena cidade da Região Centro-Oeste dos EUA. Outra modificação feita pelo roteirista John Scott é que a transformação após a mordida demora vários dias para que a vítima, enfim, perca sua humanidade.

Maggie (Abigail Breslin) foi abocanhada no braço e, após ser diagnosticada com o vírus Necroambulist, retorna para casa. Mas seu pai, Wade (Schwarzenegger) é avisado que sua fazenda será monitorada pelas autoridades locais e, assim que a garota estiver prestes a virar de fato um zumbi, ela terá que ser encaminhada para um local de quarentena onde passará seus últimos dias.

Captura de Tela 2015-06-01 às 11.30.36Apesar de a cara de Arnold Schwarzenegger tomar mais da metade do poster, Maggie não é um filme de zumbi arrasa quarteirão com cenas de ação, tiros e cabeças explodindo. Os outros infectados mal dão às caras. O longa é um drama minimalista com elementos de terror, que são usados como metáforas para vários problemas que as pessoas com doenças terminais enfrentam e também as consequências para suas famílias.

Belo discurso, mas isso não basta. O primeiro problema é que Maggie, como filme de zumbi que é, poderia se apropriar dos diversos elementos que permeiam esse universo para montar essas metáforas. E isso não acontece. Se tirarmos a infecção do roteiro e a substituirmos por uma condição real, com uma suposta gravidade equivalente (leucemia, por exemplo), teremos uma história sem muitas diferenças da que vimos aqui.

Captura de Tela 2015-06-01 às 10.58.54

A segunda falha é ainda pior: o longa não consegue emocionar o espectador. Nesse tipo de trama, pai e filha caminhando para um desfecho tão triste, não há tiro no pé maior. Há ainda uma tentativa de dar uma maior profundidade à protagonista, mostrando seus amigos e seu namoradinho (também infectado). Mas só piora. Seria muito mais interessante mostrar a reação de um jovem saudável naquele momento, por exemplo, do que colocá-los na mesma situação onde há compaixão dos dois lados.

E como Arnold Schwarzenegger se comporta no meio desse drama familiar todo? Inerte seria a melhor definição. Ele é o maior zumbi do longa. Mesmo quando toma a dianteira para defender sua cria, parece fazer como um robô (com o perdão do trocadilho). Não rolou química entre ele e Abigail Breslin ainda por cima. Não rolou química entre ninguém, aliás.

Escala de tocância de terror:

Título original: Maggie
Direção: Henry Hobson
Roteiro: John Scott
Elenco: Arnold Schwarzenegger, Abigail Breslin e Joely Richardson
Origem: EUA

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RESENHA: IT – A Coisa (2017)

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IT - A Coisa

As obras audiovisuais baseadas nos livros de Stephen King são sempre alvos de grandes expectativas e às vezes geram uma antipatia antecipada. Pior é que quase sempre essas previsões nefastas são acertadas. Filmes como “A Torre Negra” (2017) e a série “O Nevoeiro” (2017) são exemplos recentes disso. Com isso, o que poderíamos esperar dessa nova adaptação que fica centrado na infância dos protagonistas, deixando a conclusão para uma parte 2?

O livro “It” é um dos romances mais conhecidos do autor, ganhando uma minissérie no inicio dos anos 90 que ganhou o status cult no decorrer do tempo. Sem modéstia alguma, a obra televisiva se autopromovia com o subtítulo de “Uma obra prima do medo” apesar de dividir opiniões dos mais críticos. Vale dizer que neste filme de 2017, os produtores tomaram a liberdade de situar a história no final da década de 80 ao invés dos anos 60 mexendo já num contexto marcante para os amantes do telefilme original.

O que posso dizer é que “It- A Coisa” é um puta filmão! Violento, chocante e, de coração, confesso que o longa não decepciona quem procura uma boa diversão sangrenta e com conteúdo.

Nesta refilmagem (que também pode ser considerada uma nova adaptação), um grupo de crianças não exatamente populares na escola se autodenomina “o clube dos perdedores”, sendo alvos constantes de um cruel grupo de jovens. A vida comum da cidade de Derry no Maine leva um choque com uma série de misteriosos desaparecimentos de crianças. A terrível verdade é que só elas têm conhecimento de que uma criatura que toma a forma de um palhaço rapta e se alimenta de pessoas, acordando num ciclo de 27 anos causando caos e muita maldade. O filme me fez lembrar bastante outros clássicos dos anos 80 em que um grupo de crianças enfrentam o perigo juntos nas horas mais pesadas a exemplo de “Os Goonies” (1985) e “Conta Comigo” (1986), esse também da autoria de King.

O diretor Andy Muschietti, vindo do regular Mama (2013) entrega uma direção virtuosa mesclando momentos de verdadeiro horror com cenas alegremente doces que servem para que a gente crie vínculo com seus jovens protagonistas. O elenco está maravilhoso entregando atuações convincentes que vão do terror ao drama de forma natural. Destaco principalmente Bill Skargard, que vive o vilão Pennywise de uma forma realmente assustadora e que convence tanto quanto o icônico palhaço de Tim Curry.

Vale salientar a coragem do roteiro ao abordar temas polêmicos como pedofilia, racismo e alienação parental. Esses assuntos são mostrados de forma bem realista e pesada, fazendo um contraponto interessante com o seu antagonista. Afinal, apesar de Pennywise ser a ameaça principal, existem outras ameaças em Derry que são temidas e devem ser enfrentadas. Certamente “It – A Coisa” foi o melhor filme de terror de um grande estúdio no ano e que apesar de suas duas horas e meia, passa uma sensação de quero mais!

Escala de tocância de terror:

Diretor: Andy Muschietti
Roteiro: Chase Palmer, Gary Fukunaga, Gary Dauberman
Elenco: Jaeden Lierberher, Sophia Lills, Bill Skargard
Ano: 2017
País de origem: EUA

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RESENHA: As Faces do Demônio (2020)

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As Faces do Demônio

Pouco se vê do cinema sul-coreano nas salas multiplex do país. E de terror então, nem se fala! “AS FACES DO DEMÔNIO” (Byeonshin 변신), que entraria em cartaz em março deste ano se não fosse a pandemia da COVID-19, estreia agora nos cinemas. A insistência em não lançar o filme em VOD e streaming apesar da quarentena talvez seja sinal de uma abertura maior para produções de gênero da Ásia nas salas comerciais depois que “PARASITA” fez a festa no Oscar.

Este novo longa coreano já começa com os dois pés nas caixas do peito do espectador com um exorcismo pra lá de escatológico que acaba em tragédia, servindo pra nos apresentar os personagens principais: o padre e o demonho. Sequência nada sutil com vômito de sangue, muita ferida e nojeira. A cena é tão surtada que lembra clássicos como “A MORTE DO DEMÔNIO” de Sam Raimi. Mas quando somos apresentados a família que vai sofrer com o malassombro, logo o tom muda radicalmente, entrando num ritmo mais calmo como é de se esperar das produções asiáticas, porém com certa agilidade atípica.

A trama de “AS FACES DO DEMÔNIO” é muito boa, mas infelizmente sua sinopse e trailers entregam muitos spoilers. Eu sei que é difícil, mas se puder, evite-os. A direção de Hong-seon Kim é segura e nos traz uma situação cabulosa atrás da outra. Incrível como o cinema sul-coreano consegue entregar momentos brutos e ternos dentro de uma mesma situação, por mais desconfortável que seja. Pra não estragar, vou evitar descrever o desenrolar dos eventos, mas dá pra dizer que o clima de paranoia, ao bom estilo O ENIGMA DE OUTRO MUNDO do mestre carpinteiro, é muito bem construído e acaba sendo a base que sustenta toda trama. Porém, o diretor perde a mão quando tenta “enfeitar” alguns momentos que poderiam ser mais contidos.

O que chama atenção logo de cara, é a fotografia cristalina e com uma paleta de cor de fortes contrastes entre azul e laranja, típica do cinema mainstream de hollywood predominante, deixando claro que a produção foi feita pra o mercado internacional. Isso é ruim? Seria se fosse mal feito, o que não é o caso. Outra coisa que salta os olhos, é o trabalho de maquiagem artesanal, tanto do possuído como dos cadáveres que podem causar certa repulsa. O que incomoda mesmo é o mal uso de CGI em situações que não precisariam. Não é nem uma questão de purismo, é porque ficaram mal feitas mesmo.

Talvez, o problema aqui é que, para além da estética nitidamente feita pra o público internacional, temos excessos tipicamente hollywoodianos que vão agradar o público em geral, mas podem incomodar os apreciadores do horror asiático mais contido. É sério! Tem hora que a pessoa pergunta pra tela: “PRA QUÊ TUDO ISSO?”. Mas a situação principal concebida é tão intrigante que dá pra relevar esses “exageros ocidentalizados” e ficar tenso do mesmo jeito.

No geral, AS FACES DO DEMÔNIO é um bom filme não só pela narrativa equilibrada e aspectos técnicos, mas pela forma nada convencional de como é tratado o lance de possessão, tema tão mal explorado no cinema de horror nos últimos anos.

NOTA: É bom lembrar que ainda estamos em plena pandemia. Então, se for arriscar, ao menos respeite os protocolos de segurança.

Escala de tocância de terror:

Título original: Byeonshin
Direção: Hong-seon Kim
Roteiro: Kim Hyang-ji
Elenco: Sung-Woo Bae, Dong-il Sung, Young-nam Jang
Origem: Coréia do Sul

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RESENHA: Vampiros vs. The Bronx (2020)

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Vampiros vs. The Bronx

Em época de Halloween os serviços de streaming lotam seu catalógos com vários filmes famosos e algumas produções originais para garantir sustos e várias emoções. A Netflix é pioneira nisso e nesse caótico ano de 2020 conseguiu entregar algumas coisas, entre elas, Vampiros Vs The Bronx, produção que mescla comédia e horror.

A trama acompanha o cotidiano de três jovens e grandes amigos no bairro do Bronx em Nova York. A rotina do trio é quebrada quando uma empresa imobiliária começa a comprar vários imóveis do local e os antigos proprietários somem na escuridão da noite com a desculpa de que foram embora dali para um lugar melhor. A real é que vampiros se aproveitaram da especulação e encontraram um novo lar fazendo com que os jovens tenham que lutar pelo bairro e pelos seus pescoços.

Mas taí um filme que assisti esperando nada e continuei não achando nada. A produção é quase uma cópia xerox do ótimo “Ataque ao Prédio” com toques de “Os Garotos Perdidos” sem o menor carisma. Existem sim, várias citações e homenagens às obras dos dentuços como o personagem que lê “A Hora do Vampiro” de Stephen King ou quando assistem “Blade” para “treinar e obter informações” sobre os monstros, mas é tudo tão forçado e genérico que cheguei a revirar os olhos.

A maior diferença entre os filmes que serviram como inspirações principais é que ambos souberam dosar bem o humor e o horror, que aqui é praticamente inexistente. Outra comparação com “Ataque ao Prédio” é que a crítica social ferrenha e bem utilizada no filme britânico é usada aqui de forma rasa e sem muito apelo. As aparições e os ataques de vampiros são tão ruins que senti pena dos atores. Isso sem falar da caracterização que é um mix de “Buffy” com “A Hora do Espanto”, causando mais risos do que apreensão e medo.

Os personagens são os estereótipos dos estereótipos e ficam nisso aí, sem um pingo de desenvolvimento e carisma. A direção é bem amadora em vários momentos e não parece um filme de grande estúdio (Universal)… Ah, outro “mérito” de “Vampiros vs. The Bronx” é ser o mais limpo na história dos dentuços. Para ter uma ideia, até a saga “Crépusculo” conseguiu ter mais sangue e ser mais violenta do que esse.

Finalizando, a Netflix entregou mais um produto ruim só para encher seu acervo e aumentar a fama de colocar bombas com o seu selo original.

Escala de tocância de terror:

Direção: Osmany Rodriguez
Roteiro: Osmany Rodriguez, Blaize Hemingway
Elenco: Jaden Michael,Gregory Diaz IV, Sarah Gadon, Zoe Saldana
País de origem: EUA
Ano de lançamento: 2020

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