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SÉRIE: Dracula (2020)

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série Dracula
[Por Jarmeson de Lima]
Quando uma produção como “Dracula” é lançada, a nossa primeira preocupação é imaginar o quão fiel pode ser a adaptação da obra original. E no caso, estamos falando de um livro de Bram Stoker que serviu de inspiração para inúmeros filmes nos últimos 100 anos. Sendo assim, o que a dupla Mark Gatiss (Sherlock) e Stephen Moffat (Doctor Who) poderiam nos trazer de novo? Logo nos créditos, os dois deixam claro que esta minissérie da BBC e exibida na Netflix é “baseada” e não “adaptada” da obra original, o que nos faz crer que haja certas liberdades no roteiro sem a intenção de ser uma transcrição fiel da trama com o mesmo personagem que “ganhou vida” em 1897.


Dividida em três partes, sendo cada uma de 1h30, a minissérie revisita a saga do icônico vampiro em três momentos distintos. Os dois primeiros episódios trazem homenagens a clássicos do cinema e o último já se aproxima das releituras mais recentes. Interessante ver que o primeiro episódio é o que mais lembra a história original e, por consequência, a obra de Tod Browning com Bela Lugosi. Claes Bang magistralmente interpreta um Conde Dracula que emula os trejeitos do nosso ator canastrão favorito com sotaques e frases que os fãs lembram bem. Esta caracterização, no entanto, só fica no comecinho, uma vez que sua aparência decrépita vai mudando e rejuvenescendo na medida em que absorve o sangue e o conhecimento de suas vítimas.

Em contraponto a este porto seguro da minissérie, temos uma narrativa que parte dos flashbacks de um debilitado Jonathan Harker (John Heffernan) em um convento em Budapeste. Sendo que nesta nova versão, quem conduz o relato de Harker é a Irmã Agatha (Dolly Wells), uma freira que possui um interesse por demais demasiado na convivência de um hóspede não intencional do castelo do conde. Mais tarde entenderemos os motivos pelos quais esta serva de Deus demonstra ser um personagem tão especial com coragem para enfrentar esse demônio cara a cara.

Nisso aí, quando menos se espera, o tempo corre e chegamos ao segundo episódio onde o enredo se foca quase que totalmente na ida do navio Deméter à Inglaterra. Quem conhece a história já sabe também que é a bordo desta embarcação que a merda acontece. O que não era previsível é o enredo que apresenta tantos outros personagens (dos quais não devemos nos apegar porque vão sumir) em uma história que por si só já é bem envolvente.
E se no primeiro episódio tivemos boas homenagens ao clássico de 1931, neste segundo capítulo, vamos de referências à Hammer e ao Dracula encarnado por Christopher Lee, inclusive na voracidade, na lábia e no visual do sanguinolento vampiro. O episódio ainda funciona como uma boa história de mistério, com mortes situadas em um único cenário (no caso, um navio), como acontece em “Horror Express“, grande filme que tem a presença de Lee e Cushing, que por sinal interpretava Van Helsing nos longas do estúdio britânico.

Já que tocamos no nome de Van Helsing, a série e o terceiro episódio nos trazem mais especificamente um foco neste personagem com certas liberdades artísticas que os fãs mais ortodoxos não iriam curtir. Nem por isso deixam de aparecer Renfield e Lucy com suas novas versões. De certa forma, só este episódio deixou a desejar.
Basicamente temos um salto temporal que traz Dracula até o século XXI, onde ele começa a se adaptar ao mundo moderno e muda um pouco seus planos e sua forma de se relacionar com as pessoas e suas vítimas. Talvez pela ambição de mostrar ‘sangue novo’ na história, tivemos aqui um Príncipe das Trevas que está mais próximo dos filmes recentes de vampiro do que algo condizente com o material das duas primeiras partes da minissérie. Mas convenhamos… modernizar o mito dos sugadores de sangue não é algo que surgiu agora, vide “Dracula A.D. 1972“, que aqui ganhou o título infame e genial de “Drácula no Mundo da Minissaia“.

No geral, “Dracula” é uma grande obra que pode entreter os aficcionados por terror e vampiros. A fotografia e a direção de arte estão primorosas, garantindo o deleite visual. O elenco, como já foi mencionado, está bem convicente em seus papeis. E pelo final do último ep. não dá bem pra apostar que haverá uma segunda temporada (esta aqui demorou três anos desde seu sinal verde até a estreia!). Ainda assim, se vier, que mantenha o nível desta sem necessariamente continuar a contar o enredo a partir do seu desfecho.

Escala de tocância de terror:

Título original: Dracula
Criadores: Mark Gatiss e Steven Moffat
Elenco: Claes Bang, Dolly Wells, Corrina Wilson e outros
Número de episódios: 03
Produção: BBC / UK

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RESENHA: O Chalé (2020)

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O Chalé

Depois de fazerem barulho em 2014 com Boa Noite, Mamãe, os diretores austríacos Severin Fiala e Veronika Franz se aventuram num filme com produção em inglês. Disponível em plataformas de VOD no Brasil, “O Chalé” (The Lodge), traz em comum com o primeiro filme da dupla o universo infantil como centro do mistério e terror.

Mas falando bem sério, não gosto de Boa Noite, Mamãe. Não acho nada original e considero um quase remake de “A Inocente Face do Terror”, portanto não estava nem um pouco animado para esse projeto. Mas para minha surpresa acabei gostando de “O Chalé“, mesmo não sendo esse filmão como está sendo alardeado. A produção aborda questões interessantes.

Na trama de O Chalé, acompanhamos uma jovem que está para se tornar madrasta de dois pré adolescentes. Junto do pai das crianças, ela os acompanha em uma viagem para um chalé em lugar remoto. Na ausência do patriarca por uns dias, ficam sozinhos no tal chalé a moça e os enteados. É quando eles começam a se envolver numa trama macabra e imprevisivel onde o sobrenatural pode estar presente.

Riley Keough, no papel de Grace, carrega o filme nas costas como uma mulher traumatizada por um terrivel passado e que tenta de alguma forma se chegar nos seus enteados. Suas nuances e tranformações ajudam a dar o clima necessário de tensão para o roteiro. Os jovens atores também merecem destaque ao compor seus personagens de forma crivel.

Os diretores não tem pressa com a trama que corre a seu tempo, ficando cada vez mais opressora. Não apelam para sustos fáceis e o foco aqui são as pessoas da trama. Os enquadramentos utilizados deixam o espectador aflito. Ainda assim, nem tudo são flores na neve. O roteiro tem o uso de alguns clichês narrativos e perto do fim dá uma deslizada, mas dá aquela sacudida e se recupera com um encerramento forte e ousado.

Escala de tocância de terror:

Título original: The Lodge
Direção: Severin Fiala, Veronika Franz
Roteiro: Severin Fiala, Veronika Franz, Sergio Casqui
Elenco: Riley Keough, Richard Armitage, Alicia Silverstone e outros
Ano de lançamento: 2020

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RESENHA: Pequenos Monstros (2019)

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Pequenos Monstros

Particularmente, eu não sou muito fã de comédias de terror, porém, não sou tão radical assim e sempre tem um filme aqui ou ali que caem na minha graça como o ótimo TODO MUNDO QUASE MORTO (Shaun Of The Dead, 2004). A minha dica então vem deste subgênero que me agradou: PEQUENOS MONSTROS (Little Monsters, 2019) que se encontra no catálogo do Telecine Play.

Escrito e dirigido pelo australiano Abe Forsythe, PEQUENOS MONSTROS se passa na Austrália bem no início de um apocalipse zumbi e acompanhamos os malabarismos de uma professora de primário que faz de tudo para que seus pequenos alunos não saibam o que está acontecendo, ao mesmo tempo em que tenta tirá-los de um acampamento infestado de mortos-vivos.

O destaque aqui é para a professora Caroline, vivida por ninguém menos que Lupita Nyong’o (Nós) e para as crianças, nas quais ela tenta proteger a qualquer custo. Ela não está sozinha nessa empreitada e conta com a “ajuda” de um comediante famoso e do pai de um dos alunos que só está ali pra dar em cima da moça. Aliás, esses dois caras são os personagens mais chatos do filme.

Apesar do filme se pretender bobinho e leve, a violência gráfica é até pesada, contando com bons – e nojentos – efeitos práticos que tanto podem agradar os fãs de filmes gore quanto podem chocar os pequenos que por ventura venham a assistir ao longa. Em suma, PEQUENOS MONSTROS tem seus momentos e finda num filme acima da média, mostrando-se um bom passatempo.

Título Original: Little Monsters
Direção: Abe Forsythe
Roteiro: Abe Forsythe
Elenco: Lupita Nyong’o, Alexander England, Josh Gad |
Ano: 2019
Origem: Austrália, Reino Unido, EUA

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RESENHA: A Caçada (2020)

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Caçada

Por Frederico Toscano *

Você deve ter ouvido falar de “A Caçada” (The Hunt). Era para ter saído em 2019, mas foi tanta polêmica que a estreia acabou não acontecendo. Agora o filme finalmente chega até o público, no meio da pandemia e fora dos cinemas. Traz a história de um grupo de pessoas que acorda no meio do mato e que passam a ser caçados como animais. Até aí, nenhuma novidade, a ideia é mais do que batida.

Desde o seminal The Most Dangerous Game (1932), passando pelo australiano (e brutal) Fortress (1985), o clássico de ficção científica estrelando Schwarzenegger The Running Man (1987), o japonês Battle Royale (2000), o sucesso Young Adult da franquia The Hunger Games (iniciado no cinema em 2012 e bem antes em livros) e muitos outros mais. Isso sem contar produções onde humanos são caçados por alienígenas/monstros, como a franquia Predador. E temos, claro, até mesmo um exemplo nacional e recente, o incensado filme pernambucano Bacurau, onde habitantes de uma cidadezinha no interior são caçados por gringos malvados.

Mas então, por que “A Caçada” chamou tanta atenção? É que, nesse filme, os caçadores impiedosos são membros da elite progressista (liberals é o termo mais usado, relacionado aos costumes, não ao posicionamento econômico, como ocorre no Brasil) americana, e as presas são conservadores, em uma fauna variada: donas-de-casa “pró-vida”, caipiras, negacionistas, conspiracionistas, armamentistas, militaristas e demais estereótipos.

Pois é. Até aí tudo bem. É uma obra de ficção, que claramente não se leva lá muito a sério, dentro do gênero do horror. A ideia, claro, é chocar mesmo. E tome gente morrendo de tudo que é jeito. No começo, o filme se diverte subvertendo as expectativas do público, matando todos os que parecem que vão emplacar como protagonistas. Enquanto os corpos vão se empilhando, é claro que um dos caçados vai se mostrar EXTREMAMENTE mais competente que os outros, teimando em sobreviver, começando a resistir e transformando caçadores em presa. Uma coisa meio Rambo: First Blood (sim, o primeirão, esse é o nome completo do filme, não “Rambo Um”, seus fariseus), enfim.

Nos EUA, A Caçada parece que conseguiu não agradar ninguém: Trump e os republicanos detestaram (e fizeram de tudo para melar o lançamento), talvez por medo que as pessoas assistissem e começassem a ter ideias. Democratas também odiaram, por motivos óbvios. No filme, caçadores e caçados são, quase todos, pessoas péssimas, independentemente de suas ideologias, então fica até difícil escolher um lado: vou torcer para os racistas e tiõzes homofóbicos que espalham fake news no whatsapp? Ou para os literalmente esquerdopatas, que se preocupam com apropriação cultural e em usar expressões livres de machismo enquanto desmembram pessoas?

No fim das contas, “A Caçada” não parece saber muito bem que tipo de mensagem política e/ou crítica social deseja passar, se é que deseja. É uma analogia meio abilolada da cultura do cancelamento? Uma tiração de onda com os conservadores que de fato acreditam que o mundo é dominado por uma elite progressista e politicamente correta? Uma crítica sincera à uma “esquerda festiva” e desconectada da realidade? Uma visão isentona da realidade atual, apontando o dedo para os que defendem um lado, igual ao seu primo chato que jura que votou em Amoedo no primeiro turno e nulo no segundo turno, mas que todos sabem que correu para apertar 17 em ambos os momentos?

Difícil dizer. Mas o filme tem uma sanguinolência honesta e alguns bons momentos de tensão e suspense.

Escala de tocância de terror:

Título original: The Hunt
Diretor: Craig Zobel
Roteiristas: Nick Cuse e Damon Lindelof
Elenco: Betty Gilpin, Hilary Swank, Ike Barinholtz, Emma Roberts e outros
País de origem: EUA

* Especial para o Toca o Terror

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