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RESENHA: Eli (2019)

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Eli

[Por Rodrigo Rigaud]

Filmes de terror protagonizados por crianças. Quantos? Muitos! E aqui vai a resenha de mais um. E mais um horror “daqueles”, assinado pelo selo Netflix – que já nos trouxe coisas boas, vá lá, que mostram que a galera do streaming também manja do gênero. Mas o algoritmo (sempre ele) insiste em, também, fazer aqueles filmes protótipos, que são um amontoado de ideias milimetricamente copiadas de obras consagradas ou não e fundidas em um novo projeto. Apesar das boas intenções, Eli segue por esse exato caminho.

O roteiro nos informa que Eli (que dá nome ao filme) é uma criança que sofre de um mal raro, que o impede de estar ao ar livre sob a luz do sol. Os pais investem mundos e fundos para reverter o quadro de saúde do filho, o que os leva à Dra Horn (Lily Taylor de A Freira, Massacre no Texas e Invocação do Mal) e seu “internato para pacientes”.

Supostamente ela seria a melhor especialista com o lugar ideal para que Eli fosse tratado e ficasse junto a seus pais que, aparentemente, vivem apenas para cuidar do garoto. Mas não tarda para que uma personagem, no caso Haley (Sadie Sink, a Max de Stranger Things interpretando a Max de Stranger Things) diga que “alguma coisa está fora da ordem”. E daí pro fim tome jumpscare, num trabalho preguiçosíssimo de Ciarán Foy, que uma vez defendi no comando de um irregular “A Entidade 2”, outro horror de protagonismo infantil.

Pouco se cria de tensão e o que existe é episódico. O espectador antecipa as decisões da trama tomadas pelos roteiristas David Chirchirillo, Ian Goldberg e Richard Naing. Plot Twists? Eficazes apenas quando as narrativas não o fazem de forma tola, diante a construção rasa de seus personagens. E em Eli tudo é tolo, tudo é ideia – a ideia de misturar vários símbolos do sobrenatural, gerando uma obra amorfa, completamente sem vida própria, assim como o personagem na maior parte da duração do filme.

Eli até parece um “Maligno”, tão esquecível quanto. Às vezes lembra “Brightburn – Filho das Trevas”, sem a personalidade deste.

Isso para citar dois trabalhos dos quais não dista um ano. O fato é que é difícil acompanhar o esforçado Charlie Shotwell carregando o seu protagonista até às últimas consequências, pois o texto é fraquíssimo e a direção do Ciarán pouco agrega no resultado final com closes e mais closes e planos fechados para disfarçar a parca produção do filme completamente “de estúdio”.

Mas dos destaques negativos, o destaque, vai, de fato, para os personagens dos pais de Eli, Rose (Kelly Reilly) e Paul (Max Martini). Mal escritos, não sabem direito o que fazem no meio da história toda – e até sabem, mas parecem, eles próprios, duvidarem do que versa o roteiro. Coisa braba.

Ao fim da sessão, resta aquele amargor na boca de ter revisto um filme ruim. Ou ter visto um filme ruim copiado de alguns filmes médios. Tem meia dúzia de cenas interessantes, mas a sensação de “hummm… já vi isso em algum lugar”, se você viu algo entre 5 e 10 filmes de horror nos últimos anos, não vai lhe desgarrar nunca. Pra quem curte os tradicionais jumpscares, é o que resta, porque a história em si é de matar. Ou morrer.

Escala de tocância de terror:

* Especial para o Toca o Terror

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RESENHA: O Sono da Morte (2016)

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Sono da Morte

[Por Júlio Carvalho]

Estamos na era dos filmes de terror ‘do bem’, nos quais as ameaças não são tão ameaçadoras assim, os demônios não são tão perigosos assim, as conclusões são forçadamente otimistas e o excesso de jumpscares passa a ser o principal atrativo dessas produções. Sucessos como a franquia Invocação do Mal e Annabelle estão aí pra comprovar isso. Dito isso, está em cartaz O Sono da Morte (Before I Wake) que tenta desastrosamente se enquadrar nessa categoria. Por mais bobos que sejam, tem filmes que ainda podem ser chamados de horror. Sendo que neste caso, nem isso. (mais…)

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RESENHA: Sem Conexão (2020)

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Sem Conexão

Além dos filmes que já foram lançados neste mês aproveitando a onda do Halloween, a Netflix reservou pro final de outubro um filme polonês tido como o primeiro slasher do país. Através do trailer divulgado, “Sem Conexão” tenta resgatar a glória desse subgênero pra lá de batido mas sempre com alguma surpresa e um possível candidato a ícone do terror.

Numa densa floresta na Polônia, algo sinistro aconteceu há muitos anos e agora jovens modernos, viciados em tecnologia se vêem ali num acampamento contra a modernidade. Sem ajuda de aparelhos eletrônicos, eles terão que pensar em como sair de uma situação horrível evitando também que a contagem de corpos pare de subir.

Pela breve sinopse deu para sacar a clara influência dos slashers oitentistas em “Sem Conexão”. A inspiração é tão clara que até o roteiro se iguala num fiapo de ideia motivado pela falta de lógica. O desenvolvimento dos personagens é quase nulo, sendo substituído por mortes sangrentas de tempos em tempos.

Os personagens seguem aquele velho padrão com uma mocinha gente boa com um passado pesado, uma garota sensual, o gordinho nerd que fica soltando referências a outros filmes e etc… Ainda tem um personagem com mais camadas, mas ele é secundário e aparece pouco, infelizmente…

Embora “Sexta-Feira 13” (1980) seja a maior inspiração do filme, temos homenagens e referências a “O Massacre da Serra Elétrica” (1974), “Just Before Dawn” (1981) e outras obras que ajudaram a popularizar o estilo slasher de acampamento. Embora a intenção seja boa, não dá pra ignorar os problemas desta produção. A edição e o roteiro são confusos em alguns momentos e por mais que se tente, não tem como justificar. A direção até ultrapassa a homenagem e parece um ctrl-c/ctrl-v de obras antigas sem conseguir dar uma identidade a produção.

O gore se destaca e é o maior mérito do filme. Foi uma grata surpresa ver que uma produção recente tenha efeitos práticos na maior parte do tempo. O vermelho quando escorre, vem com vontade. A maquiagem dos vilões merece destaque e por mais que pareça tosca, passa bem o quão asquerosos são. Pensem no Victor Crowley, vilão de “Terror no Pântano” (2007) ainda mais repulsivo…

Por mais que não seja uma nova obra-prima, “Sem Conexão” é uma diversão escapista e bem sangrenta. E na falta de bons filmes originais neste ano pandêmico, esse ao menos diverte na maior parte de sua duração.

Escala de tocância de terror:

Direção: Bartosz M. Kowalski
Roteiro: Bartosz M. Kowalski, Jan Kwiecinski, Mirella Zaradkiewicz
Elenco: Julia Wienniawa-Narkiewicz,Michal Lupa, Wiktoria Gasiewska e outros
Título Original: W lesie dzis nie zasnie nikt
País de Origem: Polônia

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RESENHA: Pequenos Monstros (2019)

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Pequenos Monstros

Particularmente, eu não sou muito fã de comédias de terror, porém, não sou tão radical assim e sempre tem um filme aqui ou ali que caem na minha graça como o ótimo TODO MUNDO QUASE MORTO (Shaun Of The Dead, 2004). A minha dica então vem deste subgênero que me agradou: PEQUENOS MONSTROS (Little Monsters, 2019) que se encontra no catálogo do Telecine Play.

Escrito e dirigido pelo australiano Abe Forsythe, PEQUENOS MONSTROS se passa na Austrália bem no início de um apocalipse zumbi e acompanhamos os malabarismos de uma professora de primário que faz de tudo para que seus pequenos alunos não saibam o que está acontecendo, ao mesmo tempo em que tenta tirá-los de um acampamento infestado de mortos-vivos.

O destaque aqui é para a professora Caroline, vivida por ninguém menos que Lupita Nyong’o (Nós) e para as crianças, nas quais ela tenta proteger a qualquer custo. Ela não está sozinha nessa empreitada e conta com a “ajuda” de um comediante famoso e do pai de um dos alunos que só está ali pra dar em cima da moça. Aliás, esses dois caras são os personagens mais chatos do filme.

Apesar do filme se pretender bobinho e leve, a violência gráfica é até pesada, contando com bons – e nojentos – efeitos práticos que tanto podem agradar os fãs de filmes gore quanto podem chocar os pequenos que por ventura venham a assistir ao longa. Em suma, PEQUENOS MONSTROS tem seus momentos e finda num filme acima da média, mostrando-se um bom passatempo.

Título Original: Little Monsters
Direção: Abe Forsythe
Roteiro: Abe Forsythe
Elenco: Lupita Nyong’o, Alexander England, Josh Gad |
Ano: 2019
Origem: Austrália, Reino Unido, EUA

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