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RESENHA: Nós (2019)

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Nós

[Por Felipe Macedo]

Em 2017, Corra! foi um grande sucesso de público e crítica, chegando a ganhar um Oscar no ano seguinte e lançando seu realizador Jordan Peele ao estrelato. Não demorou pra elegerem ele como o novo rei do terror. Pouco depois que foi anunciado seu novo projeto “Nós”, ele veio cercado de mistérios e expectativas. O trailer dessa produção foi bastante promissor, mas trailers enganam, certo? Na maioria das vezes sim. Mas nesse caso já adianto que não foi propaganda enganosa. Estamos diante de um filmão. Peele acertou novamente.

O roteiro acompanha uma família em férias pela costa da Califórnia que vai ter que lidar e sobreviver a momentos de genuínos de terror. Na calada da noite, um grupo de sósias malignos deles surge e clama por suas vidas. Qualquer um que se ponha no caminho dos antagonistas corre um sério perigo. Essa breve sinopse que já é escancarada pelo trailer é o máximo que se pode dizer sem soltar spoilers da trama.

Peele anteriormente mostrou ao mundo que sabe fazer suspense e agora prova que sabe ir além. Os momentos de humor no filme anterior do diretor foram criticados por darem uma quebra no ritmo. Já aqui ele soube dosar muito bem essas cenas, que além de soarem mais naturais dentro do enredo, fazem parte da composição de um dos personagens.

Voltando ao suspense, fazia tempo que não interagia tanto com um longa, ao ponto de falar no meio da sessão pedindo que certo personagem fizesse ou não fizesse determinada ação. O diretor sabe o que quer mostrar. E em planos elegantes, consegue mostrar todo o horror que essa família passa. Apesar de ser bem escrito e bastante provocativo, o roteiro peca em criar algumas situações forçadas que por vezes me desconcentrou. Ainda assim, tais momentos são realmente poucos e logo me via inserido no caos novamente.

Os atores estão todos muito bem em seus papéis. Tanto os mocinhos quanto os vilões. Em alguns momentos até tive dúvida se não eram outros atores fazendo os papeis dos antagonistas, tamanha a diferença entre eles. Os malvados tem uma interpretação forte e acentuadamente fisica. Eles realmente passam uma sensação de ameaça enorme.

“Nós” tenta retratar bem nossa atual realidade. Sua mensagem é universal nesses tempos sombrios que vivemos onde não estamos imunes a situações de caos e violência. Mas se você quiser pular todas as mensagens que o filme passa e ter uma experiência totalmente escapista, o filme também funciona e entrega tensão e bons sustos. Pode não ser o melhor terror do ano, mas com certeza fará parte do top 5 de muita gente em 2019 (e não falando só de listas de terror!).

Escala de tocância de terror:

Direção: Jordan Peele
Roteiro: Jordan Peele
Elenco: Lupita Nyong’o, Wiston Duke, Elisabeth Moss e outros
País de origem: EUA
Ano de lançamento: 2019

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1 comentário

  1. centoundici

    27 de abril de 2019 a 22:32

    Existe uma grande diferença entre um bom filme de terror que exija raciocínio lógico dedutivo e um bom filme de terror amparado num misto de teorias filosóficas e místicas. Nós é o segundo caso. Num filme do primeiro caso, rapidamente passamos a gostar à medida que vamos interpretando o que se passa na tela, tentando dar um sentido e deduzir o que pode vir a ser o presente e futuro na trama. Nós exige mais que isso. Só depois que li mais sobre as fases alquimicas e nigredo, passei a compreender por completo o porquê de tudo. É o que posso dizer que entendi. Como se fosse um episódio longo, enganoso e cansativo de “além da imaginação ” ou Black mirror. Mas com alegorias de autocrítica social puramente americana. E olha que meu forte é mesmo filmes sobre realidades paralelas, dobras dimensionais e contextos de misticismo. Gostei e não gostei rsrs da trama, sim. Do desenrolar, não.

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RESENHA: Rabid (2019)

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Rabid

Quando saiu a notícia que iria rolar um remake de RABID, clássico de ninguém menos que David Cronenberg – filme que aqui no Brasil saiu com o título infame de “ENRAIVECIDA NA FÚRIA DO SEXO” – eu fiquei num misto de curiosidade e medo do que viria. Mas aí vi que essa empreitada seria realizada pelas Irmãs Soska e fiquei bem animado, pois as gêmeas diretoras tem uns filmes cabulosos no currículo.

Nesta nova versão, dirigida por Jen e Sylvia Soska, a partir do roteiro de John Serge no qual elas também assinam, acompanhamos Rose, uma design de moda que se envolve em um acidente e fica com o rosto desfigurado. Sem esperanças de recuperar a aparência e voltar ao mundo da moda, resolve se inscrever numa clínica de estética adepta de um movimento “TRANS-HU-MA-NI-SMO” que não é aceito pela comunidade médica. Como voluntária, acaba se submetendo ao procedimento milagroso que restaura toda estrutura do seu rosto. Não bastasse a aparência, a moça passa a se sentir melhor em todos os sentidos. Mas não demoram a surgir os efeitos colaterais… e eles são pra lá de sinistros.

Em nenhum momento as diretoras escondem sua admiração por Cronenberg. Há referências frequentes de sua obra durante o longa, sendo que uma em especial acaba se destacando de tão gritante que é. E é claro que o sadismo aqui impera, marca registrada das gêmeas cineastas em seus longas anteriores – vide “T IS FOR TORTURE PORN” e “AMERICAN MARY“. E assim como o diretor canadense, as irmãs também são chegadas a um body horror raiz. Aqui, usam e abusam de efeitos práticos pra nos conferir muita nojeira e bizarrice. Em uma cena vemos uma “cobra” e uma axila… e basta dizer que ela dificilmente será esquecida, por exemplo.

Apesar de seguir a mesma premissa do “RABID” original, este remake tem suas diferenças – o que já é esperado – e a mais importante é a forma com que Rose, vivida por Laura Vandervoort (Biten), é construída. Ao contrário do original, nossa protagonista não passa o filme todo assistindo impassiva às transformações que seu corpo e mente sofrem. Aqui, nossa heroína evolui dentro da trama, passando a ter domínio de suas ações, dando força e profundidade à personagem.

O ponto forte aqui tá no desenvolvimento da personagem principal, como já mencionado, e na violência extremamente gráfica toda artesanal, que garante uma seboseira danada com muito sangue em tela. Infelizmente, a maquiagem dá uns vacilos como na deformidade do rosto da protagonista, o que é bastante fake. Há umas cenas toscas aqui e ali, mas os pontos fracos mesmos estão mais em alguns personagens que poderiam simplesmente nem existir, a exemplo do boyzinho que fica enchendo o saco da moça o filme todo.

Esta nova versão de “RABID” peca por tentar acrescentar mais elementos à trama do que ele precisaria de fato, mas nada que estrague a sua experiência. No fim das contas, o remake das Irmãs Soska agrada e acaba fazendo “bonito”. Pena que esta refilmagem passou meio batida pelo público do gênero e pouco se falou a respeito. Quem ainda tá torcendo o nariz e ainda não viu, tá vacilando.

Escala de tocância de terror:

Direção: Jen e Sylvia Soska
Roteiro: John Serge e Irmãs Soska
Elenco: Laura Vandervoort, Benjamin Hollingsworth, Ted Atherton
Ano de lançamento: 2019

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