conecte-se conosco

Resenhas

RESENHA: Suspiria – A Dança do Medo (2018)

Publicados

em

Suspiria - A Dança do Medo

[Por Júlio César Carvalho]

Desde que saiu a notícia de que SUSPIRIA, clássico dos anos 70, de ninguém menos que Dario Argento, ganharia uma nova versão, confesso que fiquei receoso. Não que, para mim, este seja um dos melhores do diretor, pois apesar do conceito visual e trilha sonora marcantes, é inegável todo o desmantelo narrativo, atuações toscas… Enfim… melhor parar com o original e focar no “remake”.

Na trama, bem resumidamente pra evitar spoilers, acompanhamos Susie Bannion, uma jovem americana do interior que decide ser dançarina e vai para uma academia conceituada na Alemanha tentar a sorte. Chegando lá, impressiona a todos com sua performance chamando a atenção da já consagrada Madame Blanc. Nem precisa dizer que as coisas ficam cabulosas por lá, né?

Dirigido pelo também italiano, Luca Guadagnino, este novo SUSPIRIA nos leva para uma escola de dança na Alemanha Oriental mantendo o cerne da trama, porém com mudanças significativas que realmente se sobressaem em relação ao original. Com destaque para as atuações. (Pra quem conhece a filmografia toda do Argento, sabe do que tô falando) Aqui, todas as atrizes realmente entregam personagens marcantes e verossímeis, ao contrário do original. O destaque óbvio fica para a já veterana Tilda Swinton no papel da emblemática Madame Blanc.

Esta nova versão acerta em fugir da paleta de cores gritante do clássico cult, apostando em tons pasteis, quase sem vida, já mostrando que, apesar de ser um remake, tem personalidade própria. Porém, em seu início, procura remeter ao Argento com alguns movimentos de câmera característicos. Pode ser algo que soa mais como homenagem do que um recurso apelativo. Há também um trabalho de reconstituição de época que impressiona tanto na caracterização das ruas como das pessoas. Parece que todo mundo foi tirado daquele tempo de fato.

Para além das cores, o diretor tinha praticamente a missão de criar cenas tão impactantes quanto as do original e consegue. Pena que a melhor já tenha sido exposta nos trailers… O fato é que a violência gráfica chega a ser sádica e, em algum momento, chega a ser apoteótica. Se você curte um sangueiro, não vai se decepcionar. Mas, pra não dizer que tudo são flores, há um recurso técnico em certo momento que, para mim, estragou algo que poderia ter sido ainda mais cabuloso visualmente. O ponto fraco fica para a trilha sonora que, salvo alguns poucos momentos, praticamente passa despercebida.

Denso e macabro, este SUSPIRIA é um filmaço. Uma obra consistente que vai dividir opiniões com relação ao clássico cult setentista. Para mim, este remake tem mais “sustância”, como se diz por aqui, pelas atuações, mensagens e pela fluidez com que a trama é desenrolada. Se curte filme cabuloso, vai fundo!

Escala de tocância de terror:

Direção: Luca Guadagnino
Roteiro: David Kajganich
Elenco: Chloë Grace Moretz, Tilda Swinton, Dakota Johnson
Origem: Itália, EUA
Ano de lançamento: 2018

Gosta de nosso trabalho? Então nos dê aquela forcinha contribuindo através do PicPay!

Anarquista, quase cinéfilo, diretor de arte, fotógrafo, cervejeiro, rockeiro doido e crítico/podcaster do Toca o Terror

Continue lendo
3 Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Resenhas

RESENHA: Megatubarão (2018)

Publicados

em

megatubarão

[Por Jarmeson de Lima]

Cerca de 40 anos após a primeira febre de filmes com tubarões, estamos vendo novamente filmes que colocam esta fera marítima como protagonista. E em meio a produções modestas e outras que apelam para o escracho por seu baixo orçamento, “Megatubarão” chega para chamar a atenção com um mega orçamento e uma campanha de marketing tão grande quanto o bicho que aparece na tela. Quando você ouve pessoas aleatórias falando na rua sobre o “novo filme de tubarão“, é certeza que pelo menos esta parte fizeram bem. (mais…)

Gosta de nosso trabalho? Então nos dê aquela forcinha contribuindo através do PicPay!

Continue lendo

Resenhas

RESENHA: As Faces do Demônio (2020)

Publicados

em

As Faces do Demônio

Pouco se vê do cinema sul-coreano nas salas multiplex do país. E de terror então, nem se fala! “AS FACES DO DEMÔNIO” (Byeonshin 변신), que entraria em cartaz em março deste ano se não fosse a pandemia da COVID-19, estreia agora nos cinemas. A insistência em não lançar o filme em VOD e streaming apesar da quarentena talvez seja sinal de uma abertura maior para produções de gênero da Ásia nas salas comerciais depois que “PARASITA” fez a festa no Oscar.

Este novo longa coreano já começa com os dois pés nas caixas do peito do espectador com um exorcismo pra lá de escatológico que acaba em tragédia, servindo pra nos apresentar os personagens principais: o padre e o demonho. Sequência nada sutil com vômito de sangue, muita ferida e nojeira. A cena é tão surtada que lembra clássicos como “A MORTE DO DEMÔNIO” de Sam Raimi. Mas quando somos apresentados a família que vai sofrer com o malassombro, logo o tom muda radicalmente, entrando num ritmo mais calmo como é de se esperar das produções asiáticas, porém com certa agilidade atípica.

A trama de “AS FACES DO DEMÔNIO” é muito boa, mas infelizmente sua sinopse e trailers entregam muitos spoilers. Eu sei que é difícil, mas se puder, evite-os. A direção de Hong-seon Kim é segura e nos traz uma situação cabulosa atrás da outra. Incrível como o cinema sul-coreano consegue entregar momentos brutos e ternos dentro de uma mesma situação, por mais desconfortável que seja. Pra não estragar, vou evitar descrever o desenrolar dos eventos, mas dá pra dizer que o clima de paranoia, ao bom estilo O ENIGMA DE OUTRO MUNDO do mestre carpinteiro, é muito bem construído e acaba sendo a base que sustenta toda trama. Porém, o diretor perde a mão quando tenta “enfeitar” alguns momentos que poderiam ser mais contidos.

O que chama atenção logo de cara, é a fotografia cristalina e com uma paleta de cor de fortes contrastes entre azul e laranja, típica do cinema mainstream de hollywood predominante, deixando claro que a produção foi feita pra o mercado internacional. Isso é ruim? Seria se fosse mal feito, o que não é o caso. Outra coisa que salta os olhos, é o trabalho de maquiagem artesanal, tanto do possuído como dos cadáveres que podem causar certa repulsa. O que incomoda mesmo é o mal uso de CGI em situações que não precisariam. Não é nem uma questão de purismo, é porque ficaram mal feitas mesmo.

Talvez, o problema aqui é que, para além da estética nitidamente feita pra o público internacional, temos excessos tipicamente hollywoodianos que vão agradar o público em geral, mas podem incomodar os apreciadores do horror asiático mais contido. É sério! Tem hora que a pessoa pergunta pra tela: “PRA QUÊ TUDO ISSO?”. Mas a situação principal concebida é tão intrigante que dá pra relevar esses “exageros ocidentalizados” e ficar tenso do mesmo jeito.

No geral, AS FACES DO DEMÔNIO é um bom filme não só pela narrativa equilibrada e aspectos técnicos, mas pela forma nada convencional de como é tratado o lance de possessão, tema tão mal explorado no cinema de horror nos últimos anos.

NOTA: É bom lembrar que ainda estamos em plena pandemia. Então, se for arriscar, ao menos respeite os protocolos de segurança.

Escala de tocância de terror:

Título original: Byeonshin
Direção: Hong-seon Kim
Roteiro: Kim Hyang-ji
Elenco: Sung-Woo Bae, Dong-il Sung, Young-nam Jang
Origem: Coréia do Sul

Gosta de nosso trabalho? Então nos dê aquela forcinha contribuindo através do PicPay!

Continue lendo

Resenhas

RESENHA: Invasão Zumbi 2 – Península (2020)

Publicados

em

Peninsula

Esqueça o que você viu e gostou em “Invasão Zumbi” (Train to Busan). “Invasão Zumbi 2: Península” (Train to Busan 2: Peninsula) consegue ser tão genérico e pouco original que se não fosse da mesma franquia nem valeria a pena a conferida. Aliás, a ligação entre os dois filmes se dá apenas pela breve introdução em que falam que uma epidemia se espalhou por toda a Coreia do Sul e em pouco tempo o país ficou em lockdown total.

Neste começo até temos uma palhinha do que o filme poderia ser se não tivessem se perdido na megalomania. A cena no caso se passa em um navio de refugiados até o Japão onde um infectado faz mais estrago do que o exército que comanda a embarcação podia imaginar. Mas fica só nisso.

De resto, temos um salto de quatro anos onde mercenários em Hong Kong se especializam em saquear o que restou da Coreia do Sul enviando “mulas” em missões específicas. Aí é quando vemos que “Peninsula” vira um daqueles filmes pós-apocalípticos sem graça com direito a aqueles clichês que já vimos em “Resident Evil“, “Terra dos Mortos” e “The Walking Dead” com refugiados em bunkers contra zumbis que perambulam entre os escombros das cidades.

Se no primeiro filme desta franquia coreana tivemos como um dos pontos cruciais da trama um emocionante desfecho trágico em família, este longa utiliza-se disso como uma muleta para causar empatia com um núcleo de personagens. E falha miseravelmente. A mãe durona que tenta criar suas crianças com o pai/avô está longe de chamar atenção ou emocionar a quem já imagina que o destino deles não será dos mais felizes.

Tirando o aspecto tiro/porrada/bomba nos confrontos com os zumbis, os efeitos digitais deixam muito a desejar. As perseguições com carros atropelando zumbis lembram “Mad Max: Estrada da Fúria” num centro urbano mas com um CGI tão mal construído que parecem extraídos de “Guerra Mundial Z“, onde os mortos-vivos morrem igual a baratas e são vistos rapidamente em frações de segundos.

Considerando o sucesso mundial do primeiro filme, os produtores quiseram agora faturar alto com um orçamento bem maior e algumas concessões criativas transformando o longa em um tipo de filme de ação/aventura que por um acaso tem essas criaturas tão populares no universo do horror. A preocupação em atrair um público maior foi tanta que praticamente eliminaram a carnificina típica de um ataque zumbi para deixar as mortes dos vivos em off-screen.

Diante de tudo isso, não procure ter muitas expectativas ao assistir “Peninsula“. Claro que dependendo do seu grau de exigência, o filme possa ser um bom passatempo. O problema é que não se torna nada mais além disso, tornando-se aquele produto tipicamente enlatado que não precisaria ser revisto depois.

Escala de tocância de terror:

Diretor: Sang-ho Yeon
Roteiro: Sang-ho Yeon, Ryu Yong-jae
Elenco: Dong-won Gang, Jung-hyun Lee, Re Lee
País de origem: Coreia do Sul
Ano de lançamento: 2020

Gosta de nosso trabalho? Então nos dê aquela forcinha contribuindo através do PicPay!

Continue lendo

Trending