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DICA DA SEMANA: Noite de Histórias e de Terror (1990)

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Noite de Histórias

[Por Osvaldo Neto]

É sempre muito legal descobrir mais um filme esquecido dentro de um dos subgêneros mais subestimados do cinema de horror: as antologias. E a Dica da Semana é uma antologia que também se revela um híbrido entre dois gêneros, o horror e o faroeste.

NOITE DE HISTÓRIAS E DE TERROR
foi o único longa de ficção escrito e dirigido por Wayne Coe, artista que ficou a cargo das artes promocionais para filmes como DUNA, MULHER NOTA 1000 e DE VOLTA PARA O FUTURO.

A produção independente apresenta 4 pequenas histórias ambientadas no Velho Oeste americano, contadas à beira da fogueira por dois curiosos personagens interpretados por James Earl Jones e Brad Dourif. O primeiro está na pele de Morrison, um debochado caçador de recompensas que chega ao acampamento de Farley, o viajante interpretado por Dourif, com um cadáver em seu cavalo.

A primeira história, protagonizada por Will Hare (o inesquecível vovô de NATAL SANGRENTO), lida com um sujeito que atravessa um cemitério indígena e demonstra o maior desrespeito pelas tradições dos nativos americanos… para se lascar em seguida, é claro. A segunda tem um sujeito (Marc McClure) que tenta ajudar e, em seguida, conquistar uma mulher grávida e solitária (Michelle Joyner), mas nem tudo é o que parece ser. O final desse segmento é daqueles que se tem de ver para crer.

Na terceira, que não tem nada de sobrenatural (e na opinião deste que vos escreve, a melhor!), uma jovem pioneira (Wendy Cooke) descobre que o seu pai de criação (William Atherton, de OS CAÇA-FANTASMAS e DURO DE MATAR) é um assassino racista que participa de linchamentos. A 4a. e última mostra um famoso pistoleiro de aluguel (Scott Paulin) que acredita estar sendo assombrado pelo fantasma de outro pistoleiro que foi derrotado em um duelo.

E, curiosamente, essa deve ser a primeira antologia que o conhecido segmento de ligação é mais prazeroso de se assistir do que algumas das histórias contadas pelos protagonistas. Digo isso não apenas pelas esperadas boas atuações de Jones e Dourif, mas também pelos diálogos que os seus personagens trocam entre si. Ambos são contadores e, também, críticos das próprias histórias do longa e isso é muito divertido.

NOITE DE HISTÓRIAS E DE TERROR nunca foi lançado em DVD ou Blu-Ray nem por aqui e nem no exterior e pode ser encontrado no YouTube em cópias extraídas do VHS americano ou do VHS brasileiro da Abril Video, com legendas em português. Muito do ótimo trabalho do polonês Janusz Kaminski na fotografia, feito pouco antes de ser o diretor de fotografia de todos os filmes de Spielberg desde A LISTA DE SCHINDLER, se perde nas cópias escurecidas de VHS nas quais o longa sobrevive nos dias de hoje.

Fica a esperança de que um dia vejamos um lançamento digno para esse filme que pode não ser inteiramente bem sucedido, mas nem por isso deixa de ter as suas surpresas e de ser recomendável aos fãs de faroeste e, claro, do terror.

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DICA DA SEMANA: Triângulo do Medo (2009)

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Triângulo do Medo

Na busca por algo mais “desafiador” para indicar, vi que no Amazon Prime Video ainda está disponível o cabuloso e intrigante TRIÂNGULO DO MEDO (Triangle, 2009), filme que me surpreendeu na época do seu lançamento e que só melhora a cada revisão.

Em TRIÂNGULO DO MEDO, Jess, e um grupo de amigos, sofrem um acidente em alto mar e ficam à deriva em cima do casco da embarcação que está de ponta cabeça. Eis que um enorme cruzeiro surge para salvação de todos. Ao embarcarem, o navio parece estar abandonado até que uma pessoa mascarada aparece pra matar geral. Agora nossa protagonista só pensa em voltar para seu filho, mas tudo só piora quando percebe que está presa num tipo de looping temporal.

Escrito e dirigido por Christopher Smith (Mutilados, Trem do Medo, Morte Negra), TRIÂNGULO DO MEDO poderia cair fácil nas armadilhas da própria premissa e findar num filme chato e confuso, mas é justamente o contrário, pois o cineasta soube trabalhar as “repetições” sempre entregando elementos novos que vão se encaixando conforme avança em toda sua espiral de insanidade e violência. O roteiro além de não tratar o espectador como incapaz – não se vale de diálogos expositivos que explicam tudo a cada momento – ainda traz questões sobre maternidade que servem para a trama e além.

Violento e com um quebra-cabeça muito bem arquitetado, TRIÂNGULO DO MEDO é altamente indicado para quem curte ficar teorizando, pois é aquele tipo de filme que dá um nó nas idéias por ser cheio de detalhes que podem passar despercebidos a primeira vista, mas que numa revisão só melhoram a experiência.

NOTA: Se gosta desse tipo de filme e quer conhecer outros de terror que tratam tratam de viagens temporais, indicamos aqui mais 2 filmes do tipo pra você.

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DICA DA SEMANA: Rituais (1977)

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Rituais

Minha DICA DA SEMANA conta a história de um grupo de cinco médicos que resolvem se aventurar por alguns dias no meio da natureza em um tipo de versão canadense de “Amargo Pesadelo“.

Rituais” (Rituals) dirigido por Peter Carter, com bela fotografia de René Verzier, assim como o ótimo australiano “Um Longo Fim de Semana“, nos mostra uma natureza que ao mesmo tempo pode ser bela e terrível. Não bastassem as situações adversas da viagem, tudo começa a piorar com a presença de um “stalker” (ou seria mais de um?) que decide infernizar o grupo com suas “travessuras”.

Tudo começa com um inocente roubo das botas de todos. Porém, depois, quando a brincadeira avança pra uma cabeça de alce pendurada numa árvore, a trupe chega à conclusão que está na hora de procurar um jeito de voltar para casa… só que nosso amigo nativo não está muito disposto a deixar que saiam dali facilmente.

Os integrantes do grupo começam a sucumbir armadilha após armadilha e, assim como o perseguidor em cima do morro, observamos uma já abalada amizade ser posta à prova por mágoas e ressentimentos vindo à tona devido aos momentos de pressão (fórmula que funciona muito bem no ótimo “Abismo do Medo“, de Neil Marshall). A obra, que foi filmada em continuidade, deixa ainda mais visível o desgaste causado aos atores e é aí que o saudoso Hal Holbrook (“Creepshow“, “A Bruma Assassina“) brilha como Harry.

Apesar do baixo custo da produção, a maquiagem eficiente de Carl Fullerton (“Sexta-Feira 13 parte 2 e 3″, “O Silêncio dos Inocentes“, etc.) traz o pouco de gore que a gente tanto gosta em cenas como a da cauterização com pólvora (Rambo bebeu nessa fonte? E a faixa vermelha na cabeça, hein?) e a bela música de Hagood Hardy valorizam ainda mais o resultado final.

A meu ver o ponto fraco do filme é a resolução final. Citando o protagonista, “Há coisas piores na vida do que leite em pó, suponho” e o final desse filme é uma delas (apesar de ser ao mesmo tempo bastante sinistro).

Confiram “Rituaisnessa cópia sem cortes e com bem menos riscos e ruídos que uma outra versão que roda a internet há um bom tempo. Boa diversão!

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DICA DA SEMANA: 13 Fantasmas (1960)

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13 Fantasmas

Se 1 fantasma já dá medo, imagine ter que lidar com 13 ao mesmo tempo em uma casa. Essa é a premissa de um filme que já entrega de cara e sem rodeio o que veremos: “13 Fantasmas” (13 Ghosts), produção de William Castle que obviamente deu bem o que falar quando foi lançado há 61 anos.

Quem ligou o nome à pessoa sabe que Castle era o “rei da munganga” no cinema dos anos 50 e 60 sempre dando um jeitinho de apimentar as sessões de seus filmes de formas inusitadas. Em “Força Diabólica” (The Tingler), ele colocou botões pra dar choque nos espectadores; em “A Máscara do Horror” (Mr. Sardonicus), ele praticamente inventou o “Você Decide“… e por aí vai.

Nesta produção tipicamente modesta mas bem produzida, o diretor instruía o público a colocar uma espécie de “óculos 3D” para visualizar os fantasmas que apareciam em cena. E apesar da tecnologia 3D já estar em uso há alguns anos, a técnica dele chamada de “Illusion-O” era mais arrojada, com sequências em cores que tinham contraste com as lentes dos óculos que a plateia recebia e colocava no rosto a cada indicação na tela.

Mas tirando esta parte “interativa”, “13 Fantasmas” por si só garante a diversão. Claro que tem uma história meio batida como a de uma família que recebe a herança de um antepassado e que precisa de alguma forma passar uns dias em uma casa sinistra. O que eles não contavam é que o excêntrico Dr. Zorba tinha o hábito de capturar fantasmas pelo mundo e guardá-los em um dispositivo na casa onde a família precisa ir.

Em termos estéticos, os fantasmas que aparecem até lembram aquelas assombrações dos curtas de Lumiére e Segundo de Chomón com cenas sobrepostas em cenários filmados. Além dessas referências e da história que não traz muitas surpresas, “13 Fantasmas” também é marcante por ser um dos primeiros filmes do cinema norteamericano a usar a tábua Ouija da forma como conhecemos, com direito a um baita susto nos personagens e nos espectadores.

Para saciar sua curiosidade a respeito dessa obra de William Castle, acesse o catálogo do Plex em seu computador ou em Smart Tvs e finja que o remake dos anos 2000 nunca existiu.

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