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RESENHA: O Poço (2020)

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O Poço

Com uma produção modesta com apoio do governo espanhol e distribuição da Netflix, “O Poço” (El Hoyo) mescla mistério, drama e ficção científica numa trama que é fácil de resumir, mas difícil de explicar. Assim como obras como “Cubo” e “Demônio“, a ação deste filme se concentra em alguns poucos cenários, restando aos atores imprimir um trabalho que chama a atenção do público.

O estreante em direção de longas, Galder Gaztelu-Urrutia, apresenta aqui uma história que se passa em uma espécie de prisão vertical, em que cada andar abriga dois presos. A plataforma não possui grades ou janelas… apenas as paredes, camas e um buraco no chão e no teto que é por onde uma vez por dia desce uma grande mesa de comida.

E é através do comportamento dos presos frente às refeições que são destrinchadas analogias sociais de opressão, solidariedade e das relações de poder que vão de cima para baixo literalmente. Quem tem sorte de ficar nos níveis superiores tem a chance de comer as refeições com os pratos ainda intactos e limpinhos. Já quem está mais abaixo vai tendo que se contentar com o que vai sobrando sem que nehum dos confinados tenha a preocupação de deixar algo para quem vai se alimentar depois. 

Nesta situação de isolamento dividida em um lugar onde você não queria estar e com quem você não queria conviver, o lado obscuro de cada um se revela e podemos esperar o pior na medida em que vemos o que acontece nos níveis inferiores do Poço. Podia ser só um filme tipo crítica social ao sistema carcerário, mas ele abrange uma metáfora maior sobre nossa presença no mundo e nossa responsabilidade diante da escassez e desperdício de alimentos.

Apesar de ter um ritmo mais reflexivo, “O Poço” sempre guarda cenas impactantes (e com boa dose de gore) no desdobramento de sua história garantindo uma certa fluidez pra quem assiste. Obras assim que oferecem algo a mais do que aparentam estão em falta no cardápio da Netflix, mas são sempre bem vindas.

Escala de tocância de terror:

Título original: El Hoyo
Diretor: Galder Gaztelu-Urrutia
Roteirista: David Desola
Elenco: Ivan Massagué, Zorion Eguileor, Antonia San Juan
País de origem: Espanha

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2 Comentários

2 Comments

  1. Paulo

    2 de abril de 2020 a 13:26

    este site não dá um 4 ou 5 pra nenhum filme? valha-me cristo azedume

    • Toca o Terror

      2 de abril de 2020 a 13:35

      Prezado, procure ler outras resenhas e encontrará notas maiores.
      Abraços da equipe

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SÉRIE: O Grito – Origens (2020)

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O Grito - Origens

O J-Horror ficou mundialmente conhecido no início dos anos 2000 devido ao sucesso do remake americano de “O Chamado” (2002). Tempos depois aportava em cinemas do mundo todo “O Grito” (2004) outro remake de uma obra oriental e também um enorme sucesso comercial.

A primeira metade dessa década ficou marcada por um número imenso de remakes orientais, além da grande distribuição das obras originais. Mas tudo em excesso é ruim e chegou um momento em que ficamos saturados desses remakes e continuações.

Nos tempos atuais até tivemos uma tentativa de reviver essas franquias, como aconteceu com o próprio “O Grito” que recebeu um horrendo reboot americano no começo do ano. Meses depois deste lançamento, uma série da Netflix realizada no seu país de origem, tem a proposta de contar o inicio do maldição que assombra os espectadores ao longo dos últimos 16 anos.

A série “O Grito – Origens” segue várias linhas de tempo durante as décadas de 60, 80 e 90, e entre idas e vindas, mostra como uma casa se tornou maligna e como isso afligia a vida dos seus desafortunados residentes ou quem ousasse entrar no local. Um pesquisador paranormal e autor de livros de terror adentra na história e tenta descobrir o que de fato ocorre nessa teia de desgraças que ocorre por lá.

Servindo como prequel para a franquia original de filmes, a série aparentemente prometia desvendar a origem do ódio de Kayako e sua família por todos que entrassem em seus domínios… mas já adianto que a vilã principal da franquia cinematográfica não deu as caras pelo menos na tela nessa primeira temporada. Aqui conheceremos outras assombrações que residiam no local beeem antes.

Eu confesso que nunca morri de amores pelos filmes. Sempre achei bem medianos e acabei topando ver a série num quase prazer culposo e com a mínima esperança de que fosse algo bom. Infelizmente não foi o caso. A estrutura narrativa de idas e vindas no tempo é confusa com muitos personagens pouco ou zero aproveitados. O uso de temas polêmicos jogados na tela só para chocar o espectador me incomodaram bastante principalmente por serem cenas descartadas pouco tempo depois.

Agora vou ter que dar um leve spoiler, pois a cena que encerra o primeiro episódio e tem continuidade no seguinte pode ser um gatilho para muitas pessoas. No caso, há um estupro que é mostrado de forma fetichista e objetificada, e suas consequências são de uma irresponsabilidade gritante. Entendo que a série queria fazer um parelelo entre o horror real e o sobrenatural, mas ficou acima do tom, sensacionalista demais.

“O Grito – Origens” então é uma bomba completa? Bem ..quase. Existem cenas isoladas que conseguiram me dar aquele arrepio ou me surpreender, mas elas são poucas e não conseguem fazer milagre. Os efeitos práticos e a maquiagem são ótimos e o gore se faz presente. Infelizmente o mesmo não se pode dizer dos efeitos digitais.

Os personagens careciam de um desenvolvimento melhor com algo que o público se identificasse. E uma trama mais enxuta faria toda uma diferença. Ah, e o tal subtítulo “origens” é meio enganoso pois deixa mais perguntas do que fornece respostas, provavelmente já pensando em próximas temporadas.

Escala de tocância de terror:

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RESENHA: O Que Nos Mantêm Vivos (2018)

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O Que Nos Mantêm Vivos

O cinema com temática LGBTQI+ está cada vez mais ganhando visibilidade. Dentre os gêneros abordados, o terror também se encontra presente. Pessoalmente não conheço muitos filmes com uma pegada séria, uma vez que sempre acabam flertando com a comédia, como é o caso de “Matadores de Vampiras Lésbicas” (2009) ou “The Curse of the Queerwolf” (1988). Existem, sim filmes mais sérios como “Parceiros da Noite” (1980), mas obviamente são casos raros. Recentemente, navegando pela Amazon Prime, descobri o filme “O Que Nos Mantêm Vivos”, um filme de terror de sobrevivência estrelado por um casal lésbico.

A trama acompanha o casal Jackie e Jules que está comemorando o seu primeiro ano de casamento indo para uma casa de campo. As coisas começam bem, mas alguns segredos e mentiras vêm à tona e o que seria um fim de semana romântico se torna um pesadelo imprevisível. Falar mais que isso seria spoiler e já adianto que evitem o trailer antes de assistir, pois ele conta o filme todo.

Casais apaixonados em casas no meio do nada sendo apavorados não é algo novo e esse filme tenta não reinventar a roda, mesmo com seus momentos de surpresa. As duas atrizes seguram as pontas e dão mais camadas às suas personagens na medida em que o caos emerge. O jogo de gato e rato é interessante e por vezes instigante, me lembrando o superior “Hush – A Morte Ouve” (2014). A direção consegue na maior parte do tempo captar a tensão e a loucura, mesmo que em alguns momentos escorregadios, as cenas se transformem em algo quase caricato.

Uma coisa que me incomodou em “O Que Nos Mantêm Vivos” foi o uso de estereótipos para caracterizar as personagens. Na maioria dos filmes do gênero sempre parece uma regra ter que se colocar alguém do casal de forma mais masculinizada para se ter uma distinção do seu par. Isso vale para casais gays também, claro. É como se a audiência hétero não pudesse enxergá-los simplesmente como um casal se não tiver essas características aparentes. Outra coisa que me irritou foi se utilizar do manjado artifício da burrice de certa personagem para fazer a trama prosseguir. Ficam claras várias possibilidades, mas o roteiro teima em ir pelo caminho mais fácil.

Embora o filme apele mais para o psicológico, o gore aparece aqui e ali para salpicar a tela de vermelho. No fim é um bom filme que te prende até o final, mesmo por vezes te fazendo virar os olhos em descrédito. Divertido, “O Que Nos Mantêm Vivos” merece ser mais visto.

Escala de tocância de terror:

Título original: What Keeps You Alive
Direção e roteiro: Colin Minihan
Elenco: Hannah Emily Anderson, Britany Allen, Joey Klein
Ano de lançamento: 2018
País de origem: Canadá

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RESENHA: Predadores Assassinos (2019)

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Predadores Assassinos
[Por Osvaldo Neto]
Muitos fãs de terror estarão assistindo a PREDADORES ASSASSINOS nos cinemas no próximo final de semana. Mas nem todos nutrem a mesma expectativa quanto aqueles que tem algum conhecimento de causa a respeito do diretor Alexandre Aja. (mais…)

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