conecte-se conosco

Resenhas

RESENHA: A Torre Negra (2017)

Publicados

em

A Torre Negra

[Por Felipe Macedo]

Stephen King é um dos dos autores mais adaptados do cinema e em meio a tantos filmes, a maioria é de qualidade duvidosa. Poucos são os que merecem ser dignos de menção. O novo longa baseado em sua obra é inspirado na série de livros A Torre Negra e que de acordo com o próprio King bebe da fonte de Tolkien na construção do universo e criaturas fantásticas.

A trama é mostrada através de Jake, um garoto aparentemente comum que vive em Nova Iorque com sua mãe e padrasto. O garoto passa por um grande trauma na morte de seu pai e desde então tem sonhos estranhos envolvendo o misterioso homem de preto e o pistoleiro. A sua vida sofre uma reviravolta ao descobrir que seus sonhos são reais e que é peça fundamental para a salvação ou destruição do mundo.

Para variar, a obra não é fiel ao material original, pegando elementos de vários livros para compor a história. Mesmo tendo um belo visual, ele acaba sendo bem superficial. Nenhum personagem é devidamente desenvolvido e acabam sendo estereotipados. O vilão é tão malvado, mas tão malvado que é capaz de tirar doce de criança. E realmente existe uma cena que mostra uma variação disso!

O pistoleiro é um herói relutante, que também passou um grande trauma sendo consumido pelo desejo de vingança. Mas aí no decorrer do filme, ele se lembra do que é ser herói. O garoto Jake, que deveria ser o espelho do público, não passa o encantamento pelo novo mundo e fica apático durante boa parte da história.

A direção de arte consegue criar cenas de ação visualmente lindas, mas sem o mínimo de impacto pessoal, o que acaba prejudicando bastante o elo entre público e personagens. Ainda vale salientar que o último ato é apressado e incrivelmente previsível. A Torre Negra acaba sendo um filme bastante esquecível e mesmo não sendo o pior das obras baseadas em Stephen King, não deve agradar a todos que esperam uma boa diversão.

Ps: O filme terá um complemento através de uma série de Tv e o filme passa a impressão de ser um piloto de luxo.

Escala de tocância de terror:

Título: A Torre Negra
Diretor: Nikolaj Arcel
Roteiro: Nikolaj Arcel, Akiva Goldsman, Jeff Pinkner
Elenco: Idris Elba, Matthew McCounaughney, Tom Taylor
País de origem: EUA

Filme visto na Cabine de Imprensa promovida pela Espaço Z no Cinemark Rio Mar

Gosta de nosso trabalho? Então nos dê aquela forcinha contribuindo através do PicPay ou em nossa campanha no APOIA.se!

"Nós deixamos de procurar os monstros embaixo de nossas camas, quando percebemos que eles estão dentro de nós"

Continue lendo
10 Comentários

10 Comments

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Resenhas

RESENHA: #Alive (2020)

Publicados

em

Alive

O cinema sul coreano ganhou uma visibilidade incrivel nos últimos anos e hoje não é tão raro ver obras vindas de lá aportarem no cinema. Mas é claro que com a pandemia as coisas foram freadas e alguns filmes estão ganhando destaque via streaming. Este é o caso de #Alive, filme que estreou em seu país na reabertura dos cinemas com bastante êxito e está sendo distribuído mundialmente pela Netflix.

A trama acompanha um jovem rapaz, que sozinho no apartamento da família, tenta sobreviver a uma epidemia mortal que transforma os cidadãos em zumbis sedentos por carne humana. No passar de vários dias, com comida e água acabando e ataques cada vez piores das criaturas, o rapaz coloca em cheque a promessa que fez ao pai de sobreviver. E aos trancos e barrancos ele tentará cumprir o que foi pedido.

#Alive é um bom filme de zumbis que não coloca nada de novo na mesa, mas traz o básico que, em sua maior parte, é competente. O longa não enrola e logo nos primeiros minutos a confusão e o caos predominam. A primeira parte é a melhor, se passando em praticamente um único cenário, mostrando bem a sensação de solidão e medo do personagem com cenas de ação pontuais e mais comedidas. Vale comentar a ótima maquiagem dos monstros que lembram o conterrâneo “Invasão Zumbi” (Train to Busan).

Outra semelhança com o longa de zumbis mais famoso é a ambientação minimalista e o país. Sinceramente, essa sim deveria ser a sequência real dele, pois mesmo não sendo perfeita, se mostra bem superior à continuação oficial, chamanda “Península”.

Os problemas de #Alive vêm à tona em sua segunda metade, onde as sequências de ação se tornam inverossímeis demais (até para um filme de zumbis)… Meio que a produção se rende ao espetáculo ocidental apresentando exageros que tiram a atenção diversas vezes. O clímax acaba sendo forçado e emotivo demais querendo a todo custo arrancar lágrimas do público.

Concluindo… #Alive não é um divisor de águas do gênero, mas é divertido e tenso na maior parte de sua duração. Vale gastar o tempo assistindo as desventuras do protagonista e sua busca pela sobrevivência.

Escala de tocância de terror:

Título original: #Saraitda
Diretor: II Cho
Roteiro: II Cho,Matt Naylor
Elenco: Ah-in Yoo, Shin-Hye Park,Bae-soo Jeon e outros
País de origem: Coreia do Sul

Gosta de nosso trabalho? Então nos dê aquela forcinha contribuindo através do PicPay ou em nossa campanha no APOIA.se!

Continue lendo

Resenhas

RESENHA: Ameaça Profunda (2020)

Publicados

em

Ameaça Profunda
[Por Felipe Macedo]

Alien” (1979) foi um divisor de águas no quesito de mesclar gêneros, nesse caso, ficção e horror. Sequências foram realizadas assim como cópias com qualidades que iam do mediano ao lixo total. E agora nesse inicio de década, surge “Ameaça Profunda” (Underwater), um filme com toda pinta do primo famoso, estrelado por Kristen Stewart e coincidentemente do mesmo estúdio.

Numa base submersa, responsável por perfurar o fundo do mar, um terrível acidente acontece, causando um dano colossal a estrutura e matando boa parte da equipe. Os poucos sobreviventes lutam para encontrar entre os destroços um meio de voltar a superficie. E se problema pouco é bobagem, logo eles descobrem que uma estranha criatura está os caçando e não vai parar até devorar o último deles.

Sinceramente, não esperava nada desse filme e a julgar pelo trailer pensava que seria algo pseudo-cabeçudo e que a ação seria resumida nos últimos 10 minutos. Mas para minha alegria, eu estava errado. A trama é ágil e não enrola para a tensão começar. Logo somos apresentados ao menu, digo, personagens rasos que só estão ali para ir parar no bucho do bicho.

Tirando a personagem da Kristen, sabemos que a maioria não chegará ao final. A história, na real, se assemelha a uma colcha de retalhos e que tem como maior inspiração, claro, “Alien“, com uma pitada de “O Segredo do Abismo“. Isso não é ruim e o resultado é um pipoca divertida e competente.

O gore está no limite do que o PG-13 permite e surpreendentemente tem seus momentos nojentos. O visual está muito bem feito, seja do local em si como do nosso vilão. Logicamente não poderia deixar de existir os famigerados jumpscares, mas confesso que caí na maioria deles. Tenho que citar ainda o clímax tenso, com direito àquele sorriso nervoso por parte do público.

Resumindo… “Ameaça Profunda” não é maravilhoso, mas só pelo fato de não ser aquela bomba e divertir bastante, já vale o ingresso. O ano começou muito bem pro terror pipoca e espero que continue assim.

Escala de tocância de terror:

Título original: Underwater
Diretor: William Eubank
Roteiro: Brian Duffield, Adam Cozad
Elenco: Kristen Stewart, T.J Miller, Vicent Cassel e outros

Gosta de nosso trabalho? Então nos dê aquela forcinha contribuindo através do PicPay ou em nossa campanha no APOIA.se!

Continue lendo

Resenhas

RESENHA: O Cemitério das Almas Perdidas (2020)

Publicados

em

O Cemitério das almas perdidas

Ao mestre José Mojica Marins.” Com essa frase, o diretor e monstrólogo Rodrigo Aragão, que teve o prazer e o privilégio de trabalhar com o maior ícone do horror nacional em As Fábulas Negras“, começa seu sexto longa metragem, “O Cemitério das almas perdidas”. A emoção causada por essa homenagem é apenas a primeira de muitas que qualquer fã do gênero terá durante os próximos 95 minutos da obra.

Cipriano e o Cramunhão

Quem tem mais de 30 anos já conhece ou ouviu falar do Livro Negro de São Cipriano. A obra, que é um tipo de manual de feitiços e bruxarias que teria sido sussurrado pelo cramunhão em pessoa no ouvido do citado santo, é o pivô do filme. Após ser roubado, o livro vem parar aqui no Brasil do século XVI nas mãos de sanguinários jesuítas. Após massacrar uma tribo inteira, o autodenominado Cipriano (Renato Chocair), escraviza sexualmente uma jovem índia chamada Aiyra (Allana Lopes), que será resgatada por membros de uma tribo canibal. Para evitar a derrota, Cipriano conjura um feitiço e se torna um vampiro/zumbi junto de seus asseclas!

Cipriano

Apesar da vitória iminente, em um último momento do embate, o livro tem algumas páginas arrancadas e o grupo de vampiros é confinado ao espaço da pequena capela e seu cemitério graças a um feitiço invocado pelo jovem missionário Joaquim (Caio Macedo). A sobrevivência da trupe será mantida por um grupo de pessoas que, para evitar a danação das crianças de seu pequeno vilarejo, se torna responsável por matar a sede dos vampiros arrastando forasteiros para o cemitério.

O Espetáculo Mausoleum

Muitos anos se passam e num Brasil mais recente conhecemos um jovem chamado Jorge (Diego Garcias). Integrante de um espetáculo mambembe administrado por Fred (Francisco Gaspar) chamado “Mausoleum“, Jorge tem um pesadelo recorrente onde se encontra com uma jovem índia (adivinha quem é essa índia?) e é empurrado do penhasco ao lado de uma igreja (adivinha que igreja é essa?). Após o grupo de artistas entrar em conflito com um bando de religiosas por causa do conteúdo do show ser considerado inapropriado (parece que esse Brasil é ainda mais recente do que imaginávamos!) são emboscados por encapuzados e arrastados para o cemitério, onde o sonho que repetidamente atormenta Jorge se tornará realidade.

Crentes do cu quente

Se Rodrigo, sua esposa Mayra Alarcón e todo o pessoal da Fabulas Negras Produções já conseguia tirar leite de pedra, agora com um orçamento na faixa de R$ 2 milhões, que ainda é troco de bala para um longa, eles obtém um resultado que não deixa nada a dever à produções hollywoodianas de gênero. Impressionante como com um pouco mais de dinheiro conseguiram transformar um galpão em Guarapari-ES em praticamente uma Weta Workshop (produtora neozelandesa de efeitos que foi responsável por filmes como “O Senhor dos Anéis”). Estátuas de anjos da morte, armaduras, espadas, criptas e um cemitério inteiro! (Já quero uma cópia Blu-ray pra poder ficar vendo e revendo os detalhes) estão na cenografia do filme. Eduardo Cardenas, responsável pelo departamento de arte, fez um trabalho impecável. Podemos dizer que temos o mesmo esmero tanto na fotografia de Alexandre Barcelos, quanto na música incidental de João MacDowell.

A índia Aiyra

Rodrigo Aragão, assim como seu personagem Jorge, viu seus sonhos serem realizados em “O Cemitério das almas perdidas“. Graças a um edital do Fundo Setorial do Audiovisual (saudades, Ancine), finalmente conseguiu tirar do papel um roteiro que começou a escrever há cerca de 18 anos e com elementos que estavam presentes em toda sua obra. O Livro de São Cipriano? Já tinha sido citado em “Mar Negro”, “A Mata Negra” e “A Noite do Chupacabras”. A igrejinha do cemitério? Já tava lá em “Mangue Negro”… e deve ser massa ver tudo isso acontecer ao lado de pessoas que estão lá com ele desde o começo, como o ator Marcos Konká, que aqui interpreta o líder dos fantasiosos canibais, e que é o único ator a participar de todos os filmes do diretor.

Gore

“O Cemitério das almas perdidas” é uma obra que se conseguir a distribuição que merece, tem tudo para ser um divisor de águas no gênero. Temos aqui um filme com enredo e atuações eficientes, tecnicamente irrepreensível para agradar gregos e troianos e com muito gore para agradar aos fãs de horror. Um filme com potencial para abrir muitas portas, mesmo em tempos difíceis para as artes como o que vivemos. Já passou da hora de acabar com esse preconceito besta com o cinema nacional e, principalmente com o cinema nacional de gênero.

P.S.: Senti falta de mais momentos no espetáculo Mausoleum, pois são deliciosamente divertidos. Já valia aí um “spin off”, hein, Rodrigo? 😉

LEMBRETE: O filme estreia em uma sessão no Belas Artes Drive-In, em São Paulo, no dia 6 de setembro e no dia 7, das 18h às 23:59h, na programação do 10ª edição do Cinefantasy – Festival Internacional de Cinema Fantástico, que ocorre entre os dias 6 e 20 de setembro na plataforma Belas Artes à la Carte.

Quer ouvir mais curiosidades sobre a produção do filme e conhecer um pouco melhor o diretor Rodrigo Aragão? Escute aqui o programa que fizemos com ele.

Escala de tocância de terror:

Título: O Cemitério das Almas Perdidas
Direção e roteiro: Rodrigo Aragão
Elenco: Renato Chocair, Allana Lopes, Diego Garcias
Ano de produção: 2020

Gosta de nosso trabalho? Então nos dê aquela forcinha contribuindo através do PicPay ou em nossa campanha no APOIA.se!

Continue lendo

Trending