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Resenhas

RESENHA: The Perfection (2019)

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The Perfection

[Por Tati Regis]*

É engraçado como a gente reage quando fica sabendo que uma produção nova do gênero horror acabou de entrar no catálogo da Netflix. Um misto de desconfiança e curiosidade nos invade. Embora tenha sido indicado por amigos de confiança, comecei a ver The Perfection com um pé atrás. Principalmente depois de ler a sinopse.

Charlotte (Allison Williams, de Corra!), uma violoncelista precoce, teve que interromper sua promissora carreira pra cuidar da mãe doente. Após dez anos, sua mãe morre e Charlotte volta pra antiga escola e reencontra seu professor, Anton (Steven Weber). Anton agora tem uma nova pupila, Lizzie (Logan Browning, de Dear White People). As duas se conhecem e tudo caminha para uma relação super saudável e produtiva. Tudo que Anton queria. Será? É, pois é, nunca confie na sinopse.

Charlotte, Lizzie e Anton, cada um com seus interesses, faz dessa produção uma trama recheada de vingança, obsessão, suspense, drama, tensão, bizarrices, sangue e reviravoltas. São 90 minutos de filme divididos em quatro capítulos. Recurso muito bacana, por sinal, que faz com que o filme tome várias direções onde cada capítulo teu seu próprio plot, digamos assim.

Trompe-l’oeil é uma técnica artística que, com truques de perspectiva, cria uma ilusão ótica que faz com que formas de duas dimensões aparentem possuir três dimensões. Provém de uma expressão em língua francesa que significa “enganar o olho” sendo usada principalmente em pintura ou arquitetura. (Fonte: Wikipedia). E por que diabos no meio da resenha de um filme, me vem Tati falar de pintura e arte? Porque meus amigos, The Perfection é o que podemos chamar literalmente de engana-olhos.

É uma trama que nos leva a caminhos sinuosos, cheio de curvas e armadilhas. A produção é até bem acima da média do que se costuma ter na Netflix, mas incomoda o exagero das explicações na medida em que os segredos estão sendo revelados. Isso pode levar o espectador mais atento a manjar e antever algumas situações que poderiam facilmente funcionar como elemento surpresa na trama.

Mas se a gente for encrencar com alguns vacilos da história, a gente deixa de aproveitar um baita filmão. E acaba percebendo que aquele vacilo, no final de tudo, é só um mero detalhe.

O elenco escalado ajuda bastante no crescimento do longa. Não tenho do que reclamar. Sustenta com vigor e convence. Charlotte é complexa e imprevisível. Lizzie é ousada. Ao contar mais sobre elas, corremos o risco de soltar spoilers e não queremos isso aqui, não é mesmo? Aliás, contar qualquer coisa mais sobre The Perfection é como cair de paraquedas num campo minado de spoilers. Quanto menos o espectador souber, melhor vai ser sua experiência com a história.

Só queria destacar aqui o final que, mesmo com pequenos furos, ainda assim consegue ser interessante, brutal, insano e nos faz questionar se todo sacrifício vale realmente a pena. Ou se os fins justificam os meios. Ao término deste filme, responda se for capaz. E cuidado com o Trompe-l’oeil.

Escala de tocância de terror:

Direção: Richard Shepard
Roteiro: Eric C. Charmelo, Richard Sheperd e Nicole Snyder
Elenco: Allison Williams, Logan Browning, Steven Weber e Alaina Huffman
Ano de lançamento: 2019
País de origem: Canada

* Especial para o Toca o Terror

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1 comentário

  1. centoundici

    22 de junho de 2019 a 04:33

    Me entusiasmou muito sua resenha. Espero não me decepcionar. Comecei a assistir agora há pouco, ainda estou no primeiro ato.

  2. Pingback: LISTA: Top 20 – Melhores filmes da década (2010-2019) | Toca o Terror

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RESENHA: Os Mortos Não Morrem (2019)

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[Por Geraldo de Fraga]
Não é a primeira vez que Jim Jarmusch usa elementos do horror para tecer uma crítica social. Com Amantes Eternos (Only Lovers Left Alive), o diretor e roteirista já tinha feito um discurso contra a ‘mediocridade’ da atual produção cultural, usando a história de um casal de vampiros que se sente entediado com os artistas do mundo moderno. (mais…)

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DICA DA SEMANA: Maratona “The Bat Pack”

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The Bat Pack

Mesmo não sendo as primeiras grandes estrelas do gênero, pois na era de ouro da Universal tivemos Lugosi, Karloff e Lon Chaney, esses três aqui marcaram forte presença nas décadas seguintes e moldaram o cinema de terror do Século XX. Aproveitando a semana de aniversário do “The Bat Pack”: Peter Cushing, nascido em 26 de maio de 1913; Vincent Price, nascido em 27 de maio de 1911; e Christopher Lee, nascido em 27 de maio de 1922, minha dica aproveita a quarentena e vira uma super-dica!

The Bat Pack – Conhecendo três lendas

Vincent Price era o mais velho deles e o primeiro a fazer um filme de gênero. Price tinha uma proveitosa carreira como coadjuvante em grandes produções até protagonizar “Museu de Cera” (1953) e depois, “A Mosca da Cabeça Branca” (1958). Fincou o pé no gênero ao trabalhar com o ícone William Castle em produções como “A Casa dos Maus Espíritos” e “Força Diabólica” (ambos, de 1959) e depois veio a parceria com Roger Corman em produções, digamos, mais modestas, que renderam dezenas de filme eternizados na memória dos fãs do gênero.

Peter Cushing já era bem conhecido na televisão britânica quando foi contratado para fazer “A Maldição de Frankenstein” (1957), de Terence Fisher, e o papel bateu o martelo em seu estrelato. Sua carreira subseqüente inclui interpretar Victor Frankenstein mais cinco vezes, Van Helsing cinco vezes e Sherlock Holmes uma vez no cinema e na TV, além de vários outros papéis, sem esquecer que também interpretou o célebre Doctor Who em dois filmes!

Christopher Lee foi contratado para interpretar o monstro de “A Maldição de Frankenstein” (1957) praticamente devido à sua altura. Em seguida foi recontratado para interpretar o Conde Drácula em O Vampiro da Noite” (1958), e o filme o lançou ao estrelato. Interpretou o temível vampiro por várias vezes e, mesmo querendo fazer papéis “mais sérios”, ficou enterrado (risos) no gênero.

The Bat Pack – O legado

A décadas de 70 e 80 “escantearam” os monstros fictícios, deram voz a monstros mais reais (e surreais) e as carreiras dos três atores foram perdendo a força que tinham nas décadas anteriores. Ainda assim, a figura deles marcou gerações de fãs, que depois vieram a ser grandes diretores, e que tiveram a chance de trabalhar com seus ídolos do passado. Gente como Tim Burton (Edward Mãos de Tesoura), Peter Jackson (O Senhor dos Anéis) e George Lucas (Star Wars) ajudou cada um deles ao seu modo, escalando-os para papeis em suas produções.

The Bat Pack – A maratona

Mas vamos ao que interessa? Aproveitando a ótima pesquisa feita por nosso amigo e constante colaborador Givaldo Oliveira (aqui, aqui e aqui, por exemplo), e o fato da necessidade do isolamento social devido à pandemia do COVID-19, que tal uma maratona com nada mais nada menos que TODOS os filmes que estão disponíveis a 1 clique de distância no Youtube (tem até filme com 2 deles contracenando juntos!). Corra antes que apaguem!

Horror Express

As Profecias do Dr. Terror

Horror Hotel (A Cidade dos Mortos)

O Cão dos Baskervilles

O Demônio de Fogo

Terror na Penumbra

O Soro Maldito

O Metrô da Morte

O Passado Tenebroso

O Castelo dos Mortos-Vivos

O Trem da Morte

Hércules no Centro da Terra

A Casa Que Pingava Sangue

Os Ritos Satânicos de Drácula

O Último Unicórnio

Hannie Caulder- Desejo de Vingança

Passageiros do Inferno

Máscaras da Morte

O Asilo do Terror

Trama Sinistra (A Maldição dos Gatos)

Carmilla – A Vampira de Karnstein

A Fera Deve Morrer

Contos do Além

O Ente Diabólico (O Carniçal)

O Caçador de Bruxas

A Mansão do Morcego

A Máscara da Morte Rubra (A Orgia da Morte)

O Túmulo Sinistro

A Casa das Sete Torres

As Sete Máscaras da Morte (Teatro da Morte)

A Casa dos Maus Espíritos

Farsa Trágica

Mortos Que Matam

Clube dos Monstros

O Uivo da Bruxa

Nefertiti: a Rainha do Nilo

O Abominável Dr. Phibes

A Câmara de Horrores do Abominável Dr Phibes

Os Chacais

Robur – O Conquistador do Mundo

Boa diversão!

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RESENHA: O Que Nos Mantêm Vivos (2018)

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O Que Nos Mantêm Vivos

O cinema com temática LGBTQI+ está cada vez mais ganhando visibilidade. Dentre os gêneros abordados, o terror também se encontra presente. Pessoalmente não conheço muitos filmes com uma pegada séria, uma vez que sempre acabam flertando com a comédia, como é o caso de “Matadores de Vampiras Lésbicas” (2009) ou “The Curse of the Queerwolf” (1988). Existem, sim filmes mais sérios como “Parceiros da Noite” (1980), mas obviamente são casos raros. Recentemente, navegando pela Amazon Prime, descobri o filme “O Que Nos Mantêm Vivos”, um filme de terror de sobrevivência estrelado por um casal lésbico.

A trama acompanha o casal Jackie e Jules que está comemorando o seu primeiro ano de casamento indo para uma casa de campo. As coisas começam bem, mas alguns segredos e mentiras vêm à tona e o que seria um fim de semana romântico se torna um pesadelo imprevisível. Falar mais que isso seria spoiler e já adianto que evitem o trailer antes de assistir, pois ele conta o filme todo.

Casais apaixonados em casas no meio do nada sendo apavorados não é algo novo e esse filme tenta não reinventar a roda, mesmo com seus momentos de surpresa. As duas atrizes seguram as pontas e dão mais camadas às suas personagens na medida em que o caos emerge. O jogo de gato e rato é interessante e por vezes instigante, me lembrando o superior “Hush – A Morte Ouve” (2014). A direção consegue na maior parte do tempo captar a tensão e a loucura, mesmo que em alguns momentos escorregadios, as cenas se transformem em algo quase caricato.

Uma coisa que me incomodou em “O Que Nos Mantêm Vivos” foi o uso de estereótipos para caracterizar as personagens. Na maioria dos filmes do gênero sempre parece uma regra ter que se colocar alguém do casal de forma mais masculinizada para se ter uma distinção do seu par. Isso vale para casais gays também, claro. É como se a audiência hétero não pudesse enxergá-los simplesmente como um casal se não tiver essas características aparentes. Outra coisa que me irritou foi se utilizar do manjado artifício da burrice de certa personagem para fazer a trama prosseguir. Ficam claras várias possibilidades, mas o roteiro teima em ir pelo caminho mais fácil.

Embora o filme apele mais para o psicológico, o gore aparece aqui e ali para salpicar a tela de vermelho. No fim é um bom filme que te prende até o final, mesmo por vezes te fazendo virar os olhos em descrédito. Divertido, “O Que Nos Mantêm Vivos” merece ser mais visto.

Escala de tocância de terror:

Título original: What Keeps You Alive
Direção e roteiro: Colin Minihan
Elenco: Hannah Emily Anderson, Britany Allen, Joey Klein
Ano de lançamento: 2018
País de origem: Canadá

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