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DICA DA SEMANA: Sexta-Feira 13 (1940)

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Sexta-Feira 13 Black Friday

As décadas de 30 e 40 foram marcantes para a evolução do cinema. E não apenas no sentido tecnológico. Diversas histórias puderam ser contadas a um espectador ávido por essa, então, nova experiência audiovisual, graças ao talento de grandes cineastas que foram revelados durante esse período.

No caso, estou me referindo ao lado mais comercial da história, com o cinema de gênero e o “studio system” em Hollywood criando os seus astros para cada tipo específico de produção. Este foi o caso de Boris Karloff e Bela Lugosi no terror. Foi aí que os estúdios se viram interessados em fazer híbridos, filmes em que tínhamos uma trama que abraça o gênero ‘do momento’ misturado a outros já consagrados para o público. Essa mistura de gêneros também era algo frequente nas rádio-novelas da época.

Foi no ano de 1940 que a Universal chegaria a lançar o seu último longa estrelado pela dupla Karloff e Lugosi. BLACK FRIDAY foi dirigido pelo experiente Arthur Lubin e recebeu por aqui, nada mais, nada menos que o título de SEXTA-FEIRA 13, algo que hoje é divertido de reparar por motivos mais do que óbvios para qualquer fã de terror.

Mas o título brasileiro até que faz sentido, pois é justamente em uma Sexta-Feira 13 em que o gentil e querido professor de literatura George Kingsley (Stanley Ridges) termina sendo vítima de um atropelamento. O famoso doutor Ernest Kovac (Boris Karloff) se vê com duas vidas em mãos: a de seu amigo que se encontra em estado grave e a de Red Cannon, o gângster que causou o acidente, ao fugir de uma perseguição por outros bandidos. É quando o médico vê no ocorrido a chance de comprovar as suas teorias, realizando um transplante do cérebro do bandido no corpo do amigo… E o pior é que a operação dá certo, com Kingsley voltando para casa depois de receber a alta do hospital.

Só que o transplante de Kovac tem os seus efeitos colaterais, com o professor se tornando uma espécie de Jekyll / Hyde quando a personalidade do gângster toma conta por completo do corpo de Kingsley (justamente nos momentos em que a trama mais exige, claro!). Ao mesmo tempo em que fica espantado, o médico também enxerga a oportunidade de fazer com que Cannon revele onde escondeu US$ 500 mil que vieram de um grande assalto a banco. Ele só não contava que o bandido não estava apenas interessado em recuperar todo esse dinheiro, mas também em se vingar dos antigos comparsas, dentre eles o perverso Marnay (Bela Lugosi).

Com SEXTA-FEIRA 13 temos então essa mistura de ficção científica, de filme de cientista maluco e de gângsters, com direito até a uma “femme fatale” na segunda parte da história. O que deve desapontar a alguns fãs é o fato de nem Karloff e nem Lugosi serem, de fato, os protagonistas da produção e sim, o ator Stanley Ridges que facilmente tem a melhor atuação do filme e consegue roubá-lo das duas estrelas.

Originalmente, Lugosi seria o dr. Kovac e Karloff teria o papel duplo de Kingsley/Red Cannon, mas o famoso intérprete da criatura de Frankenstein preferiu ficar com o personagem do amigo médico. Lugosi foi o que mais se prejudicou, apesar de ter o seu nome em destaque nos créditos e na divulgação, e teve que se contentar com o papel menor do gângster Marnay. Foi desta forma que um ator como Ridges sempre visto em personagens coadjuvantes, deitou e rolou com a oportunidade. Ele impressiona de uma maneira que é capaz do espectador pensar que seus dois papéis são feitos por atores diferentes.

Com apenas 70 minutos, SEXTA-FEIRA 13 tem diversão de sobra para os fãs dos atores e do cinema de horror/ficção científica dos anos 40. O filme pode ser assistido gratuitamente através do YouTube. Abaixo o trailer de cinema (com SPOILERS), onde se “revela” que Bela Lugosi foi hipnotizado (risos) pelo místico Manly P. Hall para uma de suas cenas no filme.

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DICA DA SEMANA: Rebooted (2019)

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Rebooted

Dos dias 24 de julho a 2 de agosto de 2020 acontece a XVI edição do Fantaspoa. Esse ano, excepcionalmente devido à pandemia do coronavírus, o festival que acontece anualmente em Porto Alegre, foi inteiramente online e gratuito através da plataforma Darkflix. Entre os vários longas e curtas, um deles me chamou a atenção. (mais…)

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DICA DA SEMANA: Ghost Stories (2017)

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Ghost Stories

Às vezes falar de um filme esculhambado é melhor do que falar de um filme sério. Principalmente no tocante ao humor. Em uma produção que não se leva a sério, qualquer coisa pode ser motivo de piada. Já em uma obra mais séria, é difícil saber em que momento pode vir um alívio cômico sem que isso fique deslocado da história.

Nesta dica em questão que está no catálogo da Amazon Prime Video, “Ghost Stories” (traduzido em alguns lugares como “Histórias de Além-Túmulo“) consegue dosar bem essas duas coisas. Mas calma… em primeiro lugar, não confunda com os outros homônimos que existem e nem com outro lançado no mesmo ano e cujo título está no singular. Este “Ghost Stories” é britânico e é conduzido pela dupla Jeremy Dyson e Andy Nyman.

Inicialmente venderam o filme como sendo uma antologia, mas não é exatamente isso. Ele se utiliza da estrutura de uma antologia com histórias e cenas curtas para borrar seus limites e fundí-las com o enredo geral.

Assim que começa, acompanhamos o cético professor Philip Goodman (Nyman) disposto a desmascarar um vidente que fala com parentes falecidos durante um show ao vivo. Isso aí faz parte da gravação de um programa que Goodman apresenta, onde na sequência resolve investigar o caso do parapsicólogo desaparecido Charles Cameron.

É na busca por Cameron que o apresentador esbarra em três casos de pessoas que foram visitadas pelo especialista paranormal devido a acontecimentos, no mínimo, escabrosos. Nosso investigador segue as pistas dadas por uma fita k7 gravada e tenta encontrar cada uma das testemunhas dessas histórias para ouvir delas os seus relatos confrontando-as com o que Cameron conta.

Lembra que falei no começo sobre o uso do humor em tramas sérias? Pois prepare-se para apreciar aquele típico humor inglês sutil que irrompe em momentos diversos tal qual os jumpscares. E sim, eles estão no filme, e inseridos de uma maneira que funciona e bem para manter sua adrenalina em alta… em especial numa cena dentro de um carro.

Outra coisa surpreendente em “Ghost Stories” é como o roteiro é bem amarrado lhe conduzindo a um clímax que lhe deixa quase sem acreditar nas reviravoltas. Ao final podemos juntar as peças e ter até interesse em rever o filme para pescar melhor cada referência em seu refinado jogo de ilusão de ótica. Afinal de contas, o cérebro vê aquilo que ele quer ver.

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DICA DA SEMANA: Hagazussa – A Maldição da Bruxa (2017)

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Hagazussa

A quarentena tá aí e como não temos uma previsão real pra acabar, vamos de mais uma dica cabulosa pra se assistir em casa. Desta vez venho com um filme de bruxa alemão cabuloso que tá disponível no catálogo da Amazon Prime Video: HAGAZUSSA – A MALDIÇÃO DA BRUXA.

Pra sentir o drama, a sinopse do filme lá no IMDB é a seguinte: “Paranóia e superstição na Europa do Século XV“. Mas pra não deixar tudo tão nebuloso, a sinopse do filme no site oficial do Fantaspoa diz o seguinte: “A lenda sombria da jovem órfã Albrun e sua luta para preservar sua sanidade em um período no qual existe uma linha muito tênue entre magia, fé e loucura; e a população de zonas rurais é assombrada por crenças pagãs de bruxas e espíritos da natureza“. Clareou? Acho que basta.

Escrito e dirigido por Lukas Feigelfeld, HAGAZUSSA é dividido em quatro capítulos: Sombra, Chifre, Sangue e Fogo. Todos eles com um clima frio – literalmente! – e melancólico, com poucos diálogos e muitas cenas lindas e sinistras que são de se admirar, mas que também podem causar desconforto. Nada é fácil ou agradável aqui. Com um andamento extremamente arrastado e situações nada conclusivas, o longa pode cansar e confundir quem espera algo mais explicado.

Assim pela premissa e trailer, é fácil lembrar do grande sucesso A BRUXA (The VVitch, 2015), mas não se engane, HAGAZUSSA é um filme bem mais indigesto do que o terror rural do tão amado Black Phillips. O longa rodou festivais ao redor do mundo e levou vários prêmios, como no já citado Fantaspoa, no qual levou o de “Melhor Direção de Arte” na Competição Internacional do evento em 2018.

HAGAZUSSA é exatamente como o próprio poster diz: Um conto gótico rural. Enfim, é altamente recomendado pra quem curte filmes mais sombrios, e dodóis, do tema e que fogem da fórmula batida holywoodiana. Se essa pessoa é você, vai fundo!

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